Site Meter Sem Salto Alto

segunda-feira, agosto 20, 2007

Gols de letras

Depois do futebol, os livros são a minha maior paixão. E quando essas duas paixões se unem, acabo reservando espaço na minha estante para os novos títulos. Este ano tem Bienal do Livro aqui no Rio e já tenho três publicações na mira:

A Dança dos Deuses
Autor: Hilário Franco Júnior
Editora: Companhia das Letras
O autor já ganhou dois Prêmios Jabuti e é professor aposentado de história social na USP. Hilário Franco Júnior é historiador especializado em Idade Média. Em seus estudos, viu que quase tudo o que existe agora teve sua origem no mundo medieval. Daí a necessidade de estudar o passado como forma de entender o presente. E ele faz isso com o futebol. O livro está dividido em duas partes: uma histórica e outra analítica. As páginas pretendem mostrar que o futebol não pode ser dissociado da história geral das civilizações, servindo ainda de metáfora sociológica, religiosa, psicológica, lingüística etc.

Jogo Duro
Autor: Ernesto Rodrigues
Editora: Record
Ernesto Rodrigues já tem experiência em escrever biografia de uma personalidade do esporte (a primeira foi “Um Herói Revelado, do inesquecível Ayrton Senna). E encarou a missão de escrever a biografia de João Havelange. Realizou cerca de 24 horas e meia de entrevistas com o presidente de honra da FIFA e faz questão de frisar que Havelange o ajudou, mas aceitou a autonomia do autor em relação ao que seria escrito. Uma boa pedida para quem gosta de entender o lado político do futebol.

Invasão de Campo
Autor: Barbara Smit
Editora: Jorge Zahar

Este livro tem até slogan “Três listras, dois irmãos, uma briga”. A obra conta a história dos irmãos Adi e Rudolf Dassler, que na década de 20 revolucionaram a indústria de calçados ao criar uma empresa voltada somente para linha esportiva. A empresa? É só unir o nome Adi + as três primeiras letras do sobrenome dele: Adidas. O que poderia ser um sucesso em família virou ressentimento, briga e traição. A sociedade acabou e da separação surgiu outra empresa de artigos esportivos: a Puma. É de fazer babar quem gosta de marketing esportivo, futebol e histórias de bastidores que simples mortais como nós não temos acesso.
Imagens: Divulgação/Editoras

sexta-feira, agosto 10, 2007

Superleague Formula: o futebol invade as pistas

Webb e Andreu: criadores da categoria que une automobilismo e futebol

“Dois grandes esportes, um campeonato emocionante”. Com esse conceito, o espanhol Alex Andreu e o inglês Robin Webb criaram a Superleague Formula, um campeonato que une o automobilismo e o futebol. Andreu é especialista em marketing que desenvolveu projetos de mídia e programas de divulgação para os Jogos Olímpicos de Barcelona, a Liga Espanhola de Futebol, a Seleção Espanhola, a FINA, a FIFA e a UEFA. Já Webb é um executivo financeiro conhecido pelas experiências e investimentos nos esportes motores. A idéia dos dois – genial, na minha opinião – é simples: no lugar das escuderias como Ferrari ou Williams, entram times de futebol.

O design dos carros é feito com as cores dos clubes participantes e segundo pesquisa realizada pelos criadores da categoria, vai atrair tanto os apaixonados por esportes motores quanto torcedores de futebol. Lançada em abril, a Superleague já conta com a participação do Milan, do Anderlecht, do Borussia Dortmund, do PSV Eindhoven, do Porto e do Olympiacos, além do Flamengo, que acertou a participação no campeonato no último dia 08, apresentando o modelo do carro rubro-negro em coletiva na Gávea.

Na primeira temporada em 2008, a Superleague Formula terá seis etapas na Europa, com previsão de crescimento para 2009. Todos os carros serão fabricados pela mesma empresa para garantir a igualdade na disputa e terão cerca de 750 cavalos de potência. O que vai fazer diferença mesmo é o piloto – e quem sabe, a força de cada torcida. Esse é o tipo de carrinho que todo amante do futebol gosta de ver e que juiz nenhum pode sequer um cartão amarelo.

Foto: Divulgação / Superleague Formula

quarta-feira, agosto 08, 2007

A teoria...

(...) “Dependerá do presidente (Ricardo Teixeira) perceber que ele não é dono da Seleção. Ela é do povo. Se os torcedores me quiserem de volta, estarei disponível”.

A frase é do atacante Ronaldo ao jornal “La Gazzetta Dello Sport” e na entrelinha, revela o desejo de retornar a vestir a camisa amarela. Nem tanto na entrelinha, o Fenômeno mostra ainda que não engoliu as críticas de Teixeira, publicadas no Estadão, a respeito do comportamento dos jogadores e da má-forma física do atacante na Copa de 2006.

“Em 2002, quando fomos pentacampeões, ele (Ricardo Teixeira) foi o primeiro a levantar a taça. Agora, ele não pensa duas vezes em nos criticar. A questão do peso nunca foi problema”.

Na teoria, Ronaldo está coberto de razão. Mas na prática...

A prática...

Ronaldo: vontade de estar na Seleção Ronaldo: vontade de estar na Seleção


Na prática, há muito tempo a Seleção Brasileira não é do povo. É dos patrocinadores, da empresa que negocia os amistosos da equipe e claro, de Teixeira & Cia, que em julho foi reeleito para mais uma mandato e permanece lá, na CBF, desde 1989. Às vezes, nem dos patrocinadores, como é o caso da Vivo, em pé-de-guerra com o comando da entidade (consulte post sobre o assunto).

Essa mesma Seleção não joga em seu próprio país desde 25 de abril de 2005, quando Romário despediu-se da amarelinha contra a Guatemala.

Na teoria, Ronaldo está certo; a Seleção Brasileira devia ser mesmo dos quase “190 milhões em ação”. Só que a prática revela que, infelizmente, os únicos “milhões em ação” que fazem o movimento “pra frente Brasil” são milhões de dólares (e não mais de corações).

Foto: EFE/UOL

segunda-feira, agosto 06, 2007

Nike x Pirataria

Linha Kick Off, da Nike: camisas originais, com preço mais acessível.
Linha Kick Off, da Nike: camisas originais, com preço mais acessível.


A iniciativa vinha sendo decantada há algum tempo, mas não tinha saído da gaveta. Agora, finalmente aparece nas lojas uma boa iniciativa não para combater – papel destinado às autoridades – e sim para concorrer com a pirataria.

A Nike lançou a “Kick Off”, camisa produzida pela empresa com design igual ao do uniforme utilizado em campo. Alguns detalhes são diferentes: o escudo (que na camisa dos jogadores é bordado e na linha Kick Off é feito em silk) e o tecido (em vez do moderno dri-fit da primeira, a segunda é feita de poliéster). Mas a grande diferença mesmo aparece no bolso: as camisas da linha Kick Off são, em média, 60 reais mais baratas que a camisa utilizada em campo. São vendidas a menos de 80 reais. Concordo que o preço ainda é salgado para a maior parte dos orçamentos no Brasil. No entanto, a iniciativa é boa porque abre caminho para a criação de alternativas que promovam a inclusão do torcedor comum no mercado de consumo do futebol. E, por tabela, gerem mais renda para os clubes brasileiros.

Flamengo e Corinthians, patrocinados pela Nike e donos das duas maiores torcidas do país, já têm camisas com preços mais populares. Será que a moda pega?

quarta-feira, agosto 01, 2007

Ricardo Teixeira e Sun Tzu

A queda do Brasil em 2006 começou na omissão da CBF


A cúpula da CBF está na Suíça, em virtude da entrega do caderno de encargos da candidatura do Brasil como sede da Copa de 2014. E foi de lá que Ricardo Teixeira soltou o verbo contra uns e outros a respeito da derrota brasileira na Copa da Alemanha. Entre as principais declarações do dirigente, que pincei da matéria do UOL, destacam-se:

“Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 da manhã bêbado".

"Era óbvio que aquilo (as badalações dos jogadores e poucos treinos) não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?".

"Como é que um atleta (Ronaldo) pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta".

"Por isso é que eu preciso de disciplina e esse é o papel de Dunga”.


