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terça-feira, junho 19, 2007

O maior dos erros de Ana Paula

 Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio


Mais uma vez, a assistente Ana Paula de Oliveira volta às manchetes. Dessa vez, não por erros cometidos em jogos aqui e ali. Mas porque assinou um contrato para posar nua na Playboy.
O futebol é machista. Por mais que cada vez mais mulheres atuem profissionalmente direta ou indiretamente com este esporte, o fato é que é difícil conseguir respeito entre os homens. Sinto e senti isso várias vezes, não só profissionalmente, mas até em bate-papos informais numa roda qualquer. Para ser ouvida numa opinião sobre o jogo, a substituição errada ou sobre algum fato memorável qualquer, sempre precisei me esforçar para não dar brecha. Certa vez, um cara disse na minha cara que mulher não entendia de futebol quando eu disse que ele tinha errado o ano que alguns times haviam sido campeões brasileiros. Tive que citar todos os campeões desde 1971. Na ordem. Sem erro. Enfim... Falo isso para deixar claro que “mulher + futebol = respeito” não é simples. Para que essa soma dê esse resultado é preciso saber o que quer. Tem que entender, conhecer, estudar mesmo. Traçar um caminho e dele não se afastar nunca.
Ana Paula andou cometendo erros graves (como todos os profissionais de arbitragem, vivos ou mortos também já fizeram). Só que o erro mais grave contra sua carreira é o que estar por vir. No momento que estampar as páginas da revista, no instante que virar pôster de borracharia, a profissional de arbitragem que queria conseguir o respeito no futebol vai ratificar o estereótipo que tanto queria contrariar. Misturando os canais, ela faz exatamente aquilo que a macharada esperava, se colocando como objeto sexual. Perdeu, definitivamente, o respeito.
Tenho pena é da próxima mulher que sonha tentar vencer nesse campo e no campo. Porque infelizmente, não tem esse papo de “foto artística”. Não conheço um homem que compre esse tipo de publicação pela arte.
Foto: Divulgação Playboy

As "brincadeiras" já começaram...

Já começou a onda de "brincadeiras"...

E não é exagero dizer que Ana Paula vai ser vista como objeto sexual e que sua decisão equivale a dar um cartão vermelho na possibilidade de conseguir respeito.Nesta terça (19/06), foram várias as declarações e gracinhas a respeito.

“Ela que se prejudica por se expor. Acho que tem muito a perder, pois o jogador não vai mais olhar para ela com o respaldo da autoridade”.
André Lima – atacante do Botafogo, ao Lancenet!


“É muito gostosa, com todo o respeito (...). Ela embeleza o futebol brasileiro. Não deve fazer (as fotos), para o bem dela. Mas ela, sinceramente, é um charme”.
Renato Gaúcho – treinador do Fluminense, ao “Bem Amigos”, do Sportv


“Se eu encontrar com ela num programa de TV, vou pedir (um autógrafo). Caso contrário, peço autógrafo num jogo meu em que ela estiver bandeirando (...).Eu saí na "G" e ela vai sair na "Playboy"... Poderíamos fazer uma dupla. Os dois pelados.”
Vampeta – meia do Corinthians, ao Globo Esporte.com


“Vai dificultar o trabalho dela, que ficará marcada pela revista (...)”
Marco Aurélio Cunha – superintendente do São Paulo, ao Globo Esporte.com

Imagem: Reprodução Globo Esporte.com

domingo, junho 17, 2007

Épico no Santiago Bernabeu

 Real Madrid: uma conquista épica Real Madrid: uma conquista épica
Muitos clubes no mundo têm orgulho de ser grande. Outros, uns poucos, cruzaram essa fronteira. São clubes míticos, cuja força é quase anterior às suas datas de fundação, porque já nasceram com o destino de serem épicos. Mais do que grandes, são grandiosos. O Real Mallorca jogava bem, jogava fácil e parecia disposto a calar o Santiago Bernabeu. Dominou o 1º tempo e parecia que faria o mesmo com o 2º. A torcida merengue assistia a tudo apreensiva. Ainda estava 1 a 0 Mallorca quando Varela (que abriu o placar) perdeu um gol incrível. Seria o 2 a 0, a tampa do caixão. Se a bola tivesse entrado, a história seria outra. Mas não entrou. Não sei se por capricho ou destino. Mas o gol que podia ter dado fim ao Real Madrid deu a ele a força necessária não só para fazer o resultado que precisava como também fazer história. Uma epopéia em 90 minutos. A superação que beira a arte, a glória que se entrelaça com o sonho. E neste domingo, o Real Madrid deixou de ser “galáctico” para voltar a ser “mítico”.
Foto: AP/Terra

terça-feira, junho 12, 2007

Você liberaria?

