Site Meter Sem Salto Alto

segunda-feira, março 19, 2007

Para ter Copa, é preciso arrumar a cozinha...

Essa é a única Copa que o Brasil realmente merece trazer para cá
Para passar o tempo, costumo ler jornal no ônibus indo/voltando do trabalho. E tenho lido várias notícias do tipo: “CBF descarta esse ou aquele estádio para a Copa de 2014”; “Estado X ou Y quer ser uma das sedes da Copa em 2014”; “Governo quer participação de empresas privadas na Copa de 2014”. Aí, eu olho ao redor. Moro num dos maiores centros urbanos e econômicos do país; estou num ônibus lotado que, para percorrer os 17km entre minha casa e o trabalho, chega a levar duas horas e trinta minutos (totalizando absurdas cinco horas diárias em engarrafamentos!); nas ruas, desordem urbana (choveu, parou tudo), bagunça, violência, descaso das autoridades e ambientes agitados e pouco inclusivos (idosos e deficientes parecem não ter direito de ir e vir). Se a parte se aplica ao todo, sei que não é diferente em outras partes do país. E é esse Brasil que quer sediar a Copa de 2014?

Amo esporte e futebol, que ninguém duvide disso. E amo tanto que acho que eventos como uma Copa do Mundo merecem um lugar melhor. Ou um lugar que realmente se engaje em ser melhor. Um lugar que promova o crescimento social, econômico e urbano e, como parte desse planejamento, até almeje sediar eventos esportivos de primeira grandeza. Sediar uma Copa precisa ser conseqüência de um planejamento e não a causa. É ilusão falar num possível legado que uma Copa traria; aliás, mais que ilusão, é desrespeito. Vejam o Pan no Rio. Com orçamento estourado, obras atrasadas, violência espocando de forma abusiva por todos os lados da cidade, há o risco de termos somente vergonha como maior legado do evento.

Mas se no Pan há quem bata palmas para a desorganização interminável, é bom avisar que uma Copa não teria a mesma complacência. A FIFA tem muitos defeitos, mas um deles não é fazer parcimônia de atitudes severas para evitar vexames nos eventos organizados por ela. Provas? A Copa de 86 não seria originalmente no México e sim na Colômbia. Esta havia sido escolhida como sede do Mundial em 1978. O tempo foi passando, passando... e as condições econômicas e de segurança no país não mudavam. A FIFA pressionava por melhorias. Em setembro de 82, Belisário Betancur jogou a toalha e renunciou ao direito de sediar o evento. Países como Canadá, Estados Unidos, Peru, Brasil (cuja candidatura o então presidente Figueiredo vetou por falta de condições econômicas) e México entraram na briga pela competição. Os mexicanos levaram e o resto é história...

O Brasil não funciona, deixa a desejar. Necessita de planejamento e melhorias, mas que não venham por causa da Copa; que venham porque o país pensa grande. Para ter Copa aqui, temos que arrumar a “cozinha”. Para mim, quando falam em trazer uma Copa do Mundo para o Brasil, só vem a idéia de trazer o hexa mundial e não o evento em si... Afinal, se o país é referência positiva na prática do futebol, só leva olé e goleada quando os parâmetros são educação, infra-estrutura, desenvolvimento social, urbanização, saúde...

domingo, março 11, 2007

What a Messi!


Na semana em que foram eliminados da Liga dos Campões, Real Madrid e Barcelona fizeram o maior clássico espanhol no Camp Nou. O time merengue não tem lá muitas esperanças de conquistar o título na Espanha, mas o Barça ainda está nas cabeças.

Independentemente disso, foi o que se pode chamar de jogão. Por três vezes, o Real, liderado por Van Nistelrooy e Gutti, saiu na frente; por três vezes, o Barça correu atrás e arrancou o empate. Por três vezes, com Messi.O jovem argentino encanta: é veloz, inteligente, raçudo, técnico. Tem visão de jogo, é ótimo tática e tecnicamente. Veste a 19, mas não é espanto se herdar a 10 que tão bem cai no Ronaldinho Gaúcho (quando este um dia, for embora de lá). Tenho a forte impressão que um dia esse menino vai conduzir a Argentina a um título mundial (só torço que não seja contra o Brasil).

