Site Meter Sem Salto Alto

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Marketing ou antimarketing?

Quando as cortinas de 2006 já estavam descendo, pintou a notícia: “Vasco cria departamento de marketing”. Para o novo departamento, contrataram profissionais como Paulo Angioni, Valdir Espinosa e Marcos Duarte (ex-diretor de marketing do Flamengo). O Vasco merece parabéns? Acho que não.
Antes de mais nada, vale relembrar uma coisa: no próximo dia 18, o clube completa sete anos sem patrocínio na camisa. A última vez que uma marca apareceu na camisa do clube, aliás, foi de forma patética: na final da Copa João Havelange, Eurico Miranda mandou estampar o logotipo do SBT como forma de alfinetar a Rede Globo. Alguns acharam a idéia genial; eu acho que foi um tiro no pé. O que para uns pareceu “esperteza, malandragem”, soou mesmo como falta de credibilidade, de profissionalismo, de seriedade e de autonomia. Palavras essenciais para qualquer um que queira investir no esporte. Se um dirigente coloca uma marca na camisa do seu time (sem receber um tostão sequer) apenas por birra ou diferenças pessoais, não pode ser levado a sério. E que não se esqueça o detalhe: a Globo tem contrato com os clubes por conta da transmissão dos jogos e para muitos deles – incluindo o Vasco – já adiantou receitas para que eles pudessem cobrir seus rombos financeiros. Eurico Miranda costuma dizer que o Vasco não tem patrocinador na camisa porque nenhuma empresa “paga o que o clube merece”. O que o clube merece não se discute; o que faz por merecer é outra história.
Antes fosse só isso... Mas nos últimos anos, o clube se especializou em vexames que mandam a marca “Vasco da Gama” para a lama. Sem fazer muito esforço, lembro de alguns: o não-pagamento do seguro do jogador Dener (morto num acidente de carro quando tinha contrato com o clube); volta “olímpica” de araque no campeonato carioca de 1990; as inúmeras greves de silêncio e brigas com a imprensa (geralmente quando a mídia em geral critica os mandos e desmandos do Vasco); a expulsão do maior ídolo vascaíno do estádio de S.Januário, como se Roberto Dinamite fosse um qualquer, por conta das diferenças políticas entre o ex-jogador e Eurico; o alambrado do mesmo estádio caindo na final da Copa JH; ações por quebra de contrato movidas pela Penalty e pela Umbro, duas ex-fornecedores de material esportivo do clube; eleições suspeitas e parciais, nas quais votaram até sócios sem condições de voto; inúmeros processos trabalhistas e cíveis, além de dívidas com o INSS, o FGTS e a Fazenda Nacional (sempre negadas pela diretoria). E por aí vai... Qualquer vascaíno fica de cabelo em pé lendo sites como o Consciência Vascaína ou Movimento Unido Vascaíno.
Que ninguém se engane: marketing se faz com atitudes bem mais amplas que simplesmente contratar profissionais do ramo. E convenhamos: já não era sem tempo. Anunciar a criação de um departamento desses num clube que tem a quinta maior torcida do Brasil apenas no ano de 2006 é prova do atraso que anda por lá. O futebol carioca está atrasado? Sem dúvida. Mas no Flamengo, no Fluminense e no Botafogo, a palavra “marketing” não parece ter sido descoberta agora. Eurico quer fazer marketing? OK. Talvez a melhor atitude para isso fosse renunciar ao cargo e não apenas criar um departamento. Acorda, Vasco!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Futebol onipresente


Hoje vi essa foto maravilhosa no G1. O frio intenso que está castigando o Afeganistão. Já causou 11 mortes em Cabul. No entanto, o gelo também serve para "aquecer" o espírito esportivo, como a imagem mostra. Futebol onipresente.


Foto: Reuters

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Dez piores momentos de 2006

É Natal e em vez de fazer lista para o Papai Noel, fiz a lista dos dez piores momentos do futebol em 2006 (na minha humilde opinião).

1. Cabeçada do Zidane: um craque como Zizou precisa usar a cabeça sempre, mas não da maneira como fez na final da Copa da 2006.

2. Vídeo do Postama: o goleiro holandês Stefan Postma, do ADO Den Haag, conseguiu ficar famoso no futebol. Mas não pela qualidade técnica... Uma ex-namorada divulgou um vídeo da relação dos dois e na gravação, ela é o “homem” da relação, graças a um apetrecho de borracha. Virou alvo de chacota no mundo. O vídeo foi para o You Tube e retirado depois (quando meio mundo já tinha visto). Mas sem dúvida, quem procurar vai achar pela Internet... Chega a traumatizar...

