Eu, como Deus, não jogo com dados e não acredito em coincidências. A frase aparece no filme "V de Vingança", dita pelo personagem principal. Mas eu concordo com ela. E por isso mesmo, digo: abre o olho, Felipão! Não duvido nada que Mourinho surja no comando da seleção de Portugal.
quarta-feira, setembro 19, 2007
Abre o olho, Felipão
Eu, como Deus, não jogo com dados e não acredito em coincidências. A frase aparece no filme "V de Vingança", dita pelo personagem principal. Mas eu concordo com ela. E por isso mesmo, digo: abre o olho, Felipão! Não duvido nada que Mourinho surja no comando da seleção de Portugal.
Fair play em dois atos
Tudo porque, há três semanas, o jogo entre Nottingham Forest e Leicester City, válido pela Copa da Liga Inglesa, precisou ser suspenso porque o zagueiro Clive Clarke, do Leicester, sofreu um problema cardíaco. A partida foi interrompida quando o Nottingham vencia por 1 a 0, mas ainda assim, ninguém do clube hesitou em suspender a partida visando o bem-estar do atleta adversário. Foi o primeiro ato da lição prática de fair play.
Mas o grande ato ainda estava por vir. Partida remarcada, o Leicester City achou justo deixar o adversário marcar um gol no início da nova partida, restaurando o placar de 1 a 0. Para evitar qualquer suspeita de manipulação de resultados em sites de apostas, os dois clubes acertaram que o goleiro Paul Smith, do Nottingham, marcasse o gol. O lance é bastante inusitado, principalmente porque Smith chega a cumprimentar e ser felicitado pelos adversários enquanto caminha com a bola para abrir o placar.
O Leicester acabou vencendo por 3 a 2 de virada. Mas cá entre nós: em tempos de tanta brutalidade – no futebol e no mundo – penso que o clube sairia vencedor mesmo que não conseguisse virar o placar.
sexta-feira, agosto 31, 2007
Será que valeu?
A Fifa enviou nesta sexta (31/08), um fax à CBF, no qual avisa que vai impetrar um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça, contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que decidiu pela absolvição de Dodô no caso de doping pela substância femproporex. A decisão foi tomada a pedido da Agência Mundial Antidoping (Wada), que pediu à entidade máxima do futebol uma investigação para explicar os motivos pelos quais Dodô foi absolvido mesmo tendo tido resultado positivo no exame antidoping.
O Botafogo (e principalmente, Dodô) que se cuidem. Isso porque a estratégia do clube que, segundo tenho visto em algumas reportagens do jornal “Extra” não foi lá das mais transparentes, pode não só prejudicar, como pôr fim à carreira do jogador. Se a pena do código brasileiro era de no máximo 120 dias de afastamento dos campos, a da Fifa e a da Wada prevê até dois anos de suspensão. Já seria ruim para um jogador novo, mas para um atleta de 33 anos, pode ser o fim da linha. Será que valeu a pena o “jeitinho brasileiro” do Botafogo neste caso?
O show vai começar (de novo)
GRUPO A: LIVERPOOL, PORTO, OLYMPIQUE DE MARSELHA E BESIKTAS
GRUPO B: CHELSEA, VALENCIA, SCHALKE 04 E ROSENBORG
GRUPO C: REAL MADRID, WERDER BREMEN, LAZIO E OLYMPIACOS
GRUPO D: MILAN, BENFICA, CELTIC E SHAKHTAR
GRUPO E: BARCELONA, LYON, STUTTGART E GLASGOW RANGERS
GRUPO F: MANCHESTER UNITED, ROMA, SPORTING E DÍNAMO DE KIEV
GRUPO G: INTERNAZIONALE, PSV, CSKA E FENERBAHÇE
GRUPO H: ARSENAL, SEVILLA / AEK, STEAUA BUCARESTE E SLAVIA PRAGA (**)
* Em vermelho, estão os cabeça-de-chave.
** Falta a definição da última vaga do grupo H, entre Sevilla e AEK.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Belas homenagens
Rivalidade à parte, torcedores do Sevilla e do Bétis lamentam a morte de Puerta.
