No Lancenet, vi outra notícia curiosa do futebol espanhol. "Roberto Carlos fratura dedo ao tentar segurar Messi". A contusão ocorreu no último domingo, no clássico Real Madrid x Barcelona, vencido pelo time madrilenho. Vi a partida e tenho quase certeza que RC conseguiu a fratura depois de tomar um drible humilhante de Messi e cair em campo, desequilibrado, atordoado e com cara de "anotem a placa do caminhão". Tive que rir...
Ouvi alguém aí no fundo dizer "hora de pendurar as chuteiras"? Ou, especificamente no caso dele, o meião?
terça-feira, outubro 24, 2006
Indiscutível Ronaldinho
“Eu sei que o brasileiro e Satã têm algo em comum. Como se sabe, o abominável Pai da Mentira é um impotente do sentimento. Não há, em toda sua biografia, um único e escasso momento de ternura. (...) Pois bem. Já o brasileiro é o impotente da admiração. Não sabemos admirar, não gostamos de admirar. Ou por outra: - só admiramos num terreno baldio e na presença apenas de uma cabra vadia. (...) Somos o povo que berra o insulto e sussurra o elogio.”Nélson Rodrigues escreveu isso na crônica “O escrete precisa de amor”, no ano de 1966. Se referia à Seleção Brasileira, mas pensei nesse trecho especificamente não em relação a ela, mas a ele: Ronaldinho Gaúcho. Já estava pensando nisso há algum tempo, mais exatamente desde a Copa, quando começou a onda de críticas em torno do camisa dez do Barça.
A princípio, após a pífia atuação do Brasil na Alemanha, brotaram teorias, argumentos, broncas e afins em relação ao cara. “Jogador de clube, não de Seleção”, era o que todas elas diziam (quando não claramente, em essência). Com a nova “Era Dunga” na Seleção, na qual visivelmente medalhão algum tem colete no time titular antecipadamente, o coro só aumentou.
Pensei que fosse ficar restrito a isso: aos altos e baixos na Seleção, já que Ronaldinho Gaúcho era unanimidade no Barcelona. O verbo está na conjugação certa: era. Fiquei espantada ao constatar isso com uma notícia que vi no Lancenet hoje, com o título “Torcedores do Barcelona querem Ronaldinho na reserva”. Li, meio descrente. Mas era verdade. Em pesquisa feita pelo jornal “Sport” em seu site, 69% torcedores que opinaram disseram que gostariam que Gaúcho sentasse no banco. Era apenas uma das perguntas feitas e no geral, o resultado apresenta a preocupação da torcida com a má fase (?) do time catalão. Me pergunto que má fase será essa, se o time lidera o Espanhol (junto com o Valencia, mas com um gol a mais no saldo); se está vivo na Liga dos Campeões (está em segundo, cinco pontos atrás do Chelsea, que convenhamos, não é nenhum timeco), num grupo que ainda conta com o equilibrado Werder Bremen.
Bom, não quero discutir se a fase é ou não ruim para o Barcelona. O que me espanta é a facilidade com que surgem brados ferozes para falar mal de um alteta como Ronaldinho Gaúcho. Falar mal, não; desancar. De melhor do mundo a jogador mediano. Juro, já ouvi no ônibus e nas “mesas-redondas” de esquina que “o cara não é tudo isso”.
Não mesmo? Revejam as jogadas dele (o You Tube está aí para isso). Revejam tudo, desde os tempos no Grêmio. Aliás, desde os tempos de molequinho, jogando futsal, nas imagens que até a Nike aproveitou para fazer um comercial. Relembrem que ele foi o cara que a torcida do Real Madrid aplaudiu de pé, após liderar a histórica vitória do Barcelona por 3 a 0 contra os merengues, dentro do Santiago Barnabéu (e isso há de ter algum significado metafísico, além do óbvio fato histórico).
