Site Meter Sem Salto Alto

terça-feira, agosto 28, 2007

Triste repetição

Sevilha de luto
Sevilla de luto pela morte do jovem Puerta


A Espanha (e o mundo do futebol) choram hoje pela morte prematura do jogador Antonio Puerta. O lateral-esquerdo do Sevilla tinha 22 anos e faleceu nesta terça (28/08) em decorrência de encefalopatia e de falência múltipla dos órgãos, males causados por conta da perda de oxigênio no cérebro provocada por parada cardíaca. Ele passou mal ainda em campo, na partida contra o Getafe.


Sim, a morte de Puerta foi prematura. Mas não sei se pode ser classificada de “inesperada”, tamanha a freqüência de jogadores que têm morrido em campo ou logo após saírem dele. A memória bem recente traz nomes como o de Serginho (São Caetano), Marc-Vivien Foé (Camarões), Miklos Fehér (Benfica) e do brasileiro Lima (Dempo, da Índia). Uma triste repetição que talvez seja resultado direto do futebol que privilegia tanto a parte física e o esforço contínuo do corpo durante as partidas. Basta olhar um jogo da Copa de 70 (referência do futebol-arte) e um qualquer na atualidade. A cadência é completamente diferente; parece até que o campo encolheu e o número de jogadores aumentou. Sem contar o grande número de partidas do calendário.
Sem dúvida, os métodos de preparação física mudaram, melhoraram, foram aperfeiçoados. Mas o corpo humano continua tendo limites. Mesmo para jovens e esportistas como o talentoso (e já saudoso) Puerta.
Imagem: Reprodução - Site Sevilla

Índice Edílson

A economia tem diversos índices que refletem como anda o mercado monetário. O futebol, a meu ver, também tem os seus. E a julgar por eles, o futebol brasileiro já teve dias melhores.
Um fator que tão bem indica isso é o que batizei de “Índice Edílson” (em homenagem à mais “nova” contratação do Vitória em sua tentativa de voltar à Série A). Já algum tempo, os clubes brasileiros – e não só da Série B – anunciam jogadores “veteranos” como se fosse estes fossem a última Coca gelada do planeta. Como se anunciassem que tiraram um Ronaldinho Gaúcho ou um Kaká do plantel de uma grande equipe européia. Foi assim com Vampeta, no Corinthians; com Petkovic, no Santos; com Edílson, no Vitória. E não deixa de ser assim também com Romário, no Vasco. A estratégia parece refletir algumas causas: desespero (o veterano chega sempre como salvador ou como o grande elemento para desequilibrar jogos); miopia gerencial (o dirigente acredita que um grande nome, ainda que em decadência física e técnica, pode melhorar o humor da torcida); franca decadência de um futebol que parece ter cada vez mais orgulho de ser mero produtor e exportador de talentos; pouco planejamento a médio/longo prazos. Resumindo: falta de seriedade, profissionalismo e até irresponsabilidade com o patrimônio alheio (sim, porque um clube não pertence aos dirigentes, por mais que estes pensem o contrário).
E o pobre futebol brasileiro fica assim, do jeito que a gente anda vendo: sem nenhuma estrela com brilho real, escravo de estrelas cadentes (e de pessoas que ficam fazendo pedidos a elas, enquanto o rastro de luz fica para trás). Ou alguém por aí vê algum camisa 10 que realmente seja 10?

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Não por acaso, matérias como a do jornal “O Globo”, no último domingo, têm aparecido com freqüência. O título traduz a penúria do nosso futebol: “Procura-se o craque do Brasileiro”. Bom, ele com certeza existe... Mas deve ter ido para algum clube da Europa antes de completar 20 anos.
O Globo questiona onde está o craque do Brasileirão
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Aliás, nada mais sintomático sobre Edílson do que seu próprio site oficial. Lá, ele ainda aparece como “Capetinha da Gávea”. Então tá...