Vendo Messi jogar, lembrei da expressão inglesa “What a mess”, que quer dizer “Que confusão”. Ela expressa perfeitamente o que deve ter passado na cabeça da defesa madrilenha: “What a Messi”!
Foto: AFP/UOL

quinta-feira, março 08, 2007

Quando uma torcida leva o time pela mão...


Domingo, 04 de março. Trinta e oito mil pessoas comparecem à primeira partida da final da Taça Guanabara. Jogo de uma torcida só. E vêem o time grande jogar como pequeno e o pequeno jogar como grande, vencendo o jogo por 1 a 0.

Quarta, 07 de março. Cinqüenta e sete mil pessoas vão ao Maracanã, com um objetivo: levar o time grande pela mão, reconduzindo-o à sua grandeza. Pela atuação do time grande no jogo anterior, a lógica diria que haveria menos torcedores no estádio. Mas desde quando a lógica ou o racional são suficientes para explicar a força da torcida do Flamengo?

A história de um clube faz sua torcida. Menos com o Flamengo. Com o Flamengo, a torcida faz história, a torcida faz o clube. O Flamengo pode voltar a jogar no Aterro de mesmo nome, como ocorreu nos idos de sua trajetória. O Flamengo pode vender a sede, derreter suas taças, lotear seu campo. Nada disso fará o Flamengo menos Flamengo. Porque o Flamengo é sua torcida. E essa, não tem preço, não tem fim. Enquanto as arquibancadas inanimadas adquirirem vida e força quando o Flamengo está em campo, não tenho dúvidas: mais do que imortal, o rubro-negro será sempre vencedor.

quarta-feira, março 07, 2007

Duelo das marcas na Liga dos Campeões


Gigantes do material esportivo dominam a fase final da Liga dos Campeões

Nesta quarta (07/03), foram definidas as últimas vagas nas quartas-de-final da Liga dos Campeões. Os vencedores estão em negrito na lista abaixo. Vale notar também como está o duelo das marcas de material esportivo. Adidas e Nike dominam: dos oito classificados, as duas juntas patrocinam sete equipes (quatro times e três times, respectivamente). A Diadora é a “penetra” da festa, estampando a camisa do Roma.
O sorteio dos confrontos da próxima fase é na sexta e é bom a Nike cruzar os dedos. Dos três encontros com a concorrente Adidas, a empresa alemã levou a melhor em todos.

Valencia (Nike) x Internazionale (Nike)
Liverpool (Adidas) x Barcelona (Nike)
Lyon (Umbro) x Roma (Diadora)
Chelsea (Adidas)
x Porto (Nike)
Bayern München (Adidas) x Real Madrid (Adidas)
Manchester United (Nike) x Lille (Airness)
Arsenal (Nike) x PSV Eindhoven (Nike)
Milan (Adidas)
x Celtic (Nike)

terça-feira, março 06, 2007

Futebol-Arte (marcial)

As torcidas européias não têm dado exemplo de bom comportamento ultimamente. E não bastasse casos de racismo, mortes, agressões e baderna fora de campo, dentro dele a coisa também ficou feia em dois jogos de volta das oitavas-de-final da Liga dos Campeões. No jogo Lyon x Roma, o brasileiro Fred deu uma cotovelada no romeno Chivu. A foto não deixa dúvidas da violência e da covardia do lance.