Fotos: EFE / Reuters
Triste (e interminável) repetição
terça-feira, agosto 28, 2007
Triste repetição
Sim, a morte de Puerta foi prematura. Mas não sei se pode ser classificada de “inesperada”, tamanha a freqüência de jogadores que têm morrido em campo ou logo após saírem dele. A memória bem recente traz nomes como o de Serginho (São Caetano), Marc-Vivien Foé (Camarões), Miklos Fehér (Benfica) e do brasileiro Lima (Dempo, da Índia). Uma triste repetição que talvez seja resultado direto do futebol que privilegia tanto a parte física e o esforço contínuo do corpo durante as partidas. Basta olhar um jogo da Copa de 70 (referência do futebol-arte) e um qualquer na atualidade. A cadência é completamente diferente; parece até que o campo encolheu e o número de jogadores aumentou. Sem contar o grande número de partidas do calendário.
Índice Edílson
Um fator que tão bem indica isso é o que batizei de “Índice Edílson” (em homenagem à mais “nova” contratação do Vitória em sua tentativa de voltar à Série A). Já algum tempo, os clubes brasileiros – e não só da Série B – anunciam jogadores “veteranos” como se fosse estes fossem a última Coca gelada do planeta. Como se anunciassem que tiraram um Ronaldinho Gaúcho ou um Kaká do plantel de uma grande equipe européia. Foi assim com Vampeta, no Corinthians; com Petkovic, no Santos; com Edílson, no Vitória. E não deixa de ser assim também com Romário, no Vasco. A estratégia parece refletir algumas causas: desespero (o veterano chega sempre como salvador ou como o grande elemento para desequilibrar jogos); miopia gerencial (o dirigente acredita que um grande nome, ainda que em decadência física e técnica, pode melhorar o humor da torcida); franca decadência de um futebol que parece ter cada vez mais orgulho de ser mero produtor e exportador de talentos; pouco planejamento a médio/longo prazos. Resumindo: falta de seriedade, profissionalismo e até irresponsabilidade com o patrimônio alheio (sim, porque um clube não pertence aos dirigentes, por mais que estes pensem o contrário).
E o pobre futebol brasileiro fica assim, do jeito que a gente anda vendo: sem nenhuma estrela com brilho real, escravo de estrelas cadentes (e de pessoas que ficam fazendo pedidos a elas, enquanto o rastro de luz fica para trás). Ou alguém por aí vê algum camisa 10 que realmente seja 10?
Não por acaso, matérias como a do jornal “O Globo”, no último domingo, têm aparecido com freqüência. O título traduz a penúria do nosso futebol: “Procura-se o craque do Brasileiro”. Bom, ele com certeza existe... Mas deve ter ido para algum clube da Europa antes de completar 20 anos.
Aliás, nada mais sintomático sobre Edílson do que seu próprio site oficial. Lá, ele ainda aparece como “Capetinha da Gávea”. Então tá...
segunda-feira, agosto 20, 2007
Gols de letras
Invasão de CampoEste livro tem até slogan “Três listras, dois irmãos, uma briga”. A obra conta a história dos irmãos Adi e Rudolf Dassler, que na década de 20 revolucionaram a indústria de calçados ao criar uma empresa voltada somente para linha esportiva. A empresa? É só unir o nome Adi + as três primeiras letras do sobrenome dele: Adidas. O que poderia ser um sucesso em família virou ressentimento, briga e traição. A sociedade acabou e da separação surgiu outra empresa de artigos esportivos: a Puma. É de fazer babar quem gosta de marketing esportivo, futebol e histórias de bastidores que simples mortais como nós não temos acesso.
sexta-feira, agosto 10, 2007
Superleague Formula: o futebol invade as pistas
“Dois grandes esportes, um campeonato emocionante”. Com esse conceito, o espanhol Alex Andreu e o inglês Robin Webb criaram a Superleague Formula, um campeonato que une o automobilismo e o futebol. Andreu é especialista em marketing que desenvolveu projetos de mídia e programas de divulgação para os Jogos Olímpicos de Barcelona, a Liga Espanhola de Futebol, a Seleção Espanhola, a FINA, a FIFA e a UEFA. Já Webb é um executivo financeiro conhecido pelas experiências e investimentos nos esportes motores. A idéia dos dois – genial, na minha opinião – é simples: no lugar das escuderias como Ferrari ou Williams, entram times de futebol.
