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sábado, março 01, 2008

Jogando por ópera

Cuca e Botafogo: vocação mútua para o drama Cuca e o Botafogo: vocação mútua para o drama

O Botafogo é um clube atípico. E digo isso não como uma crítica ou elogio. Digo como quem olha para cima e constata que o céu é azul.

Não sei se foi destino ou acaso. Se foi azar ou sorte. Não saberia precisar qual conjunção astrológica foi capaz de unir tamanha fome com tanta vontade de comer. O que sei é que as peças encaixaram-se perfeitamente, num quebra-cabeça extremamente passional. As peças? Bebeto de Freitas, Montenegro, Cuca, os jogadores e torcedores do Botafogo.

O Botafogo de hoje é uma sucessão de atos dramáticos. Se jogasse por música, os alvinegros jogariam por ópera. Tensão e drama do início ao fim. E isso não foi deflagrado pela derrota na decisão da Taça Guanabara. Foi, no máximo, levado ao extremo. Mas a vocação pelo drama... Essa estava lá há tempo, encravada e latente no clube de tal forma, que nem o xixi do Manequinho conseguiu eliminar.

O Bebeto que discutiu com jornalista na coletiva, que tirou o microfone do Lúcio Flávio para poupá-lo do delicado “momento emocional”, o Bebeto que renunciou – ou melhor, licenciou-se do cargo – é o mesmo que disse que tinha vontade de pular da Ponte Rio-Niterói por conta de um empate com o Friburguense.

O Montenegro então... Nem se fala. Este já chamou jogador de sem-vergonha, de frouxo e gritou horrores para a bandeirinha que anulou gols do clube contra o Figueirense, na semifinal da Copa do Brasil de 2007. Ah! Foi o mesmo que nada falou quando o árbitro não deu um pênalti claro contra o Botafogo na mesma competição nas quartas...

Já o Cuca é o cara que deixou o time após o vexame contra o River Plate e voltou menos de dez dias depois. Esta semana, declarou-se insone, alegando que nem dorme pensando no julgamento que vai analisar as confusões em campo na Taça GB. Foi mais longe, afirmando: “se eu souber que faço mal ao futebol do Rio, vou embora”. Mais depressivo só os conflitos no Iraque, a fome no continente africano ou qualquer desses males que assolam o planeta.

O Túlio que esbraveja contra a comemoração do Souza foi aquele que dias antes, pediu para ser sacado do jogo quando o Flamengo empatou; foi aquele que aconselhou botafoguenses a não irem ao estádio por conta do “complô” que impede o Botafogo de vencer; foi o que disse que só jogaria o Campeonato Carioca porque era obrigado por contrato...

A lista dos dramas alvinegros é maior, é quase interminável. Vou deixar de fora o doping de Dodô ano passado, o choro coletivo no vestiário ou as teorias conspiratórias. O que realmente faz o Botafogo perder vai além dos problemas de arbitragem. O fato é que nunca o clube mostrou-se tão fragilizado emocionalmente. Nem nos anos de jejum de títulos, nem na queda para a Segundona, viu-se um Botafogo em frangalhos. E isso, mais do que qualquer coisa, é que deveria ser motivo de discussão entre dirigentes, jogadores e torcedores do clube.
Foto: Agência Lance!

Trophy Tour

Uefa Champions League Trophy Tour Troféu da Uefa Champions League: eu queria um desses em casa

Bonito de longe, mais bonito ainda de perto. Valeu a pena ir na "Uefa Champions League Trophy Tour", promovida pela Heineken. Durante quatro dias (dois em São Paulo e dois no Rio), o troféu do melhor campeonato interclubes do mundo esteve aqui no Brasil.

Segundo os organizadores, cerca de 19 mil pessoas foram ver a Taça da CL. É mais do que o público de muito jogo que rola por aqui. Igualmente impressionante foi notar o enorme número de visitantes que vestiam camisas de clubes europeus (me impressionou também o fato de que vi pouquíssimas camisas da Seleção Brasileira no evento).

Será que algum dia o futebol brasileiro e sul-americano vai aprender a promover seus campeonatos da mesma forma que os europeus fazem? Não custa sonhar...

Foto: Glaucia Marques

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Quando a estrela não brilha...


Botafogo no vestiário: depois de perder o jogo, o time perdeu a razão

Já disseram uma vez que é muito fácil ser nobre quando se vence. Acho que é verdade. Por outro lado, também é muito fácil ser pobre de espírito quando a derrota aparece. E isso ficou muito evidente neste domingo, na decisão da Taça Guanabara.

As coisas que foram ditas no vestiário do Botafogo em nada combinam com a decantada seriedade administrativa que o clube tenta implantar. As palavras, o cenário, os atos e os gestos... Tudo errado. Com perdão antecipado pelo trocadilho, se há algum manual de conduta para as coletivas de imprensa no futebol, o “Fogo” queimou.

Erros de arbitragem? Sim, eles aconteceram. Aconteceu quando Marcelo de Lima Henrique não deu um recuo de bola do Léo Moura para o Bruno; aconteceu quando ele expulsou Zé Carlos e não Castilho; aconteceu quando ele deixou que os jogadores dos dois times o peitassem sem tomar a atitude devida. Errou ao não expulsar Ferrero, que poderia ter feito com Cristian o que Martin Taylor fez com Eduardo Silva no sábado. Mas não, ele não errou ao dar o pênalti, no qual Fábio Luciano quase ficou sem camisa; também não errou ao expulsar Lúcio Flávio, cujo comportamento não foi o de um monge beneditino. Por tudo que vi, os erros mais decisivos foram do próprio Botafogo.