3. Gol de gandula: Santacruzense e Atlético Sorocaba. Ninguém lembraria dessa partida, válida pela Copa Federação Paulista, se a árbitra Sílvia Regina de Oliveira (da FIFA!!) não tivesse validado um gol de gandula, que deu o empate ao time de Santa Cruz. A árbitra foi suspensa por 30 dias, o auxiliar Marco Antônio Motta Júnior, por 15 e o time beneficiado pagou uma multa de R$ 50 mil. Barato, muito barato pelo tamanho da besteira.

4. Cobrança de pênalti do William: poucas vezes se viu um pênalti cobrado de forma tão bizarra... A cobrança rodou as TVs do mundo e a internet e, sinceramente, quanto mais a assisto, menos entendo...

5. Valdir Papel na final da Copa Brasil: Renato Gaúcho apostou em Valdir Papel para tentar os dois gols de diferença que manteria o Vasco na briga pelo título da Copa do Brasil. A aposta fez “bonito”: levou amarelo por uma falta desnecessária e dura em Renato. E aos 16 minutos do 1º tempo, assinou a “obra”: deu um carrinho no Leonardo Moura e foi expulso. Virou Valdir Papelão.

6. Frango de Robinson na Eurocopa: Croácia 2 x 0 Inglaterra. Uma imagem vale mais do que mil palavras? Que o vídeo fale por mim...


7. Ajeitada no meião do RC: essa todo mundo viu... E preferia esquecer. Roberto Carlos ajeita o meião e Henry entra livre para despachar o Brasil da Copa 2006. Pelo menos, RC decidiu pendurar as chuteiras (e o meião) na Seleção depois dessa.

8. RC fraturando dedo levando drible do Messi: Messi quebrou o dedo de Roberto Carlos, num Barça x Real Madrid. Por que não expulsaram o argentino? Simples... Ele “fez” isso passando como quis pelo lateral. Que na tentativa de segurar o craque, fraturou o dedo...
9. Falta “ensaiada” do FortalezaFortaleza 2 x 1 São Caetano, no Brasileirão. Aos 43 do 1º tempo, Bechara corre para cobrar falta para o time tricolor. Só não avisou para o companheiro Igor, que também quis bater. Os dois trombam e Igor se machuca. Ouvi a música dos Trapalhões por aí?
10. Chuteira da Nike que deu bolha em Ronaldo/Figo e da Adidas que deu bolha no GerrardParecia brincadeira. Em meio às milionárias campanhas das gigantes Nike e Adidas durante a Copa 2006, Ronaldo e Figo (patrocinados pela Nike) e Gerrard (patrocinado pela Adidas), sofriam com as bolhas provocadas pelas chuteiras que usavam. É muito tênue a linha entre o marketing e o mico...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Marta, melhor do mundo!

Brasil, país do futebol. Mas vale um adendo ao clichê: “Brasil, país do futebol masculino”. Impressionante como no país tido como o mais significativo no universo da bola, o futebol feminino nunca teve vez. Mulher, jogando bola por aqui, logo é rotulada com substantivos que acho dispensáveis.
Mas vocação é vocação, ainda que nem sempre haja incentivo para que esta floresça. E não posso negar que realmente me emociona, me emociona muito, ver a Marta ganhando o prêmio de melhor jogadora do mundo pela FIFA.Ela, que tem feito chover no sueco Umea If, finalmente leva para casa o troféu que havia escapado nas duas edições anteriores.Vitória contra o machismo, contra o preconceito, contra a falta de condições e contra o estigma que futebol é coisa para homem. Não, não é. Futebol é coisa para quem tem talento. E talento nunca foi dom exclusivo de um determinado sexo. Marta, em vez de parabéns, prefiro dizer muito obrigada! Obrigada mesmo por ter marcado esse golaço para as mulheres brasileiras, como sempre, driblando tantas adversidades.