O design dos carros é feito com as cores dos clubes participantes e segundo pesquisa realizada pelos criadores da categoria, vai atrair tanto os apaixonados por esportes motores quanto torcedores de futebol. Lançada em abril, a Superleague já conta com a participação do Milan, do Anderlecht, do Borussia Dortmund, do PSV Eindhoven, do Porto e do Olympiacos, além do Flamengo, que acertou a participação no campeonato no último dia 08, apresentando o modelo do carro rubro-negro em coletiva na Gávea.
Na primeira temporada em 2008, a Superleague Formula terá seis etapas na Europa, com previsão de crescimento para 2009. Todos os carros serão fabricados pela mesma empresa para garantir a igualdade na disputa e terão cerca de 750 cavalos de potência. O que vai fazer diferença mesmo é o piloto – e quem sabe, a força de cada torcida. Esse é o tipo de carrinho que todo amante do futebol gosta de ver e que juiz nenhum pode sequer um cartão amarelo.
Foto: Divulgação / Superleague Formula
quarta-feira, agosto 08, 2007
A teoria...
A frase é do atacante Ronaldo ao jornal “La Gazzetta Dello Sport” e na entrelinha, revela o desejo de retornar a vestir a camisa amarela. Nem tanto na entrelinha, o Fenômeno mostra ainda que não engoliu as críticas de Teixeira, publicadas no Estadão, a respeito do comportamento dos jogadores e da má-forma física do atacante na Copa de 2006.
“Em 2002, quando fomos pentacampeões, ele (Ricardo Teixeira) foi o primeiro a levantar a taça. Agora, ele não pensa duas vezes em nos criticar. A questão do peso nunca foi problema”.
Na teoria, Ronaldo está coberto de razão. Mas na prática...
A prática...
Na prática, há muito tempo a Seleção Brasileira não é do povo. É dos patrocinadores, da empresa que negocia os amistosos da equipe e claro, de Teixeira & Cia, que em julho foi reeleito para mais uma mandato e permanece lá, na CBF, desde 1989. Às vezes, nem dos patrocinadores, como é o caso da Vivo, em pé-de-guerra com o comando da entidade (consulte post sobre o assunto).
Essa mesma Seleção não joga em seu próprio país desde 25 de abril de 2005, quando Romário despediu-se da amarelinha contra a Guatemala.
Na teoria, Ronaldo está certo; a Seleção Brasileira devia ser mesmo dos quase “190 milhões em ação”. Só que a prática revela que, infelizmente, os únicos “milhões em ação” que fazem o movimento “pra frente Brasil” são milhões de dólares (e não mais de corações).
Foto: EFE/UOL
segunda-feira, agosto 06, 2007
Nike x Pirataria

quarta-feira, agosto 01, 2007
Ricardo Teixeira e Sun Tzu
A queda do Brasil em 2006 começou na omissão da CBF“Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 da manhã bêbado".
"Era óbvio que aquilo (as badalações dos jogadores e poucos treinos) não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?".
"Como é que um atleta (Ronaldo) pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta".
"Por isso é que eu preciso de disciplina e esse é o papel de Dunga”.
Não sei se Ricardo Teixeira gosta de ler. E se gosta, se algum dia folheou ou realmente parou para ler a obra “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. O livro foi escrito há mais de 2.500 anos e tem treze capítulos, que abordam eventos e estratégias úteis para uso em um combate. Seja ele na vida profissional, na vida pessoal, na guerra mesmo ou... no futebol. E no décimo capítulo temos o trecho:
“Um general deverá saber as seis situações que apontam a derrota de um exército: quando os soldados fogem, quando eles possuem disciplina negligente, quando o exército está deteriorado, quando se desmorona sob a insurgência, quando é desorganizado e quando foi derrotado. Nenhuma destas situações é conseqüência de catástrofes naturais, elas são decorrentes das falhas dos comandantes”.