O juiz não viu, mas isso não deve evitar um gancho merecido do jogador.Pior ainda aconteceu na partida entre Valencia x Internazionale. O apito final foi confundido com o gongo do boxe e os as duas equipes brigaram em campo, estendendo o bafafá até o vestiário. Pura demonstração de futebol-arte (marcial). Lamentável.




segunda-feira, março 05, 2007

Joelho de Aquiles



Não tenho dúvidas: se em vez de guerreiro, o lendário Aquiles fosse jogador de futebol, não teria o calcanhar como ponto fraco e sim os joelhos. Não entendo de medicina esportiva, mas o crescente número de contusões no joelho dos jogadores de futebol é, no mínimo, alarmante. Eto´o, Obina, Ricardo Oliveira, Cafu... No fim de semana, mais jogadores entraram para a lista: Alemão, atacante do Palmeiras; Kerlon, promessa do Cruzeiro e Nilmar. Este último, aliás, machuca gravemente o joelho pela segunda vez em menos de um ano; ano passado foi o direito e no último domingo, o esquerdo. Diagnóstico? De seis a oito meses fora dos campos.


Não pode ser acaso tantas contusões semelhantes. Seria o excesso de exercícios para fortalecer a musculatura e a falta de fortalecimento do joelho? Seria o excesso de partidas de um calendário desumano? Seria o reflexo do malabarismo que os jogadores têm que tentar para escapar dos carrinhos criminosos e das faltas desleais? Não sei a resposta... Só sei que o maior contundido, além do jogador, é o próprio futebol.
Foto: Folha Imagem/UOL

quinta-feira, março 01, 2007

Hora do Vasco pensar no Vasco

Semifinal da Taça Guanabara 2007. Flamengo de um lado, Vasco do outro. Mais um momento decisivo entre os dois clubes e mais uma vez, o Flamengo levou a melhor. Nos pênaltis, mas podia ter sido no tempo normal, já que o rubro-negro procurou o jogo o tempo todo e o Vasco não. O resultado abalou a equipe vascaína. O clube baixou “linha dura”, treino integral. Depois do jogo, só Renato Gaúcho (como sempre) falou com a imprensa. Durante o jogo contra o Fast Club pela Copa do Brasil, a torcida hostilizou Diego (por ter chutado o pênalti para fora) e Morais (que “não entrou” em campo contra o arqui-rival). Alguns cantos ressaltavam a “humilhação” da derrota.A atuação vascaína contra o Fla não foi das melhores, mas será que a culpa é realmente do time?
Vamos relembrar alguns fatos. Há anos, Eurico Miranda diz que “Flamengo x Vasco é um campeonato à parte”. Parece que o time pode ir mal das pernas em tudo que fizer e contra todos que jogar; o mundo “só cai” quando tem derrota para o Flamengo. Em 99, antes do início do Estadual, o dirigente abriu a boca para dizer que a grande disputa daquele ano seria para saber quem seria o vice, já que o Vasco já era o campeão. Ninguém avisou Rodrigo Mendes, que fez o gol do título do Flamengo. Título que abria caminho para o tricampeonato estadual, pela primeira vez conquistado sobre um mesmo rival nos três anos. Tri-vice.
Suficiente? Não. Veio 2004 e Eurico desdenhou de Felipe, ex-jogador do Vasco, que estava jogando muito no adversário. Na final, deu Mengão de novo. Tetra-vice.
Tinha mais. Veio 2006 e os dois clubes se encontraram em outra decisão, dessa vez a da Copa do Brasil. Na véspera do 1º jogo, festa, fogos, oba-oba em São Januário. Flamengo 2 a 0. No outro jogo, Flamengo 1 a 0. Vice de novo.
Já em 2007, Romário consegue liberação da FIFA para atuar no Vasco e buscar o milésimo gol. O que fez Eurico? Abre a boca e diz: “eu espero que ele faça (o gol mil) contra o Flamengo”. Vale lembrar também a obsessão do mesmo dirigente em contratar ex-jogadores rubro-negros. Jogou no Flamengo? Tem vaga no Vasco. Até Renato Gaúcho, técnico vascaíno, diz sentir que a rivalidade é levada mais a sério pelo Vasco que pelo Flamengo.
Por tudo isso, pergunto: por que o Vasco fala tanto do Flamengo? Por que tudo que o Vasco faz ou deixa de fazer parece ser em função do clube da Gávea? Parece um clube-satélite: elegou o rubro-negro como Sol e gira em torno dele com afinco. Não seria hora do Vasco pensar no Vasco? Com a maior torcida do Brasil e um sem número de dirigentes, tenho impressão que o Flamengo não precisa que o clube cruz-maltino fique pensando nele.