Errou Cuca, ao recuar demais o time quando estava em vantagem e oferecer campo à reação adversária. Errou Lúcio Flávio, capitão da equipe, ao receber um justo cartão amarelo por reclamação e perseguir Juan, até derrubá-lo por trás, num lance próximo à área do...Flamengo! Errou Wellington Paulista, perdendo gols que poderiam ter escrito outra história. Errou a diretoria, quando montou um elenco bom e esforçado, mas sem peças de reposição.

Aos erros em campo, somam-se os erros fora dele. O volante Túlio afirmou que “se pudesse não jogaria mais o Campeonato Carioca e que se fosse o torcedor botafoguense, não iria mais aos jogos”. Montenegro disparou contra a Federação e a Comissão de arbitragem, acusando-os de serem “rubro-negros de cabo a rabo” e “de apitarem com a camisa do Flamengo por baixo”.

E a Bebeto de Freitas, autoridade máxima do clube, coube o papelão maior: renunciar ao cargo, alegando que “comandava o clube há seis anos e estava cansado de tudo”. Logo depois, retirou os jogadores do vestiário, alegando “que não tinham condição emocional de estar ali”. Foi o único acerto dele. Aliás, meio acerto. Se não tinham condição emocional de estar ali, não deveriam nem ter aparecido no vestiário.

O Botafogo esqueceu de uma frase que bem podia estar estampada no pára-choque do caminhão de erros que o atropelou. Frase batida, mas que serve como luva: “se sua estrela não brilha, não tente apagar a estrela alheia”.

Foto: André Durão/ Globoesporte.com

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Créu na paciência

Ronaldo Angelim comemora sem frescuras ou dancinhas: alegria não tem coreografia

A moda começou nos anos 90. Não tenho estatísticas sobre o tema, mas a primeira vez que vi algo do gênero foi em 1991. Flamengo e Botafogo decidiram a Taça Rio (2º turno do Estadual) e o atacante rubro-negro Gaúcho prometeu fazer o gol Xuxa, que garantiria “beijinho, beijinho, tchau, tchau” ao adversário. Gaúcho fez o gol e a dança tirando sarro do adversário. Ele mesmo faria isso mais vezes – dançando ou apenas batizando gols com irreverência.
Daí em diante, a lista de jogadores que aderiram ao modismo foi grande, interminável. Até empresas aproveitam a onda para aparecerem, como foi o caso do da Brahma (com o gesto de número 1 feito por vários jogadores do Brasil em 1994) ou da Nike, que pediu aos jogadores que patrocina para imitarem o gesto usado por Ronaldo Fenômeno como forma de dar força ao jogador a superar sua mais nova contusão (Fábio Luciano, do Flamengo, assim o fez, contra o Vasco). Exemplos não faltariam.

E a cada rodada, a cena se repete nos gramados. Fulano faz gol, lá vem uma dancinha. Beltrano marcou? Um gesto coreografado. X cruzou para Y abrir o placar? Pintam os trenzinhos, os passinhos de funk, samba, cumbia, forró ou coisa que valha. Sem contar os recados apaixonados para a mãe, o pai, a esposa, o filho, o papagaio, em conversas com a câmera atrás do gol.

O que me impressiona é que os jogadores de futebol só se preocupem em passar mensagens para as câmeras ou só queiram ser criativos quando comemoram um gol. Diante de um microfone, a maior parte deles não têm nada diferente a falar. Gaguejam, abusam dos chavões, erram conjugação. Imagem? Ah, importa só aquela da hora do gol.

Grande erro. Não só porque é tênue a fronteira entre irreverência e provocação. Mas principalmente porque o que era original, agora é lugar-comum. Tenho saudades do tempo que o jogador que marcava se deixava levar pela mesma emoção do torcedor. Gritava, corria, levantava os braços, se jogava na grama, se entregava ao inexprimível. Coreografia é coisa de caso pensado e a emoção do gol, para mim, passa longe do racional.

O zagueiro Ronaldo Angelim, convocado a fazer a “Dança do Créu” ao marcar o gol da vitória do Flamengo contra o Vasco, declarou: “Dançar o créu não leva a nada. Tem que respeitar o adversário”. Não só o adversário, mas a torcida também. Quisesse eu ver tantos passos de dança, iria ao balé. Até agora, a tal dança só deu “créu” na minha paciência.
Foto: Marcia Feitosa/FOTOCOM.NET

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ronaldo

Ronaldo enfrenta novamente o drama de uma séria contusão Um ídolo de novo no chão

“Primeiro, o homem não sabia estar só. Andava sempre em hordas ululantes. E quando, por acaso, desgarrava dos demais, uivava até morrer. Era, assim, o medo que juntava os homens, e repito: - a multidão nasceu do medo. O ser humano só se tornou humano, e só se tornou histórico, quando aprendeu a ficar só” - Nelson Rodrigues
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Esta é uma citação de Nelson Rodrigues, a respeito da solidão. Hoje a reli e vi que ela se aplica a Ronaldo. Sim, a Ronaldo.

