Site Meter Sem Salto Alto

sexta-feira, junho 01, 2007

Patrocínio Morto-VIVO

A parceria entre a CBF e a operadora Vivo parece caminhar a passos largos para o buraco. No amistoso Brasil x Inglaterra, realizado nesta sexta (01/06), em Wembley, a seleção brasileira exibia a marca da campanha pela Copa de 2014 no local onde ficava a marca da patrocinadora. Como uma imagem vale mais que mil palavras, postei duas fotos (que valem por duas mil).


Daniel Alves posa às vésperas do amistoso Brasil x Kwait - 11/10/2006

Edmílson e Afonso, antes do Brasil x Inglaterra - cadê a marca da Vivo?

Fotos: Agência CBF e Site CBF News

quinta-feira, maio 31, 2007

Novo site da Fifa

Site da Fifa de cara nova



Nesta quinta, a Fifa colocou no ar o novo site da entidade. Visual bem legal e menos sisudo que o anterior. Vale a navegada.

***

O site não é a única novidade da Fifa apresentada neste dia 31/05. A entidade apresentou ainda os novos números do Big Count, levantamento sobre o futebol no mundo. Ainda esta semana, vou comentar alguns desses números.

Reprodução - Fifa.com

quarta-feira, maio 30, 2007

Querendo aparecer...

Acredite: à direita, temos um chefe de Estado
Os caminhos da política e do futebol se cruzaram e se cruzam em várias ocasiões na História. Geralmente, com a primeira tentando se beneficiar do grande poder mobilizador do segundo. E como já era de se esperar até por sua postura política (ou seria a falta dela?), chegou a vez de Evo Morales entrar nesse campo. Até que demorou para o boliviano vestir a camisa dos que gostam de se auto-promover às custas do futebol. Hugo Chávez, da Venezuela, já está tirando casquinha da realização da Copa América deste ano em seu país para isso.
E agora, o coleguinha boliviano ameaça fazer barulho para convencer o Joseph Blatter, presidente da Fifa, a desistir da decisão de vetar jogos em locais acima dos 2.500 metros de altitude. Para isso, promoveu o “Dia do Desafio” com objetivo de mostrar que a prática de esportes é possível na altitude. Para dar exemplo, bateu uma bolinha na Praça Murillo, em frente ao Palácio de Governo da Bolívia.
Bom, a Fifa em momento algum proibiu partidas na altitude e sim partidas internacionais. Porque para quem está acostumado, jogar bola a sei lá quantos mil metros acima do mar é fácil. O problema é para quem vem de fora. E não adianta comparar altitude com calor de 40 graus ou frio abaixo de zero. Porque Sol escaldante ou frio congelante afetam as duas equipes em campo; altitude não. Afeta um dos lados somente. E isso é sim, fator de preponderante favorecimento a um dos lados. Sou carioca, acostumada a temperaturas altas e a ver capeta se abanando nos dias de verão intenso. Mas me chamem para praticar qualquer esporte sob o Sol de meio-dia... Eu também vou sentir a temperatura. E também vou ficar com três palmos de língua para fora. Na altitude isso não acontece. Ou alguém já esqueceu do Flamengo x Real Potosí, no qual os jogadores rubro-negros se arrastavam e caíam em campo necessitando de balões de oxigênio enquanto os adversários corriam como carros de F1?
Bonito o discurso de Morales, dizendo que “vai bater às portas da Fifa a qualquer hora e sob qualquer circunstância para que saiba, entenda e compreenda que há um país de pé, e um governo que não vai permitir este veto à Bolívia”. Nada pessoal... Mas para mim, é coisa de quem está querendo aparecer.

P.S.: Não consigo levar a sério um chefe de Estado que se propõe a jogar bola numa praça... Por mais que eu considere o futebol muito importante, tenho certeza que a Bolívia tem outras urgências (a começar por cumprir alguns contratos que Morales andou ignorando).
Foto: Reuters

domingo, maio 27, 2007

Alto nível agora, só se for do jogo...