Quem paga o Pato?

Contra o Emelec, Alexandre Pato fez sua estréia no Beira-Rio. E foi o melhor do jogo. Fez ótimas jogadas, incomodou os adversários e deixou o dele na vitória por 3 a 0.

Quando a janela de contratações na Europa reabrir no meio do ano, vai ser muito difícil para o Inter manter o garoto. Candidatos não vão faltar para levar a promessa. Milan, Chelsea, Manchester United, Real Madrid... E a pergunta é: quem vai pagar o Pato?

Foto: EFE

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Melhor que Eto´o...

Ironicamente, a contusão de Obina é semelhante à sofrida por Eto´o em setembro do ano passado. A de Obina é no joelho esquerdo; a de Eto´o foi no direito.

Mas vale apontar uma diferença marcante: Eto´o se machucou tentando dar um passe e saiu de maca. Obina se machucou marcando um belo gol. Saiu do jogo amparado pelo médico do Fla, chorando, depois de tentar ficar de pé para voltar para a partida. Melhor que Eto´o. Pelo menos na raça. Volta logo, Obina!


A força de um ídolo

Pesquisa Lancenet - parcial 27/02/2007 - 18h32


O Flamengo conquistou a vaga nas finais da Taça Guanabara. No mesmo jogo, perdeu o xodó Obina por pelo menos seis meses. Muitos rubro-negros lamentam e chegam a afirmar que se pudessem, trocariam a vaga – motivo de mais uma zoação com os vascaínos – pela rápida recuperação do artilheiro gente boa. Parece impossível? Só olhar a parcial da pesquisa que o Lancenet está fazendo. Serve para mostrar duas coisas: a importância cada vez menor dos campeonatos estaduais e a força que um ídolo tem. Volta logo, Obina!




Poder de compra

Saiu no início de fevereiro o relatório Football Money League 2007, produzido pela Deloitte. Nele, o ranking dos clubes mais ricos do mundo. Entre os dez primeiros, é curioso observar a porcentagem de estrangeiros nas equipes. Entre os clubes que tem menos gringos, estão os italianos Milan e Juventus, base da seleção campeã do mundo em 2006. Será por isso que as seleções da Espanha, Inglaterra e Alemanha, países de origem dos outros times, não fazem bonito em uma Copa do Mundo há tempos?

Ranking dos clubes pelo faturamento / Porcentagem de estrangeiros na equipe:

1. Real Madrid – 69%
2. Barça – 65%
3. Juve – 34%
4. Manchester United – 62%
5. Milan – 42%
6. Chelsea – 73%
7. Internazionale – 81%
8. Bayer – 42%
9. Arsenal – 84%
10. Liverpool – 75%

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

E o visual do Dunga?


Pior do que o desempenho do Brasil em campo, só a camisa do Dunga... É muito, muito, muito tênue o limite entre o horror e o fashion...

Foto: Efe/UOL

Ora pois...


