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domingo, maio 13, 2007

Fair play é coisa que dá nos outros...

Curioso mesmo foi ouvir a declaração do técnico Cuca, do Botafogo, perguntado sobre o pênalti claro que não foi dado contra sua equipe e que poderia ter dado vaga na semifinal da Copa do Brasil ao Atlético-MG.“Também deram um impedimento que me tirou o título no último domingo”.
Certo, Cuca, certo... O erro de um árbitro prejudicou o alvinegro carioca na final do Estadual; mas nunca poderia servir de justificativa para outro erro – igualmente vergonhoso – na Copa do Brasil. Que o Botafogo não levante o bastião pela moralidade na arbitragem (como ameaçou fazê-lo depois da partida contra o Flamengo) se a idéia for baseada na Lei de Gérson ou no popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Se todo mundo que já sofreu um assalto justificasse que outra pessoa fosse assaltada para compensar sua perda, onde a gente estaria? Fair play? Palavrinha bonita que a FIFA inventou para que técnicos, jogadores e dirigentes pudessem jogar pedra nos outros. Esquecendo é claro, que também têm telhado de vidro...

segunda-feira, maio 07, 2007

Se torcida não ganha jogo...

"A nossa torcida foi uma decepção, uma vergonha. Uma das grandes razões da derrota, independente do juiz e do bandeira, foi o não comparecimento do nosso torcedor. Se ele não nos ajudar, não ganhamos a Copa do Brasil, que é uma guerra. A torcida tem de dizer presente e prestigiar, o que ela não tem feito’. Depois do Bebeto de Freitas, foi a vez de Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol alvinegro. Eu dizia num dos posts anteriores que os torcedores do Flamengo tem méritos por não acreditar no chavão “torcida não ganha jogo”. Só que nesta segunda, pelo que vi nas ruas, pelo que li e ouvi nos noticiários – incluindo as declarações dos dirigentes botafoguenses – o chavão precisa ser alterado. Porque por tudo que está sendo falado, torcida não ganha jogo, mas pode ajudar a perder.

domingo, maio 06, 2007

Camisa 10, nota dez

O autêntico camisa 10 da Gávea É o camisa 10 da Gávea!
Mais do que o título carioca, a torcida do Flamengo tem outro motivo de comemoração: Renato Augusto. Como há muito tempo não se via, um prata-da-casa veste a camisa 10 sem sentir seu peso e com ela desfila com futebol vistoso e eficiente. Desde Petkovic, herói do tri em 2001, é o primeiro camisa 10 que não faz Zico ficar vermelho (de raiva e vergonha).
Renato Augusto veste a 10 rubro-negra e a 10 rubro-negra veste Renato Augusto. É um casamento que tem tudo para dar certo a médio-prazo. Digo médio-prazo porque, infelizmente, é difícil segurar um talento no futebol brasileiro. Que seja um feliz casamento enquanto dure. Renato Augusto: um camisa 10 nota dez.

Onde está a diferença?

Torcida do Flamengo faz a diferença
Nas arquibancadas do Maracanã, o fator decisivo para o título.
O Botafogo foi melhor nos dois jogos das finais do Campeonato Carioca. “Dos quatro tempos das duas partidas da decisão, o Botafogo foi melhor em três”, declarou Cuca. E ainda assim, o time perdeu o título para o Flamengo. O que fez a diferença a favor do time rubro-negro?
A diferença entre o Flamengo e o Botafogo não se fez dentro de campo. Prova disso é que os três jogos entre as duas equipes terminaram empatados (3 a 3 no 1º turno; 2 a 2 no 1º e 2º jogos das finais). Nos dois últimos, o alvinegro foi melhor a maior parte do tempo (ou dos tempos, como prefere Cuca). O fiel da balança se fez fora do campo: nas arquibancadas, nas cadeiras, na renovada geral. Talvez seja repetitivo falar da torcida do Flamengo e da sua força. É o time mais popular do país, não? Então, vamos reverter um pouco o ângulo, vamos fugir do lugar-comum. Vamos falar da torcida do Botafogo. Sem dúvida, o alvinegro é uma boa equipe, a despeito da falta de grana. Tem jogadores que mantém boa regularidade nos jogos e jogadores que podem fazer a diferença: Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio. No entanto, chega a final e nas arquibancadas, o que se vê são botafoguenses em número infinitas vezes menor que o número de flamenguistas. Fico imaginando a cabeça dos jogadores de um e outro time quando entram no gramado e olham o estádio. Será que não faz mesmo diferença?
Eu penso que sim e não penso sozinha. Até o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, reconheceu isso. "Fico triste com a torcida que não comparece para ajudar, principalmente numa decisão. Esse time merece apoio total e irrestrito dos alvinegros. Peço que eles venham em grande número no jogo contra o Atlético-MG, quinta-feira, pela Copa do Brasil”.
O título está na Gávea e alguns vão dizer que não teve nada a ver com os torcedores que foram ao estádio. Há quem possa argumentar com o chavão “torcida não ganha jogo”. Pode ser. Mas bem faz a torcida do Flamengo quando deixa isso de lado e faz questão de acreditar que, se alguma coisa pode fazer a diferença na hora da decisão, é ela.