Finalmente, a Fifa fez algo que já deveria ter feito há tempos: proibiu partidas internacionais em altitudes acima de 2.500 metros. A decisão foi tomada neste domingo (27/05) pelo Comitê Executivo da entidade, que se reuniu no 57º congresso da Fifa.
No comunicado oficial, o Comitê Executivo alega que a medida foi tomada por razões médicas e para proteger a saúde dos jogadores e será adotada imediatamente. Felizmente, não foi preciso que nenhum jogador morresse ou tivesse a saúde gravemente afetada para que a entidade máxima do futebol tomasse essa decisão. Até porque torcedor só gosta de “alto nível” quando a expressão serve para descrever a qualidade do jogo.

Tu!

Mais um comercial da Nike, desta vez reunindo Ronaldinho Gaúcho, Rafael Nadal e Paul Gasol. Just watch it!

Erros de arbitragem

Antes de mais nada, não tenho nenhuma simpatia pela Ana Paula de Oliveira. Aliás, nem por ela nem por nenhum árbitro em atividade, brasileiro ou não. Bom era o Pierluigi Colina. Só acho importante ressaltar que os erros independem do sexo, da cor ou da nacionalidade do árbitro. O nível da arbitragem mundial é fraco e não é de hoje. Por isso, resolvi listar alguns dos erros de arbitragem mais escandalosos que vi ou que soube pelos registros. E lanço a pergunta. Se eles fossem mulheres, o que diriam sobre eles?

1 - Um rombo na camisa. Nem isso foi motivo para o juiz Abraham Klein marcar o puxão do zagueiro italiano Gentile em Zico, no famoso Brasil x Itália, na Copa de 82. Pênalti que poderia ter mudado a história das maiores equipes que o mundo viu jogar.

Gentile rasgou a camisa de Zico dentro da área

2 – Outro pênalti não-marcado, igualmente escandaloso. Na Copa de 94, o italiano Tassoti fraturou o nariz do atacante Luis Enrique, da Espanha, dentro da área. Nem o sangue que escorria do rosto do espanhol foi suficiente para o árbitro Sandor Puhl entender que havia sido pênalti. A Itália venceu jogo por 2 a 1.


Nem o nariz arrebentado fez o juiz marcar o pênalti sofrido por Luis Enrique
3 – Final do campeonato paulista de 1973 entre Santos x Portuguesa. A decisão foi para os pênaltis. Mas Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados, declarando o Santos campeão. O absurdo foi tanto que a Federação Paulista acabou dividindo o título entre as duas equipes.

4 – Um “errinho” mais recente, no Brasileirão de 2005. Campeonato, aliás, que foi realmente decidido não só pelos erros, como também pela desonestidade da arbitragem (ou vamos esquecer de Edílson Pereira dos Santos?). O jogo era Corinthians x Inter e o goleiro Fábio Costa derrubou o atacante Tinga na área? O pênalti claro não foi marcado e Márcio Rezende de Freitas ainda expulsou o jogador do Inter por simulação. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Inter viu os dois pontinhos de uma possível vitória serem fatais para a perda do título.

5 – Dois cartões amarelos geram uma expulsão, certo? Quem gosta de futebol sabe disso, mas o inglês Graham Poll pelo visto não sabia. Na Copa de 2006, mostrou um cartão amarelo para o croata Simunic, aos 16 minutos do 2º tempo. Aos 43 minutos, mostra outro. Simunic (que conhece as regras) sabia que ia ganhar o vermelho e saiu de campo. Só que Poll não deu o cartão. O jogo foi até os 48. Simonic reclamou com o juizão e só aí levou o “segundo” amarelo e o vermelho.

6 – Quartas-de-final da Copa do Brasil, Botafogo x Atlético-MG. O empate com gols dava a vaga ao Galo. E Carlos Eugênio Simon ignorou o pênalti claro sobre Tchô no fim da partida. A vaga ficou com o Botafogo. E dessa vez, não ouvi o Montenegro falando mal de arbitragem.


Poderia listar outras tantas situações. Mas vou fechar a lista por aqui. Coloquei erros diversos, de todos os tipos, ao longo dos anos, só para reforçar a pergunta: se todos esses deslizes tivessem sido cometidos por mulheres, o que teriam dito a respeito?

sexta-feira, maio 25, 2007

Calça e efeito

 Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda

“Ela (Ana Paula Oliveira) é totalmente despreparada. Não vejo mulher em Copa do Mundo, nem em decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, justamente contra o Botafogo. Ela nos assaltou em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão - esbravejou Montenegro”.

