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terça-feira, dezembro 11, 2007

O lesado Dualib

Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, declarou ontem ter sido "lesado pelo Corinthians em mais da metade do seu patrimônio". Eu, há muito tempo, não tinha dúvidas do fato. Alguém duvida? Vamos ao dicionário...
Lesado - adjetivo
Acepções:
1 - Que sofreu lesão; ferido, contundido, avariado;
2 - Rubrica: termo jurídico. Prejudicado em seus interesses;
3 - Regionalismo: Brasil. Uso: informal. Que demonstra ser tolo, abobado, amalucado; leso.
Sim, lesado é bem a palavra. No momento em que teve que renunciar a 14 anos de poder no clube alvinegro, Dualib sofreu séria lesão. Em sua fonte de renda. Em seu esquema duvidoso de administração, que fez com que ele fosse indiciado por formação de quadrilha e estelionato. Foi realmente um ferimento - espero eu, mortal - no esquema que levou o Corinthians a um lugar onde nunca deveria estar: a Série B.
Sim, lesado é realmente a palavra. Olhem a acepção de número 2 - "prejudicado em seus interesses". Também não deixa margem de dúvidas: deixar a presidência era contra todos os interesses de Dualib, apesar de ser extremamente interessante para o clube. Mais uma vez lesado.
E por último, a terceira acepção. Essa pode e deve ser usada por todos para definir o estado mental de Dualib. Porque um homem que fez o que fez ao gigante Corinthians e ainda se acha no direito de declarar-se lesado pelo clube, alegando que perdeu patrimônio, só pode mesmo estar "variando" do juízo.
Concordo em gênero, número e grau com a declaração. Dualib é mesmo um lesado.
Fonte: Dicionário Houaiss

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Quem é Vivo nunca aparece

A Seleção do Brasileirão com a marca de uma concorrente da Vivo



Mas a Nike e o Guaraná Antarctica estavam lá


Que a Vivo e a CBF há muito não se entendem, não é novidade. Eu mesma já falei sobre o assunto em um post do “Sem Salto Alto”. E a relação, ao que parece, continua “desandando a passos largos”. Ou alguém acha normal, perfeitamente plausível, a marca de uma das concorrentes da operadora aparecer na camisa da Seleção de Craques do Brasileirão, em partida contra a Seleção Brasileira Olímpica? Ainda mais porque essa mesma camisa levava a marca de outros parceiros da Seleção: a Nike e o Guaraná Antártica.
É... Ao que parece, pelo menos lá na CBF, quem é Vivo nunca aparece...

Fotos: CBFNews

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Tela quente

Mano Menezes se apresenta ao Corinthians Se a TV mostrar backdrop, talvez caia a "tarja" dos patrocinadores nos microfones

Mais quente do que a febre que derrubou esta gripada redatora do “Sem Salto Alto”, somente a briga entre Globo e Record pelos direitos do Brasileirão a partir de 2009. Há vários fatores importantes que serão colocados na balança para decidir quem leva a melhor:

1 – A Globo deve fazer pressão pela volta do mata-mata (e muitos membros do C13 são favoráveis a isso). Durante a Footecon, Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes, fez árdua defesa do formato de playoffs. Segundo ele “os pontos corridos provocam perda de receitas e a discussão sobre qual o melhor formato de disputa do Brasileiro precisa ser reaberta”.

2 – Alguns clubes acenam, ainda que bem timidamente, com a possibilidade de negociarem seus jogos à parte. Flamengo, São Paulo, Botafogo, Atlético Mineiro e mais recentemente, o Corinthians já tocaram no assunto.

3 – O C13 quer negociar os direitos do Campeonato de forma segmentada. Assim, a transmissão por TV aberta, TV fechada, Internet e telefonia móvel seriam negociadas de forma independente e não num único pacote como atualmente. Empresas diferentes – e quem sabe, concorrentes – poderiam adquirir os pedaços mais interessantes para suas estratégias de mercado.