Mundo Vermelho

Que me desculpem os fãs e adeptos dos outros esportes, mas o futebol é incomparável. Só esse esporte tão imprevisível consegue ser tão apaixonante. Comprovo isso sempre e não foi diferente no último domingo, na decisão do Mundial de Clubes. De um lado, a seleção de astros internacionais que joga com a camisa do Barcelona; de outro, o ajustado time do Internacional. Vendo assim, friamente, não teria como: a taça ficaria com o Barça. Ficaria... Mas o futebol não admite futuro do pretérito. E no presente, a realidade é só uma: Internacional campeão do mundo.
O Barça é melhor? Sim. Mas o Inter teve méritos. E dos grandes. Se propôs a parar o Barcelona. E conseguiu. Jogou na defesa? Sim, mas essa é uma opção do futebol, não? E no ano que a Itália ganhou a Copa jogando na defensiva e o zagueiro Fábio Cannavaro faturou o prêmio de melhor jogador do mundo, não se pode dizer que essa é uma tática inválida. Até porque anular Ronaldinho Gaúcho, Deco, Puyol, Giuly e cia não é pouca coisa.
O Barcelona teve mais jogadas de ataque, ameaçou mais o gol? Sim, verdade. Mas futebol é bola na rede e quem fez isso foi o time gaúcho.
Sim, o céu nasceu azul na manhã do último domingo. Mas no mundo da bola, o horizonte é vermelho. Dor de cabeça inimaginável para os gremistas, que ainda têm que ouvir que, para o Internacional se igualar em conquistas com o Grêmio, só falta o título da Série B... Hum, mas acho que esse a torcida vermelha não faz questão não.

Foto: AFP

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Estudiantes dando aula de raça...

Os ingredientes da partida eram suficientes para saber que não seria um jogo qualquer. Há 38 anos, o Campeonato Argentino não era decidido em uma partida extra. O Boca Juniors tentava um tricampeonato inédito, depois de fazer o mais difícil: perder a vantagem de quatro pontos, ao não conquistar um dos seis pontos disputados nos dois últimos jogos (o último no caldeirão de La Bombonera) para assegurar o título. O Estudiantes, depois de 11 vitórias nas últimas 12 partidas, buscava o grito de campeão que não saía há 23 anos. E logo contra o Boca, que não sabia o que era perder para a equipe de La Plata há uma década, longos 21 jogos.
As torcidas ainda tinham o apito inicial do juiz no ouvido quando Palermo fez o primeiro. Parecia que o time de Buenos Aires ia chutar a amarelada das duas últimas rodadas para escanteio. Mas havia muito jogo pela frente. E muita história a ser escrita. O Estudiantes não se abalou. Foi para cima. Perdeu boas chances de empatar. Palermo também perdeu gol feito e não ampliou. E o Boca se fechou. Recuou, tentando administrar a vantagem obtida com menos de cinco minutos. Recuou, recuou, recuou mais. O goleiro Bombadilla fazia o que podia para evitar o empate. E até conseguiu, pelo menos até o fim do 1º tempo.
Com o 2º tempo começando, nada mudou. Estudiantes no ataque; Boca na defesa. Ricardo La Volpe, técnico boquense, apostava na covardia e nos contra-ataques que não saíam. O que saiu foi o castigo. Aos sete minutos, de falta.
O empate do Estudiantes dava mais justiça ao placar. E aos 35, veio a virada. Veio a história. O veterano Verón prendia choro em campo. A pirâmide de jogadores sobre Pavone, autor do belo gol que iria quebrar o jejum platense, foi emocionante. A festa nas arquibancadas também. Estudiantes dando aula de raça. Estudiantes campeão. E o futebol, o mais apaixonante dos esportes, agradece.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Rachando a cara das mulheres...

Inúmeros foram os micos da cerimônia de entrega do “Prêmio dos Melhores do Brasileirão 2006”, promovido pela CBF e realizado na última segunda, 04/12, no Theatro Municipal, no Rio. Mas nada pior do que a “pérola” da atriz Taís Araújo, que, ao chamar os indicados na posição “volante esquerdo”, ela anuncia:
- O Troféu de Bronze para volante esquerdo vai para o Maldonado, do Cruzeiro. A vaia come no Theatro. Afinal, poucos momentos antes, o vídeo que anunciava os indicados mostrava claramente o jogador... com a camisa do Santos!!
O erro já teria sido feio por si só, mas a "intrépida" global conseguiu piorar, justificando:
- Ah, é do Santos? Mas aqui tá escrito Cruzeiro...
E mandou:
- Gente, dá um desconto que eu sou mulher, valeu?!
Não, não valeu. O problema não é ser mulher falando de futebol. O problema é uma pessoa topar fazer algo para o qual não tenha preparo. Se meter a participar de um evento, projeto ou qualquer coisa que o valha sem entender do assunto que está sendo discutido. O problema é não ter humildade de saber que, para apresentar um prêmio qualquer, seja de esporte, cinema, literatura ou feng-shui a pessoa não pode abrir a boca para falar como “entendida” e pagar mico. A partir de agora, neste blog, está instituído o “Troféu Taís Araújo”, que vai ser oferecido aos piores do futebol durante o ano. Porque para ser pior que a global no Prêmio da CBF, só a zaga do Íbis de 79.
P.S.: Ah, Taís... Se achar que mulher não entende mesmo de futebol, só entrar em contato.

domingo, dezembro 03, 2006

Futebol é vida. O resto...