Eu nem precisaria ter lido isso para ter uma certeza: se o Brasil perdeu em 2006, não foi culpa dos jogadores que chegavam bêbados pela manhã; nem da badalação em torno deles. Também não foi culpa da falta de pulso de Parreira, nem das gordurinhas de Ronaldo. Parreira estava lá como empregado da CBF e os jogadores, a serviço da mesma. E ninguém pode ser mais culpado e mais errado que Ricardo Teixeira, que comanda a entidade. Culpado de omissão, de conivência e de negligência pela falta de atitudes para mudar o que estava errado. Sem falar da ausência de ética de tocar no assunto agora e da forma que foi feito. Bem que eu queria Sun Tzu na presidência da CBF...
domingo, julho 15, 2007
Férias Sem Salto Alto
Até o dia 29 de julho, não vou colocar novos posts do blog por estar envolvida com o Rio 2007. Terminando o Pan, eu volto a tocar minha bolinha por aqui. Sem Salto Alto, é claro...
O futebol tem dessas coisas...
segunda-feira, julho 09, 2007
Há coisas que só acontecem ao Botafogo...
O artilheiro Dodô: afastado temporariamenteDignidade palmeirense
Atitude digna e louvável. Pena que não é regra. Que o diga a família do atacante Denner, que também morreu num acidente de carro no Rio de Janeiro. Até hoje, eles lutam na justiça para receber o seguro do atleta, que na época jogava no Vasco.
sexta-feira, julho 06, 2007
Reinventando a ponte
A ponte tem duas vias: uma, que coloca determinados jogadores em clubes maiores do Brasil, para servir de vitrine; a outra, repatria jogadores que, por um ou outro motivo, não estão sendo utilizados em times estrangeiros e que voltam com status de craque para jogar com mais regularidade, pegar tarimba e, na primeira oportunidade, o vôo de volta. O meia Íbson está prestes a usar essa via, voltando ao Flamengo (já que não vem sendo aproveitado pelo Porto) e com certeza, daqui a poucos meses, se envolvendo em mais uma negociação.
Só vejo dois motivos para os clubes brasileiros concordarem com tal prática. O primeiro é que tem muita gente – e não o futebol brasileiro – ganhando com isso. O segundo, talvez para disfarçar as mazelas do primeiro, é criar entre os torcedores a ilusão que seu clube tem um certo poderio frente ao mercado exterior.
Infelizmente, isso não existe. E situações assim, só deixam claro o quanto o futebol brasileiro ainda tem que melhorar para ser considerado realmente sério.
***
Os tempos são tão tristes que o jogador Ronaldo admitiu, à Agência Placar, que será muito difícil jogar pelo Fla. O motivo? Os interesses financeiros que determinam o destino dos jogadores.
- Sou torcedor do Flamengo desde criança. A torcida me quer jogando pelo clube, mas sinceramente não sei se um dia isso poderá acontecer – declarou o Fenômeno.
Triste, não?
Foto: Globoesporte.com
segunda-feira, julho 02, 2007
O Engenhão e a Lei de Gérson
domingo, julho 01, 2007
Primeiro Mundo não...
segunda-feira, junho 25, 2007
Lá e aqui
Henry no Barcelona: antes mesmo da estréia, já marcando gols.***
Além de Henry, o Barça apresentou a nova camisa para a temporada 2007/2008. O novo uniforme tem listras mais finas, novo desenho da gola e uma homenagem aos 50 anos do estádio do time ao redor do escudo no peito esquerdo (a inscrição "Camp Nou 1957 - 2007").
terça-feira, junho 19, 2007
O maior dos erros de Ana Paula
Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteioAs "brincadeiras" já começaram...
“Ela que se prejudica por se expor. Acho que tem muito a perder, pois o jogador não vai mais olhar para ela com o respaldo da autoridade”.
domingo, junho 17, 2007
Épico no Santiago Bernabeu
Real Madrid: uma conquista épicaterça-feira, junho 12, 2007
Você liberaria?
“Você tem uma empresa, conhecida mundialmente por ser líder de mercado e estar sempre à frente dos adversários. Nos últimos quatro anos, apesar dos maciços investimentos recrutando profissionais de ponta, promovendo estratégias de marketing e lançando mão de ferramentas para ampliar a força da marca nos quatro cantos do mundo, os resultados não foram bons.