O 'atualizado' site de Edílson

segunda-feira, agosto 20, 2007

Gols de letras

Depois do futebol, os livros são a minha maior paixão. E quando essas duas paixões se unem, acabo reservando espaço na minha estante para os novos títulos. Este ano tem Bienal do Livro aqui no Rio e já tenho três publicações na mira:

A Dança dos Deuses
Autor: Hilário Franco Júnior
Editora: Companhia das Letras
O autor já ganhou dois Prêmios Jabuti e é professor aposentado de história social na USP. Hilário Franco Júnior é historiador especializado em Idade Média. Em seus estudos, viu que quase tudo o que existe agora teve sua origem no mundo medieval. Daí a necessidade de estudar o passado como forma de entender o presente. E ele faz isso com o futebol. O livro está dividido em duas partes: uma histórica e outra analítica. As páginas pretendem mostrar que o futebol não pode ser dissociado da história geral das civilizações, servindo ainda de metáfora sociológica, religiosa, psicológica, lingüística etc.

Jogo Duro
Autor: Ernesto Rodrigues
Editora: Record
Ernesto Rodrigues já tem experiência em escrever biografia de uma personalidade do esporte (a primeira foi “Um Herói Revelado, do inesquecível Ayrton Senna). E encarou a missão de escrever a biografia de João Havelange. Realizou cerca de 24 horas e meia de entrevistas com o presidente de honra da FIFA e faz questão de frisar que Havelange o ajudou, mas aceitou a autonomia do autor em relação ao que seria escrito. Uma boa pedida para quem gosta de entender o lado político do futebol.

Invasão de Campo
Autor: Barbara Smit
Editora: Jorge Zahar

Este livro tem até slogan “Três listras, dois irmãos, uma briga”. A obra conta a história dos irmãos Adi e Rudolf Dassler, que na década de 20 revolucionaram a indústria de calçados ao criar uma empresa voltada somente para linha esportiva. A empresa? É só unir o nome Adi + as três primeiras letras do sobrenome dele: Adidas. O que poderia ser um sucesso em família virou ressentimento, briga e traição. A sociedade acabou e da separação surgiu outra empresa de artigos esportivos: a Puma. É de fazer babar quem gosta de marketing esportivo, futebol e histórias de bastidores que simples mortais como nós não temos acesso.
Imagens: Divulgação/Editoras

sexta-feira, agosto 10, 2007

Superleague Formula: o futebol invade as pistas

Webb e Andreu: criadores da categoria que une automobilismo e futebol

“Dois grandes esportes, um campeonato emocionante”. Com esse conceito, o espanhol Alex Andreu e o inglês Robin Webb criaram a Superleague Formula, um campeonato que une o automobilismo e o futebol. Andreu é especialista em marketing que desenvolveu projetos de mídia e programas de divulgação para os Jogos Olímpicos de Barcelona, a Liga Espanhola de Futebol, a Seleção Espanhola, a FINA, a FIFA e a UEFA. Já Webb é um executivo financeiro conhecido pelas experiências e investimentos nos esportes motores. A idéia dos dois – genial, na minha opinião – é simples: no lugar das escuderias como Ferrari ou Williams, entram times de futebol.

O design dos carros é feito com as cores dos clubes participantes e segundo pesquisa realizada pelos criadores da categoria, vai atrair tanto os apaixonados por esportes motores quanto torcedores de futebol. Lançada em abril, a Superleague já conta com a participação do Milan, do Anderlecht, do Borussia Dortmund, do PSV Eindhoven, do Porto e do Olympiacos, além do Flamengo, que acertou a participação no campeonato no último dia 08, apresentando o modelo do carro rubro-negro em coletiva na Gávea.

Na primeira temporada em 2008, a Superleague Formula terá seis etapas na Europa, com previsão de crescimento para 2009. Todos os carros serão fabricados pela mesma empresa para garantir a igualdade na disputa e terão cerca de 750 cavalos de potência. O que vai fazer diferença mesmo é o piloto – e quem sabe, a força de cada torcida. Esse é o tipo de carrinho que todo amante do futebol gosta de ver e que juiz nenhum pode sequer um cartão amarelo.

Foto: Divulgação / Superleague Formula

quarta-feira, agosto 08, 2007

A teoria...

(...) “Dependerá do presidente (Ricardo Teixeira) perceber que ele não é dono da Seleção. Ela é do povo. Se os torcedores me quiserem de volta, estarei disponível”.