Lembro de todos esses lances. Lembro que ele é humano – mesmo tendo uma capacidade digna dos deuses. Me pego pensando nas coisas que ele ainda irá fazer. E constato que a verdade rodriguiana não se limita aos brasileiros ou a Satã; se estende aos catalães, a boa parte da imprensa esportiva e a alguns amantes do futebol. Exatamente aquelas pessoas que deveriam lembrar o valor de um Ronaldinho.
Criticar sim; mas daí a transformá-lo em jogador qualquer, não. Ronaldinho Gaúcho é gênio. E como também disse Nélson Rodrigues “a única coisa indiscutível no mundo é o gênio”.
sexta-feira, outubro 20, 2006
O show não pode parar...
* A festa brasileira que a gente queria ver na Alemanha durante a Copa aconteceu durante a Liga dos Campeões, mais exatamente em Bremen. Com gols do zagueiro Naldo (foto) e do meia Diego, o Werder Bremen derrotou o Levski Sofia e esquentou a briga com o Barça e o Chelsea por uma das vagas do “grupo da morte”.* Já a dupla Gomes e Alex, do PSV, estava em campo na emocionante virada do time holandês contra o Galatasaray, dentro da casa do adversário.
* O Bayer de Munique, do zagueiro Lúcio, também fez bonito e manteve os 100% de aproveitamento na LC.
* Infelizmente, Ronaldinho Gaúcho continua jogando menos do que se espera, mas corre e luta como poucos. Messi bem que tentou (como joga esse garoto!), mas dessa vez, o Chelsea levou a melhor. Golaço de Drogba!
Foto: Reuters
quarta-feira, outubro 18, 2006
Show brasileiro da Liga
Meu destaque para a 3ª rodada da Liga dos Campeões vai para os brasileiros que contribuíram decisivamente para a vitória dos seus times:* Juninho Pernambucano: como sempre, liderando o Lyon. Abriu o placar, de falta, para que o pentacampeão francês passeasse contra o Dínamo de Kiev na casa do adversário. Com os 3 a 0, a equipe de Juninho mantém a liderança do Grupo E, com nove pontos, oito gols marcados e nenhum sofrido;
* Daniel Carvalho: na jogada ensaiada na falta, ele soltou a bomba e fez o gol único da vitória do CSKA contra o Arsenal. Dudu Cearense e Vágner Love também jogaram muito bem pelo time russo. No Arsenal, Gilberto Silva oscilou muito no jogo;
* Robinho: fez um gol de categoria na goleada de 4 a 1 di Real Madrid contra o Steua. Ainda deu um passe açucarado para Ronaldo, que não aproveitou;
* Kaká: já está virando lugar-comum apontar o meia como destaque do Milan. Marcou um golaço, que deu os três pontos ao time rubro-negro, mesmo jogando com um a menos.
***
Hoje tem Chelsea x Barcelona. Tomara que a promessa de jogão se concretize!
terça-feira, outubro 17, 2006
Na jaula
Em boca fechada não entra mosca, já dizia o antigo ditado. Leão falou o que quis e ouviu o que não quis.Primeiro, na carta aberta divulgada pelo Flamengo em resposta ao desvario do arrogante treinador.
Segundo, na reportagem de capa do Lance! RJ desta terça (17/10), na qual mostra que Leão é freguês do time rubro-negro até na moedinha.
Completando a série de infelicidades, durante um evento do qual era palestrante (e para o qual chegou duas horas atrasado), o treinador corinthiano declarou que vai levar o time alvinegro para Jarinu (interior paulista) para "conseguir uma queda de vaidades e o aumento de responsabilidade". Devia começar por ele, que culpa juízes, dirigentes e jogadores pelos seus fracassos. É a política do "eu ganho, nós empatamos, vocês perdem". Assim é mole...
segunda-feira, outubro 16, 2006
Leão da Metro
Depois de levar uma sapatada de 3 a 0 do Flamengo, Leão, técnico do Corinthians, resolveu rugir contra o time rubro-negro. No vestiário, Leão atacou o Fla após ser questionado por um repórter se tinha medo do rebaixamento. A pergunta, que se restringia única e exclusivamente à situação corinthiana no Brasileirão, teve a seguinte resposta: "Peguei o Corinthians na 2ª divisão, porque o time estava em último. Tenho certeza que isso não vai acontecer. Comecei na 2ª divisão e fui campeão em cima desse time aí que ficou com medo de jogar contra o Sport".O “time aí” (aliás, o clube) ao qual ele se referia era o Flamengo. O que o Sport tem com isso? Ah, o Sport era o time dirigido por Leão em 1987 e ele se referia ao imbróglio formado naquele ano pela CBF.