Primeiro, Ronaldo não sabia como era estar só. Nem bem chegava ao time principal do Cruzeiro e seus gols o colocaram sob os holofotes. Antes da maioridade, chegou à Seleção e à Copa do Mundo de 1994. Campeão mesmo sem entrar em campo nesta competição, Ronaldo “andava em hordas ululantes”.

E assim andou, na trilha do caminho do sucesso, vestindo a camisa do PSV, do Barcelona, do Internazionale, onde virou o “Fenômeno”. Mas chegou a Copa de 98, que deveria ter sido “a sua” Copa. Uma convulsão, um mistério, uma derrota. Quando o Brasil caiu diante da França na final, a queda maior foi de Ronaldo. Veio a queda de produção. E a contusão no tendão patelar direito, em 2000. Ali, desgarrado dos demais, uivou. Para muitos, havia morrido para o futebol.

Precisou, então, trilhar outro caminho. O da obstinação. Só. Digam o que quiserem: médicos ou fisioterapeutas não foram companhia para Ronaldo nesta trilha. Para voltar, Ronaldo aprendeu a ficar só. A driblar fantasmas, desconfianças. Só, tornou-se humano. E de super-humano que é, tornou-se histórico. Ronaldo escreveu um épico raro de superação. Campeão em 2002 pelo Brasil, foi artilheiro e melhor do mundo pela Fifa. Ronaldo trilhou o caminho dos mitos. E não estava mais só, novamente. Multidões o aclamaram, pelo medo que despertava nas defesas adversárias.

Não precisaria provar mais nada a ninguém. Nem a ele. Depois de passagem pelo Real Madrid, chegou ao Milan. Novamente em má-fase. Contestado. E nesta quarta, 13 de fevereiro, eis que o destino estoura novamente o tendão patelar de Ronaldo. Não o direito, o esquerdo. E, novamente, há quem diga que Ronaldo morreu para o futebol.

Que ninguém se apegue a prognósticos. Ronaldo sabe trilhar as “hordas ululantes”. Mas como poucos, aprendeu a ficar só. Tornou-se humano. E sabe exatamente o caminho para tornar-se – mais uma vez – histórico (e heróico).
Foto: Agência AP/Globo.com

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Vá de retrô

Manchester City e Manchester United relembram desastre aéreo Clássico de Manchester: a onda retrô relembra a história
O futebol é um esporte que vive de estórias e história. As jogadas que testemunhamos, os gols que assistimos, os jogadores que fizeram a diferença, todos permanecem vivos através das narrativas que fazemos, passando o fato adiante. Reparem como no dia seguinte de uma rodada ouvimos várias pessoas contando os lances da partida, descrevendo de forma única tudo aquilo que viram ou ouviram.

Acho que este é o principal elemento que sustenta a moda das camisas retrô, grande filão de mercado hoje em dia. O futebol – principalmente o atual – carece de romantismo. Os uniformes retrô, de certa forma, trazem de volta o tempo que jogador e camisa não tinham uma relação tão promíscua. Beijava-se menos os escudos, amava-se mais os clubes que representavam. Sem contar que antes as camisas não tinham marcas estampadas e não corríamos o risco de ver equipes entrando em campo com verdadeiros abadás...

É por essa saudade que vemos cada vez mais as camisas retrô por aí. Se a ocasião é especial, o passado aparece não só nas prateleiras das lojas como em campo também. Este ano já tivemos dois bons exemplos. Um, aqui no Brasil, no Campeonato Cearense. Em 27 de janeiro, Fortaleza e Ceará jogaram o clássico com uniformes da década de 1910, quando o tricolores e alvinegros tinham o nome de Stella (camisa branca com estrela vermelha no peito) e Rio Branco (camisa lilás), respectivamente. O outro exemplo é inglês. No clássico entre Manchester United e Manchester City, os Reds relembraram os 50 anos do acidente aéreo envolvendo a equipe do M.U., em 06 de fevereiro de 1958. O time do Manchester United irá usar camisas com estilo antigo, dos anos 50. Rivais extremos, os dois times deixaram de lado a richa local para fazer a homenagem: o Manchester United usou uniforme igual ao utilizado pela equipe na época do acidente e o time do City jogou sem a marca do patrocinador na camisa, além de utilizar tarjas pretas nas mangas.

Ainda nos resta isso. Quando as botinadas fazem doer a vista e os times e dirigentes relembram o amadorismo no pior sentido da palavra, não deixe que o amor ao futebol vá embora. Embarque na nostalgia e vá de retrô...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O importante é ser fashion...

Ronaldinho Gaúcho em campanha da Oi no Fashion Rio 2008 Eu podia dormir sem essa...

Uma visita ao blog parceiro "Pândegos & Patuscos" mostrou a duvidosa foto de David Beckham no lançamento de um novo aparelho da Motorola. É... Também não entendi a relação entre a cobra e o celular, mas pelo menos a campanha foi feita com um cara que se propõe a ser ícone fashion e não está nem aí para o sentido de determinadas coisas (eu sou uma das pessoas que acham que essa coisa de moda não tem sentido algum).

Mas o que dizer da campanha feita pela Oi com o Ronaldinho Gaúcho para o Fashion Rio 2008? O que dizer dessas asas horrendas, em um cara que não é lá muito bonito?

Nessas horas me pergunto onde estão os agentes dos jogadores. Pode ser que no futebol atual, seja importante ser fashion. Mas precisava ser ridículo também?