A frase é do atacante Ronaldo ao jornal “La Gazzetta Dello Sport” e na entrelinha, revela o desejo de retornar a vestir a camisa amarela. Nem tanto na entrelinha, o Fenômeno mostra ainda que não engoliu as críticas de Teixeira, publicadas no Estadão, a respeito do comportamento dos jogadores e da má-forma física do atacante na Copa de 2006.

“Em 2002, quando fomos pentacampeões, ele (Ricardo Teixeira) foi o primeiro a levantar a taça. Agora, ele não pensa duas vezes em nos criticar. A questão do peso nunca foi problema”.

Na teoria, Ronaldo está coberto de razão. Mas na prática...

A prática...

Ronaldo: vontade de estar na Seleção Ronaldo: vontade de estar na Seleção


Na prática, há muito tempo a Seleção Brasileira não é do povo. É dos patrocinadores, da empresa que negocia os amistosos da equipe e claro, de Teixeira & Cia, que em julho foi reeleito para mais uma mandato e permanece lá, na CBF, desde 1989. Às vezes, nem dos patrocinadores, como é o caso da Vivo, em pé-de-guerra com o comando da entidade (consulte post sobre o assunto).

Essa mesma Seleção não joga em seu próprio país desde 25 de abril de 2005, quando Romário despediu-se da amarelinha contra a Guatemala.

Na teoria, Ronaldo está certo; a Seleção Brasileira devia ser mesmo dos quase “190 milhões em ação”. Só que a prática revela que, infelizmente, os únicos “milhões em ação” que fazem o movimento “pra frente Brasil” são milhões de dólares (e não mais de corações).

Foto: EFE/UOL

segunda-feira, agosto 06, 2007

Nike x Pirataria

Linha Kick Off, da Nike: camisas originais, com preço mais acessível.
Linha Kick Off, da Nike: camisas originais, com preço mais acessível.


A iniciativa vinha sendo decantada há algum tempo, mas não tinha saído da gaveta. Agora, finalmente aparece nas lojas uma boa iniciativa não para combater – papel destinado às autoridades – e sim para concorrer com a pirataria.

A Nike lançou a “Kick Off”, camisa produzida pela empresa com design igual ao do uniforme utilizado em campo. Alguns detalhes são diferentes: o escudo (que na camisa dos jogadores é bordado e na linha Kick Off é feito em silk) e o tecido (em vez do moderno dri-fit da primeira, a segunda é feita de poliéster). Mas a grande diferença mesmo aparece no bolso: as camisas da linha Kick Off são, em média, 60 reais mais baratas que a camisa utilizada em campo. São vendidas a menos de 80 reais. Concordo que o preço ainda é salgado para a maior parte dos orçamentos no Brasil. No entanto, a iniciativa é boa porque abre caminho para a criação de alternativas que promovam a inclusão do torcedor comum no mercado de consumo do futebol. E, por tabela, gerem mais renda para os clubes brasileiros.

Flamengo e Corinthians, patrocinados pela Nike e donos das duas maiores torcidas do país, já têm camisas com preços mais populares. Será que a moda pega?

quarta-feira, agosto 01, 2007

Ricardo Teixeira e Sun Tzu

A queda do Brasil em 2006 começou na omissão da CBF


A cúpula da CBF está na Suíça, em virtude da entrega do caderno de encargos da candidatura do Brasil como sede da Copa de 2014. E foi de lá que Ricardo Teixeira soltou o verbo contra uns e outros a respeito da derrota brasileira na Copa da Alemanha. Entre as principais declarações do dirigente, que pincei da matéria do UOL, destacam-se:

“Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 da manhã bêbado".

"Era óbvio que aquilo (as badalações dos jogadores e poucos treinos) não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?".

"Como é que um atleta (Ronaldo) pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta".

"Por isso é que eu preciso de disciplina e esse é o papel de Dunga”.


Não sei se Ricardo Teixeira gosta de ler. E se gosta, se algum dia folheou ou realmente parou para ler a obra “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. O livro foi escrito há mais de 2.500 anos e tem treze capítulos, que abordam eventos e estratégias úteis para uso em um combate. Seja ele na vida profissional, na vida pessoal, na guerra mesmo ou... no futebol. E no décimo capítulo temos o trecho:

“Um general deverá saber as seis situações que apontam a derrota de um exército: quando os soldados fogem, quando eles possuem disciplina negligente, quando o exército está deteriorado, quando se desmorona sob a insurgência, quando é desorganizado e quando foi derrotado. Nenhuma destas situações é conseqüência de catástrofes naturais, elas são decorrentes das falhas dos comandantes”.