Uns poucos lampejos de futebol. Uma bola na trave chutada por Lúcio. Dois gols sofridos em bobeiras da zaga e a primeira derrota de Dunga no comando da seleção. O que ficou claro hoje é que o Brasil ainda não se encontrou. Podem falar que a culpa foi dos desfalques de última hora de Ronaldinho Gaúcho, Alex e Robinho.
Mas nem acredito muito nisso, já que dos três citados, quem pode realmente fazer diferença em campo provavelmente ficaria no banco. E esse é o absurdo maior: podem dizer que Ronaldinho Gaúcho não rende na seleção, isso e aquilo. Mas atualmente, quem rende? Quem tem desequilibrado com a amarelinha? Quem? Ninguém. Nenhum jogador que vem sendo chamado (e escalado) tem feito chover e relampejar, como sempre exigem que o Gaúcho faça todos os dias, todos os jogos, todos os anos.
Pelo futebol que o Brasil mostrou, sou Ronaldinho Gaúcho e mais dez. Porque com ele, pelo menos vem sempre a esperança de sair algo de bom. Confesso: torci pelo Felipão, ora pois.

Foto: Efe/Uol

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

DNA ou loteria?

Uma das notícias que mais me chamou atenção no último fim de semana foi a de uma mulher que está pedindo DNA de seis (!!!) jogadores para saber quem é o pai de um bebê que acabou de nascer.

A jovem é italiana, trabalha como garçonete e mora em Merano, província de Bolzano. Além dos seis (!!!) jogadores de futebol, dois empresários e um vereador fazem parte da lista de ‘candidatos’. A cidade, que tem 35 mil habitantes, está tão ansiosa pelo resultado e por saber quem é o ‘sortudo’ que já promove até um bolão. Na boa, é DNA ou loteria?

A imprensa e o mea culpa


Mea culpa. O significado desta expressão latina é bem conhecido: “por minha culpa; locução encontrada no ato de confissão e que se aplica nos casos em que a pessoa reconhece os próprios erros”. Não vejo nada mais aplicável à imprensa esportiva, principalmente a espanhola, no que se refere ao imbróglio em que se encontra o “Real Madrid”.

Na semana passada, após a ida de Ronaldo para o Milan, o jornal Sport não mediu palavras: nomeou o Fenômeno como ‘mercenário’, por ter atuado por quatro clubes em 11 anos. O argumento, em si, já seria insustentável: se os jogadores vão e vêm dos clubes sem criar vínculo algum, muito se deve ao mercantilismo da bola, largamente difundido principalmente pelos clubes europeus (Real Madrid e Chelsea podem encabeçar a lista). Sem pensar muito, lembro o nome de Fernando Morientes, que em quatro anos (de 2003 a 2007), atuou em quatro clubes (Real Madrid, Mônaco, Liverpool e Valencia). Ronaldo é mercenário? Acho que não, Sport. Outros dois diários esportivos espanhóis, apesar de pegarem leve com Ronaldo em sua saída, vinham culpando o brasileiro e sua “gordura” pelos maus resultados do time merengue.Nesta segunda (05/02), após a rodada do fim de semana na qual o Real Madrid perdeu por 1 a 0 para o Levante (prazer, meu nome é Glaucia) dentro do Santiago Barnabéu, os três diários esportivos apontaram o culpado em suas capas: Fábio Capello. O Ás afirmou com todas as letras: “Todos os seus tiros (de Capello) saíram pela culatra. Entre os méritos dele está o de ter feito de Ronaldo um santo. O nome do atacante apareceu em meio aos lamentos dos torcedores, que, tão castigados pelos fracassos, acostumaram-se a fazer por menos o mês anterior, quando éramos gordos, mas felizes, ou ainda o anterior a esse, quando éramos irritados, mas esperançosos”.


Não defendo Capello; ao contrário, acho que ele agiu de forma arrogante e desrespeitosa com um ídolo com a história de Ronaldo. Independente da forma atual, por tudo que já fez e passou no futebol, o atacante merecia sim, mais respeito.