Não sei se Ricardo Teixeira gosta de ler. E se gosta, se algum dia folheou ou realmente parou para ler a obra “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. O livro foi escrito há mais de 2.500 anos e tem treze capítulos, que abordam eventos e estratégias úteis para uso em um combate. Seja ele na vida profissional, na vida pessoal, na guerra mesmo ou... no futebol. E no décimo capítulo temos o trecho:

“Um general deverá saber as seis situações que apontam a derrota de um exército: quando os soldados fogem, quando eles possuem disciplina negligente, quando o exército está deteriorado, quando se desmorona sob a insurgência, quando é desorganizado e quando foi derrotado. Nenhuma destas situações é conseqüência de catástrofes naturais, elas são decorrentes das falhas dos comandantes”.

Eu nem precisaria ter lido isso para ter uma certeza: se o Brasil perdeu em 2006, não foi culpa dos jogadores que chegavam bêbados pela manhã; nem da badalação em torno deles. Também não foi culpa da falta de pulso de Parreira, nem das gordurinhas de Ronaldo. Parreira estava lá como empregado da CBF e os jogadores, a serviço da mesma. E ninguém pode ser mais culpado e mais errado que Ricardo Teixeira, que comanda a entidade. Culpado de omissão, de conivência e de negligência pela falta de atitudes para mudar o que estava errado. Sem falar da ausência de ética de tocar no assunto agora e da forma que foi feito. Bem que eu queria Sun Tzu na presidência da CBF...
Foto: Reuters

domingo, julho 15, 2007

Férias Sem Salto Alto

Assim como essas arquibancadas, este humilde blog vai ficar vazio um tempinho... Assim como essas arquibancadas, este humilde blog vai ficar vazio um tempinho...


Até o dia 29 de julho, não vou colocar novos posts do blog por estar envolvida com o Rio 2007. Terminando o Pan, eu volto a tocar minha bolinha por aqui. Sem Salto Alto, é claro...

O futebol tem dessas coisas...

 Julio Baptista abre o placar e agradece: a vitória caiu do céu Julio Baptista abre o placar e agradece: a vitória caiu do céu

O futebol, ah, o futebol! Imprevisível como sempre... Ou alguém aí realmente tinha certeza dessa vitória, ainda mais com esse placar?
Foto: UOL


segunda-feira, julho 09, 2007

Há coisas que só acontecem ao Botafogo...

O artilheiro Dodô: afastado temporariamente
Não consegui escapar ao clichê. Foi inevitável recorrer à máxima popular, que garante um certo “fardo” ao Botafogo. O que dizer do resultado do exame antidoping que suspendeu ninguém menos que Dodô por pelo menos trinta dias?
O time alvinegro não é um esquadrão. Só que em 2007 é, sem dúvida, o que tem mostrado melhor futebol. Joga certo, com aplicação tática e coletividade. A defesa é segura; o meio-campo, equilibrado e habilidoso; o ataque é rápido e eficiente. Mas não se pode dizer que tem tido sorte. Foi assim nas finais do Carioca, quando teve chances de botar as mãos no título e não o fez. Resultado: perdeu o caneco numa decisão por pênaltis para o arqui-rival Flamengo. Na Copa do Brasil, estava ganhando do adversário quando perdeu para a arbitragem. Ganhou a pecha de “não saber decidir”. Veio o Brasileiro e pela regularidade, a equipe de Cuca abriu vantagem na tabela. Está vencendo e convencendo, ainda invicta. E neste momento, exatamente neste momento, perde seu principal jogador.
Sem dúvida, o clube moverá montanhas para ter o atacante de volta aos gramados logo. Mas até (e se) conseguir, será que a equipe vai manter o desempenho? A resposta eu não sei. O gênio Nélson Rodrigues, grande homenageado da Flip, já dizia: “Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e ainda assim, ele será inconfundível. Por quê? Porque há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal”. Mas depois de enfrentar a falta de sorte e os erros de arbitragem, chegou a hora do Botafogo superar a si mesmo.
Foto: Globo.com

Dignidade palmeirense

Em reportagem do Globoesporte.com, li que o Palmeiras vai honrar até o fim o contrato do jogador Alemão, que faleceu em acidente automobilístico no último fim-de-semana. O atacante tinha contrato até 31 de janeiro de 2010 e Affonso Della Monica, presidente alviverde, garantiu que o clube não só pagará pelo compromisso como também ajudará a família em relação ao seguro de vida.

Atitude digna e louvável. Pena que não é regra. Que o diga a família do atacante Denner, que também morreu num acidente de carro no Rio de Janeiro. Até hoje, eles lutam na justiça para receber o seguro do atleta, que na época jogava no Vasco.

sexta-feira, julho 06, 2007

Reinventando a ponte

 O bom goleiro Bruno: destino incerto e nas mãos de 'negociadores' O bom goleiro Bruno: destino incerto e nas mãos de "negociadores"
Antigamente, ponte no futebol, era o nome dado a uma determinada maneira do goleiro fazer uma defesa. Se alguém preferir, é o “salto do goleiro, mais ou menos perpendicular à linha de gol, para defender bola chutada pelo adversário”, segundo definição do Houaiss. Ou então, uma forma mais “íntima” de fazer referência à Ponte Preta, de Campinas. Atualmente, a ponte que mais tem aparecido no futebol brasileiro é outra. Agora, a ponte da moda é formada pelos clubes brasileiros e empresários, com um único objetivo: conduzir os jogadores a negociações no exterior.
Exemplos não faltam: o goleiro Bruno, do (?) Flamengo é um. Desde sua chegada ao clube rubro-negro, empresários e dirigentes deixaram claro que o principal motivo do jogador ter ido para lá seria projetar-se no mercado e ser negociado para o exterior. Não por acaso, seu contrato expirou em junho, às vésperas da abertura da janela de negociações na Europa.Carlos Alberto, de malas prontas para o Werder Bremen, também exemplifica a situação. Saiu do Fluminense, foi para o Porto, não convenceu ninguém lá, foi comprado pelo MSI, repassado ao Corinthians, depois ao Fluminense. Chegou às Laranjeiras no início deste ano, jurando não sair tão cedo do lugar onde “seu futebol apareceu”. Dirigentes do tricolor carioca negavam uma possível saída do jogador no meio do ano. O que aconteceu? Os “investidores”, os donos do passe, bateram o martelo e lá se vai ele.

A ponte tem duas vias: uma, que coloca determinados jogadores em clubes maiores do Brasil, para servir de vitrine; a outra, repatria jogadores que, por um ou outro motivo, não estão sendo utilizados em times estrangeiros e que voltam com status de craque para jogar com mais regularidade, pegar tarimba e, na primeira oportunidade, o vôo de volta. O meia Íbson está prestes a usar essa via, voltando ao Flamengo (já que não vem sendo aproveitado pelo Porto) e com certeza, daqui a poucos meses, se envolvendo em mais uma negociação.

Só vejo dois motivos para os clubes brasileiros concordarem com tal prática. O primeiro é que tem muita gente – e não o futebol brasileiro – ganhando com isso. O segundo, talvez para disfarçar as mazelas do primeiro, é criar entre os torcedores a ilusão que seu clube tem um certo poderio frente ao mercado exterior.

Infelizmente, isso não existe. E situações assim, só deixam claro o quanto o futebol brasileiro ainda tem que melhorar para ser considerado realmente sério.

***

Os tempos são tão tristes que o jogador Ronaldo admitiu, à Agência Placar, que será muito difícil jogar pelo Fla. O motivo? Os interesses financeiros que determinam o destino dos jogadores.

- Sou torcedor do Flamengo desde criança. A torcida me quer jogando pelo clube, mas sinceramente não sei se um dia isso poderá acontecer – declarou o Fenômeno.

Triste, não?

Foto: Globoesporte.com

segunda-feira, julho 02, 2007

O Engenhão e a Lei de Gérson

Na década de 70, a marca de cigarros Vila Rica fez algumas pesquisas, que indicavam que um dos traços da "personalidade" do brasileiro era a de "sempre querer levar vantagem em tudo". Decidiram então, promover o produto usando este mote e o meio-campo Gérson foi o escolhido para estrelar o comercial. O cigarro era promovido como “melhor e mais barato” que os outros e no fim do anúncio, Gérson justificava a escolha do Vila Rica com uma frase: Afinal, eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Nasceu assim a chamada “Lei de Gérson”. Sem número, sem portaria, sem decreto, mas infelizmente, uma das poucas leis que “pegaram” no Brasil (a outra é a Lei da Gravidade).
Não, não estou fazendo um post sobre um exemplo de marketing esportivo ruim (associar cigarro e esporte não é uma das melhores coisas). Mencionei a Lei de Gérson porque ela representa tudo que deveria mudar na mentalidade do brasileiro. Do dirigente. Do torcedor. E reafirmo, como fiz no post anterior: não é a modernidade do Engenhão que vai alavancar o Brasil como um todo, o esporte brasileiro em geral ou o futebol em particular. Vamos sonhar com Copa e com Jogos Olímpicos sim. Desde que a gente acorde e não precise mais ver notícias como a que apareceu na 1ª página do jornal “O Globo”, de hoje.
O moderno Engenhão já sofre com o vandalismo.
Engenhão já sofre com o vandalismo e a falta de educação dos torcedores.