4 – O mesmo C13 pensa em exigir que a detentora dos direitos de transmissão seja obrigada a exibir as marcas dos parceiros dos clubes durante entrevistas coletivas. Seria o fim daquele close horroroso que mostra os pêlos nasais de técnicos e jogadores para evitar mostrar as marcas que aparecem nos backdrops.

5 – Se o Corinthians continuar na Série B (o que eu não acredito muito), a Segundona também vai ter um peso extra na negociação. Lembro ainda que, se a parceria que os corintianos estão alinhando com o Flamengo envolver negociação dos direitos de TV, eles podem aparecer como um elemento decisivo na briga.

6 – A forma como as cotas são divididas entre os clubes também deve ser rediscutida no novo contrato. Atualmente, há cinco níveis de divisão da grana da TV. Tais níveis levam em conta se os clubes são ou não membros do C13 e também o número de torcedores de cada um. Ainda durante o Footecon, Marcelo Campos Pinto sugeriu discutir o modelo italiano de divisão de cotas, onde os clubes da Primeira Divisão ficam com 40% dos valores de transmissão 30% fica dividido com base em níveis de exposição e os outro 30% cabem à premiação

Claro que tudo que listei acima pode não ser tão crucial quanto um único fator: GRANA. E importante mesmo não é saber se a Record ou a Globo (que ainda considero favorita para levar a parada) vai ganhar. Para mim, importante é ter certeza que os clubes ganham. E o futebol brasileiro idem.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Site do Kajuru

Tem quem goste, tem quem deteste. Mas ele faz parte do jornalismo esportivo brasileiro. E cá entre nós: tirando o exagero que caracteriza o "personagem", até gosto bastante do fato dele ir além do óbvio. Jorge Kajuru está de volta, dessa vez na internet. Clique aqui e conheça o site do polêmico jornalista.

*****
A visita ao site já vale só para ter a oportunidade de rever (ou ver, para quem nunca viu), o Globo Repórter que falava sobre a CPI da Nike/CBF. Pena que não deu em nada...

domingo, dezembro 02, 2007

Fiel da cova dos leões

Corinthians rebaixado no Brasileirão Nem a força da Fiel segurou o Timão


Confesso que não acreditava. Mas o Corinthians caiu. Verdade que o clube não caiu hoje exatamente. Caiu ao longo do campeonato. Por toda sujeira fora de campo, o Corinthians caiu dentro dele.

Alguns podem dizer que foi merecido. “O time fez má campanha”, vão esbravejar. “É o preço que se paga pelo Brasileirão roubado em 2005”, dirão outros. “É para mostrar que o futebol brasileiro mudou”. Mas me arrisco a dizer: pode ter sido merecido. Justo, não sei.
Porque não acho justo milhões e milhões pagarem pelo erro de dirigentes pífios, mal-intencionados. Os corintianos foram punidos; os verdadeiros culpados não. Acreditaria que o futebol brasileiro mudou de verdade se os dirigentes pagassem não pelos erros, mas pelos crimes que cometem. Acreditaria que o futebol brasileiro mudou se os clubes grandes caíssem, mas não caíssem também as CPIs do futebol, os processos contra corrupção da cartolagem ou qualquer coisa do gênero.

Infelizmente, no futebol brasileiro caem os grandes clubes, caem até arquibancadas com torcedores (com total omissão dos responsáveis). Só não cai a máscara dessa galera que usa o futebol como instrumento pessoal. E sinceramente, eu preferia ver essa galera caindo do que ver a Fiel desabando na Série B.


Foto: Thiago Bernardes/UOL

quarta-feira, novembro 28, 2007

A poesia do futebol

Hoje, não vou comentar nenhum acontecimento do futebol aqui no “Sem Salto Alto”. Pelo menos, não um acontecimento daqueles, que povoam as manchetes esportivas ou geram ao menos uma notinha despretensiosa.

Vi as duas fotos abaixo numa matéria no G1 e as imagens me mobilizaram mais que outros temas. Elas foram tiradas pelo fotógrafo Mahmoud Raouf Mahmoud, da Reuters, no Iraque. No meio do caos de Bagdá, uma criança iraquiana e um soldado americano pareceram, por alguns momentos, falar o mesmo idioma. Pareceram desejar as mesmas coisas e passaram a ter os mesmos sonhos. Achei as imagens simples, singelas. E por isso mesmo, belas.