Eu nem precisaria ter lido isso para ter uma certeza: se o Brasil perdeu em 2006, não foi culpa dos jogadores que chegavam bêbados pela manhã; nem da badalação em torno deles. Também não foi culpa da falta de pulso de Parreira, nem das gordurinhas de Ronaldo. Parreira estava lá como empregado da CBF e os jogadores, a serviço da mesma. E ninguém pode ser mais culpado e mais errado que Ricardo Teixeira, que comanda a entidade. Culpado de omissão, de conivência e de negligência pela falta de atitudes para mudar o que estava errado. Sem falar da ausência de ética de tocar no assunto agora e da forma que foi feito. Bem que eu queria Sun Tzu na presidência da CBF...
Foto: Reuters

domingo, julho 15, 2007

Férias Sem Salto Alto

Assim como essas arquibancadas, este humilde blog vai ficar vazio um tempinho... Assim como essas arquibancadas, este humilde blog vai ficar vazio um tempinho...


Até o dia 29 de julho, não vou colocar novos posts do blog por estar envolvida com o Rio 2007. Terminando o Pan, eu volto a tocar minha bolinha por aqui. Sem Salto Alto, é claro...

O futebol tem dessas coisas...

 Julio Baptista abre o placar e agradece: a vitória caiu do céu Julio Baptista abre o placar e agradece: a vitória caiu do céu

O futebol, ah, o futebol! Imprevisível como sempre... Ou alguém aí realmente tinha certeza dessa vitória, ainda mais com esse placar?
Foto: UOL


segunda-feira, julho 09, 2007

Há coisas que só acontecem ao Botafogo...

O artilheiro Dodô: afastado temporariamente
Não consegui escapar ao clichê. Foi inevitável recorrer à máxima popular, que garante um certo “fardo” ao Botafogo. O que dizer do resultado do exame antidoping que suspendeu ninguém menos que Dodô por pelo menos trinta dias?
O time alvinegro não é um esquadrão. Só que em 2007 é, sem dúvida, o que tem mostrado melhor futebol. Joga certo, com aplicação tática e coletividade. A defesa é segura; o meio-campo, equilibrado e habilidoso; o ataque é rápido e eficiente. Mas não se pode dizer que tem tido sorte. Foi assim nas finais do Carioca, quando teve chances de botar as mãos no título e não o fez. Resultado: perdeu o caneco numa decisão por pênaltis para o arqui-rival Flamengo. Na Copa do Brasil, estava ganhando do adversário quando perdeu para a arbitragem. Ganhou a pecha de “não saber decidir”. Veio o Brasileiro e pela regularidade, a equipe de Cuca abriu vantagem na tabela. Está vencendo e convencendo, ainda invicta. E neste momento, exatamente neste momento, perde seu principal jogador.
Sem dúvida, o clube moverá montanhas para ter o atacante de volta aos gramados logo. Mas até (e se) conseguir, será que a equipe vai manter o desempenho? A resposta eu não sei. O gênio Nélson Rodrigues, grande homenageado da Flip, já dizia: “Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e ainda assim, ele será inconfundível. Por quê? Porque há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal”. Mas depois de enfrentar a falta de sorte e os erros de arbitragem, chegou a hora do Botafogo superar a si mesmo.
Foto: Globo.com

Dignidade palmeirense

Em reportagem do Globoesporte.com, li que o Palmeiras vai honrar até o fim o contrato do jogador Alemão, que faleceu em acidente automobilístico no último fim-de-semana. O atacante tinha contrato até 31 de janeiro de 2010 e Affonso Della Monica, presidente alviverde, garantiu que o clube não só pagará pelo compromisso como também ajudará a família em relação ao seguro de vida.