Foto: Reprodução "O Globo" - 02/07/2007

domingo, julho 01, 2007

Primeiro Mundo não...

Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica

“De Primeiro Mundo”. Essa é a expressão mais comum para se referir ao Estádio Olímpico João Havelange, o “Engenhão”, inaugurado ontem (30/06) com o clássico Fluminense x Botafogo. Realmente, o estádio é muito bonito. A estrutura é vistosa, de arquitetura diferente em relação aos outros estádios no Brasil. Foi concebido para ser grandioso, atraente. Mas não vamos nos enganar: o Primeiro Mundo passa bem longe do Engenhão, como passa longe de todos os estádios no Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais. Passa longe do Brasil.


Não fui ao jogo, mas fiz questão de dar uma volta no entorno do estádio. E o que vi foi algo que destoa – e muito – da idéia de “Primeiro Mundo”. Porque para ser de “Primeiro Mundo” é preciso mais que um estádio moderno. É preciso modernizar também a mentalidade das pessoas que o administram e dos torcedores que o freqüentam.
O esquema de trânsito foi confuso, causou transtornos. Interditar as ruas em volta para evitar estacionamento irregular e engarrafamentos não é coisa de “Primeiro Mundo”. É coisa de cidade mal-planejada, de espaço urbano mal-administrado, de vias públicas obsoletas e saturadas.
Confusão na entrada também não dá acesso ao “Primeiro Mundo”. Nem banheiros que não têm papel higiênico ou bares que não dão vazão ao público que recebe. Isso é infra-estrutura deficiente, péssimo planejamento, total desconhecimento do evento que está sendo promovido.
Passarelas inacabadas, que deveriam fazer a ligação entre o estádio e a estação de trem também não é “Primeiro Mundo”. É sinal de “obra feita nas coxas”, é desrespeito com quem usa esse transporte e incoerência – já que era expressamente recomendado que o público utilizasse o transporte ferroviário para chegar ao local.
Até agora, falei somente de problemas de organização. Mas falta também educação. Porque o que faz mesmo um lugar ser de primeiro ou quinto mundo não é uma obra arquitetônica, mas a educação de quem nele vive.
E o pobre Engenhão parece fadado aos maus-tratos e ao descaso típicos de um povo que não valoriza o que tem.Vi um grupo de torcedores que se orgulhava de “dar a primeira mijada” nos muros do estádio. Outro grupo, em mais uma exibição lamentável de falta de higiene e respeito, urinar na frente de crianças, de senhoras. Vi gente jogando latas, garrafas, papéis e toda sorte de lixo no chão. Vi gente se empurrando para tentar entrar primeiro. Sem contar a loucura que muitos cometeram para tentar “fugir do trânsito” ou “conseguir uma vaga”, a marra e a postura marginal das torcidas “organizadas” e o desrespeito a qualquer norma de cidadania.
Então, melhor dar outro tom ao discurso: não, não viramos “Primeiro Mundo” de uma hora para outra. Para isso, é preciso ir muito além do que construir "Engenhões": tem que ter educação – e educação no sentido mais amplo da palavra, aquela que molda as atitudes do ser humano, seja ele um administrador de estádio ou um torcedor.
Foto: Divulgação

segunda-feira, junho 25, 2007

Lá e aqui

 Henry no Barcelona: antes da estréia, já marcando gols. Henry no Barcelona: antes mesmo da estréia, já marcando gols.

Henry foi apresentado oficialmente como jogador do Barcelona nesta segunda (25/06). Cerca de 30 mil torcedores foram ao Camp Nou para conferir a chegada do artilheiro francês, que custou € 24 milhões aos cofres do clube.
Não vou nem entrar no mérito das cifras. Para mim, o fato de ter 30 mil pessoas num estádio para ver um jogador chama mais atenção. Tal número é maior que a média de público do Brasileirão (13.440 pessoas). No mesmo campeonato, apenas três jogos tiveram público acima disso: Corinthians 0 X 0 Paraná (40.162 pessoas); Cruzeiro 4 X 2 Atlético (36.746 pessoas); e Internacional 0 X 2 Grêmio (30.372 pessoas). E nem é porque o Brasileirão ainda não “embalou”; ano passado, a competição teve 12.401 de média de público. Pouco, muito pouco mesmo se pensarmos que é nesse mesmo Brasileirão que vimos craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Juan, Adriano e tantos outros despontando.
Podem dizer que a realidade brasileira é outra, que não temos condições de segurar os bons jogadores e muito menos os craques por muito tempo. Na minha opinião, falta mesmo é vontade: dos clubes, dos dirigentes, da TV que compra os direitos de transmissão, do jogadores, dos empresários, do governo. Coisa que sobrou na Inglaterra, lá no início dos anos 80, quando resolveram transformar um campeonato igualmente falido e sem atrativos num dos produtos mais valiosos do futebol mundial na atualidade.

***

Além de Henry, o Barça apresentou a nova camisa para a temporada 2007/2008. O novo uniforme tem listras mais finas, novo desenho da gola e uma homenagem aos 50 anos do estádio do time ao redor do escudo no peito esquerdo (a inscrição "Camp Nou 1957 - 2007").
Mais uma pequena lição que poderia ser aproveitada pelos clubes brasileiros. Aqui, nenhum torcedor sabe ao certo quando o clube vai lançar uma nova camisa: acontece no meio da temporada, durante um campeonato, geralmente com um desfilezinho com famosos ou jogadores da equipe (e que às vezes, nem são os preferidos da torcida). Os modelos se misturam nas lojas e na cabeça dos torcedores. A cara do futebol brasileiro, como um todo.


Foto: AFP

terça-feira, junho 19, 2007

O maior dos erros de Ana Paula

 Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio


Mais uma vez, a assistente Ana Paula de Oliveira volta às manchetes. Dessa vez, não por erros cometidos em jogos aqui e ali. Mas porque assinou um contrato para posar nua na Playboy.
O futebol é machista. Por mais que cada vez mais mulheres atuem profissionalmente direta ou indiretamente com este esporte, o fato é que é difícil conseguir respeito entre os homens. Sinto e senti isso várias vezes, não só profissionalmente, mas até em bate-papos informais numa roda qualquer. Para ser ouvida numa opinião sobre o jogo, a substituição errada ou sobre algum fato memorável qualquer, sempre precisei me esforçar para não dar brecha. Certa vez, um cara disse na minha cara que mulher não entendia de futebol quando eu disse que ele tinha errado o ano que alguns times haviam sido campeões brasileiros. Tive que citar todos os campeões desde 1971. Na ordem. Sem erro. Enfim... Falo isso para deixar claro que “mulher + futebol = respeito” não é simples. Para que essa soma dê esse resultado é preciso saber o que quer. Tem que entender, conhecer, estudar mesmo. Traçar um caminho e dele não se afastar nunca.
Ana Paula andou cometendo erros graves (como todos os profissionais de arbitragem, vivos ou mortos também já fizeram). Só que o erro mais grave contra sua carreira é o que estar por vir. No momento que estampar as páginas da revista, no instante que virar pôster de borracharia, a profissional de arbitragem que queria conseguir o respeito no futebol vai ratificar o estereótipo que tanto queria contrariar. Misturando os canais, ela faz exatamente aquilo que a macharada esperava, se colocando como objeto sexual. Perdeu, definitivamente, o respeito.
Tenho pena é da próxima mulher que sonha tentar vencer nesse campo e no campo. Porque infelizmente, não tem esse papo de “foto artística”. Não conheço um homem que compre esse tipo de publicação pela arte.
Foto: Divulgação Playboy

As "brincadeiras" já começaram...