Lembrei de uma citação do cineasta paraibano Wladimir de Carvalho, na qual ele definiu o futebol assim:

“Para os que têm sensibilidade, e que têm a coragem de se irmanar com o homem da rua, o futebol não é o gesto gratuito que muitos imaginam, mas um território poético, imenso manancial do poder de criação humana no retorno à pureza da infância. É um cometimento estritamente estético com os supremos ingredientes da arte: ritmo, harmonia inventiva, movimento, incursão no tempo e no espaço, equilíbrio e plasticidade.”

É. O futebol é uma arte capaz até de anular as diferenças de uma guerra absurda.

Foto: Mahmoud Raouf Mahmoud/Reuters

domingo, novembro 25, 2007

O patrocinador e o parceiro

No post anterior, elogiei o presidente do Corinthians Andrés Sanchez por questionar a relação entre o clube e seus principais patrocinadores (Nike e Samsung). Não sei ao certo o que Sanchez pretende, mas acredito que ele pode estar no caminho certo ao pensar nestas empresas (ou em outras) não como patrocinadores, mas como parceiros alvinegros.

Antes de me alongar, vale destacar a diferença que vejo entre patrocinador e parceiro. O primeiro assemelha-se a um anunciante. Paga determinada quantia em troca de visibilidade - que consegue, geralmente, em troca da exibição de sua marca no material esportivo do clube, backdrops, em publicidade estática no campo etc. O segundo não. Ele vai além do aporte financeiro. Uma parceria envolve uma troca mais ampla, onde os parceiros usam a relação para crescer mutuamente. Traçam estratégias em comum para conquistar objetivos. Na Europa, a parceria é o modelo que tem sido seguido pelos clubes. Aqui, quase não se vê iniciativas neste sentido.

Uma rápida visita ao site do Real Madrid – clube mais rico do mundo – já nos mostra o quando um clube pode gerar oportunidades de parceria (e conseqüentemente, agregar mais valor à sua marca). O clube lista onze empresas como parceiros: a Adidas (material esportivo); Bwin.com (site de apostas); Metro (jornal de Madrid); a Coca-Cola (refrigerante); Audi (automóveis); Mahou (cerveja); Rexona for Men (desodorante); Sanitas (assistência médica); Solán de Cabras (água); Mini Babybel (queijos pasteurizados); Vueling (companhia aérea). Só as duas primeiras são exibidas na camisa merengue. As outras trabalham outras oportunidades, outros mercados, criam ações de marketing e de relacionamento para promover tanto a marca da empresa quanto a do clube. Associadas, unidas, numa relação que gera mais valor às duas partes do que o dinheiro do contrato assinado.

Em maio deste ano, por exemplo, a Audi levou o elenco do Real Madrid para testar os modelos do superesportivo R8 e dos novos A5 e S5, no autódromo de Jarama, em Madri. Ação inteligente para explorar a paixão dos jogadores por carros de luxo e também para aproveitar o alcance global das duas marcas – afinal, as fotos correram o mundo inteiro.

Outro exemplo – este ainda mais impressionante - foi ação alinhada entre dois clubes europeus (Manchester United e Real Madrid) e um parceiro em comum. Em 2003, a Pepsi era patrocinadora dos dois clubes e colocou no ar uma campanha publicitária que explorava o futebol e o grande sucesso dos dois clubes – não só nas respectivas ligas nacionais, mas também na Liga dos Campeões. As marcas envolvidas foram valorizadas em escala mundial e a iniciativa, sem dúvida, não tem preço. Isso é parceria. E se for isso que Sanchez quer proporcionar ao Corinthians, só posso bater palmas para a iniciativa.



quinta-feira, novembro 22, 2007

Relação patrocinador x patrocinado

Muito interessante o pensamento de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians. Ele quer rediscutir a relação do clube alvinegro com os principais patrocinadores (Samsung e Nike). Segundo ele, é preciso melhorar o "relacionamento da parceria como um todo". O todo seria relativo a "atitudes, ações e projetos". Ele falou do Corinthians em particular, mas poderia dizer o mesmo para os clubes brasileiros em geral.