O que você faria nesta situação:

“Você tem uma empresa, conhecida mundialmente por ser líder de mercado e estar sempre à frente dos adversários. Nos últimos quatro anos, apesar dos maciços investimentos recrutando profissionais de ponta, promovendo estratégias de marketing e lançando mão de ferramentas para ampliar a força da marca nos quatro cantos do mundo, os resultados não foram bons.
A empresa perdeu a liderança e passou a ser motivo de chacota, vendo alguns dos principais rivais triunfando. O ambiente era o pior possível e foi preciso cortar na carne: muitos profissionais contratados a peso de ouro precisaram ser mandados embora, a marca perdeu credibilidade. A retomada de mercado demorou, mas foi acontecendo. Os adversários, um pouco céticos quanto à uma possível reação, cometeram algumas falhas. E a reação veio. E agora uma outra empresa requisita – sem pagar um tostão por isso - um dos principais executivos que estão comandando essa reação. Diga-se de passagem, às vésperas de uma importante reunião, prestes a conquistar a liderança novamente. E a segunda empresa quer a ‘consultoria’ já, para uma reunião que vai acontecer daqui a treze dias. Para isso, quer o profissional agora, antes da mais importante reunião dos últimos quatro anos.
A pergunta é: se a empresa fosse sua, você liberaria esse funcionário tão importante?”

Quase posso ouvir daqui você dizendo não. Agora, outro exercício rápido: substitua o “mercado” em questão pelo mundo do futebol; a “empresa” pelo Real Madrid em jejum de quatro anos sem títulos; o “executivo requisitado” por Robinho; a importante reunião, pela decisão contra o Mallorca no próximo fim-de-semana; a “segunda empresa” (a requisitante) pela CBF; e finalmente, a "reunião daqui a treze dias" pela Copa América. No lugar do Real Madrid, você liberaria Robinho?

Enquanto isso, na Sala de Justiça...


A Justiça e o futebol fizeram duas tabelinhas:

1 – Segundo nota do Blog de Esportes do UOL, a Vivo ganhou, através de medida judicial, o direito de estampar sua marca nos uniformes de treino da Seleção Brasileira. Conforme eu tinha destacado no post “Patrocínio Morto-VIVO”, do último dia 01, a CBF havia substituído a marca da operadora pela da campanha da Copa de 2014. Apostas para o próximo round da briga?

A marca da Vivo voltou aos uniformes de treino da Seleção

A marca da Vivo voltou aos uniformes

2 – Outro imbróglio que teve vez nos tribunais foi entre a jornalista Milly Lacombe e o goleiro Rogério Ceni. O problema entre os dois começou quando ela acusou Ceni, em pleno Sportv, de ter falsificado uma assinatura para forjar uma negociação com o Arsenal. Na época, o goleiro ligou para o canal a cabo ao vivo, promovendo uma das maiores escovadas do jornalismo esportivo nos últimos tempos (confira o vídeo abaixo).Pois bem, ontem, a jornalista se desculpou com Ceni diante do juiz, em audiência que durou mais de quatro horas. Além disso, declarou que o respeitava como pessoa e profisional. Sempre ligada, a advogada Gislaine Nunes vai usar a declaração (feita na esfera penal) como prova para o processo na esfera cível, onde ela segue com o pedido de indenização de R$ 150 mil para o ídolo são-paulino. E da forma como foi, convenhamos, Ceni merece marcar mais esse gol.



Foto: Site CBFNews

segunda-feira, junho 11, 2007

Seleção? Não, obrigado...

 Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade? Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade?

Dida disse que não queria mais. Juninho Pernambucano idem. Kaká pediu dispensa. Ronaldinho Gaúcho também. Zé Roberto fez coro e também disse não. O objeto indesejado? A Seleção Brasileira. Imediatamente, surgiram vozes pregando o nacionalismo, o amor à camisa, a devoção incondicional à pátria de chuteiras.