Recordando...Em 87, a CBF alegou não ter condições financeiras de organizar o campeonato brasileiro. Isso gerou um racha entre a entidade e os grandes clubes brasileiros, que fundaram o Clube dos Treze. O Clube dos Treze teve sua Ata de Fundação assinada pelos quatro maiores clubes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos); os quatro grandes do Rio (Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo e Fluminense); os dois maiores de Minas (Cruzeiro e Atlético); a dupla de grandes do Rio Grande do Sul (Internacional e Grêmio) e o Bahia. A eles, juntaram-se Coritiba, Goiás e Santa Cruz e foi organizada a Copa União. O campeonato rolava organizado e bem-sucedido. Mas logo depois, a CBF resolveu fazer o “seu” campeonato (sem tanto interesse de mídia e de público).
Assim, foram realizados dois campeonatos brasileiros paralelos. A Copa União foi batizada de “Módulo Verde” e a “Copa CBF”, de “Módulo Amarelo”. Não bastasse isso, a CBF mudou o regulamento e impôs que o campeão e o vice dos dois Módulos deveriam se enfrentassem num quadrangular final. Mas os clubes da 1ª divisão boicotaram o confronto contra os times da 2ª. Assim, Flamengo e Inter (campeão e vice da Copa União) não jogaram contra Sport e Guarani (campeão e vice do Módulo Amarelo), que foram declarados pela CBF campeão e vice brasileiros daquele ano e participaram da Libertadores de 88.
Foi a ESSE fato que Leão se referiu. Não foi só despeitado na derrota (diga-se de passagem, até ‘barata’, já que o Corinthians não entrou em campo contra o Flamengo). Foi desrespeitoso com o clube de maior torcida do país, com seus torcedores e sua história. Desrespeitoso até com os corinthianos, que esperavam escutar algo mais 'pé no chão'.
Verdade seja dita, apesar dos percalços comuns a todos os times grandes, o Flamengo nunca ficou conhecido como um clube covarde. E convenhamos: o Fla de 87 foi um dos últimos esquadrões do país. O time? Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Todos (exceto Aílton, foram da seleção brasileira). O Sport: Flávio, Betão, Estevam, Marco Antônio e Zé Carlos Macaé; Ribamar, Rogério e Neca; Robertinho, Nando e Zico.
Não vou concluir nada. Quem quiser que compare as escalações da época e diga quem deveria temer quem. Rugido de Leão assim, parece o do felino da Metro Goldwin Myer: faz barulho, mas não assusta ninguém.
sexta-feira, outubro 06, 2006
Dois toques
Fla-Flu, 28/05/2006: Com um gol de Tuta, o Fluminense vence o Flamengo e chega à liderança do Brasileirão.
Fla-Flu, 04/10/2006: Apesar de sair na frente com outro gol de Tuta, o Fluminense é goleado por 4 a 1 pelo Flamengo e com 34 pontos, está cada vez mais próximo da zona de rebaixamento.
Um clube. Dois momentos. Seis técnicos em um ano. Uma vitória nos oito jogos do segundo turno. O que acontece com o tricolor carioca?
O G14, que reúne os 18 maiores clubes do mundo, resolveu comprar a briga do Newcastle. O clube inglês quer acionar a FIFA e exigir uma indenização porque Michael Owen se machucou enquanto defendia o English Team na Copa e só deve voltar aos gramados em 2007. O Arsenal acena com a mesma possibilidade, já que o zagueiro suíço Phillippe Senderos também está fora da ativa por ter se contundido no Mundial da Alemanha. Quem puxou a fila na verdade, foi o pequeno clube belga Charleroi, que exige indenização de R$ 1,7 milhão pela contusão do marroquino Abdelmajid Oulmers durante amistoso do Marroccos contra a Burkina Faso, em 2004. Briga de cachorro grande. Muita água pode rolar.