Quase posso ouvir daqui você dizendo não. Agora, outro exercício rápido: substitua o “mercado” em questão pelo mundo do futebol; a “empresa” pelo Real Madrid em jejum de quatro anos sem títulos; o “executivo requisitado” por Robinho; a importante reunião, pela decisão contra o Mallorca no próximo fim-de-semana; a “segunda empresa” (a requisitante) pela CBF; e finalmente, a "reunião daqui a treze dias" pela Copa América. No lugar do Real Madrid, você liberaria Robinho?
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
1 – Segundo nota do Blog de Esportes do UOL, a Vivo ganhou, através de medida judicial, o direito de estampar sua marca nos uniformes de treino da Seleção Brasileira. Conforme eu tinha destacado no post “Patrocínio Morto-VIVO”, do último dia 01, a CBF havia substituído a marca da operadora pela da campanha da Copa de 2014. Apostas para o próximo round da briga?
A marca da Vivo voltou aos uniformes
2 – Outro imbróglio que teve vez nos tribunais foi entre a jornalista Milly Lacombe e o goleiro Rogério Ceni. O problema entre os dois começou quando ela acusou Ceni, em pleno Sportv, de ter falsificado uma assinatura para forjar uma negociação com o Arsenal. Na época, o goleiro ligou para o canal a cabo ao vivo, promovendo uma das maiores escovadas do jornalismo esportivo nos últimos tempos (confira o vídeo abaixo).Pois bem, ontem, a jornalista se desculpou com Ceni diante do juiz, em audiência que durou mais de quatro horas. Além disso, declarou que o respeitava como pessoa e profisional. Sempre ligada, a advogada Gislaine Nunes vai usar a declaração (feita na esfera penal) como prova para o processo na esfera cível, onde ela segue com o pedido de indenização de R$ 150 mil para o ídolo são-paulino. E da forma como foi, convenhamos, Ceni merece marcar mais esse gol.
Foto: Site CBFNews
segunda-feira, junho 11, 2007
Seleção? Não, obrigado...
Até quando vamos nos enganar? Se ainda mantém a importância no cenário mundial e a aura vitoriosa, a Seleção Brasileira deixou pelo caminho grande parte de sua mística. Mística que, no Dicionário Houaiss, aparece como “conteúdo de uma idéia, causa, instituição etc., ou a atmosfera ou aura de perfeição, verdade, excelência incontestável que as cerca, despertando nas pessoas respeito, adesão apaixonada, devotamento, sectarismo etc”. Vejam bem as palavras: causa; aura de perfeição; verdade; adesão apaixonada; devotamento. Quantas dela realmente se encaixam naquilo que a Seleção representa hoje?
Não cobrem de Kaká, Ronaldinho ou quem quer que seja um respeito à camisa. Cobrem de quem a tornou objeto de arrecadação desmedida, de quem fez dela um meio de barganha política ou plataformas pessoais. Cobrem de quem marcou amistosos caça-níqueis aos quatro cantos do mundo. Cobrem daquelas pessoas que convocaram jogadores que nunca fizeram jus à história desta camisa amarela e fizeram parecer que esta camisa era acessível a qualquer mortal com um bom empresário e uma boa influência nos bastidores. Cobrem de quem participou do escândalo da CPI da Nike e também de quem deixou que essas pessoas escapassem impunes.
Aliás, se a Seleção Brasileira ainda fosse “A” Seleção, jamais teríamos ouvido tantas teorias conspiratórias sobre a derrota de 98 (a maioria delas baseada em interesses comerciais). Não acredito nelas, mas sei que elas exprimem algo que ainda se nega quando o assunto é Seleção: o dinheiro fala mais alto. Ou há algum registro histórico de balela parecida a respeito da Copa de 50?
Não, não condenem quem pede para não jogar pela Seleção; condenem aqueles que jogam contra ela, mesmo quando vestem esta camisa.