Já começou a onda de "brincadeiras"...

E não é exagero dizer que Ana Paula vai ser vista como objeto sexual e que sua decisão equivale a dar um cartão vermelho na possibilidade de conseguir respeito.Nesta terça (19/06), foram várias as declarações e gracinhas a respeito.

“Ela que se prejudica por se expor. Acho que tem muito a perder, pois o jogador não vai mais olhar para ela com o respaldo da autoridade”.
André Lima – atacante do Botafogo, ao Lancenet!


“É muito gostosa, com todo o respeito (...). Ela embeleza o futebol brasileiro. Não deve fazer (as fotos), para o bem dela. Mas ela, sinceramente, é um charme”.
Renato Gaúcho – treinador do Fluminense, ao “Bem Amigos”, do Sportv


“Se eu encontrar com ela num programa de TV, vou pedir (um autógrafo). Caso contrário, peço autógrafo num jogo meu em que ela estiver bandeirando (...).Eu saí na "G" e ela vai sair na "Playboy"... Poderíamos fazer uma dupla. Os dois pelados.”
Vampeta – meia do Corinthians, ao Globo Esporte.com


“Vai dificultar o trabalho dela, que ficará marcada pela revista (...)”
Marco Aurélio Cunha – superintendente do São Paulo, ao Globo Esporte.com

Imagem: Reprodução Globo Esporte.com

domingo, junho 17, 2007

Épico no Santiago Bernabeu

 Real Madrid: uma conquista épica Real Madrid: uma conquista épica
Muitos clubes no mundo têm orgulho de ser grande. Outros, uns poucos, cruzaram essa fronteira. São clubes míticos, cuja força é quase anterior às suas datas de fundação, porque já nasceram com o destino de serem épicos. Mais do que grandes, são grandiosos. O Real Mallorca jogava bem, jogava fácil e parecia disposto a calar o Santiago Bernabeu. Dominou o 1º tempo e parecia que faria o mesmo com o 2º. A torcida merengue assistia a tudo apreensiva. Ainda estava 1 a 0 Mallorca quando Varela (que abriu o placar) perdeu um gol incrível. Seria o 2 a 0, a tampa do caixão. Se a bola tivesse entrado, a história seria outra. Mas não entrou. Não sei se por capricho ou destino. Mas o gol que podia ter dado fim ao Real Madrid deu a ele a força necessária não só para fazer o resultado que precisava como também fazer história. Uma epopéia em 90 minutos. A superação que beira a arte, a glória que se entrelaça com o sonho. E neste domingo, o Real Madrid deixou de ser “galáctico” para voltar a ser “mítico”.
Foto: AP/Terra

terça-feira, junho 12, 2007

Você liberaria?

O que você faria nesta situação:

“Você tem uma empresa, conhecida mundialmente por ser líder de mercado e estar sempre à frente dos adversários. Nos últimos quatro anos, apesar dos maciços investimentos recrutando profissionais de ponta, promovendo estratégias de marketing e lançando mão de ferramentas para ampliar a força da marca nos quatro cantos do mundo, os resultados não foram bons.
A empresa perdeu a liderança e passou a ser motivo de chacota, vendo alguns dos principais rivais triunfando. O ambiente era o pior possível e foi preciso cortar na carne: muitos profissionais contratados a peso de ouro precisaram ser mandados embora, a marca perdeu credibilidade. A retomada de mercado demorou, mas foi acontecendo. Os adversários, um pouco céticos quanto à uma possível reação, cometeram algumas falhas. E a reação veio. E agora uma outra empresa requisita – sem pagar um tostão por isso - um dos principais executivos que estão comandando essa reação. Diga-se de passagem, às vésperas de uma importante reunião, prestes a conquistar a liderança novamente. E a segunda empresa quer a ‘consultoria’ já, para uma reunião que vai acontecer daqui a treze dias. Para isso, quer o profissional agora, antes da mais importante reunião dos últimos quatro anos.
A pergunta é: se a empresa fosse sua, você liberaria esse funcionário tão importante?”

Quase posso ouvir daqui você dizendo não. Agora, outro exercício rápido: substitua o “mercado” em questão pelo mundo do futebol; a “empresa” pelo Real Madrid em jejum de quatro anos sem títulos; o “executivo requisitado” por Robinho; a importante reunião, pela decisão contra o Mallorca no próximo fim-de-semana; a “segunda empresa” (a requisitante) pela CBF; e finalmente, a "reunião daqui a treze dias" pela Copa América. No lugar do Real Madrid, você liberaria Robinho?

Enquanto isso, na Sala de Justiça...


A Justiça e o futebol fizeram duas tabelinhas:

1 – Segundo nota do Blog de Esportes do UOL, a Vivo ganhou, através de medida judicial, o direito de estampar sua marca nos uniformes de treino da Seleção Brasileira. Conforme eu tinha destacado no post “Patrocínio Morto-VIVO”, do último dia 01, a CBF havia substituído a marca da operadora pela da campanha da Copa de 2014. Apostas para o próximo round da briga?

A marca da Vivo voltou aos uniformes de treino da Seleção

A marca da Vivo voltou aos uniformes

2 – Outro imbróglio que teve vez nos tribunais foi entre a jornalista Milly Lacombe e o goleiro Rogério Ceni. O problema entre os dois começou quando ela acusou Ceni, em pleno Sportv, de ter falsificado uma assinatura para forjar uma negociação com o Arsenal. Na época, o goleiro ligou para o canal a cabo ao vivo, promovendo uma das maiores escovadas do jornalismo esportivo nos últimos tempos (confira o vídeo abaixo).Pois bem, ontem, a jornalista se desculpou com Ceni diante do juiz, em audiência que durou mais de quatro horas. Além disso, declarou que o respeitava como pessoa e profisional. Sempre ligada, a advogada Gislaine Nunes vai usar a declaração (feita na esfera penal) como prova para o processo na esfera cível, onde ela segue com o pedido de indenização de R$ 150 mil para o ídolo são-paulino. E da forma como foi, convenhamos, Ceni merece marcar mais esse gol.



Foto: Site CBFNews

segunda-feira, junho 11, 2007

Seleção? Não, obrigado...

 Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade? Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade?

Dida disse que não queria mais. Juninho Pernambucano idem. Kaká pediu dispensa. Ronaldinho Gaúcho também. Zé Roberto fez coro e também disse não. O objeto indesejado? A Seleção Brasileira. Imediatamente, surgiram vozes pregando o nacionalismo, o amor à camisa, a devoção incondicional à pátria de chuteiras.

Até quando vamos nos enganar? Se ainda mantém a importância no cenário mundial e a aura vitoriosa, a Seleção Brasileira deixou pelo caminho grande parte de sua mística. Mística que, no Dicionário Houaiss, aparece como “conteúdo de uma idéia, causa, instituição etc., ou a atmosfera ou aura de perfeição, verdade, excelência incontestável que as cerca, despertando nas pessoas respeito, adesão apaixonada, devotamento, sectarismo etc”. Vejam bem as palavras: causa; aura de perfeição; verdade; adesão apaixonada; devotamento. Quantas dela realmente se encaixam naquilo que a Seleção representa hoje?

Não cobrem de Kaká, Ronaldinho ou quem quer que seja um respeito à camisa. Cobrem de quem a tornou objeto de arrecadação desmedida, de quem fez dela um meio de barganha política ou plataformas pessoais. Cobrem de quem marcou amistosos caça-níqueis aos quatro cantos do mundo. Cobrem daquelas pessoas que convocaram jogadores que nunca fizeram jus à história desta camisa amarela e fizeram parecer que esta camisa era acessível a qualquer mortal com um bom empresário e uma boa influência nos bastidores. Cobrem de quem participou do escândalo da CPI da Nike e também de quem deixou que essas pessoas escapassem impunes.

Aliás, se a Seleção Brasileira ainda fosse “A” Seleção, jamais teríamos ouvido tantas teorias conspiratórias sobre a derrota de 98 (a maioria delas baseada em interesses comerciais). Não acredito nelas, mas sei que elas exprimem algo que ainda se nega quando o assunto é Seleção: o dinheiro fala mais alto. Ou há algum registro histórico de balela parecida a respeito da Copa de 50?

Não, não condenem quem pede para não jogar pela Seleção; condenem aqueles que jogam contra ela, mesmo quando vestem esta camisa.
Foto: montagem Glaucia Marques

Curioso é que...