Aqui, a relação entre patrocinador e patrocinado no futebol resume-se ao pagamento de patrocínio e exibição de marca na camisa praticamente. Não são formatadas ações integradas, que usem o clube como uma ferramenta não só de comunicação, mas de relacionamento, de geração de receitas alternativas e fidelização às marcas. Vou discutir o assunto com mais calma em breve. Mas é bom saber que os clubes brasileiros começam a perceber a diferença entre patrocinador e parceiro.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Nem Deus salvou a Rainha

Festa croata em Wembley: Inglaterra fora da Euro 2008  Festa croata em Wembley: Inglaterra fora da Euro 2008

Era preciso somente fazer o dever de casa: vencer ou empatar com a já classificada Croácia em Wembley. Esses resultados garantiriam a Inglaterra na fase final da Eurocopa 2008. Os croatas abriram vantagem de dois gols no primeiro tempo. O English Team foi buscar o empate no segundo. Mas recuou e ficou assistindo o adversário jogar, jogar, chegar perto da área, ameaçar. Petric não tinha nada com os problemas ingleses e com um chutaço cruzado despachou os ingleses. A Rússia agradeceu e ficou com a vaga.

*****

Aliás, entre os classificados, não há nenhum time do Reino Unido. Nem Deus salvou a Rainha na Euro 2008.

Grupo A
Polônia e Portugal

Grupo B
Itália e França

Grupo C
Grécia e Turquia

Grupo D
República Tcheca e Alemanha

Grupo E
Croácia e Rússia

Grupo F
Espanha e Suécia

Grupo G
Romênia e Holanda

*****

A desclassificação não causa só um abalo na Seleção Inglesa. Uma interessante matéria do “Daily Telegraph” mostra uma previsão das perdas econômicas da eliminação. O prejuízo é estimado em £1 bilhão (aproximadamente R$ 3,6 bilhões), em perdas nos setores de publicidade, apostas, direitos de transmissão e produtos comumente consumidos por torcedores (como a cerveja por exemplo). Clique aqui para ler a matéria.

Foto: AP/Terra

terça-feira, novembro 20, 2007

Alhos e bugalhos

Alhos e bugalhos: bem diferentes, não dá para comparar Alhos e bugalhos: bem diferentes, não dá para comparar

Quem tiver um tempinho, deve ler a “defesa” do sistema de pontos corridos escrita por Fábio Koff, reeleito recentemente presidente do Clube dos 13. A linguagem desnecessariamente rebuscada nem é a pior parte do artigo. Ruim mesmo é comparar a média de público da Copa do Brasil deste ano (que utiliza o chamado sistema “mata-mata”) com a média de público do Brasileirão 2007, como forma de referendar os pontos corridos.

É preciso cautela e coerência nesse tipo de comparação. Primeiro porque Estatística é aquela ciência que, se um sujeito come quatro frangos e o outro come nenhum, a média vai dizer que cada um comeu dois. Segundo, porque para comparar duas coisas matematicamente é preciso que essas duas coisas tenham equivalência. Ou alguém acha válido comparar o desempenho de carro da Stock Car com um da Fórmula 1 e ainda utilizar isso para dizer que um tem mais potência que o outro?

Então, comparar uma competição que tem 64 clubes, escolhidos por critérios não muito evidentes para o consumidor (ou torcedor, se preferir) com outra que reúne os 20 maiores clubes do país não é válido. Ou alguém realmente acredita que uma competição que conta com a Associação Desportiva Senador Guiomard (também “conhecida” como Adesg/AC), Baré/RR, Barras/PI, Olímpico Pirambu/SE Coxim/MS ou Vilavelhense/ES possa realmente ser um sucesso absoluto de público? Então, se o Brasileirão 2007 tem “16.250 torcedores por jogo, e está crescendo, enquanto a Copa do Brasil fechou com 10.663 espectadores por partida” como afirmou Koff, tenho para mim que não foi por causa do sistema de uma competição ou de outra. A diferença escandalosa é que uma delas prima pelo critério técnico – não por acaso chamada de “elite do futebol brasileiro”. A outra parece mais com um instrumento político, da mesma forma que a Arena - partido conservador criado para apoiar o governo ditador aqui no Brasil - fazia. “Onde a Arena vai mal, um time no nacional”.