Os números e o futebol

Toda transmissão é a mesma coisa: estatísticas e mais estatísticas tentando ratificar teorias, atuações, esquemas táticos e problemas técnicos. Herança direta de esportes como o basquete (o tal scout começou a dar as caras aqui com o televisionamento da NBA) e do vôlei. Mas tem uma grande diferença: esses dois esportes podem ser traduzidos em números; peguem um milhão de estatísticas do basquete ou do vôlei e a possibilidade desses números traduzirem o vencedor do jogo é enorme. Mas no futebol não. O futebol não pode exagerar desse recurso. Mas é que todo jogo, o torcedor é metralhado com número disso, scout daquilo, contagem aqui, estatística acolá. E a grande maioria não representa muita coisa. Não acrescenta nada. No entanto, o tempo todo a gente é obrigado números que dizem sei lá o quê, tipo: “o time A marcou 53,6% dos gols na temporada entre os 2 e os 7 minutos do segundo tempo”; “fulano já marcou 4,7% dos gols de pé esquerdo, 90% com o direito, 5% de cabeça e 0,3% de joelho”. Chega! O futebol nunca foi nem será baseado na precisão das Ciências Exatas. Alguém quer uma estatística interessante? Prefiro uma, resultado de uma pesquisa do Laboratório Nacional Los Alamos, Estados Unidos, publicada ano passado. Nela, comprovaram que o futebol é o mais imprevisível dos esportes. Números? Bobagem... No futebol, os únicos números que interessam e realmente fazem diferença são aqueles que estão no placar.


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Esse são os números que fazem diferença no futebol
Um bom exemplo disso é a final do Campeonato Carioca de 2007. Não anotei, mas não tenho dúvidas que os números fariam do Botafogo campeão. Botafogo, aliás, que está há mais de uma dezena de jogos invicto no Maracanã nem perdeu clássicos neste Estadual; marcou gols em todas as partidas que fez no ano – exceto uma (contra o Atlético-MG). O campeão? Foi o Flamengo. Cujo ataque vive aos trancos e barrancos desde a saída do Obina; que tomou uma lavada de um timeco semana passada e que não venceu um clássico sequer no tempo normal no mesmo Campeonato Carioca. No entanto, o número que vale mesmo é o que aparece na foto. Daqui a trinta anos, vão lembrar que o Flamengo é o campeão de 2007 e não que, estatisticamente, o Botafogo merecia levar o caneco.

quarta-feira, maio 02, 2007

Amo muito tudo isso

Futebol: definitivamente AMO muito tudo isso!


Semifinal da Liga dos Campeões, quartas-de-final da Copa do Brasil, oitavas da Libertadores... Horas de futebol ao vivo na TV e nos estádios mundo afora. Plagiando o Mc Donald´s: amo muito tudo isso!

Milan x Liverpool: revanche ou repeteco?