*****
Fla-Flu, 04/10/2006: Apesar de sair na frente com outro gol de Tuta, o Fluminense é goleado por 4 a 1 pelo Flamengo e com 34 pontos, está cada vez mais próximo da zona de rebaixamento.
Um clube. Dois momentos. Seis técnicos em um ano. Uma vitória nos oito jogos do segundo turno. O que acontece com o tricolor carioca?
*****
*****
Começa domingo o octagonal da Série C. Bahia, Vitória, Treze (PB), Criciúma, Ferroviário, Ipatinga, Brasil de Pelotas e Barueri disputam quatro vagas na Série B. Promete confrontos mais emocionantes que muitas partidas da Primeirona.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Quando a vida der um limão...

Abril de 2005. Para suprir uma carência e gols e da falta de um ídolo no ataque, o Flamengo prometia um reforço de peso para sua torcida. No dia quatro daquele mês, o clube trouxe... Obina. Verdade que a palavra ”peso” que adjetivava a palavra reforço parece ter sido literal demais a princípio... Mas o cara havia se destacado no Vitória na temporada anterior e quem sabe, poderia dar certo.
Jogo ia, jogo vinha e nada do cara se firmar. Foi xingado, hostilizado, vaiado, criticado, ridicularizado. Ficou dois meses sem marcar. Foi afastado para recuperar a forma. O jogo começou a virar quando, contra o Paraná, marcou o gol que garantiu matematicamente a permanência do Flamengo na 1ª divisão.
Abril de 2006. Com um ano no rubro-negro, os jornais anunciavam: “Obina deve deixar o Flamengo”. A Ponte Preta queria. Os dirigentes não se importariam. Nem a torcida... O negócio não fechou. Assim quis o destino, Obina continuou no Fla. Entrava e saía do time; algumas boas atuações; a maioria, nem tanto...
Até o dia 19 de julho. Neste dia, Obina saiu do banco para brilhar. Era a final da Copa do Brasil contra o Vasco e quatro minutos foi o tempo que ele precisou para abrir o placar. Tinha mais. Três minutos depois, roubou bola no meio-campo. Tabelou, recebeu, passou para Léo Moura cruzar para Luizão fazer o segundo. Com a ratificação do título rubro-negro, uma semana depois, Obina já era outro. Caiu nas graças da torcida. Ou melhor: caiu na graça. Com a corrida atrapalhada, mas raçuda; com os gols difíceis que marca e os fáceis que perde; com o jeito folclórico e “Joselito” que diz “Sou iluminado”.
Pipocam homenagens na Internet... Comunidades no Orkut (a mais engraçada delas, Obina Facts, reúne frases engraçadas e sem noção sobre o atacante). A torcida entoa alegremente “ôôô, Obina é melhor que o Eto´o” e “ééé, Obina é melhor que o Pelé”. Parece brincadeira! E é... Marcou três contra o Fortaleza, dois contra o Fluminense. E vai fazendo a torcida cantar feliz. O fato, é que por não se levar tão a sério quanto tantos outros, Obina está conseguindo espaço no coração da maior torcida do Brasil. Não é pouca coisa. Muita gente só tem feito essa torcida chorar, de raiva ou de dor... Obina não.
A torcida recebeu o limão e está fazendo limonada. E Obina, humilde e sedento por suar a camisa, está bebendo com gosto.