Sinceramente, Koff, nunca vi um torcedor ir ao estádio para ver “um sistema de pontos corridos”. Torcedor vai ao estádio para ver bons jogos, bons jogadores, bons espetáculos. O mata-mata é emocionante sim. Mas não quando realizado entre times e clubes que já estão mortos há muito tempo. Há meios melhores de defender os pontos corridos. Só não entra na minha cabeça que a defesa misture alhos e bugalhos.
Imagem: Montagem Glaucia Marques

segunda-feira, novembro 19, 2007

Tenha a Santa paciência, Santa Cruz...

A última colocação no Brasileirão de 2006 colocou o Santa Cruz na Série B. Em 2007, com uma rodada de antecedência, o clube pernambucano desceu ainda mais a ladeira. Ano que vem, o Santa Cruz vai encarar a Terceirona. E eis que, após esse desempenho pífio, Édson Nogueira, presidente do Tricolor de PE, resolveu fazer denúncias graves sobre possíveis irregularidades no campeonato.

Nesta segunda(19/11), entregou um dossiê ao Ministério Público e à Federação Pernambucana de Futebol denunciando "extorsão". Segundo ele, "o clube foi extorquido" e pessoas supostamente ligadas à arbitragem pediram dinheiropara arrumar resultados a favor do Tricolor. Parece que há números de contas bancárias e e-mails na documentação reunida e já há quem clame pela anulação da Série B.

Não vou aqui dizer que não há ou não houve manipulação de resultados. Acho que essas coisas surgiram junto com o futebol ou até antes dele, se bobear... O que me espanta é o dirigente que sabe dessas coisas e só resolve jogar no ventilador quando as coisas não saem como o esperado. Na minha terra, o nome disso é conivência. O sobrenome é omissão. Tenha a Santa paciência, Santa Cruz!

O Calcio em inferno-astral

 A violência no futebol não é exclusividade da Itália A violência no futebol não é exclusividade da Itália


Adoro o campeonato italiano: o inglês pode ser o mais valorizado pela TV, o espanhol pode ter os clubes mais ricos, mas se eu tivesse que escolher só um campeonato nacional da Europa para assistir, eu escolhia o da Terra da Bota. Acho que foram os domingos de Show do Esporte na infância, quando a Band começou a transmitir os jogos da Itália (e foi uma época de ouro, com o timaço do Napoli de Careca e Maradona, da Sampdoria do Vialli, do Milan de Gullit e Van Basten, da Internazionale do Klinsmann e do Matthäus etc). Mas o Calcio está num inferno-astral...

Depois do recente escândalo da manipulação de resultados, agora é a violência dos torcedores que mancha o espetáculo. Claro que o problema não é exclusivo da Itália; é que lá (como todo lugar que encara o futebol como um negócio sério) as coisas acabam tomando proporções maiores. Até a Giovanna Melandri, ministra dos Esportes por lá, manifestou-se, dando ao problema ares de questão nacional. E é mesmo... A legítima preocupação das autoridades poderia servir de exemplo aqui no Brasil, onde violentas torcidsas organizadas (?) fazem o que querem - inclusive, matando com dia e hora marcada, em confrontos "pré-agendados" pela internet.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Idade da Pedra

Souza mostra o quanto os clubes do Brasil precisam melhorar
Exemplo típico de como o marketing esportivo no Brasil precisa melhorar


Os clubes brasileiros ainda têm muito o que aprender para levar o futebol desse país ao patamar que merece (ou pelo menos, levar a algum patamar). Fico impressionada como coisas simples lá fora não são óbvias aqui. Um exemplo básico: navegando pelo site do jornal “O Globo”, vi uma foto do atacante Souza, do Flamengo na home.