Até quando vamos nos enganar? Se ainda mantém a importância no cenário mundial e a aura vitoriosa, a Seleção Brasileira deixou pelo caminho grande parte de sua mística. Mística que, no Dicionário Houaiss, aparece como “conteúdo de uma idéia, causa, instituição etc., ou a atmosfera ou aura de perfeição, verdade, excelência incontestável que as cerca, despertando nas pessoas respeito, adesão apaixonada, devotamento, sectarismo etc”. Vejam bem as palavras: causa; aura de perfeição; verdade; adesão apaixonada; devotamento. Quantas dela realmente se encaixam naquilo que a Seleção representa hoje?

Não cobrem de Kaká, Ronaldinho ou quem quer que seja um respeito à camisa. Cobrem de quem a tornou objeto de arrecadação desmedida, de quem fez dela um meio de barganha política ou plataformas pessoais. Cobrem de quem marcou amistosos caça-níqueis aos quatro cantos do mundo. Cobrem daquelas pessoas que convocaram jogadores que nunca fizeram jus à história desta camisa amarela e fizeram parecer que esta camisa era acessível a qualquer mortal com um bom empresário e uma boa influência nos bastidores. Cobrem de quem participou do escândalo da CPI da Nike e também de quem deixou que essas pessoas escapassem impunes.

Aliás, se a Seleção Brasileira ainda fosse “A” Seleção, jamais teríamos ouvido tantas teorias conspiratórias sobre a derrota de 98 (a maioria delas baseada em interesses comerciais). Não acredito nelas, mas sei que elas exprimem algo que ainda se nega quando o assunto é Seleção: o dinheiro fala mais alto. Ou há algum registro histórico de balela parecida a respeito da Copa de 50?

Não, não condenem quem pede para não jogar pela Seleção; condenem aqueles que jogam contra ela, mesmo quando vestem esta camisa.
Foto: montagem Glaucia Marques

Curioso é que...

Há pouco tempo atrás, Romário disse em alto e bom tom, no Sportv, que torceu contra a Seleção Brasileira nas Copas de 98 e 2002. Relembrando os motivos para a torcida “contra”, veremos que em 98, ele foi cortado por Zagallo, após ser constatada uma lesão na panturrilha direita. Em 2002, Felipão não achava que Romário fizesse falta (como aliás, não fez mesmo). O Brasil ganhou e Romário ainda admitiu que teve uma sensação ruim quando o penta se confirmou sem sua presença.
“Em 2002 foi pior, o Brasil ganhou e eu não estava lá, minha mãe sofreu muito com isso. Eu não tenho nada contra o Felipão, mas eu acho que a conquista seria mais bonita se eu estivesse lá”.
Ouvi gente dizendo que “o Baixinho não tem papas na língua” ou que “Romário é mesmo polêmico”. Só não ouvi os arautos do nacionalismo e do amor incondicional à Seleção gritarem tão alto quanto estão gritando contra quem pediu dispensa. Hipocrisia é isso aí.

terça-feira, junho 05, 2007

Fifa Big Count

 O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente) O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente)


Na última sexta (31/05), a Fifa divulgou os números do Big Count 2006, espécie de “censo do futebol mundial” promovido pela entidade com as confederações associadas. Os dados são importantes para dimensionar o esporte mais popular do mundo, além de traduzir a força dele entre os povos. Vamos a alguns números:

* O número de jogadores no mundo chega a 265 milhões. Quase 10% desses atletas é do sexo feminino (cerca de 26 milhões);

*Há 301 mil clubes e 1,7 milhão de equipes, o que dá em média, 6 times por instituição (entre equipes profissionais, equipes B, juniores etc). Desses, só 26 mil têm pelo menos uma equipe feminina;

*O número de clubes, aliás, era de 305 mil no Big Count 2000;

* Há cerca de cinco milhões de árbitros e assistentes;

* Somando-se o número de árbitros e jogadores, são 270 milhões de pessoas diretamente envolvidas com o futebol – cerca de 4% da população mundial;

* Há poucos mais de um milhão de praticantes do beach soccer e do futsal;

* A Ásia tem grande vantagem sobre as outras regiões do mundo no número de praticantes. São 85 milhões de jogadores asiáticos (profissionais e de ocasião), contra 62 milhões de europeus; 46 milhões de africanos; 43 milhões de praticantes do Caribe e das Américas Central e Norte; 27 milhões de sul-americanos; e 500 mil praticantes da Oceania). Se alguém achava que clubes como Real Madrid, Manchester United, Barcelona e Milan investem tanto na Ásia em vão, os números justificam a estratégia deles;

*Falando em praticantes ocasionais, os boleiros amadores chegam a 226 milhões.