Kaká conduz o Milan à Final da Liga dos Campeões Ele tem feito a diferença para o Milan

Nesta quarta (02/05), conhecemos a final da Liga dos Campeões. O Milan sapecou 3 a 0 no Manchester United e não só evitou uma final inglesa no melhor campeonato de clubes do mundo, como ainda ganhou a chance de uma revanche contra o Liverpool (que na temporada 2004/2005 saiu de um 3 a 0 para um empate em 3 a 3, arrancando o título da LC nos pênaltis).
Aconteça o que acontecer no próximo dia 23, em Atenas, se o Liverpool quiser o título, vai ter que parar Kaká, regente absoluto do rubro-negro italiano. E se Kaká levar o Milan ao título, vai dar uma arrancada e tanto para conseguir outra conquista: a de ser eleito o melhor jogador do mundo na atualidade. Como é um jogo só, tudo pode acontecer – uma revanche saborosa ou um repeteco apetitoso.

segunda-feira, abril 23, 2007

Semifinais da Liga dos Campeões



Começa nesta terça (24/04) a fase semifinal da Liga dos Campeões. O Milan vai à Inglaterra jogar contra o Manchester United, num confronto que vai colocar frente a frente os dois atacantes que mais chutaram a gol na competição: Cristiano Ronaldo, dos Red Devils, e Kaká, que também é o artilheiro da LC com sete gols. Os italianos lutam pelo sétimo título europeu e também para não deixar que a final 2006/2007 seja 100% inglesa pela primeira vez na história. Desde que foi criada, em 1955, a competição só viu duas finais entre equipes do mesmo país: na temporada 1999/2000, com Real Madrid x Valencia; e na temporada 2002/2003, com Juventus x Milan.


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Na quarta, é a vez de Chelsea x Liverpool (segundo e terceiro colocados, respectivamente, na Premier League) entrarem em campo. Tomara que os ingleses façam confrontos acirrados somente dentro das quatro linhas. Deus salve o bom futebol (e a Rainha se tiver um tempinho sobrando).

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Falando em Liga dos Campeões, a “versão feminina” do torneio já está nas finais. O Umeå IK, time de Marta, perdeu em casa, nos acréscimos, para o Arsenal. Dia 29/04 tem o jogo de volta na Inglaterra. Sim, a competição das meninas tem dois jogos decisivos e não um, como na Liga dos Campeões (coisa que, aliás, eu realmente não entendo, nem do ponto de vista técnico muito menos do financeiro).

Imagens: Adaptação Uefa.com

domingo, abril 22, 2007

Deixem Messi ser Messi


Como não podia deixar de ser, o assunto mais badalado da semana foi o golaço de Messi. A perícia da jogada, a nacionalidade do jogador e a arrancada lembraram outro gol, feito por outro argentino. Sim, o gol de Messi foi semelhante ao gol de Maradona na Copa de 86. Imediatamente, começou a enxurrada de comparações. É o “novo Maradona”. É o “Messidona”. “É o meu sucessor”, nas palavras do próprio Diego quando viu o gol do jovem jogador do Barça do hospital onde está internado.

Futebol é assim mesmo. Quando Maradona surgiu, com certeza disseram coisas tipo “é o novo Di Stéfano”. Maradona despontou e escreveu sua história. Virou ele mesmo a referência, o ícone a ser igualado.

Então, vou na contramão agora para pedir: deixem Messi ser Lionel Messi. Ele só tem 19 anos. Fez uma obra-prima que o futebol não vê todo dia. Mas não foi só esse gol: quem acompanha o Barcelona, sabe que ele tem um potencial enorme, um repertório inesgotável. É um jogador exuberante, raro.. Messi tem direito a ser apenas Messi. E ‘apenas’ aqui não tem intenção de diminuí-lo. O ‘apenas’ denota o sentido de ser único. Como ele é.

O futebol precisa ver o nascimento de outros mitos; a nova geração precisa ver o surgimento de novas referências. Por isso, sinceramente, não acho que o futebol não precisa de outro Maradona. Até porque acho que o mundo já anda perdido demais para ter mais um gênio dentro de campo e uma figura tão digna de pena fora dele. Torço mesmo, cruzo os dedos para que Messi não tenha nada de Maradona. Faço votos que ele deslumbre, encante, surpreenda dentro de campo e seja um exemplo fora dele (como Maradona nunca foi). Que não enverede por determinadas encruzilhadas que o caminho da fama e do sucesso costumam cruzar. Que ele seja o ícone de atleta magistral nas quatro linhas e de ser humano notável fora dele. E quanto mais leio todas as notícias sobre o estado de Maradona e seus problemas de saúde, sua arrogância – a ponto do médico dele afirmar que o craque se acha “um Deus”, seu desequilíbrio e sua inabilidade para lidar com o que seu talento construiu, mais eu desejo que não esteja vendo o “novo Maradona”.
Deixem Messi ser Messi. Porque acho que isso vai ser mais do que suficiente para este brilhante argentino escrever seu nome na história do futebol mundial.