Há pouco tempo atrás, Romário disse em alto e bom tom, no Sportv, que torceu contra a Seleção Brasileira nas Copas de 98 e 2002. Relembrando os motivos para a torcida “contra”, veremos que em 98, ele foi cortado por Zagallo, após ser constatada uma lesão na panturrilha direita. Em 2002, Felipão não achava que Romário fizesse falta (como aliás, não fez mesmo). O Brasil ganhou e Romário ainda admitiu que teve uma sensação ruim quando o penta se confirmou sem sua presença.
“Em 2002 foi pior, o Brasil ganhou e eu não estava lá, minha mãe sofreu muito com isso. Eu não tenho nada contra o Felipão, mas eu acho que a conquista seria mais bonita se eu estivesse lá”.
Ouvi gente dizendo que “o Baixinho não tem papas na língua” ou que “Romário é mesmo polêmico”. Só não ouvi os arautos do nacionalismo e do amor incondicional à Seleção gritarem tão alto quanto estão gritando contra quem pediu dispensa. Hipocrisia é isso aí.

terça-feira, junho 05, 2007

Fifa Big Count

 O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente) O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente)


Na última sexta (31/05), a Fifa divulgou os números do Big Count 2006, espécie de “censo do futebol mundial” promovido pela entidade com as confederações associadas. Os dados são importantes para dimensionar o esporte mais popular do mundo, além de traduzir a força dele entre os povos. Vamos a alguns números:

* O número de jogadores no mundo chega a 265 milhões. Quase 10% desses atletas é do sexo feminino (cerca de 26 milhões);

*Há 301 mil clubes e 1,7 milhão de equipes, o que dá em média, 6 times por instituição (entre equipes profissionais, equipes B, juniores etc). Desses, só 26 mil têm pelo menos uma equipe feminina;

*O número de clubes, aliás, era de 305 mil no Big Count 2000;

* Há cerca de cinco milhões de árbitros e assistentes;

* Somando-se o número de árbitros e jogadores, são 270 milhões de pessoas diretamente envolvidas com o futebol – cerca de 4% da população mundial;

* Há poucos mais de um milhão de praticantes do beach soccer e do futsal;

* A Ásia tem grande vantagem sobre as outras regiões do mundo no número de praticantes. São 85 milhões de jogadores asiáticos (profissionais e de ocasião), contra 62 milhões de europeus; 46 milhões de africanos; 43 milhões de praticantes do Caribe e das Américas Central e Norte; 27 milhões de sul-americanos; e 500 mil praticantes da Oceania). Se alguém achava que clubes como Real Madrid, Manchester United, Barcelona e Milan investem tanto na Ásia em vão, os números justificam a estratégia deles;

*Falando em praticantes ocasionais, os boleiros amadores chegam a 226 milhões.

A matemática raramente traduz bem uma partida, mas os números divulgados pela Fifa não deixam dúvidas: o futebol é algo grandioso e pode ser elemento-chave para desenvolver ou alavancar economias. O Brasil, até pela representatividade que tem neste esporte, deveria fazer um planejamento sério para usar tamanho potencial mercadológico aqui e no mundo. Devia ser pauta obrigatória não só do Ministério do Esporte, mas de todas as esferas do Estado.
Ainda há dados bem interessantes no censo e com certeza, comentarei alguns deles em breve.

Foto: Getty Images (royalties free)

sexta-feira, junho 01, 2007

Patrocínio Morto-VIVO

A parceria entre a CBF e a operadora Vivo parece caminhar a passos largos para o buraco. No amistoso Brasil x Inglaterra, realizado nesta sexta (01/06), em Wembley, a seleção brasileira exibia a marca da campanha pela Copa de 2014 no local onde ficava a marca da patrocinadora. Como uma imagem vale mais que mil palavras, postei duas fotos (que valem por duas mil).


Daniel Alves posa às vésperas do amistoso Brasil x Kwait - 11/10/2006

Edmílson e Afonso, antes do Brasil x Inglaterra - cadê a marca da Vivo?

Fotos: Agência CBF e Site CBF News

quinta-feira, maio 31, 2007

Novo site da Fifa

Site da Fifa de cara nova



Nesta quinta, a Fifa colocou no ar o novo site da entidade. Visual bem legal e menos sisudo que o anterior. Vale a navegada.

***

O site não é a única novidade da Fifa apresentada neste dia 31/05. A entidade apresentou ainda os novos números do Big Count, levantamento sobre o futebol no mundo. Ainda esta semana, vou comentar alguns desses números.

Reprodução - Fifa.com

quarta-feira, maio 30, 2007

Querendo aparecer...

Acredite: à direita, temos um chefe de Estado
Os caminhos da política e do futebol se cruzaram e se cruzam em várias ocasiões na História. Geralmente, com a primeira tentando se beneficiar do grande poder mobilizador do segundo. E como já era de se esperar até por sua postura política (ou seria a falta dela?), chegou a vez de Evo Morales entrar nesse campo. Até que demorou para o boliviano vestir a camisa dos que gostam de se auto-promover às custas do futebol. Hugo Chávez, da Venezuela, já está tirando casquinha da realização da Copa América deste ano em seu país para isso.
E agora, o coleguinha boliviano ameaça fazer barulho para convencer o Joseph Blatter, presidente da Fifa, a desistir da decisão de vetar jogos em locais acima dos 2.500 metros de altitude. Para isso, promoveu o “Dia do Desafio” com objetivo de mostrar que a prática de esportes é possível na altitude. Para dar exemplo, bateu uma bolinha na Praça Murillo, em frente ao Palácio de Governo da Bolívia.
Bom, a Fifa em momento algum proibiu partidas na altitude e sim partidas internacionais. Porque para quem está acostumado, jogar bola a sei lá quantos mil metros acima do mar é fácil. O problema é para quem vem de fora. E não adianta comparar altitude com calor de 40 graus ou frio abaixo de zero. Porque Sol escaldante ou frio congelante afetam as duas equipes em campo; altitude não. Afeta um dos lados somente. E isso é sim, fator de preponderante favorecimento a um dos lados. Sou carioca, acostumada a temperaturas altas e a ver capeta se abanando nos dias de verão intenso. Mas me chamem para praticar qualquer esporte sob o Sol de meio-dia... Eu também vou sentir a temperatura. E também vou ficar com três palmos de língua para fora. Na altitude isso não acontece. Ou alguém já esqueceu do Flamengo x Real Potosí, no qual os jogadores rubro-negros se arrastavam e caíam em campo necessitando de balões de oxigênio enquanto os adversários corriam como carros de F1?
Bonito o discurso de Morales, dizendo que “vai bater às portas da Fifa a qualquer hora e sob qualquer circunstância para que saiba, entenda e compreenda que há um país de pé, e um governo que não vai permitir este veto à Bolívia”. Nada pessoal... Mas para mim, é coisa de quem está querendo aparecer.

P.S.: Não consigo levar a sério um chefe de Estado que se propõe a jogar bola numa praça... Por mais que eu considere o futebol muito importante, tenho certeza que a Bolívia tem outras urgências (a começar por cumprir alguns contratos que Morales andou ignorando).
Foto: Reuters

domingo, maio 27, 2007

Alto nível agora, só se for do jogo...

Finalmente, a Fifa fez algo que já deveria ter feito há tempos: proibiu partidas internacionais em altitudes acima de 2.500 metros. A decisão foi tomada neste domingo (27/05) pelo Comitê Executivo da entidade, que se reuniu no 57º congresso da Fifa.
No comunicado oficial, o Comitê Executivo alega que a medida foi tomada por razões médicas e para proteger a saúde dos jogadores e será adotada imediatamente. Felizmente, não foi preciso que nenhum jogador morresse ou tivesse a saúde gravemente afetada para que a entidade máxima do futebol tomasse essa decisão. Até porque torcedor só gosta de “alto nível” quando a expressão serve para descrever a qualidade do jogo.

Tu!

Mais um comercial da Nike, desta vez reunindo Ronaldinho Gaúcho, Rafael Nadal e Paul Gasol. Just watch it!