Atitude digna e louvável. Pena que não é regra. Que o diga a família do atacante Denner, que também morreu num acidente de carro no Rio de Janeiro. Até hoje, eles lutam na justiça para receber o seguro do atleta, que na época jogava no Vasco.

sexta-feira, julho 06, 2007

Reinventando a ponte

 O bom goleiro Bruno: destino incerto e nas mãos de 'negociadores' O bom goleiro Bruno: destino incerto e nas mãos de "negociadores"
Antigamente, ponte no futebol, era o nome dado a uma determinada maneira do goleiro fazer uma defesa. Se alguém preferir, é o “salto do goleiro, mais ou menos perpendicular à linha de gol, para defender bola chutada pelo adversário”, segundo definição do Houaiss. Ou então, uma forma mais “íntima” de fazer referência à Ponte Preta, de Campinas. Atualmente, a ponte que mais tem aparecido no futebol brasileiro é outra. Agora, a ponte da moda é formada pelos clubes brasileiros e empresários, com um único objetivo: conduzir os jogadores a negociações no exterior.
Exemplos não faltam: o goleiro Bruno, do (?) Flamengo é um. Desde sua chegada ao clube rubro-negro, empresários e dirigentes deixaram claro que o principal motivo do jogador ter ido para lá seria projetar-se no mercado e ser negociado para o exterior. Não por acaso, seu contrato expirou em junho, às vésperas da abertura da janela de negociações na Europa.Carlos Alberto, de malas prontas para o Werder Bremen, também exemplifica a situação. Saiu do Fluminense, foi para o Porto, não convenceu ninguém lá, foi comprado pelo MSI, repassado ao Corinthians, depois ao Fluminense. Chegou às Laranjeiras no início deste ano, jurando não sair tão cedo do lugar onde “seu futebol apareceu”. Dirigentes do tricolor carioca negavam uma possível saída do jogador no meio do ano. O que aconteceu? Os “investidores”, os donos do passe, bateram o martelo e lá se vai ele.

A ponte tem duas vias: uma, que coloca determinados jogadores em clubes maiores do Brasil, para servir de vitrine; a outra, repatria jogadores que, por um ou outro motivo, não estão sendo utilizados em times estrangeiros e que voltam com status de craque para jogar com mais regularidade, pegar tarimba e, na primeira oportunidade, o vôo de volta. O meia Íbson está prestes a usar essa via, voltando ao Flamengo (já que não vem sendo aproveitado pelo Porto) e com certeza, daqui a poucos meses, se envolvendo em mais uma negociação.

Só vejo dois motivos para os clubes brasileiros concordarem com tal prática. O primeiro é que tem muita gente – e não o futebol brasileiro – ganhando com isso. O segundo, talvez para disfarçar as mazelas do primeiro, é criar entre os torcedores a ilusão que seu clube tem um certo poderio frente ao mercado exterior.

Infelizmente, isso não existe. E situações assim, só deixam claro o quanto o futebol brasileiro ainda tem que melhorar para ser considerado realmente sério.

***

Os tempos são tão tristes que o jogador Ronaldo admitiu, à Agência Placar, que será muito difícil jogar pelo Fla. O motivo? Os interesses financeiros que determinam o destino dos jogadores.

- Sou torcedor do Flamengo desde criança. A torcida me quer jogando pelo clube, mas sinceramente não sei se um dia isso poderá acontecer – declarou o Fenômeno.

Triste, não?

Foto: Globoesporte.com

segunda-feira, julho 02, 2007

O Engenhão e a Lei de Gérson

Na década de 70, a marca de cigarros Vila Rica fez algumas pesquisas, que indicavam que um dos traços da "personalidade" do brasileiro era a de "sempre querer levar vantagem em tudo". Decidiram então, promover o produto usando este mote e o meio-campo Gérson foi o escolhido para estrelar o comercial. O cigarro era promovido como “melhor e mais barato” que os outros e no fim do anúncio, Gérson justificava a escolha do Vila Rica com uma frase: Afinal, eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Nasceu assim a chamada “Lei de Gérson”. Sem número, sem portaria, sem decreto, mas infelizmente, uma das poucas leis que “pegaram” no Brasil (a outra é a Lei da Gravidade).
Não, não estou fazendo um post sobre um exemplo de marketing esportivo ruim (associar cigarro e esporte não é uma das melhores coisas). Mencionei a Lei de Gérson porque ela representa tudo que deveria mudar na mentalidade do brasileiro. Do dirigente. Do torcedor. E reafirmo, como fiz no post anterior: não é a modernidade do Engenhão que vai alavancar o Brasil como um todo, o esporte brasileiro em geral ou o futebol em particular. Vamos sonhar com Copa e com Jogos Olímpicos sim. Desde que a gente acorde e não precise mais ver notícias como a que apareceu na 1ª página do jornal “O Globo”, de hoje.
O moderno Engenhão já sofre com o vandalismo.
Engenhão já sofre com o vandalismo e a falta de educação dos torcedores.