Foto: Carlos Mesquita/ Agência "O Dia"
domingo, setembro 24, 2006
Gol de Letra: Escudos dos Times do Mundo Inteiro

Quando comecei a gostar de futebol, uma das coisas que mais adorava era ficar folheando a "Placar" para ver os escudinhos espalhados pela revista. Alguns anos depois, eis que lançam um livrinho com cerca de 2.500 escudos de times, seleções e confederações do mundo inteiro, com direito a ficha técnica para cada um deles. O autor é Rodolfo Rodrigues (repórter, não o ex-goleiro) e o livro é da Editora Panda. Vale a pena!
quarta-feira, setembro 20, 2006
God save the...football
Ontem (19/09), muita gente que eu conheço estava de olho no vídeo da Cicarelli com senso de menos, num lugar com gente demais... Eu, por minha vez, cheguei em casa caçando outro vídeo na Internet (que infelizmente, ainda não achei). O vídeo ainda não caiu na rede, mas o conteúdo, ao que parece, é bem mais “pesado” que ver a ex do Ronaldo na praia. A pérola leva o nome de “Football's dirty secrets:The undercover story” e foi exibida na BBC. A chamada do programa, em português, resume em grossas linhas o assunto a ser exibido: uma equipe disfarçada expõe a corrupção em alguns clubes da Premier League”.
A exibição já começou a fazer barulho. Na linha de frente, aparece o técnico Sam Allardyce, do Bolton. Segundo a reportagem, ele receberia pagamentos ilegais para favorecer a contratação de determinados jogadores para sua equipe. Outras fontes revelaram que 18 técnicos não-identificados, que atuam ou já atuaram na liga principal, teriam recebido pagamento por transferências. Entre outros envolvidos, Chelsea e Liverpool também são citados no programa, por tentativa de aliciamento de Nathan Porrit, jovem revelação do Middlesbrough.
O programa foi feito com imagens gravadas às escondidas por repórteres disfarçados durante um ano e vem ao encontro de uma investigação que já corre na polícia de Londres sobre pagamentos de propinas em transações de jogadores na liga principal. Já rolou coisa do tipo no futebol alemão, com o escândalo da manipulação de resultados por juízes envolvidos com apostadores. Na Itália, a sujeirada respingou em clubes tradicionais como a Juventus e o Milan e só não foi pior porque a “Azzurra” levou o tetra na Alemanha. Para quem não quiser ir muito longe, basta lembrar casos como o de Edilson Pereira de Carvalho e a CPI da Nike (ok, ok... não deu em nada, mas isso não quer dizer muito no país da impunidade).
Independente do que acontecer, o fato alarmante é que a corrupção no futebol mundial parece tão intrínseca no esporte quanto a paixão que ele desperta. Ai de mim, pobre torcedora...
A exibição já começou a fazer barulho. Na linha de frente, aparece o técnico Sam Allardyce, do Bolton. Segundo a reportagem, ele receberia pagamentos ilegais para favorecer a contratação de determinados jogadores para sua equipe. Outras fontes revelaram que 18 técnicos não-identificados, que atuam ou já atuaram na liga principal, teriam recebido pagamento por transferências. Entre outros envolvidos, Chelsea e Liverpool também são citados no programa, por tentativa de aliciamento de Nathan Porrit, jovem revelação do Middlesbrough.
O programa foi feito com imagens gravadas às escondidas por repórteres disfarçados durante um ano e vem ao encontro de uma investigação que já corre na polícia de Londres sobre pagamentos de propinas em transações de jogadores na liga principal. Já rolou coisa do tipo no futebol alemão, com o escândalo da manipulação de resultados por juízes envolvidos com apostadores. Na Itália, a sujeirada respingou em clubes tradicionais como a Juventus e o Milan e só não foi pior porque a “Azzurra” levou o tetra na Alemanha. Para quem não quiser ir muito longe, basta lembrar casos como o de Edilson Pereira de Carvalho e a CPI da Nike (ok, ok... não deu em nada, mas isso não quer dizer muito no país da impunidade).