Ele vestia um agasalho de um time que não é o seu, com marca de um fornecedor de material esportivo que não é o do seu clube e para piorar, ele parecia estar na Gávea (não sei onde a foto foi tirada, mas o ambiente ao fundo parece o do clube rubro-negro). Eu pergunto: alguém já viu David Beckham vestir alguma coisa sem ganhar nada por isso? Ou alguém aí acha que o Real Madrid, o Barcelona, o Manchester United deixa os jogadores vestirem o que bem entendem, ainda mais em horário de trabalho? A resposta é um sonoro não.

Talvez Souza não seja culpado. Provavelmente nunca foi orientado sobre o assunto (o que não justifica que ainda não tenha se tocado sobre detalhes como esse). Mas será que o Flamengo não se importa com isso? E os direitos de imagem, que custam fortunas ao clube? São usados para quê? Pelo visto, não são utilizados como ativos para negociar com os patrocinadores... Enfim... Há muito caminho a ser trilhado.
Reprodução: Site do jornal "O Globo"

Aliás...

Se alguém quiser ter a sensação de ser dirigente esportivo e comandar um clube de forma profissional, sugiro o game "Fifa Manager 2008". Desde 2003, sempre adquiro esse game (que até 2005 tinha o nome de "Total Club Manager"). Tão bom fazer planejamentos, ter metas, admnistrar clubes com seriedade... Vale a diversão (nesse caso, bem virtual mesmo para a realidade brasileira).

Reprodução da caixa do Game

terça-feira, novembro 13, 2007

Pizza de bacalhau


A carteirinha feita pelo MUV: a torcida do Vasco merece esclarecimentos


Nesta terça, 13 de novembro, o futebol brasileiro completa um ano de mais um episódio vergonhoso. Um triste aniversário e quem sopra as velhinhas são os torcedores de uma das maiores torcidas do Brasil. Parece que foi ontem, mas já faz um ano que as eleições vascaínas estão sub judice. Há um ano, o Vasco da Gama tem um “presidente interino”, cuja vitória nas urnas foi, no mínimo, duvidosa.

Cerca de 300 torcedores do clube foram ao Tribunal de Justiça, no Rio, para protestar contra a lentidão do processo. Bravo, mas triste. O ideal seria que nenhum deles tivesse que fazer protesto para que a Justiça fizesse sua parte. O ideal seria que a história vascaína fosse respeitada. O vencedor poderia sim ser Eurico Miranda. Mas que o fosse sem sombra de dúvidas, respeitando o estatuto do clube, os sócios, a instituição Vasco.

Talvez seja pedir demais. Infelizmente, o futebol é um reflexo perfeito do Brasil como um todo. Foi o Vasco mas podia ser com qualquer outro clube ou federação. O país todo é uma grande pizzaria. E os vascaínos, engasgados, saboreiam uma pizza de bacalhau.
*****
O protesto foi marcado pela distribuição de uma “carteirinha de sócio” (foto) e por uma versão de uma das músicas mais cantadas pelos torcedores do Vasco nas arquibancadas. A letra segue abaixo:

"Vou torcer para o Eurico ir para prisão
Roubou o Vasco, muito ladrão
Eurico, você envergonha a nossa história
Com o seu bando, tudo escória
Contra o Dinamite, roubou geral
Mas que vergonha, cara-de-pau".

Foto: MUV

domingo, novembro 11, 2007

Corinthians grande

Corinthians é time grande e com time grande, não se brinca

O Corinthians está longe de ser um grande time. E isso fez com que muita gente parece esquecesse uma coisa: o Corinthians é time grande. E time grande, grande de verdade, jamais deve ser desrespeitado.
Sou daquelas que acham que time grande já nasce com essa vocação. Seja por conjunção astrológica, por sorte ou por destino, a grandeza já está ali, no gene. E isso já bastaria, em minha humilde opinião, para que o respeito existisse.
Porque esse gene garante o “algo mais” que não se explica. Esse gene contraria estatísticas, derruba favoritos. Esse gene reverte adversidades e garante uma linhagem de fatos heróicos. Esse gene é capaz de ser mais forte que todo sangue ruim de dirigentes corruptos. Esse gene é capaz de unir em família milhões e milhões de torcedores. Esse gene desperta guerreiros. Esse gene, o Corinthians tem.
Que ninguém se engane: o time grande tem capacidade de escrever sua história e seu destino, conduzindo-os, comandando-os. O time grande vive de épicos e epopéias. E o time grande nunca é derrotado por antecipação.
Foto: Thiago Bernardes/UOL