Foto: Reprodução "O Globo" - 02/07/2007

domingo, julho 01, 2007

Primeiro Mundo não...

Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica

“De Primeiro Mundo”. Essa é a expressão mais comum para se referir ao Estádio Olímpico João Havelange, o “Engenhão”, inaugurado ontem (30/06) com o clássico Fluminense x Botafogo. Realmente, o estádio é muito bonito. A estrutura é vistosa, de arquitetura diferente em relação aos outros estádios no Brasil. Foi concebido para ser grandioso, atraente. Mas não vamos nos enganar: o Primeiro Mundo passa bem longe do Engenhão, como passa longe de todos os estádios no Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais. Passa longe do Brasil.


Não fui ao jogo, mas fiz questão de dar uma volta no entorno do estádio. E o que vi foi algo que destoa – e muito – da idéia de “Primeiro Mundo”. Porque para ser de “Primeiro Mundo” é preciso mais que um estádio moderno. É preciso modernizar também a mentalidade das pessoas que o administram e dos torcedores que o freqüentam.
O esquema de trânsito foi confuso, causou transtornos. Interditar as ruas em volta para evitar estacionamento irregular e engarrafamentos não é coisa de “Primeiro Mundo”. É coisa de cidade mal-planejada, de espaço urbano mal-administrado, de vias públicas obsoletas e saturadas.
Confusão na entrada também não dá acesso ao “Primeiro Mundo”. Nem banheiros que não têm papel higiênico ou bares que não dão vazão ao público que recebe. Isso é infra-estrutura deficiente, péssimo planejamento, total desconhecimento do evento que está sendo promovido.
Passarelas inacabadas, que deveriam fazer a ligação entre o estádio e a estação de trem também não é “Primeiro Mundo”. É sinal de “obra feita nas coxas”, é desrespeito com quem usa esse transporte e incoerência – já que era expressamente recomendado que o público utilizasse o transporte ferroviário para chegar ao local.
Até agora, falei somente de problemas de organização. Mas falta também educação. Porque o que faz mesmo um lugar ser de primeiro ou quinto mundo não é uma obra arquitetônica, mas a educação de quem nele vive.
E o pobre Engenhão parece fadado aos maus-tratos e ao descaso típicos de um povo que não valoriza o que tem.Vi um grupo de torcedores que se orgulhava de “dar a primeira mijada” nos muros do estádio. Outro grupo, em mais uma exibição lamentável de falta de higiene e respeito, urinar na frente de crianças, de senhoras. Vi gente jogando latas, garrafas, papéis e toda sorte de lixo no chão. Vi gente se empurrando para tentar entrar primeiro. Sem contar a loucura que muitos cometeram para tentar “fugir do trânsito” ou “conseguir uma vaga”, a marra e a postura marginal das torcidas “organizadas” e o desrespeito a qualquer norma de cidadania.
Então, melhor dar outro tom ao discurso: não, não viramos “Primeiro Mundo” de uma hora para outra. Para isso, é preciso ir muito além do que construir "Engenhões": tem que ter educação – e educação no sentido mais amplo da palavra, aquela que molda as atitudes do ser humano, seja ele um administrador de estádio ou um torcedor.
Foto: Divulgação

segunda-feira, junho 25, 2007

Lá e aqui

 Henry no Barcelona: antes da estréia, já marcando gols. Henry no Barcelona: antes mesmo da estréia, já marcando gols.