Aparentemente, a frase acima teve origem em dois erros gritantes da auxiliar Ana Paula de Oliveira, que resultaram na anulação de dois gols do Botafogo contra o Figueirense, pela semifinal da Copa do Brasil. O time botafoguense perdeu a vaga e o vice de futebol do Botafogo, a razão.Porque Ana Paula de Oliveira errou. Feio. Mas não errou porque é mulher. Errou porque, assim como tantos outros colegas de arbitragem, tem limitação técnica e evidente despreparo. Errou e prejudicou o Botafogo porque a regra da Fifa é ultrapassada e tirana, dando espaço para arrogância, má-intenção, imperícia, incompetência e até erros inocentes. Se a Fifa fosse administrada por mulheres, será que Montenegro e outros dirigentes não usariam isso como justificativa para a obsolescência das regras e para a omissão da entidade diante de tantos erros grotescos que tem alterado a história das partidas, dos clubes, dos campeonatos?

Por isso disse que a frase infeliz teve origem aparente nos erros de Ana Paula; na verdade, fica claro que um comentário desses começa em algo muito anterior: o preconceito. Alguém duvida?O mesmo Carlos Augusto Montenegro chegou a se referir à bandeirinha como "piranha" no intervalo da partida, quando questionado por repórteres. Por que sempre que uma mulher erra no campo profissional chovem ofensas no campo pessoal?

Mas não parou aí. Ao se defender da acusação de preconceituoso, o dirigente lançou mão de outra “pérola”, em matéria do Lancenet:

- O pessoal já leva para esse lado. Não é o fato de ela ser mulher, mas tem uma certa proteção. Se é mulher não pode xingar, bater, não pode fazer nada contra mulher. Se é assim, é melhor que elas não participem do futebol.

Sim. O argumento de Montenegro é que, sendo mulher, uma auxiliar ou árbitra não pode ser xingada ou agredida. Por favor, alguém me diga se esse tipo de comportamento é aceitável e justificável quando se trata de um homem. Não, não é. É inaceitável, seja qual for o sexo. Poucas vezes na vida ouvi "justificativa" tão esdrúxula. O que eu gostaria que não fizesse parte do futebol são os dirigentes que agem como o mais fanático dos torcedores e deixam de lado a responsabilidade de representar uma instituição esportiva de respeito e principalmente, a obrigação de não incitar determinados comportamentos.

Foto: O Globo Online

Preconceito sim

Para quem tem dúvidas, segue a definição da palavra “preconceito”:

1- Qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 1.1- Idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão;

2- Atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.


O futebol, fiel retrato do mundo, destila preconceito. Contra as mulheres, contra gays, contra negros. Como diria Albert Einstein, “triste época em que vivemos, na qual é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito”.

quarta-feira, maio 23, 2007

Menos oito ou oitenta

Milan: campeão da Champions League 2006/2007 Pela sétima vez na história, o Milan está no topo da Europa

Menos oito pontos. Foi assim que o Milan começou no Campeonato Italiano 2006/2007, punido por ter sido beneficiado na manipulação de resultados na Itália. Por pouco não perdeu a vaga na Liga dos Campeões. E mesmo contando com astros como Kaká, Pirlo, Dida, Gattuso, Maldini e cia, a tarefa do clube milanês era ingrata: recuperar em campo a confiança e a credibilidade que havia perdido fora dele. Traduzindo: conquistar um título na temporada.


O técnico Carlo Ancelotti declarou que a perda de pontos que quase tirou o Milan da Liga dos Campeões deixou a equipe mais determinada.

E com méritos, o Milan fez os menos oito pontos se transformarem em oitenta, conquistando pela sétima vez o mais disputado título interclubes do mundo.

Kakaiser

Torcida do Milan exalta Kaká A torcida do Milan já sabe que Kaká é o melhor do mundo na atualidade. Só falta a FIFA...