Erros de arbitragem

Antes de mais nada, não tenho nenhuma simpatia pela Ana Paula de Oliveira. Aliás, nem por ela nem por nenhum árbitro em atividade, brasileiro ou não. Bom era o Pierluigi Colina. Só acho importante ressaltar que os erros independem do sexo, da cor ou da nacionalidade do árbitro. O nível da arbitragem mundial é fraco e não é de hoje. Por isso, resolvi listar alguns dos erros de arbitragem mais escandalosos que vi ou que soube pelos registros. E lanço a pergunta. Se eles fossem mulheres, o que diriam sobre eles?

1 - Um rombo na camisa. Nem isso foi motivo para o juiz Abraham Klein marcar o puxão do zagueiro italiano Gentile em Zico, no famoso Brasil x Itália, na Copa de 82. Pênalti que poderia ter mudado a história das maiores equipes que o mundo viu jogar.

Gentile rasgou a camisa de Zico dentro da área

2 – Outro pênalti não-marcado, igualmente escandaloso. Na Copa de 94, o italiano Tassoti fraturou o nariz do atacante Luis Enrique, da Espanha, dentro da área. Nem o sangue que escorria do rosto do espanhol foi suficiente para o árbitro Sandor Puhl entender que havia sido pênalti. A Itália venceu jogo por 2 a 1.


Nem o nariz arrebentado fez o juiz marcar o pênalti sofrido por Luis Enrique
3 – Final do campeonato paulista de 1973 entre Santos x Portuguesa. A decisão foi para os pênaltis. Mas Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados, declarando o Santos campeão. O absurdo foi tanto que a Federação Paulista acabou dividindo o título entre as duas equipes.

4 – Um “errinho” mais recente, no Brasileirão de 2005. Campeonato, aliás, que foi realmente decidido não só pelos erros, como também pela desonestidade da arbitragem (ou vamos esquecer de Edílson Pereira dos Santos?). O jogo era Corinthians x Inter e o goleiro Fábio Costa derrubou o atacante Tinga na área? O pênalti claro não foi marcado e Márcio Rezende de Freitas ainda expulsou o jogador do Inter por simulação. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Inter viu os dois pontinhos de uma possível vitória serem fatais para a perda do título.

5 – Dois cartões amarelos geram uma expulsão, certo? Quem gosta de futebol sabe disso, mas o inglês Graham Poll pelo visto não sabia. Na Copa de 2006, mostrou um cartão amarelo para o croata Simunic, aos 16 minutos do 2º tempo. Aos 43 minutos, mostra outro. Simunic (que conhece as regras) sabia que ia ganhar o vermelho e saiu de campo. Só que Poll não deu o cartão. O jogo foi até os 48. Simonic reclamou com o juizão e só aí levou o “segundo” amarelo e o vermelho.

6 – Quartas-de-final da Copa do Brasil, Botafogo x Atlético-MG. O empate com gols dava a vaga ao Galo. E Carlos Eugênio Simon ignorou o pênalti claro sobre Tchô no fim da partida. A vaga ficou com o Botafogo. E dessa vez, não ouvi o Montenegro falando mal de arbitragem.


Poderia listar outras tantas situações. Mas vou fechar a lista por aqui. Coloquei erros diversos, de todos os tipos, ao longo dos anos, só para reforçar a pergunta: se todos esses deslizes tivessem sido cometidos por mulheres, o que teriam dito a respeito?

sexta-feira, maio 25, 2007

Calça e efeito

 Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda

“Ela (Ana Paula Oliveira) é totalmente despreparada. Não vejo mulher em Copa do Mundo, nem em decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, justamente contra o Botafogo. Ela nos assaltou em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão - esbravejou Montenegro”.

Aparentemente, a frase acima teve origem em dois erros gritantes da auxiliar Ana Paula de Oliveira, que resultaram na anulação de dois gols do Botafogo contra o Figueirense, pela semifinal da Copa do Brasil. O time botafoguense perdeu a vaga e o vice de futebol do Botafogo, a razão.Porque Ana Paula de Oliveira errou. Feio. Mas não errou porque é mulher. Errou porque, assim como tantos outros colegas de arbitragem, tem limitação técnica e evidente despreparo. Errou e prejudicou o Botafogo porque a regra da Fifa é ultrapassada e tirana, dando espaço para arrogância, má-intenção, imperícia, incompetência e até erros inocentes. Se a Fifa fosse administrada por mulheres, será que Montenegro e outros dirigentes não usariam isso como justificativa para a obsolescência das regras e para a omissão da entidade diante de tantos erros grotescos que tem alterado a história das partidas, dos clubes, dos campeonatos?

Por isso disse que a frase infeliz teve origem aparente nos erros de Ana Paula; na verdade, fica claro que um comentário desses começa em algo muito anterior: o preconceito. Alguém duvida?O mesmo Carlos Augusto Montenegro chegou a se referir à bandeirinha como "piranha" no intervalo da partida, quando questionado por repórteres. Por que sempre que uma mulher erra no campo profissional chovem ofensas no campo pessoal?

Mas não parou aí. Ao se defender da acusação de preconceituoso, o dirigente lançou mão de outra “pérola”, em matéria do Lancenet:

- O pessoal já leva para esse lado. Não é o fato de ela ser mulher, mas tem uma certa proteção. Se é mulher não pode xingar, bater, não pode fazer nada contra mulher. Se é assim, é melhor que elas não participem do futebol.

Sim. O argumento de Montenegro é que, sendo mulher, uma auxiliar ou árbitra não pode ser xingada ou agredida. Por favor, alguém me diga se esse tipo de comportamento é aceitável e justificável quando se trata de um homem. Não, não é. É inaceitável, seja qual for o sexo. Poucas vezes na vida ouvi "justificativa" tão esdrúxula. O que eu gostaria que não fizesse parte do futebol são os dirigentes que agem como o mais fanático dos torcedores e deixam de lado a responsabilidade de representar uma instituição esportiva de respeito e principalmente, a obrigação de não incitar determinados comportamentos.

Foto: O Globo Online

Preconceito sim

Para quem tem dúvidas, segue a definição da palavra “preconceito”:

1- Qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 1.1- Idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão;

2- Atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.


O futebol, fiel retrato do mundo, destila preconceito. Contra as mulheres, contra gays, contra negros. Como diria Albert Einstein, “triste época em que vivemos, na qual é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito”.

quarta-feira, maio 23, 2007

Menos oito ou oitenta

Milan: campeão da Champions League 2006/2007 Pela sétima vez na história, o Milan está no topo da Europa

Menos oito pontos. Foi assim que o Milan começou no Campeonato Italiano 2006/2007, punido por ter sido beneficiado na manipulação de resultados na Itália. Por pouco não perdeu a vaga na Liga dos Campeões. E mesmo contando com astros como Kaká, Pirlo, Dida, Gattuso, Maldini e cia, a tarefa do clube milanês era ingrata: recuperar em campo a confiança e a credibilidade que havia perdido fora dele. Traduzindo: conquistar um título na temporada.


O técnico Carlo Ancelotti declarou que a perda de pontos que quase tirou o Milan da Liga dos Campeões deixou a equipe mais determinada.

E com méritos, o Milan fez os menos oito pontos se transformarem em oitenta, conquistando pela sétima vez o mais disputado título interclubes do mundo.

Kakaiser

Torcida do Milan exalta Kaká A torcida do Milan já sabe que Kaká é o melhor do mundo na atualidade. Só falta a FIFA...


Inzagui foi o herói do dia. Mas o herói da campanha do Milan é um só: Kaká. O dono do time, o regente. Sofreu a falta que Pirlo cobrou para Inzagui desviar e abrir o placar; deu o passe magistral para o segundo gol. Artilheiro da competição com 10 gols e o jogador que mais chutou a gol, Kaká esbanjou objetividade, criatividade e boa forma física, técnica e tática. Merece, pelas suas arrancadas, gols e passes magistrais, conquistar outro grande título no ano: o de melhor jogador eleito pela FIFA.
Foto: EFE

A palavra é de prata; o silêncio é de ouro...

Parece mentira, mas aconteceu. Horas antes da final da Liga dos Campeões, o site do Liverpool anunciava com todas as letras: “Reds win in Athens”. E estampava: Liverpool Football Club – Champions League Winners 2007. Os jornais "La Repubblica", da Itália, e "Clarín", da Argentina, fizeram matéria sobre a “vitória antecipada”. Se o Milan precisava de incentivo, esse deve ter sido um dos melhores. Bem diz aquele ditado: “a palavra é de prata; o silêncio é de ouro”. No caso, a palavra é vice; o silêncio é campeão.