Terminou neste domingo o Campeonato Brasileiro e daqui a uma semana (talvez menos) vão aparecer os primeiros sintomas de “abstinência de futebol”. No caso, futebol nacional. Porque até janeiro, quando começarem os campeonatos estaduais 2007, vou me alimentar meu vício com as partidas dos campeonatos europeus - o que é alimento de primeira, convenhamos.
Mas entre o Natal e o Ano-Novo, sinto calafrios, passo mal e a Síndrome do Zapping se manifesta nervosamente em busca de uma mera reprise de um jogo qualquer.
Sou assim... Desde que comecei a acompanhar futebol – e lá se vão duas décadas – esse esporte virou meu vício, meu hobby. Virou minha cabeça. Virou estudo na faculdade. Virou a motivação para escolher a área de atuação profissional. É parte de mim e de forma tão intensa, que “contamino” as pessoas à minha volta.
Gosto e acompanho esportes em geral. Só que ao futebol me entrego. Acho lindo o espetáculo das Olimpíadas. Mas a Copa do Mundo é insuperável. Basta dizer que os dois eventos já pararam por conta das guerras. Mas só o futebol já parou e provocou algumas delas. É o mais popular. É o mais apaixonante. O mais imprevisível. Explica o mundo. Justifica a vida. Provoca dor de morte. Absurdo? Talvez. Mas só quem já teve dores físicas causadas pela derrota de um time sabe o que estou falando. Sem exagero, até de Deus o futebol aproxima. Porque a vitória nos gramados é divina; um título, a redenção.
Futebol é isso e muito mais. Como diz a inscrição do mousepad da foto: futebol é vida; o resto é só detalhe.

terça-feira, novembro 28, 2006

Indiscustível

No post do dia 24 de outubro, “pedi ajuda” ao grande Nelson Rodrigues para defender Ronaldinho Gaúcho das críticas que estava recebendo. Fechei o texto com uma máxima rodriguiana, que afirma em alto e bom tom: “a única coisa indiscutível no mundo é o gênio”. Pois é... No fim de semana, eis que Ronaldinho Gaúcho apronta das suas, como mostra o vídeo (que aliás, está sendo visto e revisto na Internet). Indiscutível, não?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Bola (de Ouro) pro mato...

Nesta segunda, confirmou-se o nome do zagueiro Fabio Cannavarro como novo dono da Bola de Ouro, tradicional premiação oferecida pela “bíblia” France Football.
Surpresa não foi, até porque a notícia tinha vazado para a imprensa há alguns dias. Merecido? Talvez, o italiano é um zagueiro completo, sem dúvida uma referência da posição atualmente.
Mas a escolha não deixa de ser curiosa. A Bola de Ouro é oferecida desde 1956 e essa é a quinta vez que é oferecida para um jogador da defesa. Cannavarro é o quarto jogador desse setor a ganhá-la (o “Kaiser” Beckenbauer faturou duas delas). O primeiro defensor dono da Ballon D´or foi o lendário goleiro Iashin, em 1963. Nove anos depois, em 72, Beckenbauer levou a dele e repetiria o feito em 76. Depois disso, foram necessários vinte anos para a Bola parar na zaga de novo, mais exatamente na marcação do alemão Mathias Sammer. Fora isso, ela sempre rolou com gosto para atacantes e meias com vocação ofensiva. Para completar, o segundo colocado na lista desse ano foi outro jogador de defesa: o goleiro Buffon, companheiro de seleção do vencedor.
Quem acompanhou a Copa, sabe que ela não teve nenhum brilhantismo. Venceu o pragmatismo defensivo da Itália, numa competição na qual nenhum camisa 10 se destacou, exceto o Zidane. Foi a Copa dos defensores, da galera do desarme: Gattuso, Maniche, Vieira, Zé Roberto... Os antes chamados brucutus roubaram a cena de Totti, Figo, Henry, Ronaldinho Gaúcho.
Numa época em que empresas como Nike e Adidas produzem filmes e peças publicitárias exaltando a irreverência e o futebol-arte, é bom pensar: é isso mesmo que predomina em campo?
Parabéns ao Cannavarro, mas eu ainda acho que lugar de Bola (ainda mais de Ouro) é dentro do gol (e nas mãos dos goleadores e articuladores do ataque). Mas já que o momento pede, Bola de Ouro pro mato, que o jogo é de campeonato...