Inzagui foi o herói do dia. Mas o herói da campanha do Milan é um só: Kaká. O dono do time, o regente. Sofreu a falta que Pirlo cobrou para Inzagui desviar e abrir o placar; deu o passe magistral para o segundo gol. Artilheiro da competição com 10 gols e o jogador que mais chutou a gol, Kaká esbanjou objetividade, criatividade e boa forma física, técnica e tática. Merece, pelas suas arrancadas, gols e passes magistrais, conquistar outro grande título no ano: o de melhor jogador eleito pela FIFA.
Foto: EFE

A palavra é de prata; o silêncio é de ouro...

Parece mentira, mas aconteceu. Horas antes da final da Liga dos Campeões, o site do Liverpool anunciava com todas as letras: “Reds win in Athens”. E estampava: Liverpool Football Club – Champions League Winners 2007. Os jornais "La Repubblica", da Itália, e "Clarín", da Argentina, fizeram matéria sobre a “vitória antecipada”. Se o Milan precisava de incentivo, esse deve ter sido um dos melhores. Bem diz aquele ditado: “a palavra é de prata; o silêncio é de ouro”. No caso, a palavra é vice; o silêncio é campeão.

O site do Liverpool contou vantagem antes da hora... Reprodução

terça-feira, maio 22, 2007

Pontos (es)corridos


Ligas de Futebol O Brasileirão não tem marca...
Caminhamos para a 3ª rodada do principal campeonato do país e nada... Não me animei a escrever sobre o Brasileirão. Resolvi escrever não ter encontrado motivação, mas para falar o porquê da minha desmotivação: pontos corridos. Ou escorridos, como eu prefiro para descrever o que sinto. Não gosto de pontos (es)corridos porque:

1 – Podem dizer que na Europa é assim há anos, que esse sistema premia o time mais regular. Antes de mais nada, os clubes europeus disputam vaga na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, dois campeonatos bem conceituados. Aqui, nós temos a Libertadores e a... Copa Sul-Americana. Me diga com sinceridade: conhece alguém que comemore vaga na Sul-Americana?
2 - Para mim, mata-mata é que o que há. É o que faz perder o sono uma semana antes do jogo decisivo e uma semana depois, até o jogo da volta;

3 – Acho o calendário do futebol brasileiro incoerente; não entendo porque os campeonatos estaduais têm quase cinco meses (17/01 a 06/05) e o Brasileirão, no qual os times viajam e jogam mais, tem quase sete meses (13/05 a 02/12). Não é uma desvalorização desmedida do segundo e uma valorização excessiva dos primeiros?

4 – A diferença de calendário entre o Brasil e a Europa, que faz com que o torcedor brasileiro fique vendo navios (e os craques ou bons jogadores das equipes indo embora);

5 – Manchetes como “Time X ou Y mantém 100% de aproveitamento” depois de DUAS rodadas. É coisa para tentar empolgar a galera, eu sei, mas com duas rodadas nem o torcedor mais fanático consegue sair pelas ruas batendo no peito e gritando: estamos invictos!

6 - Falta "pedigree" ao Brasileirão. O campeonato não tem uma marca, que o identifique como produto (inclusive e por que não, de exportação). Na imagem deste post, um screenshot do Fifa Manager, aparecem as marcas de vários campeonatos que podem ser disputados no game. Até a Noruega (que não tem 1/10 da importância do Brasil no mundo do futebol) tem uma marca. Aí, vejo o Flamengo x Goiás e uma das placas era exatamente a do Campeonato Brasileiro... Nem sombra de marca; só uma placa, escrita em fonte preta sobre fundo branco. Nada que faça o torcedor identificar o Brasileirão como um produto de primeira linha.

Na placa, a 'marca' do Brasileirão.

... porque não dá para chamar isso que está na placa de marca, né?

É, sou uma viúva (ainda inconsolável) do mata-mata, de um campeonato de verdade. E não escondo isso de ninguém...

Imagens: Screenshot Fifa Manager/EA Sports / Diário da Manhã (GO)

Os dois “Flamengos”

Qual é a cara do Flamengo? Qual é a cara do Flamengo: a da derrota ou a da vitória?