Independente do que acontecer, o fato alarmante é que a corrupção no futebol mundial parece tão intrínseca no esporte quanto a paixão que ele desperta. Ai de mim, pobre torcedora...
domingo, setembro 17, 2006
Primeiro ato da Liga dos Campeões
“A mais prestigiada competição de clubes da UEFA”. A definição está lá, na página da própria organizadora do evento e se refere – claro – à Champions League. Ou para nós, brasileiros, a Liga dos Campeões. Confesso: sou fã. E não só pelos craques que o dinheiro europeu pode comprar, mas também pela organização, pelo glamour, pelos confrontos de alto nível, pela promoção do futebol-espetáculo. Só não gosto muito do fato de ser decidida numa partida só, geralmente num estádio que não envolve os finalistas... Mas pode ser que eu não entenda isso por não conseguir trazer esse formato para minha realidade – fico imaginando a Libertadores sendo decidida por um time brasileiro e outro argentino, com a final em um jogo, num estádio do Paraguai... Não seria viável. Enfim, até o dia 23 de maio do ano que vem, teremos partidas envolvendo a elite de clubes no mundo. Hora de analisar a 1ª rodada:Grupo A (Barcelona, Chelsea, Werder Bremen e Levski Sofia): Como era de se esperar, Barça e Chelsea saíram na frente. No jogo contra o Levski Sofia, o Barcelona mostrou porque é um time admirável não só pela técnica, mas pela tática. Nos 5 a 0, jogadores de todos os setores do time marcaram gols. Vai defender o título com sobras.
Grupo B (Bayern de Munique, Sporting, Internazionale e Spartak Moscu): O Bayer solapou 4 a 0 no Spartak. Já o Sporting fez o Inter sentir que as duas vagas do grupo não estão previamentedecididas. Fez 1 a 0 magro, mas que contam três importantes pontos na briga.
Grupo C (Liverpool, PSV Eindhoven, Galatasaray e Bordeaux): Grupo equilibrado, 1ª rodada idem. Foram dois empates sem gols. Liverpool desponta como favorito a uma das vagas, mas não deve ter moleza pela frente.
Grupo D (Roma, Valencia, Olimpiakos e Shakhtar Donetsk): Roma e Valencia venceram e bem. Briga boa deve ser pela 3ª posição, que dá vaga nas eliminatórias da Copa da UEFA).
Grupo E (Steaua Bucarest, Lyon, Real Madrid e Dynamo Kiev): Não é difícil apontar os favoritos às duas vagas, mas o Real Madrid ainda precisa se acertar. A deficiência do time fique nítida quando pega um adversário acertado taticamente, como foi com o Lyon, que saiu com a vitória.
Grupo F (Manchester United, Benfica, Copenhagen e Celtic): Vitória difícil do Manschester, indicando que o Celtic briga forte por uma das vagas. Benfica e Copenhagen ficaram no empate.
Grupo G (Arsenal, Porto, CSKA e Hamburgo): Boa vitória do Arsenal, que não está essas coisas na Premier League, na casa do Hamburgo. Porto decepcionou um pouco no empate em casa contra o CSKA.
Grupo H (Milan, Anderlecht, Lille e AEK Atenas): O Milan mostra que não se abalou com o escândalo no Campeonato Italiano e disse a que veio com futebol eficiente, liderado por Kaká. Os outros três que briguem pela outra vaga.
Imagem: UEFA.com
quarta-feira, setembro 13, 2006
Colônia de talentos

O que Anderlecht, Celtic, Chelsea, Copenhagen, Galatasaray, Hamburgo, Levski Sofia, Manchester United e Steaua têm em comum? Não sabe? Bom, esses são os nove dos 32 clubes da Liga dos Campeões que não têm nenhum jogador brasileiro na equipe. E olhe que não são poucos os brasileiros por lá: no total, são 88 (sem contar o técnico Ricardo Gomes, do Bordeaux).
Poderia ser um motivo de orgulho ver um número tão grande de jogadores do nosso país jogando no que é considerado o melhor campeonato interclubes do mundo. Até seria mesmo, se esse dado não revelasse o triste papel do futebol brasileiro: a de mera colônia de talentos.
Foi por conta desse papel, que poucos flamenguistas conseguem lembrar das atuações de Adriano com a camisa do clube. Afinal de contas, ele deixou a Gávea com 19 anos, em 2001, numa míope negociação de troca pelo volante Vampeta. Pelo mesmo motivo, os cruzeirenses viram Fred tomar o rumo da Europa, em 2005, quando o atacante liderava a artilharia do Brasileiro daquele ano. E não se pode deixar de falar no Robinho, que trocou a camisa branca do Santos pela do Real Madrid, também no ano passado. E o Kaká...