O site do Liverpool contou vantagem antes da hora... Reprodução

terça-feira, maio 22, 2007

Pontos (es)corridos


Ligas de Futebol O Brasileirão não tem marca...
Caminhamos para a 3ª rodada do principal campeonato do país e nada... Não me animei a escrever sobre o Brasileirão. Resolvi escrever não ter encontrado motivação, mas para falar o porquê da minha desmotivação: pontos corridos. Ou escorridos, como eu prefiro para descrever o que sinto. Não gosto de pontos (es)corridos porque:

1 – Podem dizer que na Europa é assim há anos, que esse sistema premia o time mais regular. Antes de mais nada, os clubes europeus disputam vaga na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, dois campeonatos bem conceituados. Aqui, nós temos a Libertadores e a... Copa Sul-Americana. Me diga com sinceridade: conhece alguém que comemore vaga na Sul-Americana?
2 - Para mim, mata-mata é que o que há. É o que faz perder o sono uma semana antes do jogo decisivo e uma semana depois, até o jogo da volta;

3 – Acho o calendário do futebol brasileiro incoerente; não entendo porque os campeonatos estaduais têm quase cinco meses (17/01 a 06/05) e o Brasileirão, no qual os times viajam e jogam mais, tem quase sete meses (13/05 a 02/12). Não é uma desvalorização desmedida do segundo e uma valorização excessiva dos primeiros?

4 – A diferença de calendário entre o Brasil e a Europa, que faz com que o torcedor brasileiro fique vendo navios (e os craques ou bons jogadores das equipes indo embora);

5 – Manchetes como “Time X ou Y mantém 100% de aproveitamento” depois de DUAS rodadas. É coisa para tentar empolgar a galera, eu sei, mas com duas rodadas nem o torcedor mais fanático consegue sair pelas ruas batendo no peito e gritando: estamos invictos!

6 - Falta "pedigree" ao Brasileirão. O campeonato não tem uma marca, que o identifique como produto (inclusive e por que não, de exportação). Na imagem deste post, um screenshot do Fifa Manager, aparecem as marcas de vários campeonatos que podem ser disputados no game. Até a Noruega (que não tem 1/10 da importância do Brasil no mundo do futebol) tem uma marca. Aí, vejo o Flamengo x Goiás e uma das placas era exatamente a do Campeonato Brasileiro... Nem sombra de marca; só uma placa, escrita em fonte preta sobre fundo branco. Nada que faça o torcedor identificar o Brasileirão como um produto de primeira linha.

Na placa, a 'marca' do Brasileirão.

... porque não dá para chamar isso que está na placa de marca, né?

É, sou uma viúva (ainda inconsolável) do mata-mata, de um campeonato de verdade. E não escondo isso de ninguém...

Imagens: Screenshot Fifa Manager/EA Sports / Diário da Manhã (GO)

Os dois “Flamengos”

Qual é a cara do Flamengo? Qual é a cara do Flamengo: a da derrota ou a da vitória?

Uma das grandes incógnitas do Campeonato Brasileiro é o Flamengo. Porque o time de Ney Franco, na verdade, são dois. Sim, Ney Franco dirige não um, mas dois Flamengos. Um, é o Flamengo do 1º tempo da primeira partida da final contra o Botafogo; mesmo Flamengo do jogo de ida contra o Defensor e de boa parte do jogo contra o Palmeiras. O outro é o Flamengo que buscou o empate no 2º tempo da final citada quando perdia por 2 a 0; que foi o mesmo rubro-negro que entrou em campo no Maracanã contra os uruguaios e só não reverteu a vantagem porque o juiz não deixou. Flamengo esse que entrou em campo também contra o Goiás, dominando o jogo no Serra Dourada com ótimo padrão tático e técnico.

O Flamengo tem sido regular em sua irregularidade. E esse é o maior desafio de Ney Franco: fazer com que o time tenha uma só cara, um padrão. E que esta cara e esse padrão sejam, é claro, a do “segundo” Flamengo. Se conseguir, pode fazer o que nenhum técnico fez nos últimos anos: fazer o clube da Gávea disputar o título brasileiro. E aí, qual Flamengo vai prevalecer?

Imagem montada com fotos de "O Globo"

A Liga dos Campeões já tem um vencedor

 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007


Escrevo esse post na terça (22/05), véspera da final da Liga dos Campeões. Mas não tenho medo de afirmar: o campeonato de clubes mais disputado do planeta já tem um campeão. Aliás, campeã. A Adidas. A foto não deixa dúvidas: mais uma vez, a gigante alemã dá um baile na Nike, principal concorrente.
A Adidas fornece não só a bola oficial do jogo, como também patrocina os dois times que disputam a final. Fez barba, cabelo e bigode.
Foto: EFE/Globo.com

domingo, maio 13, 2007

Erro de juiz ou erro de juízo?

Há no Direito o termo em latim error in judicando, cuja definição mais simples é algo como “equívoco na aplicação dos efeitos da norma processual”; “erro ao julgar; erro de procedimento”; “erro que ocorre quando o Juiz decide mal a questão que lhe é submetida”. E quando isso ocorre, o Direito considera que é um erro que merece ser sanado.


Não, meu blog não é para assuntos jurídicos agora. O parágrafo anterior foi para questionar: o que temos visto em campo, em relação às atuações das arbitragens, são meros “erros de juiz” ou “erros de juízo”? Em menos de uma semana, foram pelo menos três erros clamorosos (e decisivos):


1 – O impedimento dado pelo árbitro Djalma José Beltrami, que tirou de Dodô a oportunidade de fazer o gol do título alvinegro contra o Flamengo, na 2ª partida da final do Estadual do Rio. O Flamengo acabou vencendo nos pênaltis;


2 – A sucessão de lambanças do argentino Héctor Baldassi no jogo Flamengo x Defensor, não dando dois pênaltis para o rubro-negro e deixando de coibir o anti-jogo uruguaio (que paralisou mais de 1/3 do jogo segundo o Lance!). Resultado: pelo “conjunto da obra” do juiz, o time carioca não conseguiu fazer o placar que necessitava e saiu da Taça Libertadores da América;


3 – No dia seguinte, foi a vez de Carlos Eugênio Simon decidir um jogo, deixando de dar um pênalti claro, claríssimo, a favor do Atlético-MG, aos 47 do segundo tempo, na partida pelas quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Botafogo. O Galo perdeu a chance de empatar e deu adeus ao torneio (atalho para a Libertadores 2008).


Não foram lances duvidosos; todos os lances foram claros, clamorosos, escandalosos. Lances capitais. Erros gritantes e vergonhosos que comprometeram o trabalho de diversos profissionais. Que acabaram com a alegria de milhões de torcedores.


A FIFA que me desculpe, mas a regra 5 precisa ser revista. O parágrafo que garante que “as decisões do árbitro sobre fatos em relação ao jogo são definitivas” tornou-se perigoso e nocivo ao futebol atual. Perigoso porque é muito arriscado para o jogo, como espetáculo, ser decidido pela limitação técnica, péssima interpretação/desconhecimento da regra, má-intenção e até desonestidade de uma única pessoa (escândalos de arbitragem em todos os cantos do planeta não me deixam mentir). Nocivo porque estamos falando de um dito futebol em alto nível profissional e econômico e erros do tipo prejudicam o planejamento, a arrecadação e a credibilidade deste esporte como negócio.


A FIFA gosta de afirmar que erro de juiz pode ser um charme, um elemento que alimenta a magia do futebol. Está errado. Desde o momento que o erro dos juízes têm-se caracterizado pelo erro de juízo. Erros assim tiram a graça, roubam a vontade de acompanhar os campeonatos. É muita coisa em jogo para depender de uma pessoa só. Pessoa essa sujeita a todo tipo de fraquezas, de humores, de defeitos (de preparo profissional e de caráter). Cartão vermelho para a roubalheira e a incompetência de apito!

Fair play é coisa que dá nos outros...