Foto: Presse-Sports

terça-feira, novembro 21, 2006

Viva World Cup

Conforme combinado no texto anterior, voltemos ao assunto NF-Board. A entidade, apesar de não ser muito falada por aqui, já começa a dar mostras de força. Já passa com louvor no teste do Google: ao digitar “Nf-Board”, assim mesmo, entre aspas para refinar mais a busca, já são 20.200 páginas sobre ela. Já tem um verbete de respeito na democrática Wikipédia, no qual podemos ver a lista dos membros (provisórios, associados e em potencial). A olhada vale não só pela informação, mas pelo que esta exprime: há um mundo à parte no futebol, um mundo que precisa de voz (de preferência entoando gritos de torcida) e de campo (no sentido de espaço, mas nada mal se vier junto um belo gramado também).
E é nesse mundo que está rolando a Viva World Cup. A sede é em Hyeres Les Palmieres, na Occitânia (França). A abertura foi no último dia 19. São quatro as seleções que participam: Mônaco, principado que há muito tenta provar na FIFA que pode ter representatividade no futebol e não só na F-1; a Lapônia, região ao norte da Escandinávia, terra dos índios Sami; Camarões do Sul, com as províncias que têm língua inglesa, localizadas à Noroeste e Sudoeste da terra-natal de Roger Milla; e o “time da casa”, a Occitânia, que compreende áreas ao sul da França, dos alpes italianos, da Catalunha e de Mônaco. Esses times disputam o troféu da foto.
Seriam seis, mas dois participantes (Rom e Papua Ocidental) desistiram por falta de recursos. Pouco antes, mais oito seleções entrariam também (Gagaúzia, Groelândia, Quirguistão, Zanzibar, Criméia, República Turca do Chipre do Norte, Tadjiquistão e Tibet), só que houve um racha político. O Chipre, que sediaria a competição, quis levar a coisa para o lado político – e a NF-Board não concordou, nomeando a sede atual. O governo cipriota levou embora o apoio financeiro que custearia as viagens dos outros times e alguns debandaram para uma nova competição – a ELF (Egalité, Liberte, Fraternité) Cup, organizada pela Cyprus Turkish Football Association (CTFA). Esse outro torneio, aliás, está rolando no mesmo período (começou dia 18 e vai até o dia 25 próximo). Tem site também, para quem quiser dar uma olhada. Eu preferi abordar a NF-Board porque, apesar de ter um site mais amador, deu o pontapé inicial nessa partida. Futebol cult e romântico.
Vislumbrando meu texto agora, vejo quantos nomes pouco usuais do futebol precisei usar para escrever esse post. E isso serve para lembrar que o esporte, o futebol mais do que qualquer outro, precisa incluir o máximo número possível de representatividades. Não pode deixar ninguém de fora. É bom lembrar que a bola e o nosso planeta são redondos. E se a Terra abriga tanta diversidade, não pode ser diferente com a bola.

segunda-feira, novembro 20, 2006

NF-Board, pelos excluídos do futebol

Nos anos 20, o francês Jules Rimet começou a idealizar a Copa do Mundo, como forma de reforçar a paz e ideais de integração entre os povos. Conseguiu realizar o torneio em 1930 e o resto, é história. De quatro em quatro anos, a FIFA realiza a Copa, um pouco menos (ou muito menos) pela nobre motivação de Rimet e muito mais pela motivação financeira. Sem tantos romantismos, futebol é negócio, negócio que gera muita grana e a mola principal é essa. Faz parte do espetáculo.Mas de vez em quando, bate saudade daqueles tempos românticos. Aí, vale apelar para os DVDs, para os livros ou para a memória (não sou tão velha assim, mas até os anos 80, o futebol ainda tinha uma certa aura romântica). Ou então, para a Viva World Cup. Conhece?
A Viva World Cup é uma Copa do Mundo que reúne seleções não filiadas à FIFA e que acontece desde ontem (19/11) e vai até dia 25/11. É organizada pela NF-Board (Nouvelle Fédération-Board), uma federação internacional criada há três anos na Bélgica e que quer promover partidas internacionais a países, territórios e nações não reconhecidas pela FIFA. Só exige que não se tenha motivações políticas, religiosas ou econômicas para que essas seleções sejam representadas. Resumindo: é a alternativa para os excluídos, para povos que nem sempre se vêem representados nas seleções que disputam a Copa ou disputam as Eliminatórias.
No site da NF (com o perdão da intimidade), se pode ter idéia do que a entidade pretende. Simplicidade. De ideais e propósitos. Pode ser resumida na tradução livre de um trecho do texto de seu presidente, Christian Michelis, que diz: “A N.F.-Board busca ser uma instituição apolítica e aberta a todos. Para seus membros, seja qual for sua política ou motivação religiosa, o futebol deve ser um instrumento de união, distribuição e transmissão de sonhos para as pessoas, nações e povos de territórios isolados”. Verdade maior não poderia haver...
No próximo texto, vou falar mais dessa entidade e principalmente, da Viva World Cup.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Urubu expiatório