Mas... o que dizer da atitude da imprensa? Até quando os veículos, colunistas, repórteres vão nomear bruxas e promover caça às mesmas em suas páginas, de forma tão incisiva (e cruel)? E isso não é ‘privilégio’ da imprensa espanhola; a imprensa esportiva mundial cria mitos da noite para o dia, molda pés de barro para jogadores, técnicos e equipes, numa espécie de olaria que alia letras e imagens escolhidas a dedo para explorar a paixão dos torcedores. Basta lembrar que o hoje ‘problemático Real Madrid’ era o ‘galáctico Real Madrid’ (antes mesmo de entrar em campo e ter resultados que justificassem o apelido).

Não seria hora de questionar o papel da imprensa esportiva para a sociedade? Não seria hora de deixar que determinados comportamentos ficassem restritos aos torcedores e não mais aos formadores de opinião?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Páginas da Bola...

Sou uma mulher que troca fácil qualquer novela por um joguinho de futebol. E talvez por isso, tenho “paciência zero” para as novelas futebolísticas. As coisas que não agüento mais ouvir:

1 – Destino de Nilmar: precisa dizer mais?

2 – A má-relação entre Ronaldo e o Real Madrid: sinceramente, Ronaldo. Vai embora logo. O Real Madrid é um grande clube, mas todo mundo lá acredita (mesmo) que o Raúl é mais jogador que você... Não dá!

3 – O “milésimo” gol de Romário. Zzzzz...

4 – Bagunça na Ferj: quero novidades. O dia que estiver organizado, aí sim, me avisem.

5 – Leão trocando farpas com alguém.

6 – Jogadores brasileiros que vão jogar no exterior; voltam jurando que agora ficam em definitivo no Brasil e seis meses depois recebem uma proposta de qualquer clube gringo e vão embora de novo sem hesitar. Não é, Sávio?!

7 – Vaivém de liminares ratificando ou colocando sub judice as eleições do Vasco.

8 – Jogadores em fim de carreira que topam jogar os estaduais por clubes pequenos e ficam cantando de galo como se estivessem tendo o passe disputado por todos os clubes do G14.

9 - Ronaldinho Gaúcho não é “tão” craque assim: sem comentários...

10 – Mineiro sai ou fica no São Paulo?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Real problema


Ontem (21/02) vi a partida entre Mallorca e Real Madrid, vencida pelo time merengue por 1 a 0. O belo gol de falta de Reyes não oculta um fato: o Real Madrid, atualmente, é um time apenas esforçado. Corre atrás da vitória muito menos por vocação ofensiva e muito mais porque a crise do clube morde os calcanhares de todos, do presidente aos jogadores.
Parece um paradoxo falar em crise quando time é um dos três líderes do Campeonato Espanhol. Mas essa palavra não pode mesmo se afastar do vocabulário da equipe de Fábio Capello, cuja atitude na foto acima já revela muito. Tudo – dos maus bofes deste último ao tratamento dado a Ronaldo – indica que o Real Madrid está cercado de problemas.Desde 2000, o clube apostou numa política ousada (e principalmente, cara): anunciar pelo menos um grande jogador por ano. Vieram Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Owen, Júlio Baptista, Robinho... E alguns títulos: dois espanhóis (2000/2001, 2002/2003), uma Liga dos Campeões da Europa (2002), um Mundial de Clubes (2002), duas Supercopas da Espanha (2001 e 2003) e uma Supercopa Européia (2002).
Mas o que se esperava era que o time ganhasse tudo sempre. E dando espetáculo. Só que futebol não é assim. Escalação não ganha jogo, nem campeonato. Depois de 2003, o time não ganhou nada em campo mesmo faturando alto fora dele. Os grandes nomes do time fizeram o clube arrecadar em contratos publicitários, venda de produtos licenciados, camisas, excursões... Ideal para o Real Madrid “marca”; um caos para o Real Madrid “clube”. Só na temporada 2005/2006, o Real Madrid conseguiu 292,2 milhões de euros, se tornando a marca mais valiosa do futebol. Conquistou mercados mundo afora. E decepcionou seu cliente mais importante: o torcedor espanhol. Esse, que não escolhe o Real Madrid “marca”, mas o Real Madrid “clube”. Que conhece suas glórias, sua história, que vai ao estádio, aos treinos.
Legal encarar o torcedor como consumidor; ótimo ver o esporte com visão de mercado. Mas no futebol, assim como na propaganda da Mastercard, há coisas que o dinheiro não compra. Um delas é a alegria sincera, visceral e única de comemorar um título. E esse deve ser o maior objetivo de qualquer plano de marketing quando o assunto é esporte (principalmente futebol).