Uma das grandes incógnitas do Campeonato Brasileiro é o Flamengo. Porque o time de Ney Franco, na verdade, são dois. Sim, Ney Franco dirige não um, mas dois Flamengos. Um, é o Flamengo do 1º tempo da primeira partida da final contra o Botafogo; mesmo Flamengo do jogo de ida contra o Defensor e de boa parte do jogo contra o Palmeiras. O outro é o Flamengo que buscou o empate no 2º tempo da final citada quando perdia por 2 a 0; que foi o mesmo rubro-negro que entrou em campo no Maracanã contra os uruguaios e só não reverteu a vantagem porque o juiz não deixou. Flamengo esse que entrou em campo também contra o Goiás, dominando o jogo no Serra Dourada com ótimo padrão tático e técnico.

O Flamengo tem sido regular em sua irregularidade. E esse é o maior desafio de Ney Franco: fazer com que o time tenha uma só cara, um padrão. E que esta cara e esse padrão sejam, é claro, a do “segundo” Flamengo. Se conseguir, pode fazer o que nenhum técnico fez nos últimos anos: fazer o clube da Gávea disputar o título brasileiro. E aí, qual Flamengo vai prevalecer?

Imagem montada com fotos de "O Globo"

A Liga dos Campeões já tem um vencedor

 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007


Escrevo esse post na terça (22/05), véspera da final da Liga dos Campeões. Mas não tenho medo de afirmar: o campeonato de clubes mais disputado do planeta já tem um campeão. Aliás, campeã. A Adidas. A foto não deixa dúvidas: mais uma vez, a gigante alemã dá um baile na Nike, principal concorrente.
A Adidas fornece não só a bola oficial do jogo, como também patrocina os dois times que disputam a final. Fez barba, cabelo e bigode.
Foto: EFE/Globo.com

domingo, maio 13, 2007

Erro de juiz ou erro de juízo?

Há no Direito o termo em latim error in judicando, cuja definição mais simples é algo como “equívoco na aplicação dos efeitos da norma processual”; “erro ao julgar; erro de procedimento”; “erro que ocorre quando o Juiz decide mal a questão que lhe é submetida”. E quando isso ocorre, o Direito considera que é um erro que merece ser sanado.


Não, meu blog não é para assuntos jurídicos agora. O parágrafo anterior foi para questionar: o que temos visto em campo, em relação às atuações das arbitragens, são meros “erros de juiz” ou “erros de juízo”? Em menos de uma semana, foram pelo menos três erros clamorosos (e decisivos):


1 – O impedimento dado pelo árbitro Djalma José Beltrami, que tirou de Dodô a oportunidade de fazer o gol do título alvinegro contra o Flamengo, na 2ª partida da final do Estadual do Rio. O Flamengo acabou vencendo nos pênaltis;


2 – A sucessão de lambanças do argentino Héctor Baldassi no jogo Flamengo x Defensor, não dando dois pênaltis para o rubro-negro e deixando de coibir o anti-jogo uruguaio (que paralisou mais de 1/3 do jogo segundo o Lance!). Resultado: pelo “conjunto da obra” do juiz, o time carioca não conseguiu fazer o placar que necessitava e saiu da Taça Libertadores da América;


3 – No dia seguinte, foi a vez de Carlos Eugênio Simon decidir um jogo, deixando de dar um pênalti claro, claríssimo, a favor do Atlético-MG, aos 47 do segundo tempo, na partida pelas quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Botafogo. O Galo perdeu a chance de empatar e deu adeus ao torneio (atalho para a Libertadores 2008).


Não foram lances duvidosos; todos os lances foram claros, clamorosos, escandalosos. Lances capitais. Erros gritantes e vergonhosos que comprometeram o trabalho de diversos profissionais. Que acabaram com a alegria de milhões de torcedores.


A FIFA que me desculpe, mas a regra 5 precisa ser revista. O parágrafo que garante que “as decisões do árbitro sobre fatos em relação ao jogo são definitivas” tornou-se perigoso e nocivo ao futebol atual. Perigoso porque é muito arriscado para o jogo, como espetáculo, ser decidido pela limitação técnica, péssima interpretação/desconhecimento da regra, má-intenção e até desonestidade de uma única pessoa (escândalos de arbitragem em todos os cantos do planeta não me deixam mentir). Nocivo porque estamos falando de um dito futebol em alto nível profissional e econômico e erros do tipo prejudicam o planejamento, a arrecadação e a credibilidade deste esporte como negócio.