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Batendo em bêbado

Quando alguma coisa é muito fácil - e fácil mesmo - é obrigação consegui-la. É, como já diz a metáfora popular, igual a bater em bêbado na ladeira. Quem está batendo tem obrigação de vencer a briga.

Pois a imagem de alguém surrando o "pinguço" é o melhor retrato do Campeonato Estadual do Rio este ano. Não lembro de ter visto um nível tão fraco dos chamados "times pequenos". E os grandes, que ainda não tiveram um teste real no ano, não podem ser avaliados corretamente.
Toda rodada é uma, duas, três goleadas. E se o Vasco - na derrota para o Madureira - e o Fluminense - no empate com o Macaé - perderam pontos para equipes menores, foi muito mais pela displicência com que jogaram do que por méritos dos adversários.

Mas não podia ser diferente. Além do campeonato inchado (com quatro equipes a mais que em 2007), inventaram que os times pequenos não podem enfrentar os times grandes em seus estádios - mesmo quando têm o mando de campo. Na prática, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco jogam sempre em casa. Se as equipes menores já não assustariam em casa, fora delas o que se vê é uma variação de retrancas tentando arrancar um pontinho que seja.

Pior do que isso, só mesmo ouvir determinados comentários nas rádios e ler algumas manchetes de jornais, que vendem os grandes do Rio como máquinas de jogar bola. Os quatro grandes parecem o "Quarteto Fantástico" do futebol mundial, goleando equipes de nível técnico equivalente ao Milan, ao Chelsea, ao Real Madrid...

Não é nada disso. Os grandes clubes do Rio ainda estão na pré-temporada. Se dão ao luxo de fazerem jogos-treinos com chancela oficial da Federação, transmissão de rádio, TV e até pay-per-view. Só quero ver se a festa continua quando os quatro entrarem em campo em competições de verdade - Copa do Brasil, Brasileirão e principalmente, Libertadores da América.

Definitivamente, o futebol do Rio de Janeiro merecia coisa melhor.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Para ver de perto...

Um brinde à Heineken por trazer este caneco para o Brasil

“Uma taça de futebol que nunca veio para o Brasil antes. Coisas raras assim merecem um evento especial”. É dessa forma que a Heineken, patrocinadora oficial da Uefa Champions League, convoca os amantes do futebol para ver de perto a taça do melhor campeonato interclubes do mundo.

É mais uma edição do “The Uefa Champions League – Trophy Tour”. Ano passado, a turnê levou o caneco da Liga dos Campeões para o Japão e a Indonésia. Este ano, ela chega às Américas do Sul e Central. É mais um exemplo de quanto os europeus sabem valorizar (e vender) seus produtos no mercado do futebol. Isso se reflete no poderio econômico dos clubes, na negociação de direitos de imagem e transmissão, na construção das marcas e na formação de um conceito Premium. Não basta conquistar fãs e torcedores; é preciso conquistar mercados (e faturar com eles).

Eu vou ao “Trophy Tour” com certeza. Para apaixonados por futebol como eu, o evento é uma oportunidade. Para dirigentes e profissionais envolvidos com o esporte, é lição de casa. Quem sabe, vendo (e aprendendo) com quem sabe, o mercado futebolístico nacional deixe para trás a Idade da Pedra.
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O “Trophy Tour 2008” irá passar pelas seguintes cidades nas datas indicadas:

São Paulo, Brasil – 16 e 17 de fevereiro
Rio de Janeiro, Brasil – 23 e 24 de fevereiro
Buenos Aires, Argentina – 6 de março
Santiago, Chile – 15 e 16 de março
Cidade do México, México – 4 a 6 de abril
Monterrey, México – 11 a 13 de abril

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Los Democratas

 Los Democratas: dobradinha entre futebol e política Los Democratas: dobradinha entre futebol e política

Desde cedo eu já ouvia: religião, futebol e política não se discutem. Não é acaso; são três coisas que despertam paixões e motivações extremas. Nestes campos, a razão é algo que fica ali, sentadinha no banco e poucas vezes é chamada para entrar no jogo.

O trio costuma fazer tabelinhas entre si. Futebol e religião (que acentua, por exemplo, a rivalidade entre os escoceses Glasgow Rangers e Celtic). Política e religião (que tanto geram conflitos mundo afora). E, claro, futebol e política. E esta dobradinha resultou numa jogada curiosa.

Nos Estados Unidos, o Partido Democrata escolheu este esporte como forma de “atingir” eleitores latinos. Em agosto do ano passado, os democratas do estado de Nevada decidiram patrocinar uma equipe de futebol de Las Vegas, rebatizando como “Los Democratas”. O propósito era simples: fazer com que os latinos gostassem tanto do partido quanto gostam de futebol.

A cada partida, antes dos jogadores do time suarem a camisa, os democratas fazem a “preliminar”, promovendo o registro de eleitores em mesas montadas ao lado do campo. E centenas deles já se juntaram à causa, motivados pela paixão futebolística.