segunda-feira, novembro 05, 2007

Perdendo a chance de (não) ficar calado


Na hora do "vamos ver", é com essa cabeça que pensam os dirigentes brasileiros


Há algum tempo, ouço aqui e ali que o São Paulo está à frente no futebol brasileiro. “Tem outra visão, é bem administrado”. “É todo voltado para o marketing”. Verdade. Não vou aqui tirar os méritos do clube paulista. Mas tenho minhas dúvidas se o Tricolor do Morumbi difere-se tanto assim dos outros clubes e se pensa assim tão avançado quanto decanta. E essa balela de ser ou não o primeiro pentacampeão brasileiro mostra bem isso.

Para quem pretende ser bastião da modernidade e do profissionalismo do futebol no Brasil, o São Paulo deu uma tremenda bola fora. Não reconhecer que o Flamengo é sim, o primeiro pentacampeão brasileiro, é render-se ao atraso, ao futebol virada de mesa, ao amadorismo. É deixar-se enquadrar na Lei de Gérson. É descumprir a palavra dada – e assinada – já que, em 1988, o atual presidente são-paulino não só reconheceu o título rubro-negro no ano anterior, como ainda assinou embaixo. E que não seja dito que “o São Paulo só está agindo assim porque a CBF não reconhece a Copa União”. Porque há tempos, este mesmo São Paulo faz entender que não anda ao lado da CBF.

Sim, o clube que anda à frente perdeu uma chance e tanto de mostrar-se grandioso. E que fique claro aqui que ser grandioso é algo bem diferente de ser grande. O São Paulo perdeu a chance de não ficar calado. Mas calou-se. E dessa forma mostrou que não é, em essência, muito diferente de tudo que caracteriza o futebol brasileiro. Pode ter uma roupagem melhor, mais disfarçada. Mas ainda veste com gosto o pensamento roto e esfarrapado dos que querem levar vantagem em tudo.

domingo, outubro 28, 2007

Estamos em obras...

Em nome dos meus cinco leitores e também para comemorar - com um mês de atraso - o aniversário deste blog, em breve o "Sem Salto Alto" vai estar com novo visual. Tá quase pronto... Aguardem!

quinta-feira, outubro 18, 2007

A consagração

Ricardo Izecson dos Santos Leite. Para o futebol, para a bola, simplesmente Kaká. Na Seleção, é o sete. No Milan, o camisa 22. No mundo, o número um.

Não sei o que vai determinar a eleição de melhor jogador da Fifa este ano. Mas não vai mudar o fato de que Kaká é sim, o melhor na atualidade. Confesso que não via nele nada mais que um bom jogador quando começou. Queimei a língua e digo isso até com certo orgulho. Fosse ele unânime desde o início, talvez não chegasse onde está.

Os dois gols no Maracanã ajudaram a construir a goleada brasileira contra o Equador. E ajudaram a construir o coro “Ah, melhor do mundo” no estádio. Coro unânime. Foi a consagração de um jovem jogador. Foi a consagração de um grande craque.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Sem gols, sem graça, sem futebol...

Domingo teve futebol na telinha. Estréia da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 2010. E a partida se encaixou como luva na programação dominical da TV aberta: foi ruim do começo ao fim. Parecia até novela: alguns nomes de peso atuando, mas sem conseguir anular a grande baboseira que serve como pano-de-fundo. O placar foi injusto. O zero a zero não dimensiona o quanto doeu nos olhos assistir ao jogo. Se fosse possível, "menos um a menos um" seria o resultado ideal.

O futebol do Brasil foi pequeno. Futebol-anão, para ser mais exata. Como o Atchim, o Dengoso, o Feliz, o Soneca, o Mestre, o Zangado e claro... O DUNGA.