Mais golaços

A exemplo de Messi, o brasileiro Diego também fez um golaço essa semana, marcando do meio-campo na vitória do Werder Bremen contra o Alemannia Aachen. Verdade que não se compara à obra-prima do argentino, mas é um belo gol sem dúvida nenhuma.



Vale citar também o gol do ex-flamenguista Jônatas, do Espanyol, feito na rodada da semana passada, contra o Atlético de Bilbao. Assim como o gol de Diego, foi marcado de muito longe.

quarta-feira, abril 18, 2007

O novo “MESSIas” do futebol-arte

Sou brasileira, ele é argentino. Mas isso não é suficiente para que eu deixe de admirá-lo. Quando digo que Lionel Messi ainda terá o mundo a seus pés, não é exagero. Isso acontecerá, de fato, porque a Terra é redonda. Igual à bola. E Messi faz com a bola o que quiser: é, sem dúvida, um artista raro, um jogador destinado a produzir antologia.

O golaço que fez pelo Barcelona contra o Getafe, nas semifinais da Copa do Rei, é do tipo que entra para uma seleta galeria de obras-primas do futebol mundial. Aliás, que bom que a competição tem o nome de “Copa do Rei”. Nada mais adequado para aquele que é o novo “MESSIas” do futebol-arte.



Até quando?


Acabava de postar meu último texto e vou à página do Lancenet. Destaque da home: "Nova eleição está cancelada". Se referia, claro, ao imbróglio político no Vasco. "Eurico e seus Mirandas" aprontam mais uma.

É, parece que vai ser preciso mais do que cartas de navegação e uma boa caravela para esse Vasco da Gama encontrar um caminho em meio às águas turbulentas e nada límpidas no mar da politicagem do clube.
***
Tão ruim quanto isso, é ler no jornal "O Globo", de 16 de abril, na notícia "Vasco deve anunciar hoje nome do técnico", o seguinte trecho:
"(...) Antônio Lopes está cotado, mas depende da aprovação de Romário - o técnico vetou a ida do craque para o Corinthians em 2005."
Depende da aprovação de Romário? L-A-S-T-I-M-Á-V-E-L! Vamos ver quanto tempo dura o fantoche da vez, o 'escolhido' Celso Roth.
Foto: Reprodução Lancenet!

A vaia






Uma crise acontece quando um modelo antigo não existe mais e o novo não existe ainda. Isso resume bem o estágio do futebol brasileiro. Não é nem profissional, nem amador. Dirigentes e jogadores se esmeram em discursos e cifras para pregar o profissionalismo; mas no fundo – ou às vezes no ‘raso’ mesmo – agem e desejam o amadorismo.


Exemplo? Vejam o comportamento do meia Zé Roberto, do Botafogo. Na primeira partida da final da Taça Rio, o time alvinegro empatou em 2 a 2 com a Cabofriense. Zé Roberto, um dos ídolos do time na atualidade e cobiçado por alguns clubes no início de temporada jogou mal. Acabou substituído por dores musculares. Mas na substituição, veio a vaia. E com a vaia, veio o chilique:

- A torcida cobra mesmo, mas por tudo que fiz pelo Botafogo não deveria ser assim. Agora ela me ajudou a decidir. Já que não está satisfeita, vou procurar outro lugar. Essa vaia serviu para eu tomar uma decisão na minha vida.



Sim. Zé Roberto acha que não pode ser vaiado. Nunca. Nem quando joga mal. Não quero ser injusta, então, vou além: não é só ele que pensa assim. Noventa e nove por cento dos jogadores agem e pensam da mesma forma. Foram vaiados? Birra. O técnico substituiu por opção tática? Xingamentos, gesticulação acirrada, cara feia. Levou o vermelho porque mandou o juiz para aquele lugar ou porque imitou Bruce Lee num carrinho? Reclamação, protestos contra a injustiça, discurso ‘é-por-isso-que-o-futebol-tá-assim’. Repetitivo, não?