Me pergunto se os torcedores do “Los Democratas” gritam também o nome dos candidatos do partido nas prévias para concorrer à presidência dos EUA? “Vai Hillary!” “Tá na cara do gol, Obama”. É, o futebol tem dessas coisas. E pelo visto, vale tudo para não sofrer mais uma derrota – política – para o arquirival republicano.
Foto: Bruno Garcez/BBC Brasil

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Fechado temporariamente


Esta semana, o "Sem Salto Alto" não vai entrar em campo. Estou fazendo uma rápida viagem de estudos e só volto dia 21. Mas na próxima segunda, tem texto novo por aqui. Até lá!

sexta-feira, janeiro 11, 2008

"A Extinção das Amélias da Bola"

Hoje, o "Sem Salto Alto" não vai trazer as minhas palavras... Hoje, pego emprestado as palavras tão bem escolhidas e utilizadas pelo o jornalista Xico Sá, da Folha de S.Paulo, no texto "A Extinção das Amélias da Bola". Tomei a liberdade de reproduzir integralmente a coluna publicada neste 11 de janeiro. Porque essa foi a melhor forma que encontrei de dizer "muito obrigada" ao autor.

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A extinção das Amélias da bola

Nos dias de hoje, não há uma só fêmea na face da Terra que não saiba o que é voleio, sem-pulo, drible da vaca...

AMIGO TORCEDOR , amigo secador, não se trata de sentimento vulgar e machista, embora o temperamento latino sempre nos ponha em situações desse naipe, mas ando com saudade descomunal de uma mulher que não entende patavinas de futebol. Daquelas que perguntavam para que lado a seleção estava atacando, daquelas que, uma vez no estádio, pediam para ser apresentadas à bola, muito prazer, encantada, fulana de tal, às ordens.
Daquelas que comentavam só sobre as pernas do Leão nos anos 70 e se engraçavam pelo Raí no São Paulo, daquelas que mui antigamente amavam o Heleno de Freitas, o mais vaidoso dos craques. Daquelas que não estavam nem aí para a infantilidade ludopédica do macho. Sim, as mulheres bem normais de outrora.
Sinto muito, amigo, é mais fácil cessar o conflito no Oriente do que achar uma destas crias da nossa costela. É mais fácil d. Sebastião, o encoberto, volver da batalha de Alcácer-Quibir, no reino do vai-sem-volta. A mais desligada das fêmeas, amigo, é capaz de discorrer hoje sobre o esquema 3-5-2 como um João Saldanha, um Tostão, um PVC, um bamba. Nem mesmo a lei de impedimento, que era o grande enigma -maior até do que a falta do telefonema masculino do dia seguinte-, é mais problema. A ponto de o amigo Pereira, velho porco-chauvinista do Brooklin Novo, apelidar a sua amada de Estelinha Tira-Teima. Foi-se o tempo em que as moças, Amélias ludopédicas, adotavam o time de seus homens como o do coração. Agora não tem mais disso, viraram todas umas Simones de Beauvoirs, inflamadíssimas nas defesas das próprias cores. Outro dia ouvi de uma amiga até paráfrase da citada escritora: "Não se nasce torcedora, torna-se torcedora". Calei-me na hora, no que ela aproveitou para se despedir com imitação exemplar do Avallone: "Não se nasce torcedora, torna-se torcedora. Exclamação!". Fêmea culta são outros quinhentos. A amiga estava parafraseando, como me socorre aqui o poderoso São Google, uma frase da mulher do mala do Jean-Paul Sartre: "Não se nasce mulher, torna-se mulher".
Outras ninfas, mais safas, adotam posição submissa por esperteza. Sabem que, quando o time dele triunfa, o mancebo fica 26,7% mais testosteronizado, ou seja, mais devoto aos bambuais do "kama sutra". Sério. Coisa de uma dessas pesquisadoras americanas malucas, que acompanhou, na Copa de 94, grupo de marmanjos antes e depois das pelejas.
Nesse aspecto, amigo, imagina o que não passaram as desalmadas minas dos corintianos no final do ano passado! Seu Chico da Cuíca, o único e solitário torcedor do Íbis, o pior do mundo, nunca em vida aceitaria a tese gringa. "Vade retro com essa marmota!", diria no seu ponto de táxi no Recife. "Comigo não tem esmorecimento para estas artes."
Estou condenado à nostalgia, essa doença infantil dos quarentões, não há uma só fêmea na face da Terra que não saiba o que é sem-pulo, drible da vaca... Para completar a desgraça, a baiana Clara Albuquerque, bela colega de ofício, lançou livro estupendo sobre o riscado: "A linha da bola -tudo o que as mulheres precisam saber sobre futebol e os homens nunca souberam explicar!". Parabéns, meninas, a febre nostálgica que estava aqui acabou de ir embora.
Texto: Xico Sá/Folha de S.Paulo - 11.02.2008

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Jóias raras

Time do Fla tem tudo para arrebentar na Copa SP


Início do ano é isso mesmo: pouco futebol nacional na TV e, para piorar o cenário, mais uma edição do Big Brother. Não vejo graça em ficar olhando um monte de gente trancafiada em uma casa. Para mim, isso é coisa de fofoqueira. Só “fico de olho” em marmanjo quando o assunto é futebol.

Enfim... Definitivamente não vou falar do BBB (que bem poderia ser “Big Besteirol Brasil”). Vou falar é da Copa São Paulo de Juniores. Enquanto rola a “pré-temporada” por aqui, a Copinha garante as doses de futebol brasileiro que meu organismo precisa para não ter tremores ou febre. Acabei de assistir ao jogo no qual o Flamengo goleou o modesto Ypiranga, do Amapá, por 11 a 1.