Seria possível citar outros, mas o quarteto tem significativos pontos em comum. Os quatro foram embora antes dos 22 anos; todos serviram à Seleção Brasileira na última Copa; todos só devem voltar ao Brasil quando já estiverem sem mercado lá fora, com idade demais e pernas de menos para que os torcedores brasileiros possam curtir suas melhores atuações. E ainda assim, corremos o risco de vê-los voltar, jogar razoavelmente bem e perdê-los novamente para mercados com menos brilho que o europeu, mas com grana suficiente para achincalhar o futebol brasileiro (o Botafogo que o diga, quando viu Dodô ir embora esse ano, quando este era o artilheiro do Brasileirão).
Que ninguém se engane: apesar da inigualável capacidade de desenvolver craques e bons jogadores, não há muito motivo de orgulho no “País do Futebol”. Somos os únicos pentacampeões do mundo? OK. Mas quem duvida que, com organização dentro e fora das quatro linhas, a Seleção Brasileira faria na Copa o que o Dream Team fez no baquete nos anos 90? Quem duvida que nossos campeonatos nacionais teriam os direitos de transmissão vendidos a peso de ouro se esses nomes que brilham na Europa estivessem em casa, de onde nunca deveriam ter saído.
*****
Já que só me resta o sofá para ter contato com esses e outros craques do futebol mundial, no próximo post, vou comentar a 1ª rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões.Foto: AFP
terça-feira, setembro 12, 2006
Como tudo começou...

Meu amor pelo futebol não existiu “desde sempre”. Quando criança, por influência do meu irmão mais velho, até gostava de jogar bola. Mas daí a assistir um jogo na TV, a distância era enorme.Aliás, tinha tudo para detestar futebol, principalmente visto pela TV. Por causa dele – e do programa “Gol, Grande Momento do Esporte” – muitas vezes perdi os desenhos do Pica-Pau. Não sou tão velha, mas sou da época que cada casa tinha apenas um aparelho de TV. Faço um mea culpa: odiava cada grito de gol vindo da telinha. Não sei como pude...
Parecia que ia ser assim para sempre... Até que um dia, eu e meu irmão brincávamos correndo pela casa. E na brincadeira, nós dois derrubamos uma corujinha de porcelana da nossa mãe. Pedaços aqui e acolá, a proposta foi feita: “mãe, a gente vai colar tudinho”. E sentamos os dois para cumprir a missão. E sentamos os dois, em frente à TV. E sentamos os dois para ver um Brasil x Argentina. Não sei qual foi a química, mas a verdade é que fiquei com os dedos grudados de cola e os olhos grudados na partida. Era o ano de 1985, foi o primeiro jogo que vi.
Vinte e um anos depois, quase nem lembro do tempo que não amava o futebol. Acho que esse tempo nunca existiu. De lá para cá, foram inúmeros jogos na TV, nos estádios, nos campos de pelada, no videogame. Perdi horas de descanso. Perdi o sono. Perdi a paciência. Perdi a fome. Perdi a indiferença diante de uma bola rolando. Mas nunca, nunca mesmo, vou saber explicar o quanto ganhei e ganho cada vez que vejo uma partida de futebol.
Hoje, sou parecida com o rapaz da foto: tenho o futebol na cabeça.
*******
Por isso, este blog. É nele que vou unir duas paixões: falar de futebol e escrever. Tenho a pretensão de abordar esse esporte sob os mais diversos aspectos, porque há muito, muito tempo, meu interesse por ele não dura 90 minutos. Quando o jogo acaba, me interesso por tudo que o prorrogue, em qualquer campo que seja: literatura, música, marketing, arte, cinema... Sou uma mulher que gosta e – humildemente – entende de futebol. E essa partida eu vou jogar sem salto alto, podem ter certeza. Seja bem-vindo e volte sempre!
Assinar:
Postagens (Atom)