Curioso mesmo foi ouvir a declaração do técnico Cuca, do Botafogo, perguntado sobre o pênalti claro que não foi dado contra sua equipe e que poderia ter dado vaga na semifinal da Copa do Brasil ao Atlético-MG.“Também deram um impedimento que me tirou o título no último domingo”.
Certo, Cuca, certo... O erro de um árbitro prejudicou o alvinegro carioca na final do Estadual; mas nunca poderia servir de justificativa para outro erro – igualmente vergonhoso – na Copa do Brasil. Que o Botafogo não levante o bastião pela moralidade na arbitragem (como ameaçou fazê-lo depois da partida contra o Flamengo) se a idéia for baseada na Lei de Gérson ou no popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Se todo mundo que já sofreu um assalto justificasse que outra pessoa fosse assaltada para compensar sua perda, onde a gente estaria? Fair play? Palavrinha bonita que a FIFA inventou para que técnicos, jogadores e dirigentes pudessem jogar pedra nos outros. Esquecendo é claro, que também têm telhado de vidro...

segunda-feira, maio 07, 2007

Se torcida não ganha jogo...

"A nossa torcida foi uma decepção, uma vergonha. Uma das grandes razões da derrota, independente do juiz e do bandeira, foi o não comparecimento do nosso torcedor. Se ele não nos ajudar, não ganhamos a Copa do Brasil, que é uma guerra. A torcida tem de dizer presente e prestigiar, o que ela não tem feito’. Depois do Bebeto de Freitas, foi a vez de Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol alvinegro. Eu dizia num dos posts anteriores que os torcedores do Flamengo tem méritos por não acreditar no chavão “torcida não ganha jogo”. Só que nesta segunda, pelo que vi nas ruas, pelo que li e ouvi nos noticiários – incluindo as declarações dos dirigentes botafoguenses – o chavão precisa ser alterado. Porque por tudo que está sendo falado, torcida não ganha jogo, mas pode ajudar a perder.

domingo, maio 06, 2007

Camisa 10, nota dez

O autêntico camisa 10 da Gávea É o camisa 10 da Gávea!
Mais do que o título carioca, a torcida do Flamengo tem outro motivo de comemoração: Renato Augusto. Como há muito tempo não se via, um prata-da-casa veste a camisa 10 sem sentir seu peso e com ela desfila com futebol vistoso e eficiente. Desde Petkovic, herói do tri em 2001, é o primeiro camisa 10 que não faz Zico ficar vermelho (de raiva e vergonha).
Renato Augusto veste a 10 rubro-negra e a 10 rubro-negra veste Renato Augusto. É um casamento que tem tudo para dar certo a médio-prazo. Digo médio-prazo porque, infelizmente, é difícil segurar um talento no futebol brasileiro. Que seja um feliz casamento enquanto dure. Renato Augusto: um camisa 10 nota dez.

Onde está a diferença?

Torcida do Flamengo faz a diferença
Nas arquibancadas do Maracanã, o fator decisivo para o título.
O Botafogo foi melhor nos dois jogos das finais do Campeonato Carioca. “Dos quatro tempos das duas partidas da decisão, o Botafogo foi melhor em três”, declarou Cuca. E ainda assim, o time perdeu o título para o Flamengo. O que fez a diferença a favor do time rubro-negro?
A diferença entre o Flamengo e o Botafogo não se fez dentro de campo. Prova disso é que os três jogos entre as duas equipes terminaram empatados (3 a 3 no 1º turno; 2 a 2 no 1º e 2º jogos das finais). Nos dois últimos, o alvinegro foi melhor a maior parte do tempo (ou dos tempos, como prefere Cuca). O fiel da balança se fez fora do campo: nas arquibancadas, nas cadeiras, na renovada geral. Talvez seja repetitivo falar da torcida do Flamengo e da sua força. É o time mais popular do país, não? Então, vamos reverter um pouco o ângulo, vamos fugir do lugar-comum. Vamos falar da torcida do Botafogo. Sem dúvida, o alvinegro é uma boa equipe, a despeito da falta de grana. Tem jogadores que mantém boa regularidade nos jogos e jogadores que podem fazer a diferença: Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio. No entanto, chega a final e nas arquibancadas, o que se vê são botafoguenses em número infinitas vezes menor que o número de flamenguistas. Fico imaginando a cabeça dos jogadores de um e outro time quando entram no gramado e olham o estádio. Será que não faz mesmo diferença?
Eu penso que sim e não penso sozinha. Até o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, reconheceu isso. "Fico triste com a torcida que não comparece para ajudar, principalmente numa decisão. Esse time merece apoio total e irrestrito dos alvinegros. Peço que eles venham em grande número no jogo contra o Atlético-MG, quinta-feira, pela Copa do Brasil”.
O título está na Gávea e alguns vão dizer que não teve nada a ver com os torcedores que foram ao estádio. Há quem possa argumentar com o chavão “torcida não ganha jogo”. Pode ser. Mas bem faz a torcida do Flamengo quando deixa isso de lado e faz questão de acreditar que, se alguma coisa pode fazer a diferença na hora da decisão, é ela.

Os números e o futebol

Toda transmissão é a mesma coisa: estatísticas e mais estatísticas tentando ratificar teorias, atuações, esquemas táticos e problemas técnicos. Herança direta de esportes como o basquete (o tal scout começou a dar as caras aqui com o televisionamento da NBA) e do vôlei. Mas tem uma grande diferença: esses dois esportes podem ser traduzidos em números; peguem um milhão de estatísticas do basquete ou do vôlei e a possibilidade desses números traduzirem o vencedor do jogo é enorme. Mas no futebol não. O futebol não pode exagerar desse recurso. Mas é que todo jogo, o torcedor é metralhado com número disso, scout daquilo, contagem aqui, estatística acolá. E a grande maioria não representa muita coisa. Não acrescenta nada. No entanto, o tempo todo a gente é obrigado números que dizem sei lá o quê, tipo: “o time A marcou 53,6% dos gols na temporada entre os 2 e os 7 minutos do segundo tempo”; “fulano já marcou 4,7% dos gols de pé esquerdo, 90% com o direito, 5% de cabeça e 0,3% de joelho”. Chega! O futebol nunca foi nem será baseado na precisão das Ciências Exatas. Alguém quer uma estatística interessante? Prefiro uma, resultado de uma pesquisa do Laboratório Nacional Los Alamos, Estados Unidos, publicada ano passado. Nela, comprovaram que o futebol é o mais imprevisível dos esportes. Números? Bobagem... No futebol, os únicos números que interessam e realmente fazem diferença são aqueles que estão no placar.


*****


Esse são os números que fazem diferença no futebol
Um bom exemplo disso é a final do Campeonato Carioca de 2007. Não anotei, mas não tenho dúvidas que os números fariam do Botafogo campeão. Botafogo, aliás, que está há mais de uma dezena de jogos invicto no Maracanã nem perdeu clássicos neste Estadual; marcou gols em todas as partidas que fez no ano – exceto uma (contra o Atlético-MG). O campeão? Foi o Flamengo. Cujo ataque vive aos trancos e barrancos desde a saída do Obina; que tomou uma lavada de um timeco semana passada e que não venceu um clássico sequer no tempo normal no mesmo Campeonato Carioca. No entanto, o número que vale mesmo é o que aparece na foto. Daqui a trinta anos, vão lembrar que o Flamengo é o campeão de 2007 e não que, estatisticamente, o Botafogo merecia levar o caneco.

quarta-feira, maio 02, 2007

Amo muito tudo isso

Futebol: definitivamente AMO muito tudo isso!


Semifinal da Liga dos Campeões, quartas-de-final da Copa do Brasil, oitavas da Libertadores... Horas de futebol ao vivo na TV e nos estádios mundo afora. Plagiando o Mc Donald´s: amo muito tudo isso!

Milan x Liverpool: revanche ou repeteco?

Kaká conduz o Milan à Final da Liga dos Campeões Ele tem feito a diferença para o Milan

Nesta quarta (02/05), conhecemos a final da Liga dos Campeões. O Milan sapecou 3 a 0 no Manchester United e não só evitou uma final inglesa no melhor campeonato de clubes do mundo, como ainda ganhou a chance de uma revanche contra o Liverpool (que na temporada 2004/2005 saiu de um 3 a 0 para um empate em 3 a 3, arrancando o título da LC nos pênaltis).
Aconteça o que acontecer no próximo dia 23, em Atenas, se o Liverpool quiser o título, vai ter que parar Kaká, regente absoluto do rubro-negro italiano. E se Kaká levar o Milan ao título, vai dar uma arrancada e tanto para conseguir outra conquista: a de ser eleito o melhor jogador do mundo na atualidade. Como é um jogo só, tudo pode acontecer – uma revanche saborosa ou um repeteco apetitoso.