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Marketing ou antimarketing?

Quando as cortinas de 2006 já estavam descendo, pintou a notícia: “Vasco cria departamento de marketing”. Para o novo departamento, contrataram profissionais como Paulo Angioni, Valdir Espinosa e Marcos Duarte (ex-diretor de marketing do Flamengo). O Vasco merece parabéns? Acho que não.
Antes de mais nada, vale relembrar uma coisa: no próximo dia 18, o clube completa sete anos sem patrocínio na camisa. A última vez que uma marca apareceu na camisa do clube, aliás, foi de forma patética: na final da Copa João Havelange, Eurico Miranda mandou estampar o logotipo do SBT como forma de alfinetar a Rede Globo. Alguns acharam a idéia genial; eu acho que foi um tiro no pé. O que para uns pareceu “esperteza, malandragem”, soou mesmo como falta de credibilidade, de profissionalismo, de seriedade e de autonomia. Palavras essenciais para qualquer um que queira investir no esporte. Se um dirigente coloca uma marca na camisa do seu time (sem receber um tostão sequer) apenas por birra ou diferenças pessoais, não pode ser levado a sério. E que não se esqueça o detalhe: a Globo tem contrato com os clubes por conta da transmissão dos jogos e para muitos deles – incluindo o Vasco – já adiantou receitas para que eles pudessem cobrir seus rombos financeiros. Eurico Miranda costuma dizer que o Vasco não tem patrocinador na camisa porque nenhuma empresa “paga o que o clube merece”. O que o clube merece não se discute; o que faz por merecer é outra história.
Antes fosse só isso... Mas nos últimos anos, o clube se especializou em vexames que mandam a marca “Vasco da Gama” para a lama. Sem fazer muito esforço, lembro de alguns: o não-pagamento do seguro do jogador Dener (morto num acidente de carro quando tinha contrato com o clube); volta “olímpica” de araque no campeonato carioca de 1990; as inúmeras greves de silêncio e brigas com a imprensa (geralmente quando a mídia em geral critica os mandos e desmandos do Vasco); a expulsão do maior ídolo vascaíno do estádio de S.Januário, como se Roberto Dinamite fosse um qualquer, por conta das diferenças políticas entre o ex-jogador e Eurico; o alambrado do mesmo estádio caindo na final da Copa JH; ações por quebra de contrato movidas pela Penalty e pela Umbro, duas ex-fornecedores de material esportivo do clube; eleições suspeitas e parciais, nas quais votaram até sócios sem condições de voto; inúmeros processos trabalhistas e cíveis, além de dívidas com o INSS, o FGTS e a Fazenda Nacional (sempre negadas pela diretoria). E por aí vai... Qualquer vascaíno fica de cabelo em pé lendo sites como o Consciência Vascaína ou Movimento Unido Vascaíno.
Que ninguém se engane: marketing se faz com atitudes bem mais amplas que simplesmente contratar profissionais do ramo. E convenhamos: já não era sem tempo. Anunciar a criação de um departamento desses num clube que tem a quinta maior torcida do Brasil apenas no ano de 2006 é prova do atraso que anda por lá. O futebol carioca está atrasado? Sem dúvida. Mas no Flamengo, no Fluminense e no Botafogo, a palavra “marketing” não parece ter sido descoberta agora. Eurico quer fazer marketing? OK. Talvez a melhor atitude para isso fosse renunciar ao cargo e não apenas criar um departamento. Acorda, Vasco!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Futebol onipresente


Hoje vi essa foto maravilhosa no G1. O frio intenso que está castigando o Afeganistão. Já causou 11 mortes em Cabul. No entanto, o gelo também serve para "aquecer" o espírito esportivo, como a imagem mostra. Futebol onipresente.