E o que vi me impressionou. Não posso dizer que o rubro-negro é favorito na competição. Isso seria chute demais, já que estamos na 2ª rodada de uma competição que envolve 88 equipes. Mas digo, sem medo de errar, que o time é um dos melhores desta edição da Copa SP. Pode ter equivalente; melhor, acho difícil.

O Flamengo tem um time extremamente técnico em todos os setores. Na defesa, conta com dois laterais (Jorbison e Michel) que apóiam bem e não comprometem na marcação, além do bom zagueiro Fabrício (seguro, técnico, com bola habilidade e que ainda vai ao ataque com categoria). O ataque tem o jovem Paulo Sérgio (que precisa de mais continuidade para mostrar seu futebol na equipe principal) e Pedro Beda (goleador que também constrói ótimas jogadas). No meio, os volantes Peka e Lenon desarmam e armam jogadas. Renan e Erick Flores completam o setor. Aliás, vou anotar este nome: Erick Flores. Este é jóia rara, a ser lapidada com carinho. Tem MUITO futebol. Gasta a bola. E se tudo correr bem - e nenhum clube europeu aparecer no caminho – tem todas as possibilidades de brilhar como profissional no clube carioca.

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Aliás, vendo o trio Erick Flores, Paulo Sérgio e Pedro Beda em ação, me pergunto se o atacante habilidoso que o clube tanto procura para o time principal não está mais perto do que os dirigentes flamenguistas imaginam...
Foto: Lancepress

domingo, janeiro 06, 2008

Retrato do Rio

Comparando os participantes dos campeonatos estaduais do Rio em 2008 e há 30 anos, percebi uma mudança que não se resume ao número de participantes (dezesseis clubes na edição deste ano contra doze na edição de 1978). A comparação entre as duas tabelas nos mostra uma mudança significativa na sociedade do Rio de Janeiro.

Três décadas atrás, o campeonato estadual do Rio tinha como participantes: América, Bangu, Bonsucesso, Botafogo, Campo Grande, Flamengo, Fluminense, Madureira, Olaria, Portuguesa, São Cristóvão e Vasco. Para quem não conhece o Rio, a maior parte destes clubes levava nomes de bairros cariocas (Bangu, Bonsucesso, Campo Grande, Madureira, Olaria e São Cristóvão, além dos grandes Flamengo e Botafogo). Era uma época onde os subúrbios prosperavam. No fim da tarde, os moradores destas áreas ainda podiam colocar as cadeiras nas calçadas. Era um tempo onde o radinho de pilha era o melhor amigo dos torcedores e estes – apesar de geralmente torcerem por um dos quatro grandes clubes – tinham orgulho de ir aos estádios modestos do clube das redondezas. Mesmo quando a equipe não levava o nome do bairro – casos de América e Portuguesa, representantes da Tijuca e da Ilha do Governador, respectivamente – o que se via era uma maior proximidade entre os times menores e o torcedor. O campeonato fazia jus ao adjetivo “carioca” (*).

Hoje, a tabela nos mostra outra realidade. Os clubes de bairro deram lugar aos clubes de cidades vizinhas à capital (e cujas prefeituras, muitas vezes, contribuem financeiramente com as equipes locais). Assim, tem vez agora o Cardoso Moreira, o Cabofriense, o Duque de Caxias, o Friburguense, o Macaé, o Mesquita, o Volta Redonda e o Resende (que levam o nome das regiões de onde vêm), sem contar o Americano (oriundo de Campos) e o Boavista (de Saquarema). Agora, o campeonato não é mais “carioca” e sim “fluminense” (*).

Nada contra as cidades vizinhas terem seus representantes no Estadual do Rio. O duro é ver que isso aconteceu no mesmo compasso que o subúrbio carioca ficou entregue à violência e ao descaso dos governantes. Assim como fábricas, lojas e comerciantes que simplesmente fecharam ou mudaram-se dos bairros suburbanos, o futebol também deu adeus a estes locais. E levou junto um pouco do charme e da tradição dos campos cariocas.

(*) Carioca - relativo à cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro, ou o que é seu natural ou habitante. Fluminense - relativo ao Rio de Janeiro, estado do Brasil, ou o que é seu natural ou habitante.

domingo, dezembro 30, 2007

Dez melhores momentos de 2007

1 – Fair play na Inglaterra: Nottingham Forest e Leicester City faziam o que seria apenas mais um jogo entre as equipes. Mas o zagueiro Clive Clarke, do Leicester, teve um problema cardíaco durante a partida válida pela Copa da Liga Inglesa, resultando na suspensão desta. No momento da interrupção, o placar marcava 1 a 0 a favor do Nottingham, mas o zero a zero foi estabelecido no jogo remarcado. Por achar justo restabelecer a vantagem no placar ao adversário, o Leicester City permitiu que o adversário marcasse um gol no início da nova partida. Para mim, foi o lance mais bonito do futebol em 2007.



2 – Kaká e Marta melhores do mundo: dobradinha brasileira na eleição da Fifa para premiar os melhores jogadores do planeta. Craque a gente faz em casa.

3 – Drible do Robinho no jogo contra Equador: não sei como ele fez a jogada, mas o que importa é que ela saiu. E foi de encher os olhos de quem ama futebol.



4 – Jogada da Marta contra os EUA: quem disse que mulher não sabe jogar futebol, é porque nunca viu a Marta em campo. Esse gol aí, 90% dos jogadores profissionais que atuam no planeta não consegue repetir.