O que transparece é que jogador de futebol nunca está errado. É sempre o ser mais inocente do planeta e o melhor intencionado também. Torcedores, dirigentes, jornalistas, técnicos e juízes são todos injustos, canalhas, desequilibrados e todas as variações possíveis desses adjetivos.



Verdade que no futebol torcedor, dirigente, jornalista, técnico e juiz nem sempre são exemplos de nada. Porém, esse misto de vaidade e birra dos jogadores não ajuda. Querem cobrar profissionalismo? Reclamar dos salários atrasados, dos erros clamorosos da arbitragem? Dos torcedores que invadem treinos, CTs, quebram carros? Dos jornalistas duas caras e dos técnicos idem? Sou a primeira a puxar o coro. Mas não batam o pezinho que calça a chuteira colorida quando a vaia vem. Não cruzem os braços e digam que não querem mais brincar disso. Porque soa como incoerência, imaturidade. Soa como saudade do paternalismo típico do amadorismo. Resumindo: não é profissional. E quem não age como um profissional, não pode clamar pelo profissionalismo.



A vaia, principalmente ao próprio time ou aos próprios jogadores, é um direito do torcedor de verdade. Porque torcedor de verdade vai ao estádio com a intenção de aplaudir, de exaltar. Se não exalta, se apela para a vaia, ninguém pode criticar. Só quem já vaiou o próprio time quando esperava aplaudir e vibrar pode entender que a vaia dói mesmo não é em quem recebe; é em quem faz.

Foto: Gazeta Esportiva

quinta-feira, abril 12, 2007

Eu sou f...

Mal eu tinha me ajeitado no sofá e o Vasco fez o primeiro gol. Uma bobeira da defesa botafoguense; oportunismo do meia Renato. Ótimo, futebol é isso aí.Mas nem precisei fazer parte da turma de leitura labial do Fantástico para entender o que ele dizia na corrida da comemoração. Batidas no peito e o “brado”: eu sou f...
Esse tem sido um dos “números” preferidos dos jogadores no Brasil. Ontem foi o Renato do Vasco. Mas já foi o Souza, do Flamengo; o Carlos Alberto, do Fluminense e por aí vai...
Quando comecei a acompanhar futebol, vi jogar alguns craques, que figuram na lista dos maiores da história. Vi Zico, Roberto Dinamite, Sócrates, Júnior... Jogadores que marcavam gols com certa freqüência. E que nunca vi explanando tamanha auto-suficiência. Eram jogadores que não vestiam máscara – nem figurada, muito menos literalmente – no momento mais alegre do futebol.
Uma vez, assisti uma entrevista na qual ouvi o Zico dizer:
- Nunca corria para a torcida adversária quando fazia um gol. Eu procurava sempre comemorar com a minha torcida, porque essa era a minha maior alegria.
E ele corria de braços abertos, às vezes, punhos cerrados, sorriso aberto. Pelé dava socos no ar, alegria estampada no rosto. Nada de raiva do mundo, arrogância travestida de extravaso. Ser f... de verdade é isso aí.

A solidão de Romário

Não era noite dele...
Me chamou atenção ontem quando as câmeras da Globo captaram a reação de Romário quando Luciano Almeida converteu e sacramentou a vitória do Botafogo nos pênaltis. O Baixinho estava abraçado aos companheiros de equipe Allan Kardec e Renato.

Assim que a bola entrou, eles saíram. Romário ficou sozinho, talvez pela primeira vez na noite. Olhou a torcida do Vasco, de frente para ele. Era pura decepção, tristeza. Era o próprio retrato da solidão.


Brilha a estrela...do futebol


O que se viu na semifinal da Taça Rio não foi uma chuva de gols simplesmente. O que se viu foi uma enxurrada de futebol-espetáculo. O que se viu no Maracanã foi um épico que emocionou até as torcidas que não estavam envolvidas no jogo.


Foi muito mais que oito gols em 90 minutos. Muito mais que os cinco gols na decisão por pênaltis. Muito mais do que os erros e acertos que forjam heróis e vilões. Foi a teoria do caos imprimindo uma ordem mágica aos fatos. A espera do inesperado, decantada no comercial da Nike. Ontem, Vasco e Botafogo foram meros instrumentos dos deuses do esporte bretão - encarnaram magia, força e brilho. Nunca se viu tanta cor num clássico entre alvinegros.