Depois da derrota para a Ponte Preta, muita gente começou a apontar o Flamengo como vilão por não “ajudar” o Fluminense. Como se o time de Ney Franco tivesse embrulhado a partida e dado de presente à Ponte...
Muitos tricolores estão esconjurando o arqui-rival pela perda dos três pontos para o adversário direto do Fluminense na luta contra o rebaixamento. Não só torcedores, mas vários jornalistas falaram ou insinuaram a mesma coisa: que o Flamengo é o vilão da história. Relembram 1996, quando o clube perdeu no Rio para o Bahia e jogou a pá de cal para o Flu no primeiro de seus três rebaixamentos consecutivos (o que por si só seria um dado mais que suficiente para ver que o problema não vinha da Gávea).
Um pouco de mea culpa não faria mal ao Fluminense. Afinal, o time que era apontado como um dos favoritos ao título, ganhou 11 dos 48 pontos disputados no returno do Brasileirão. Tem a terceira pior campanha do segundo turno. Trocou de técnico seis vezes no ano. O elenco está rachado entre estrelas e pratas-da-casa. A relação com o patrocinador está estremecida pelo péssimo desempenho do time dentro das quatro linhas. O Fla tem culpa de tudo isso?

*****

Aliás, não é a primeira vez no Brasileirão que o bode dá lugar ao urubu na hora de expiar as culpas alheias. Quando Ney Franco optou por escalar os reservas contra o Paraná, em virtude do cansaço dos titulares pela viagem aos EUA para o amistoso contra o América do México, o coro dizendo que o Flamengo agiu de forma antiética também foi forte. Era irresponsabilidade e falta de profissionalismo escalar os reservas contra o clube que luta por uma das vagas na Libertadores com o Vasco. Era revanchismo. Quando queriam “aliviar” a carga, criticavam o fato do rubro-negro ter concordado com o amistoso, que rendeu US$ 150 mil aos cofres do clube (mas também criticam quando o clube atrasa salários)...
O Flamengo venceu, aí o ti-ti-ti acabou. Com a Ponte Preta, infelizmente, o clube não conseguiu jogar por terra essas teorias da conspiração. Mas o ideal seria que elas nem existissem, tamanho o absurdo que elas insinuam e a pobreza de mentalidade que exprimem.

Se urna falasse...

Na última segunda, aconteceu a eleição para o Conselho Deliberativo do Vasco, responsável por eleger o novo presidente vascaíno. Na prática: quem vota nos conselheiros da patota do Eurico, está votando nele; a mesma coisa com o Dinamite. Enfim, deu o resultado que muitos esperavam: vitória da situação. Por enquanto... Digo por enquanto porque o Lance! de 14 de novembro traz uma reportagem de César Ferraz e Guilherme de Paula na qual o segundo descreve o passo-a-passo de como conseguiu votar na eleição vascaína mesmo sem ter condição legal para isso. Bastou que estivesse “trajado” com um adesivo da chapa azul de Eurico e dizer que queria dar uma força para ele. Mesmo sem nome na lista, ele teve permissão para votar.
E assim o fez. Dinamite promete usar a reportagem para impugnar o resultado da eleição. Pena que urna tem boca, mas não fala. Se falasse... Se bem que, um clube como o Vasco deveria ter uma voz mais ativa para defendê-lo, não? Será que tem? Ou não? Cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, novembro 07, 2006