Henry foi apresentado oficialmente como jogador do Barcelona nesta segunda (25/06). Cerca de 30 mil torcedores foram ao Camp Nou para conferir a chegada do artilheiro francês, que custou € 24 milhões aos cofres do clube.
Não vou nem entrar no mérito das cifras. Para mim, o fato de ter 30 mil pessoas num estádio para ver um jogador chama mais atenção. Tal número é maior que a média de público do Brasileirão (13.440 pessoas). No mesmo campeonato, apenas três jogos tiveram público acima disso: Corinthians 0 X 0 Paraná (40.162 pessoas); Cruzeiro 4 X 2 Atlético (36.746 pessoas); e Internacional 0 X 2 Grêmio (30.372 pessoas). E nem é porque o Brasileirão ainda não “embalou”; ano passado, a competição teve 12.401 de média de público. Pouco, muito pouco mesmo se pensarmos que é nesse mesmo Brasileirão que vimos craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Juan, Adriano e tantos outros despontando.
Podem dizer que a realidade brasileira é outra, que não temos condições de segurar os bons jogadores e muito menos os craques por muito tempo. Na minha opinião, falta mesmo é vontade: dos clubes, dos dirigentes, da TV que compra os direitos de transmissão, do jogadores, dos empresários, do governo. Coisa que sobrou na Inglaterra, lá no início dos anos 80, quando resolveram transformar um campeonato igualmente falido e sem atrativos num dos produtos mais valiosos do futebol mundial na atualidade.

***

Além de Henry, o Barça apresentou a nova camisa para a temporada 2007/2008. O novo uniforme tem listras mais finas, novo desenho da gola e uma homenagem aos 50 anos do estádio do time ao redor do escudo no peito esquerdo (a inscrição "Camp Nou 1957 - 2007").
Mais uma pequena lição que poderia ser aproveitada pelos clubes brasileiros. Aqui, nenhum torcedor sabe ao certo quando o clube vai lançar uma nova camisa: acontece no meio da temporada, durante um campeonato, geralmente com um desfilezinho com famosos ou jogadores da equipe (e que às vezes, nem são os preferidos da torcida). Os modelos se misturam nas lojas e na cabeça dos torcedores. A cara do futebol brasileiro, como um todo.


Foto: AFP

terça-feira, junho 19, 2007

O maior dos erros de Ana Paula

 Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio


Mais uma vez, a assistente Ana Paula de Oliveira volta às manchetes. Dessa vez, não por erros cometidos em jogos aqui e ali. Mas porque assinou um contrato para posar nua na Playboy.
O futebol é machista. Por mais que cada vez mais mulheres atuem profissionalmente direta ou indiretamente com este esporte, o fato é que é difícil conseguir respeito entre os homens. Sinto e senti isso várias vezes, não só profissionalmente, mas até em bate-papos informais numa roda qualquer. Para ser ouvida numa opinião sobre o jogo, a substituição errada ou sobre algum fato memorável qualquer, sempre precisei me esforçar para não dar brecha. Certa vez, um cara disse na minha cara que mulher não entendia de futebol quando eu disse que ele tinha errado o ano que alguns times haviam sido campeões brasileiros. Tive que citar todos os campeões desde 1971. Na ordem. Sem erro. Enfim... Falo isso para deixar claro que “mulher + futebol = respeito” não é simples. Para que essa soma dê esse resultado é preciso saber o que quer. Tem que entender, conhecer, estudar mesmo. Traçar um caminho e dele não se afastar nunca.
Ana Paula andou cometendo erros graves (como todos os profissionais de arbitragem, vivos ou mortos também já fizeram). Só que o erro mais grave contra sua carreira é o que estar por vir. No momento que estampar as páginas da revista, no instante que virar pôster de borracharia, a profissional de arbitragem que queria conseguir o respeito no futebol vai ratificar o estereótipo que tanto queria contrariar. Misturando os canais, ela faz exatamente aquilo que a macharada esperava, se colocando como objeto sexual. Perdeu, definitivamente, o respeito.
Tenho pena é da próxima mulher que sonha tentar vencer nesse campo e no campo. Porque infelizmente, não tem esse papo de “foto artística”. Não conheço um homem que compre esse tipo de publicação pela arte.
Foto: Divulgação Playboy

As "brincadeiras" já começaram...

Já começou a onda de "brincadeiras"...

E não é exagero dizer que Ana Paula vai ser vista como objeto sexual e que sua decisão equivale a dar um cartão vermelho na possibilidade de conseguir respeito.Nesta terça (19/06), foram várias as declarações e gracinhas a respeito.