5 – A Seleção Brasileira Feminina: o desempenho no Pan e na Copa do Mundo não deixa dúvidas que aqui pode ser o “País do Futebol” também para as meninas. Mas quando a CBF vai perceber isso de verdade?

6 – Confirmação do Brasil como sede da Copa de 2014: sei que esse fato vai ser usado para fazer politicagem e o que é pior, daquelas que nem sempre são politicamente corretas. Mas que o futebol por aqui pode ter um grande benefício com uma Copa aqui, ah, isso pode...

7 – Renato, do Sevilla, completa 500 jogos sem suspensão: acho impressionante como essa notícia não foi muito badalada aqui. Mas em setembro, o brasileiro Renato (ex-Santos) completou a marca de 500 partidas em 11 anos de carreira sem nunca ter sido suspenso por cartões vermelhos ou amarelos. Algo realmente admirável para um jogador de meio-campo em tempos de valorização do futebol-brucutu.

8 – A volta da Seleção Brasileira ao Maracanã: depois de sete anos de ausência, o Brasil voltou a jogar no mais mítico dos estádios brasileiros. E no Maracanã, goleou o Equador e até nos deixou a impressão de que a gente pode chegar a algum lugar mesmo tendo que aturar o Dunga.

9 – A vitória sobre a Argentina na final da Copa América: Maracaibo, na Venezuela, foi o palco de mais um chocolate brasileiro em cima da Argentina. Três a zero no placar e mais um título da Copa América. Mais uma vez, a Amarelinha fez os hermanos amarelarem...

10 – Renascimento do Flamengo no Brasileirão: da zona de rebaixamento à Libertadores. Nos braços da torcida, o time carioca mostrou mais uma vez que matemática e lógica não se aplicam ao futebol.

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Com este "Top 10", encerro as atividades do "Sem Salto Alto" este ano. Agradeço (MESMO) a todos os amigos que leram e lêem este blog. A todos vocês, desejo um ótimo 2008, de coração!

sábado, dezembro 29, 2007

Dez piores momentos de 2007

Faltando dois dias para encerrar 2007, fiz o "Top 10" dos piores momentos do futebol este ano. É claro que é a lista do "Sem Salto Alto" e tenho certeza que cada um tem a sua... Mas também estou certa que todos os episódios citados envergonham quem realmente ama o esporte. A ordem dos tópicos foi aleatória.


1 – Acidente na Fonte Nova: no mesmo ano em que a Fifa anunciou o Brasil como sede da Copa de 2014, o futebol brasileiro deu exemplo. De omissão e irresponsabilidade. O saldo foi a morte de sete torcedores, com marca registrada pelo descaso da CBF e das autoridades públicas.

Tragédia na Fonte NovaTragédia na Fonte Nova: imagem do descaso

2 – A polêmica do penta: o “moderno” São Paulo mostrou que, na prática, não é tão vanguardista quanto gostaria. Quando teve a oportunidade de não pensar pequeno e se deixar levar por espertezas típicas da pior politicagem do futebol, negou o pentacampeonato brasileiro do Flamengo. E a briga pela "Taça das Bolinhas" encheu a paciência de todo mundo...

3 – Romário “prorrogando” a carreira até 2008: não sei se ele é técnico ou jogador. Acho até que, atualmente, não é nem uma coisa, nem outra. Mas Romário insiste em continuar “jogando”. Para piorar, foi pego no exame antidoping pelo uso da substância finasterida – usada em produtos contra a calvície e também para mascarar o uso de outras substâncias proibidas.

4 – A queda do Corinthians: o Timão pagou pelos erros de dirigentes, jogadores e até alguns torcedores e vai disputar a Série B em 2008.

5 – Dunga técnico: não sei se é Dunga ou Zangado, tamanho o mau humor apresentado em coletivas e entrevistas. Ele não gosta de ser contestado ou questionado. Mas será que ele achava mesmo que isso não aconteceria quando ele, que nunca tinha sido técnico, assumisse logo o cargo de treinador da Seleção Brasileira?

6 – Violência das torcidas no mundo: Itália, Brasil, Argentina, Espanha... Onde a bola rolou, o pau também cantou. Infelizmente, a violência das torcidas é, mais do que nunca, um fenômeno global.

7 – Mortes em campo: o ícone foi o jovem lateral Puerta,do Sevilla. Mas podia ter sido também o meia Cléber, do Bahia. Foram muitos casos de jogadores de futebol que morreram em campo ou em hospitais, após apresentarem problemas em jogos ou treinos. Será que o calendário apertado ou a valorização do futebol-força não têm mesmo nenhuma relação com essas mortes?

8 – Excesso de casos de doping no futebol: só no Brasil foram 15 casos de doping. Maconha, femproporex, finasterida e sei lá mais o quê. Mas o pior é que, na maioria dos casos, pipocam argumentos que “deve-se levar em consideração os antecedentes do jogador, o passado no esporte”, blá, blá, blá. Mas resultado de exame antidoping é que nem gravidez: não tem meio-termo. E se houve ou não intenção de se dopar (ou engravidar) também não interessa. Quem pariu Mateus que o embale (e no caso no doping, que cumpra a pena prevista para cada situação).