A FIFA gosta de afirmar que erro de juiz pode ser um charme, um elemento que alimenta a magia do futebol. Está errado. Desde o momento que o erro dos juízes têm-se caracterizado pelo erro de juízo. Erros assim tiram a graça, roubam a vontade de acompanhar os campeonatos. É muita coisa em jogo para depender de uma pessoa só. Pessoa essa sujeita a todo tipo de fraquezas, de humores, de defeitos (de preparo profissional e de caráter). Cartão vermelho para a roubalheira e a incompetência de apito!

Fair play é coisa que dá nos outros...

Curioso mesmo foi ouvir a declaração do técnico Cuca, do Botafogo, perguntado sobre o pênalti claro que não foi dado contra sua equipe e que poderia ter dado vaga na semifinal da Copa do Brasil ao Atlético-MG.“Também deram um impedimento que me tirou o título no último domingo”.
Certo, Cuca, certo... O erro de um árbitro prejudicou o alvinegro carioca na final do Estadual; mas nunca poderia servir de justificativa para outro erro – igualmente vergonhoso – na Copa do Brasil. Que o Botafogo não levante o bastião pela moralidade na arbitragem (como ameaçou fazê-lo depois da partida contra o Flamengo) se a idéia for baseada na Lei de Gérson ou no popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Se todo mundo que já sofreu um assalto justificasse que outra pessoa fosse assaltada para compensar sua perda, onde a gente estaria? Fair play? Palavrinha bonita que a FIFA inventou para que técnicos, jogadores e dirigentes pudessem jogar pedra nos outros. Esquecendo é claro, que também têm telhado de vidro...

segunda-feira, maio 07, 2007

Se torcida não ganha jogo...

"A nossa torcida foi uma decepção, uma vergonha. Uma das grandes razões da derrota, independente do juiz e do bandeira, foi o não comparecimento do nosso torcedor. Se ele não nos ajudar, não ganhamos a Copa do Brasil, que é uma guerra. A torcida tem de dizer presente e prestigiar, o que ela não tem feito’. Depois do Bebeto de Freitas, foi a vez de Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol alvinegro. Eu dizia num dos posts anteriores que os torcedores do Flamengo tem méritos por não acreditar no chavão “torcida não ganha jogo”. Só que nesta segunda, pelo que vi nas ruas, pelo que li e ouvi nos noticiários – incluindo as declarações dos dirigentes botafoguenses – o chavão precisa ser alterado. Porque por tudo que está sendo falado, torcida não ganha jogo, mas pode ajudar a perder.

domingo, maio 06, 2007

Camisa 10, nota dez

O autêntico camisa 10 da Gávea É o camisa 10 da Gávea!
Mais do que o título carioca, a torcida do Flamengo tem outro motivo de comemoração: Renato Augusto. Como há muito tempo não se via, um prata-da-casa veste a camisa 10 sem sentir seu peso e com ela desfila com futebol vistoso e eficiente. Desde Petkovic, herói do tri em 2001, é o primeiro camisa 10 que não faz Zico ficar vermelho (de raiva e vergonha).
Renato Augusto veste a 10 rubro-negra e a 10 rubro-negra veste Renato Augusto. É um casamento que tem tudo para dar certo a médio-prazo. Digo médio-prazo porque, infelizmente, é difícil segurar um talento no futebol brasileiro. Que seja um feliz casamento enquanto dure. Renato Augusto: um camisa 10 nota dez.

Onde está a diferença?