Hora da virada

Estamos a menos de uma semana das eleições presidenciais do Vasco, que acontecem no próximo dia 13. É uma data que promete. Mas as promessas seguem rumos diferentes. A data promete entrar no clube como marco de mudança do atual panorama. Ou promete simplesmente fincar âncora no mar de marasmo, estagnação e dilapidação histórica no qual a nau vascaína tem navegado há tempos. De um lado, a oposição liderada por Roberto Dinamite. No outro, a situação representada por Eurico Miranda (que no dia 30 de outubro, aliás, foi condenado em segunda instância a seis meses de prisão, convertidos em multa no valor de R$ 12 mil, por ter agredido o jornalista Carlos Monteiro na final do Estadual do Rio de 2004).
Os defensores de Eurico (e pior, ainda são muitos) dizem que ele fez do Vasco um clube mais vencedor. Sob sua tutela, seja como vice-presidente de futebol ou presidente do clube, alegam que o cruz-maltino conquistou muitos títulos. Penso eu que não é privilégio ou mérito de Eurico, devendo-se muito mais à grandeza do clube em si, do que a grandeza dos pensamentos de alguém que, notadamente, recebe mais do Vasco do que dá em troca. Não vou enumerar os episódios que lembro de cabeça e os que poderia relembrar numa rápida pesquisa, mas não foram poucas as vezes que o atual presidente envergonhou com atos desmedidos, pequenos e mesquinhos os vascaínos (e quem sabe, até rubro-negros, botafoguenses e tricolores que amam de verdade o futebol). Um retrato do que seu poder ilimitado fez ao clube pode ser visto no site do Movimento Unido Vascaíno, responsável pela chapa de oposição Por Amor ao Vasco.
Já Roberto Dinamite tenta emprestar sua imagem de maior ídolo cruz-maltino para resgatar a credibilidade que há muito a instituição Vasco não tem. Talvez tente até resgatar junto sua própria imagem, depois de ter sido enxotado da sede do clube nas eleições passadas e também numa partida, da qual foi expulso da Tribuna de Honra a mando todos sabem de quem.
Se o Vasco quiser ser o Time da Virada ainda por muitos e muitos anos, tem que começar virando o placar das urnas na próxima segunda. Ou vira esse jogo ou daqui a um certo tempo, vira sucata.

terça-feira, outubro 24, 2006

Para ler e refletir

No Lancenet, vi outra notícia curiosa do futebol espanhol. "Roberto Carlos fratura dedo ao tentar segurar Messi". A contusão ocorreu no último domingo, no clássico Real Madrid x Barcelona, vencido pelo time madrilenho. Vi a partida e tenho quase certeza que RC conseguiu a fratura depois de tomar um drible humilhante de Messi e cair em campo, desequilibrado, atordoado e com cara de "anotem a placa do caminhão". Tive que rir...
Ouvi alguém aí no fundo dizer "hora de pendurar as chuteiras"? Ou, especificamente no caso dele, o meião?

Indiscutível Ronaldinho

“Eu sei que o brasileiro e Satã têm algo em comum. Como se sabe, o abominável Pai da Mentira é um impotente do sentimento. Não há, em toda sua biografia, um único e escasso momento de ternura. (...) Pois bem. Já o brasileiro é o impotente da admiração. Não sabemos admirar, não gostamos de admirar. Ou por outra: - só admiramos num terreno baldio e na presença apenas de uma cabra vadia. (...) Somos o povo que berra o insulto e sussurra o elogio.”

Nélson Rodrigues escreveu isso na crônica “O escrete precisa de amor”, no ano de 1966. Se referia à Seleção Brasileira, mas pensei nesse trecho especificamente não em relação a ela, mas a ele: Ronaldinho Gaúcho. Já estava pensando nisso há algum tempo, mais exatamente desde a Copa, quando começou a onda de críticas em torno do camisa dez do Barça.
A princípio, após a pífia atuação do Brasil na Alemanha, brotaram teorias, argumentos, broncas e afins em relação ao cara. “Jogador de clube, não de Seleção”, era o que todas elas diziam (quando não claramente, em essência). Com a nova “Era Dunga” na Seleção, na qual visivelmente medalhão algum tem colete no time titular antecipadamente, o coro só aumentou.
Pensei que fosse ficar restrito a isso: aos altos e baixos na Seleção, já que Ronaldinho Gaúcho era unanimidade no Barcelona. O verbo está na conjugação certa: era. Fiquei espantada ao constatar isso com uma notícia que vi no Lancenet hoje, com o título “Torcedores do Barcelona querem Ronaldinho na reserva”. Li, meio descrente. Mas era verdade. Em pesquisa feita pelo jornal “Sport” em seu site, 69% torcedores que opinaram disseram que gostariam que Gaúcho sentasse no banco. Era apenas uma das perguntas feitas e no geral, o resultado apresenta a preocupação da torcida com a má fase (?) do time catalão. Me pergunto que má fase será essa, se o time lidera o Espanhol (junto com o Valencia, mas com um gol a mais no saldo); se está vivo na Liga dos Campeões (está em segundo, cinco pontos atrás do Chelsea, que convenhamos, não é nenhum timeco), num grupo que ainda conta com o equilibrado Werder Bremen.
Bom, não quero discutir se a fase é ou não ruim para o Barcelona. O que me espanta é a facilidade com que surgem brados ferozes para falar mal de um alteta como Ronaldinho Gaúcho. Falar mal, não; desancar. De melhor do mundo a jogador mediano. Juro, já ouvi no ônibus e nas “mesas-redondas” de esquina que “o cara não é tudo isso”.
Não mesmo? Revejam as jogadas dele (o You Tube está aí para isso). Revejam tudo, desde os tempos no Grêmio. Aliás, desde os tempos de molequinho, jogando futsal, nas imagens que até a Nike aproveitou para fazer um comercial. Relembrem que ele foi o cara que a torcida do Real Madrid aplaudiu de pé, após liderar a histórica vitória do Barcelona por 3 a 0 contra os merengues, dentro do Santiago Barnabéu (e isso há de ter algum significado metafísico, além do óbvio fato histórico).
Lembro de todos esses lances. Lembro que ele é humano – mesmo tendo uma capacidade digna dos deuses. Me pego pensando nas coisas que ele ainda irá fazer. E constato que a verdade rodriguiana não se limita aos brasileiros ou a Satã; se estende aos catalães, a boa parte da imprensa esportiva e a alguns amantes do futebol. Exatamente aquelas pessoas que deveriam lembrar o valor de um Ronaldinho.
Criticar sim; mas daí a transformá-lo em jogador qualquer, não. Ronaldinho Gaúcho é gênio. E como também disse Nélson Rodrigues “a única coisa indiscutível no mundo é o gênio”.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O show não pode parar...