“Ela que se prejudica por se expor. Acho que tem muito a perder, pois o jogador não vai mais olhar para ela com o respaldo da autoridade”.
André Lima – atacante do Botafogo, ao Lancenet!


“É muito gostosa, com todo o respeito (...). Ela embeleza o futebol brasileiro. Não deve fazer (as fotos), para o bem dela. Mas ela, sinceramente, é um charme”.
Renato Gaúcho – treinador do Fluminense, ao “Bem Amigos”, do Sportv


“Se eu encontrar com ela num programa de TV, vou pedir (um autógrafo). Caso contrário, peço autógrafo num jogo meu em que ela estiver bandeirando (...).Eu saí na "G" e ela vai sair na "Playboy"... Poderíamos fazer uma dupla. Os dois pelados.”
Vampeta – meia do Corinthians, ao Globo Esporte.com


“Vai dificultar o trabalho dela, que ficará marcada pela revista (...)”
Marco Aurélio Cunha – superintendente do São Paulo, ao Globo Esporte.com

Imagem: Reprodução Globo Esporte.com

domingo, junho 17, 2007

Épico no Santiago Bernabeu

 Real Madrid: uma conquista épica Real Madrid: uma conquista épica
Muitos clubes no mundo têm orgulho de ser grande. Outros, uns poucos, cruzaram essa fronteira. São clubes míticos, cuja força é quase anterior às suas datas de fundação, porque já nasceram com o destino de serem épicos. Mais do que grandes, são grandiosos. O Real Mallorca jogava bem, jogava fácil e parecia disposto a calar o Santiago Bernabeu. Dominou o 1º tempo e parecia que faria o mesmo com o 2º. A torcida merengue assistia a tudo apreensiva. Ainda estava 1 a 0 Mallorca quando Varela (que abriu o placar) perdeu um gol incrível. Seria o 2 a 0, a tampa do caixão. Se a bola tivesse entrado, a história seria outra. Mas não entrou. Não sei se por capricho ou destino. Mas o gol que podia ter dado fim ao Real Madrid deu a ele a força necessária não só para fazer o resultado que precisava como também fazer história. Uma epopéia em 90 minutos. A superação que beira a arte, a glória que se entrelaça com o sonho. E neste domingo, o Real Madrid deixou de ser “galáctico” para voltar a ser “mítico”.
Foto: AP/Terra

terça-feira, junho 12, 2007

Você liberaria?

O que você faria nesta situação:

“Você tem uma empresa, conhecida mundialmente por ser líder de mercado e estar sempre à frente dos adversários. Nos últimos quatro anos, apesar dos maciços investimentos recrutando profissionais de ponta, promovendo estratégias de marketing e lançando mão de ferramentas para ampliar a força da marca nos quatro cantos do mundo, os resultados não foram bons.
A empresa perdeu a liderança e passou a ser motivo de chacota, vendo alguns dos principais rivais triunfando. O ambiente era o pior possível e foi preciso cortar na carne: muitos profissionais contratados a peso de ouro precisaram ser mandados embora, a marca perdeu credibilidade. A retomada de mercado demorou, mas foi acontecendo. Os adversários, um pouco céticos quanto à uma possível reação, cometeram algumas falhas. E a reação veio. E agora uma outra empresa requisita – sem pagar um tostão por isso - um dos principais executivos que estão comandando essa reação. Diga-se de passagem, às vésperas de uma importante reunião, prestes a conquistar a liderança novamente. E a segunda empresa quer a ‘consultoria’ já, para uma reunião que vai acontecer daqui a treze dias. Para isso, quer o profissional agora, antes da mais importante reunião dos últimos quatro anos.
A pergunta é: se a empresa fosse sua, você liberaria esse funcionário tão importante?”

Quase posso ouvir daqui você dizendo não. Agora, outro exercício rápido: substitua o “mercado” em questão pelo mundo do futebol; a “empresa” pelo Real Madrid em jejum de quatro anos sem títulos; o “executivo requisitado” por Robinho; a importante reunião, pela decisão contra o Mallorca no próximo fim-de-semana; a “segunda empresa” (a requisitante) pela CBF; e finalmente, a "reunião daqui a treze dias" pela Copa América. No lugar do Real Madrid, você liberaria Robinho?