9 – O uso político da Copa de 2014: nem bem a Fifa tinha ratificado o Brasil como sede da Copa de 2014 e os políticos brasileiros já barganhavam sua parte no quinhão, alegremente incentivados pela cúpula da CBF. Ricardo Teixeira tornou-se um dos homens mais poderosos do país – e eu acho isso assustador.

10 – Demissão e readmissão de Cuca: demitido após a vergonhosa derrota para o River Plate, Cuca protagonizou o episódio que, na minha opinião, mostra bem o quanto o futebol brasileiro ainda é amador. O treinador voltou ao comando do alvinegro carioca menos de dez dias depois de ter perdido o cargo. E eu ainda continuo sem resposta: se era o treinador ideal, por que saiu? Seria engraçado, se não fosse triste...

Foto: Welton Araújo/A Tarde/Agência Estado

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Como não sou e nem quero deixar uma imagem pessimista, amanhã publico o "Top 10" das coisas boas que aconteceram em 2007 no futebol. Até lá!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Para brincar durante as festas...

Para quem gosta de desafios, o Flashpops de escudinhos de clubes de futebol é uma ótima pedida. Está recomendado até no blog do Juca. Ele, que é um dos jornalistas esportivos que mais admiro, não conseguiu descobrir todos. Mas eu, 'tarada' por futebol, consegui 'gabaritar'. Se alguém quiser as respostas, é só olhar aí embaixo... Quando você completa o desafio, aparece uma telinha de parabéns, mas eu editei a imagem para poder exibir o nome de todos os clubes.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal!

A todos os leitores do "Sem Salto Alto" e a todas as pessoas que mesmo nesta época não conseguem parar de pensar em futebol, desejo um Feliz Natal!

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Duas caras

Não adianta coçar a cabeça: tem é que usá-la


Apesar do título deste post, ainda não é dessa vez que vou falar de novela por aqui. Aliás, até vou. Mas trata-se de uma novelinha típica do futebol e que não tem nada a ver com o folhetim das 21h da Rede Globo – apesar da chatice em comum.

Os personagens variam. Podem ser Leandro Amaral, o Vasco, o Fluminense e o Botafogo. Ou Thiago Neves, o Palmeiras, o Fluminense – de novo e o Paraná. Ou Beto Acosta, o Náutico, o Corinthians e o Cerrito, do Uruguai. Mas o enredo é sempre o mesmo: motivado por propostas, jogador e procurador(es) metem os pés pelas mãos, fecham acordos a esmo e em determinado momento, ninguém sabe mais a qual(is) clube(s) o boleiro está vinculado. E aí a novela se arrasta para tribunais de justiça desportiva, trabalhista, FIFA, ONU ou qualquer outra instituição que seja capaz de definir qual camisa o sujeito vai vestir.

Já ouvi gente dizendo que isso é conseqüência da modernização do futebol. Afinal, o que rege a coisa toda agora é business e grana. Com isso, pode ser que os direitos federativos estejam vinculados a um clube, mas os direitos econômicos sejam de um grupo de investidores, empresários, sanguessugas e afins. Num resumo básico, o clube é apenas um trampolim para que outras pessoas ganhem muito dinheiro. Não há inocentes envolvidos. Mas os jogadores sempre posicionam-se como vítimas indefesas.

Até quando vamos ouvir essa ladainha de que foram mal-orientados, induzidos, aliciados, como se fossem incapazes de discernir entre o certo e o errado ou como se fossem meros fantoches? Até quando vão culpar procuradores, agentes, dirigentes ou quem quer que seja por assinarem mais de um acordo ou concordarem com contratos cujas cláusulas estejam pré-determinados a não cumprir? Até quando os jogadores de futebol vão agir como se suas cabeças fossem HDs vazios, cujo conteúdo vai sendo colocado aos poucos, sem nenhuma contestação?

Está na hora de mudar. Se gostam de usar tanto a palavra “profissional”, que façam jus a ela. Que se preparem para exercer esta profissão, como fazem tantos “mortais” por aí. E principalmente: que os jogadores de futebol tenham uma cara só. E que não seja de pau, como tantos têm demonstrado ter.

domingo, dezembro 16, 2007

Revanche à milanesa

 Liderado por Kaká, o Milan conquistou o tetra mundial Liderado por Kaká, o Milan conquistou o tetra mundial
A derrota é inevitável até para os clubes acostumados a vencer. Não há registro na história de um clube que tenha vencido tudo, vencido sempre. O futebol não dá espaço para os invencíveis. Mas dá campo sim, aos vencedores. E na final do Mundial Interclubes deste ano, enfrentaram-se os dois clubes com o maior número de conquistas internacionais. Até antes da partida, Milan e Boca Juniors tinha invejáveis dezessete títulos internacionais cada um. Para o Boca, o jogo era um tira-teima. Para o Milan, uma revanche da final de 2003, quando perdeu o Mundial para o time argentino.

O Milan fez mais do que vencer com propriedade por 4 a 2 e com show de Kaká. Com o título em Yokohama, o rubro-negro de Milão serviu ao Boca um prato que o Liverpool já havia degustado também em 2007: a revanche à milanesa.

Dizem que a vingança é um prato que se come frio. Discordo. Pelo menos no futebol, ela é servida ao calor da paixão. De fria, nada tem. Sorte dos torcedores do Milan, que saborearam duas vezes em 2007 a mais fina das iguarias que o futebol pode oferecer: a revanche.
Foto: Reuters/UOL