Torcida do Flamengo faz a diferença
Nas arquibancadas do Maracanã, o fator decisivo para o título.
O Botafogo foi melhor nos dois jogos das finais do Campeonato Carioca. “Dos quatro tempos das duas partidas da decisão, o Botafogo foi melhor em três”, declarou Cuca. E ainda assim, o time perdeu o título para o Flamengo. O que fez a diferença a favor do time rubro-negro?
A diferença entre o Flamengo e o Botafogo não se fez dentro de campo. Prova disso é que os três jogos entre as duas equipes terminaram empatados (3 a 3 no 1º turno; 2 a 2 no 1º e 2º jogos das finais). Nos dois últimos, o alvinegro foi melhor a maior parte do tempo (ou dos tempos, como prefere Cuca). O fiel da balança se fez fora do campo: nas arquibancadas, nas cadeiras, na renovada geral. Talvez seja repetitivo falar da torcida do Flamengo e da sua força. É o time mais popular do país, não? Então, vamos reverter um pouco o ângulo, vamos fugir do lugar-comum. Vamos falar da torcida do Botafogo. Sem dúvida, o alvinegro é uma boa equipe, a despeito da falta de grana. Tem jogadores que mantém boa regularidade nos jogos e jogadores que podem fazer a diferença: Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio. No entanto, chega a final e nas arquibancadas, o que se vê são botafoguenses em número infinitas vezes menor que o número de flamenguistas. Fico imaginando a cabeça dos jogadores de um e outro time quando entram no gramado e olham o estádio. Será que não faz mesmo diferença?
Eu penso que sim e não penso sozinha. Até o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, reconheceu isso. "Fico triste com a torcida que não comparece para ajudar, principalmente numa decisão. Esse time merece apoio total e irrestrito dos alvinegros. Peço que eles venham em grande número no jogo contra o Atlético-MG, quinta-feira, pela Copa do Brasil”.
O título está na Gávea e alguns vão dizer que não teve nada a ver com os torcedores que foram ao estádio. Há quem possa argumentar com o chavão “torcida não ganha jogo”. Pode ser. Mas bem faz a torcida do Flamengo quando deixa isso de lado e faz questão de acreditar que, se alguma coisa pode fazer a diferença na hora da decisão, é ela.

Os números e o futebol

Toda transmissão é a mesma coisa: estatísticas e mais estatísticas tentando ratificar teorias, atuações, esquemas táticos e problemas técnicos. Herança direta de esportes como o basquete (o tal scout começou a dar as caras aqui com o televisionamento da NBA) e do vôlei. Mas tem uma grande diferença: esses dois esportes podem ser traduzidos em números; peguem um milhão de estatísticas do basquete ou do vôlei e a possibilidade desses números traduzirem o vencedor do jogo é enorme. Mas no futebol não. O futebol não pode exagerar desse recurso. Mas é que todo jogo, o torcedor é metralhado com número disso, scout daquilo, contagem aqui, estatística acolá. E a grande maioria não representa muita coisa. Não acrescenta nada. No entanto, o tempo todo a gente é obrigado números que dizem sei lá o quê, tipo: “o time A marcou 53,6% dos gols na temporada entre os 2 e os 7 minutos do segundo tempo”; “fulano já marcou 4,7% dos gols de pé esquerdo, 90% com o direito, 5% de cabeça e 0,3% de joelho”. Chega! O futebol nunca foi nem será baseado na precisão das Ciências Exatas. Alguém quer uma estatística interessante? Prefiro uma, resultado de uma pesquisa do Laboratório Nacional Los Alamos, Estados Unidos, publicada ano passado. Nela, comprovaram que o futebol é o mais imprevisível dos esportes. Números? Bobagem... No futebol, os únicos números que interessam e realmente fazem diferença são aqueles que estão no placar.


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Esse são os números que fazem diferença no futebol
Um bom exemplo disso é a final do Campeonato Carioca de 2007. Não anotei, mas não tenho dúvidas que os números fariam do Botafogo campeão. Botafogo, aliás, que está há mais de uma dezena de jogos invicto no Maracanã nem perdeu clássicos neste Estadual; marcou gols em todas as partidas que fez no ano – exceto uma (contra o Atlético-MG). O campeão? Foi o Flamengo. Cujo ataque vive aos trancos e barrancos desde a saída do Obina; que tomou uma lavada de um timeco semana passada e que não venceu um clássico sequer no tempo normal no mesmo Campeonato Carioca. No entanto, o número que vale mesmo é o que aparece na foto. Daqui a trinta anos, vão lembrar que o Flamengo é o campeão de 2007 e não que, estatisticamente, o Botafogo merecia levar o caneco.