Curioso é que...
terça-feira, junho 05, 2007
Fifa Big Count
* O número de jogadores no mundo chega a 265 milhões. Quase 10% desses atletas é do sexo feminino (cerca de 26 milhões);
*Há 301 mil clubes e 1,7 milhão de equipes, o que dá em média, 6 times por instituição (entre equipes profissionais, equipes B, juniores etc). Desses, só 26 mil têm pelo menos uma equipe feminina;
*O número de clubes, aliás, era de 305 mil no Big Count 2000;
* Há cerca de cinco milhões de árbitros e assistentes;
* Somando-se o número de árbitros e jogadores, são 270 milhões de pessoas diretamente envolvidas com o futebol – cerca de 4% da população mundial;
* Há poucos mais de um milhão de praticantes do beach soccer e do futsal;
* A Ásia tem grande vantagem sobre as outras regiões do mundo no número de praticantes. São 85 milhões de jogadores asiáticos (profissionais e de ocasião), contra 62 milhões de europeus; 46 milhões de africanos; 43 milhões de praticantes do Caribe e das Américas Central e Norte; 27 milhões de sul-americanos; e 500 mil praticantes da Oceania). Se alguém achava que clubes como Real Madrid, Manchester United, Barcelona e Milan investem tanto na Ásia em vão, os números justificam a estratégia deles;
*Falando em praticantes ocasionais, os boleiros amadores chegam a 226 milhões.
A matemática raramente traduz bem uma partida, mas os números divulgados pela Fifa não deixam dúvidas: o futebol é algo grandioso e pode ser elemento-chave para desenvolver ou alavancar economias. O Brasil, até pela representatividade que tem neste esporte, deveria fazer um planejamento sério para usar tamanho potencial mercadológico aqui e no mundo. Devia ser pauta obrigatória não só do Ministério do Esporte, mas de todas as esferas do Estado.
Foto: Getty Images (royalties free)
sexta-feira, junho 01, 2007
Patrocínio Morto-VIVO

Daniel Alves posa às vésperas do amistoso Brasil x Kwait - 11/10/2006
Fotos: Agência CBF e Site CBF News
quinta-feira, maio 31, 2007
Novo site da Fifa
Nesta quinta, a Fifa colocou no ar o novo site da entidade. Visual bem legal e menos sisudo que o anterior. Vale a navegada.
***
O site não é a única novidade da Fifa apresentada neste dia 31/05. A entidade apresentou ainda os novos números do Big Count, levantamento sobre o futebol no mundo. Ainda esta semana, vou comentar alguns desses números.
Reprodução - Fifa.com
quarta-feira, maio 30, 2007
Querendo aparecer...
P.S.: Não consigo levar a sério um chefe de Estado que se propõe a jogar bola numa praça... Por mais que eu considere o futebol muito importante, tenho certeza que a Bolívia tem outras urgências (a começar por cumprir alguns contratos que Morales andou ignorando).
domingo, maio 27, 2007
Alto nível agora, só se for do jogo...
No comunicado oficial, o Comitê Executivo alega que a medida foi tomada por razões médicas e para proteger a saúde dos jogadores e será adotada imediatamente. Felizmente, não foi preciso que nenhum jogador morresse ou tivesse a saúde gravemente afetada para que a entidade máxima do futebol tomasse essa decisão. Até porque torcedor só gosta de “alto nível” quando a expressão serve para descrever a qualidade do jogo.
Tu!
Erros de arbitragem
1 - Um rombo na camisa. Nem isso foi motivo para o juiz Abraham Klein marcar o puxão do zagueiro italiano Gentile em Zico, no famoso Brasil x Itália, na Copa de 82. Pênalti que poderia ter mudado a história das maiores equipes que o mundo viu jogar.

2 – Outro pênalti não-marcado, igualmente escandaloso. Na Copa de 94, o italiano Tassoti fraturou o nariz do atacante Luis Enrique, da Espanha, dentro da área. Nem o sangue que escorria do rosto do espanhol foi suficiente para o árbitro Sandor Puhl entender que havia sido pênalti. A Itália venceu jogo por 2 a 1.

3 – Final do campeonato paulista de 1973 entre Santos x Portuguesa. A decisão foi para os pênaltis. Mas Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados, declarando o Santos campeão. O absurdo foi tanto que a Federação Paulista acabou dividindo o título entre as duas equipes.