Engana-se quem acha que brilhou apenas a estrela do Botafogo; ontem, o que brilhou mesmo foi a estrela do futebol. Carioca, brasileiro, mundial. Intergaláctico até.

segunda-feira, abril 09, 2007

Ronaldo nos Simpsons

Cena do episódio dos Simpsons, que promete ser "fenomenal"




Nem Gillardino, nem Inzagui. O próximo parceiro de Ronaldo Fenômeno é... Lisa Simpson. Ainda este mês, a FOX americana vai exibir o episódio no qual o camisa 99 do Milan vai dar uma forcinha ao time da filha do amigo Homer numa escolinha de futebol.

Merecida homenagem ao craque, que faz parte da lista de celebridades que apareceram nos Simpsons. Gente do calibre de Kiefer Sutherland, Natalie Portman, Ramones, Aerosmith, U2, Stan Lee, Adam West, Gillian Anderson, David Duchovny, Lenny Kravitz, Mick Jagger… Alguém acha que nessa listinha há espaço para Fábio Capello? Hum, acho que não, hein?

domingo, abril 08, 2007

Capotando no Gol Mil

Anúncio fake que circula na internet: por causa desse Gol 1000, o Vasco pode derrapar.


Detesto me repetir. E mais ainda, se for neste blog. Mas é inevitável. Assunto: Vasco e o gol mil de Romário.


Mesmo quando ele não entra em campo, a saga do milésimo tento atrapalha o time vascaíno. Sim, porque o Baixinho não jogou contra o Cabofriense, mas compareceu ao estádio Alair Corrêa para ver a partida. E no intervalo, quando o Vasco foi para o vestiário com uma atuação pífia nas costas e 2 a 0 adversos no placar, Romário fez a segunda coisa que mais sabe fazer (além dos gols): disparar flechadas verbais. Das arquibancadas, em entrevista ao excelente Tino Marcos, soltou o verbo. Detonou Renato Gaúcho e Leandro Amaral porque estes, durante a semana, afirmaram que a ansiedade pelo feito de Romário estava atrapalhando toda a equipe. E não fez por menos: disse com todas as letras que “quem não agüenta pressão tem que ir embora, seja o treinador ou qualquer jogador”.


Não sei se a torcida vascaína faz questão de Renato Gaúcho. Mas criticar Leandro Amaral é mais do que uma injustiça: é uma temeridade. Ele é, sem sombra de dúvidas, o melhor jogador do Vasco atualmente. Não é coincidência. Dois fatores têm sido decisivos para o declínio vascaíno: a ansiedade do time desde o momento que saiu o gol 999 e a queda de rendimento de Leandro Amaral (provavelmente por este mesmo motivo). Desde que ele não marca, a equipe não vence.


A declaração de Romário pode ser a fagulha que faltava para estourar o paiol vascaíno. E lamentavelmente, mais uma vez, quem perde é o clube. Ou alguém duvida que, se sobrar para alguém além do técnico, Leandro Amaral pode começar a sofrer um processo de fritura na panelinha do Baixinho?


Pegando carona com uma meta que não era a sua, o primeiro semestre do Vasco pode capotar no Gol Mil.

sexta-feira, abril 06, 2007

Toques rápidos

Abel Braga merece ficar


Não entendo determinadas posturas da imprensa esportiva. Sempre criticam o imediatismo dos clubes brasileiros quando estes trocam sempre de técnico. Aí o Internacional mantém Abel Braga no comando da equipe depois do vexame no Brasileirão. E aí, pinta uma manchete tipo a do UOL: “Mesmo com pior campanha da história, Abel Braga fica no Inter”. E tinha que ser diferente?

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Aliás, a má-fase no Internacional poderia até ser explicada pelo excelente desempenho em 2006. Chegou forte em todos os títulos que disputou, mas foi um temporada extenuante. E o Fluminense, alguém consegue explicar? Me parece um time muito doente há pelos três temporadas, quando forma bons times no papel, mas nunca em campo. Ironicamente, a empresa médica que patrocina o tricolor carioca também não consegue curar o problema.