Foto: Reuters

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Dez piores momentos de 2006

É Natal e em vez de fazer lista para o Papai Noel, fiz a lista dos dez piores momentos do futebol em 2006 (na minha humilde opinião).

1. Cabeçada do Zidane: um craque como Zizou precisa usar a cabeça sempre, mas não da maneira como fez na final da Copa da 2006.

2. Vídeo do Postama: o goleiro holandês Stefan Postma, do ADO Den Haag, conseguiu ficar famoso no futebol. Mas não pela qualidade técnica... Uma ex-namorada divulgou um vídeo da relação dos dois e na gravação, ela é o “homem” da relação, graças a um apetrecho de borracha. Virou alvo de chacota no mundo. O vídeo foi para o You Tube e retirado depois (quando meio mundo já tinha visto). Mas sem dúvida, quem procurar vai achar pela Internet... Chega a traumatizar...

3. Gol de gandula: Santacruzense e Atlético Sorocaba. Ninguém lembraria dessa partida, válida pela Copa Federação Paulista, se a árbitra Sílvia Regina de Oliveira (da FIFA!!) não tivesse validado um gol de gandula, que deu o empate ao time de Santa Cruz. A árbitra foi suspensa por 30 dias, o auxiliar Marco Antônio Motta Júnior, por 15 e o time beneficiado pagou uma multa de R$ 50 mil. Barato, muito barato pelo tamanho da besteira.

4. Cobrança de pênalti do William: poucas vezes se viu um pênalti cobrado de forma tão bizarra... A cobrança rodou as TVs do mundo e a internet e, sinceramente, quanto mais a assisto, menos entendo...

5. Valdir Papel na final da Copa Brasil: Renato Gaúcho apostou em Valdir Papel para tentar os dois gols de diferença que manteria o Vasco na briga pelo título da Copa do Brasil. A aposta fez “bonito”: levou amarelo por uma falta desnecessária e dura em Renato. E aos 16 minutos do 1º tempo, assinou a “obra”: deu um carrinho no Leonardo Moura e foi expulso. Virou Valdir Papelão.

6. Frango de Robinson na Eurocopa: Croácia 2 x 0 Inglaterra. Uma imagem vale mais do que mil palavras? Que o vídeo fale por mim...


7. Ajeitada no meião do RC: essa todo mundo viu... E preferia esquecer. Roberto Carlos ajeita o meião e Henry entra livre para despachar o Brasil da Copa 2006. Pelo menos, RC decidiu pendurar as chuteiras (e o meião) na Seleção depois dessa.

8. RC fraturando dedo levando drible do Messi: Messi quebrou o dedo de Roberto Carlos, num Barça x Real Madrid. Por que não expulsaram o argentino? Simples... Ele “fez” isso passando como quis pelo lateral. Que na tentativa de segurar o craque, fraturou o dedo...
9. Falta “ensaiada” do FortalezaFortaleza 2 x 1 São Caetano, no Brasileirão. Aos 43 do 1º tempo, Bechara corre para cobrar falta para o time tricolor. Só não avisou para o companheiro Igor, que também quis bater. Os dois trombam e Igor se machuca. Ouvi a música dos Trapalhões por aí?
10. Chuteira da Nike que deu bolha em Ronaldo/Figo e da Adidas que deu bolha no GerrardParecia brincadeira. Em meio às milionárias campanhas das gigantes Nike e Adidas durante a Copa 2006, Ronaldo e Figo (patrocinados pela Nike) e Gerrard (patrocinado pela Adidas), sofriam com as bolhas provocadas pelas chuteiras que usavam. É muito tênue a linha entre o marketing e o mico...