* A festa brasileira que a gente queria ver na Alemanha durante a Copa aconteceu durante a Liga dos Campeões, mais exatamente em Bremen. Com gols do zagueiro Naldo (foto) e do meia Diego, o Werder Bremen derrotou o Levski Sofia e esquentou a briga com o Barça e o Chelsea por uma das vagas do “grupo da morte”.
* Já a dupla Gomes e Alex, do PSV, estava em campo na emocionante virada do time holandês contra o Galatasaray, dentro da casa do adversário.
* O Bayer de Munique, do zagueiro Lúcio, também fez bonito e manteve os 100% de aproveitamento na LC.
* Infelizmente, Ronaldinho Gaúcho continua jogando menos do que se espera, mas corre e luta como poucos. Messi bem que tentou (como joga esse garoto!), mas dessa vez, o Chelsea levou a melhor. Golaço de Drogba!

Foto: Reuters

quarta-feira, outubro 18, 2006

Show brasileiro da Liga

Meu destaque para a 3ª rodada da Liga dos Campeões vai para os brasileiros que contribuíram decisivamente para a vitória dos seus times:

* Juninho Pernambucano: como sempre, liderando o Lyon. Abriu o placar, de falta, para que o pentacampeão francês passeasse contra o Dínamo de Kiev na casa do adversário. Com os 3 a 0, a equipe de Juninho mantém a liderança do Grupo E, com nove pontos, oito gols marcados e nenhum sofrido;

* Daniel Carvalho: na jogada ensaiada na falta, ele soltou a bomba e fez o gol único da vitória do CSKA contra o Arsenal. Dudu Cearense e Vágner Love também jogaram muito bem pelo time russo. No Arsenal, Gilberto Silva oscilou muito no jogo;

* Robinho: fez um gol de categoria na goleada de 4 a 1 di Real Madrid contra o Steua. Ainda deu um passe açucarado para Ronaldo, que não aproveitou;

* Kaká: já está virando lugar-comum apontar o meia como destaque do Milan. Marcou um golaço, que deu os três pontos ao time rubro-negro, mesmo jogando com um a menos.

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Hoje tem Chelsea x Barcelona. Tomara que a promessa de jogão se concretize!

terça-feira, outubro 17, 2006

Na jaula

Em boca fechada não entra mosca, já dizia o antigo ditado. Leão falou o que quis e ouviu o que não quis.
Primeiro, na carta aberta divulgada pelo Flamengo em resposta ao desvario do arrogante treinador.
Segundo, na reportagem de capa do Lance! RJ desta terça (17/10), na qual mostra que Leão é freguês do time rubro-negro até na moedinha.
Completando a série de infelicidades, durante um evento do qual era palestrante (e para o qual chegou duas horas atrasado), o treinador corinthiano declarou que vai levar o time alvinegro para Jarinu (interior paulista) para "conseguir uma queda de vaidades e o aumento de responsabilidade". Devia começar por ele, que culpa juízes, dirigentes e jogadores pelos seus fracassos. É a política do "eu ganho, nós empatamos, vocês perdem". Assim é mole...