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E o Carlos Alberto? Mais um típico caso de bom jogador que acha que é fora-de-série, cracaço. Grande negócio faria um clube que comprasse jogadores assim pelo que eles realmente valem e depois, conseguisse vendê-los pelo valor que eles julgam ter.

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Será que os gritos de “Ah, é Edmundo”, que a torcida do Vasco gritou depois do vexame contra o Gama na Copa do Brasil, secaram o atacante palmeirense? Aquele pênalti batido pelo Animal contra o Ipatinga me lembrou um outro, cobrado também por ele, com a camisa do Vasco. O jogo? A decisão do Mundial de Clubes no Maracanã e que o Corinthians acabou levando.


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River Plate fora da Libertadores já na primeira fase, num grupo com Colo-Colo, LDU e Caracas. Futebol é realmente fascinante, não?

quinta-feira, abril 05, 2007

Ih, Vasco... Deu Gama

O milésimo não saiu. Já o Vasco...


Os jogadores passam, trocam de camisa, fazem juras de amor aos times que antes diziam detestar. Mas os clubes não. Os clubes permanecem. Por isso, nenhum dirigente que se preza devia esquecer: onde começam a grandeza e os interesses de um clube, termina a importância de um jogador.

O Vasco precisava lembrar disso para não confundir os objetivos de Romário com os seus.A meta pessoal de Romário acabou se tornando também o objetivo do Vasco, que deveria almejar vitórias e títulos. Uma equação canibalista, onde o maior prejudicado será o clube.

Verdade que Romário é importante. Sua corrida pelo milésimo gol colocou o clube cruzmaltino na mídia, de forma positiva, como há muito não se via. Por conta do gol mil, até patrocínio na camisa o Vasco voltou a ter, depois de longos seis anos “em branco”. Mas qual o custo disso? No caso do patrocínio, especificamente, custou um terço do valor pago pelo patrocinador. Além disso, o contrato é do tipo “tampão”, tiro curto: o vínculo entre as partes termina ainda no primeiro semestre; só será estendido até o fim do ano se – e somente se - o atacante prorrogar a carreira pelo mesmo período. Então, vamos pensar juntos: é um contrato com a instituição Vasco ou com o jogador?

Romário já disse também: depois que estufar a rede pela milésima vez como jogador, pretende viajar, tirar uma folga. O Vasco precisa dele? Isso é um detalhe... Ele treina quando quer, joga quando e (agora também onde) tem vontade.

Aliás, esse é outro exemplo de quanto a relação é nociva. O Baixinho quer que o milésimo saia logo. Só que não pode sair em qualquer estádio: tem que ser no Maracanã. Sim, é o templo do futebol brasileiro. Sim, o ideal é o jogo ser marcado lá. Mas naturalmente... Não mudando os locais das partidas. Na corrida pelo gol mil, Pelé poderia ter marcado na Paraíba, na Bahia... Aconteceu no Rio de Janeiro, no Maracanã? Foi obra do destino, dos deuses do futebol. O Vasco de Romário não é o Santos de Pelé: é um time esforçado e só. Jamais deveria abrir mão de jogar em seu próprio estádio, onde os jogadores treinam todos os dias, conhecem mais o campo que qualquer adversário. Ou São Januário não é digno do milésimo dele? O resultado do capricho foi o que se viu: o Maracanã serviu de palco para uma festa sim. Festa do Gama. Aos 48 minutos do segundo tempo, um outro camisa 11 fez o que se esperava do camisa 11 vascaíno: gol. Camisa 11, aliás, que Eurico garante que será imortalizada: nenhum jogador será digno de vesti-la por lá. E eu que pensava que Roberto Dinamite era o maior ídolo da história vascaína... Se bem que ele, Eurico já expulsou de São Januário uma vez (o mesmo Roberto que, voltando de uma passagem apagada na Europa, não quis jogar no Flamengo para não trair o Vasco). Talvez Eurico tenha esquecido que Romário já usou lencinho branco para limpar as lágrimas vascaínas quando fez um gol pelo Fla.

O Baixinho é grande. Sem dúvidas. Mas será mesmo que o grande Vasco precisa ficar baixinho por ele?