4 – Um “errinho” mais recente, no Brasileirão de 2005. Campeonato, aliás, que foi realmente decidido não só pelos erros, como também pela desonestidade da arbitragem (ou vamos esquecer de Edílson Pereira dos Santos?). O jogo era Corinthians x Inter e o goleiro Fábio Costa derrubou o atacante Tinga na área? O pênalti claro não foi marcado e Márcio Rezende de Freitas ainda expulsou o jogador do Inter por simulação. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Inter viu os dois pontinhos de uma possível vitória serem fatais para a perda do título.
5 – Dois cartões amarelos geram uma expulsão, certo? Quem gosta de futebol sabe disso, mas o inglês Graham Poll pelo visto não sabia. Na Copa de 2006, mostrou um cartão amarelo para o croata Simunic, aos 16 minutos do 2º tempo. Aos 43 minutos, mostra outro. Simunic (que conhece as regras) sabia que ia ganhar o vermelho e saiu de campo. Só que Poll não deu o cartão. O jogo foi até os 48. Simonic reclamou com o juizão e só aí levou o “segundo” amarelo e o vermelho.
6 – Quartas-de-final da Copa do Brasil, Botafogo x Atlético-MG. O empate com gols dava a vaga ao Galo. E Carlos Eugênio Simon ignorou o pênalti claro sobre Tchô no fim da partida. A vaga ficou com o Botafogo. E dessa vez, não ouvi o Montenegro falando mal de arbitragem.
Poderia listar outras tantas situações. Mas vou fechar a lista por aqui. Coloquei erros diversos, de todos os tipos, ao longo dos anos, só para reforçar a pergunta: se todos esses deslizes tivessem sido cometidos por mulheres, o que teriam dito a respeito?
sexta-feira, maio 25, 2007
Calça e efeito
“Ela (Ana Paula Oliveira) é totalmente despreparada. Não vejo mulher em Copa do Mundo, nem em decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, justamente contra o Botafogo. Ela nos assaltou em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão - esbravejou Montenegro”.
Aparentemente, a frase acima teve origem em dois erros gritantes da auxiliar Ana Paula de Oliveira, que resultaram na anulação de dois gols do Botafogo contra o Figueirense, pela semifinal da Copa do Brasil. O time botafoguense perdeu a vaga e o vice de futebol do Botafogo, a razão.Porque Ana Paula de Oliveira errou. Feio. Mas não errou porque é mulher. Errou porque, assim como tantos outros colegas de arbitragem, tem limitação técnica e evidente despreparo. Errou e prejudicou o Botafogo porque a regra da Fifa é ultrapassada e tirana, dando espaço para arrogância, má-intenção, imperícia, incompetência e até erros inocentes. Se a Fifa fosse administrada por mulheres, será que Montenegro e outros dirigentes não usariam isso como justificativa para a obsolescência das regras e para a omissão da entidade diante de tantos erros grotescos que tem alterado a história das partidas, dos clubes, dos campeonatos?
Por isso disse que a frase infeliz teve origem aparente nos erros de Ana Paula; na verdade, fica claro que um comentário desses começa em algo muito anterior: o preconceito. Alguém duvida?O mesmo Carlos Augusto Montenegro chegou a se referir à bandeirinha como "piranha" no intervalo da partida, quando questionado por repórteres. Por que sempre que uma mulher erra no campo profissional chovem ofensas no campo pessoal?
Mas não parou aí. Ao se defender da acusação de preconceituoso, o dirigente lançou mão de outra “pérola”, em matéria do Lancenet:
- O pessoal já leva para esse lado. Não é o fato de ela ser mulher, mas tem uma certa proteção. Se é mulher não pode xingar, bater, não pode fazer nada contra mulher. Se é assim, é melhor que elas não participem do futebol.
Sim. O argumento de Montenegro é que, sendo mulher, uma auxiliar ou árbitra não pode ser xingada ou agredida. Por favor, alguém me diga se esse tipo de comportamento é aceitável e justificável quando se trata de um homem. Não, não é. É inaceitável, seja qual for o sexo. Poucas vezes na vida ouvi "justificativa" tão esdrúxula. O que eu gostaria que não fizesse parte do futebol são os dirigentes que agem como o mais fanático dos torcedores e deixam de lado a responsabilidade de representar uma instituição esportiva de respeito e principalmente, a obrigação de não incitar determinados comportamentos.
Foto: O Globo Online
Preconceito sim
Para quem tem dúvidas, segue a definição da palavra “preconceito”:
1- Qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 1.1- Idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão;
2- Atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
O futebol, fiel retrato do mundo, destila preconceito. Contra as mulheres, contra gays, contra negros. Como diria Albert Einstein, “triste época em que vivemos, na qual é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito”.
quarta-feira, maio 23, 2007
Menos oito ou oitenta
Menos oito pontos. Foi assim que o Milan começou no Campeonato Italiano 2006/2007, punido por ter sido beneficiado na manipulação de resultados na Itália. Por pouco não perdeu a vaga na Liga dos Campeões. E mesmo contando com astros como Kaká, Pirlo, Dida, Gattuso, Maldini e cia, a tarefa do clube milanês era ingrata: recuperar em campo a confiança e a credibilidade que havia perdido fora dele. Traduzindo: conquistar um título na temporada.
O técnico Carlo Ancelotti declarou que a perda de pontos que quase tirou o Milan da Liga dos Campeões deixou a equipe mais determinada.
E com méritos, o Milan fez os menos oito pontos se transformarem em oitenta, conquistando pela sétima vez o mais disputado título interclubes do mundo.
Kakaiser
A palavra é de prata; o silêncio é de ouro...
Reprodução
terça-feira, maio 22, 2007
Pontos (es)corridos
1 – Podem dizer que na Europa é assim há anos, que esse sistema premia o time mais regular. Antes de mais nada, os clubes europeus disputam vaga na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, dois campeonatos bem conceituados. Aqui, nós temos a Libertadores e a... Copa Sul-Americana. Me diga com sinceridade: conhece alguém que comemore vaga na Sul-Americana?
3 – Acho o calendário do futebol brasileiro incoerente; não entendo porque os campeonatos estaduais têm quase cinco meses (17/01 a 06/05) e o Brasileirão, no qual os times viajam e jogam mais, tem quase sete meses (13/05 a 02/12). Não é uma desvalorização desmedida do segundo e uma valorização excessiva dos primeiros?
4 – A diferença de calendário entre o Brasil e a Europa, que faz com que o torcedor brasileiro fique vendo navios (e os craques ou bons jogadores das equipes indo embora);
5 – Manchetes como “Time X ou Y mantém 100% de aproveitamento” depois de DUAS rodadas. É coisa para tentar empolgar a galera, eu sei, mas com duas rodadas nem o torcedor mais fanático consegue sair pelas ruas batendo no peito e gritando: estamos invictos!
... porque não dá para chamar isso que está na placa de marca, né?
É, sou uma viúva (ainda inconsolável) do mata-mata, de um campeonato de verdade. E não escondo isso de ninguém...
Imagens: Screenshot Fifa Manager/EA Sports / Diário da Manhã (GO)
Os dois “Flamengos”
Uma das grandes incógnitas do Campeonato Brasileiro é o Flamengo. Porque o time de Ney Franco, na verdade, são dois. Sim, Ney Franco dirige não um, mas dois Flamengos. Um, é o Flamengo do 1º tempo da primeira partida da final contra o Botafogo; mesmo Flamengo do jogo de ida contra o Defensor e de boa parte do jogo contra o Palmeiras. O outro é o Flamengo que buscou o empate no 2º tempo da final citada quando perdia por 2 a 0; que foi o mesmo rubro-negro que entrou em campo no Maracanã contra os uruguaios e só não reverteu a vantagem porque o juiz não deixou. Flamengo esse que entrou em campo também contra o Goiás, dominando o jogo no Serra Dourada com ótimo padrão tático e técnico.
O Flamengo tem sido regular em sua irregularidade. E esse é o maior desafio de Ney Franco: fazer com que o time tenha uma só cara, um padrão. E que esta cara e esse padrão sejam, é claro, a do “segundo” Flamengo. Se conseguir, pode fazer o que nenhum técnico fez nos últimos anos: fazer o clube da Gávea disputar o título brasileiro. E aí, qual Flamengo vai prevalecer?
Imagem montada com fotos de "O Globo"
