A matemática raramente traduz bem uma partida, mas os números divulgados pela Fifa não deixam dúvidas: o futebol é algo grandioso e pode ser elemento-chave para desenvolver ou alavancar economias. O Brasil, até pela representatividade que tem neste esporte, deveria fazer um planejamento sério para usar tamanho potencial mercadológico aqui e no mundo. Devia ser pauta obrigatória não só do Ministério do Esporte, mas de todas as esferas do Estado.
Ainda há dados bem interessantes no censo e com certeza, comentarei alguns deles em breve.

Foto: Getty Images (royalties free)

sexta-feira, junho 01, 2007

Patrocínio Morto-VIVO

A parceria entre a CBF e a operadora Vivo parece caminhar a passos largos para o buraco. No amistoso Brasil x Inglaterra, realizado nesta sexta (01/06), em Wembley, a seleção brasileira exibia a marca da campanha pela Copa de 2014 no local onde ficava a marca da patrocinadora. Como uma imagem vale mais que mil palavras, postei duas fotos (que valem por duas mil).


Daniel Alves posa às vésperas do amistoso Brasil x Kwait - 11/10/2006

Edmílson e Afonso, antes do Brasil x Inglaterra - cadê a marca da Vivo?

Fotos: Agência CBF e Site CBF News

quinta-feira, maio 31, 2007

Novo site da Fifa

Site da Fifa de cara nova



Nesta quinta, a Fifa colocou no ar o novo site da entidade. Visual bem legal e menos sisudo que o anterior. Vale a navegada.

***

O site não é a única novidade da Fifa apresentada neste dia 31/05. A entidade apresentou ainda os novos números do Big Count, levantamento sobre o futebol no mundo. Ainda esta semana, vou comentar alguns desses números.

Reprodução - Fifa.com

quarta-feira, maio 30, 2007

Querendo aparecer...

Acredite: à direita, temos um chefe de Estado
Os caminhos da política e do futebol se cruzaram e se cruzam em várias ocasiões na História. Geralmente, com a primeira tentando se beneficiar do grande poder mobilizador do segundo. E como já era de se esperar até por sua postura política (ou seria a falta dela?), chegou a vez de Evo Morales entrar nesse campo. Até que demorou para o boliviano vestir a camisa dos que gostam de se auto-promover às custas do futebol. Hugo Chávez, da Venezuela, já está tirando casquinha da realização da Copa América deste ano em seu país para isso.
E agora, o coleguinha boliviano ameaça fazer barulho para convencer o Joseph Blatter, presidente da Fifa, a desistir da decisão de vetar jogos em locais acima dos 2.500 metros de altitude. Para isso, promoveu o “Dia do Desafio” com objetivo de mostrar que a prática de esportes é possível na altitude. Para dar exemplo, bateu uma bolinha na Praça Murillo, em frente ao Palácio de Governo da Bolívia.
Bom, a Fifa em momento algum proibiu partidas na altitude e sim partidas internacionais. Porque para quem está acostumado, jogar bola a sei lá quantos mil metros acima do mar é fácil. O problema é para quem vem de fora. E não adianta comparar altitude com calor de 40 graus ou frio abaixo de zero. Porque Sol escaldante ou frio congelante afetam as duas equipes em campo; altitude não. Afeta um dos lados somente. E isso é sim, fator de preponderante favorecimento a um dos lados. Sou carioca, acostumada a temperaturas altas e a ver capeta se abanando nos dias de verão intenso. Mas me chamem para praticar qualquer esporte sob o Sol de meio-dia... Eu também vou sentir a temperatura. E também vou ficar com três palmos de língua para fora. Na altitude isso não acontece. Ou alguém já esqueceu do Flamengo x Real Potosí, no qual os jogadores rubro-negros se arrastavam e caíam em campo necessitando de balões de oxigênio enquanto os adversários corriam como carros de F1?
Bonito o discurso de Morales, dizendo que “vai bater às portas da Fifa a qualquer hora e sob qualquer circunstância para que saiba, entenda e compreenda que há um país de pé, e um governo que não vai permitir este veto à Bolívia”. Nada pessoal... Mas para mim, é coisa de quem está querendo aparecer.

P.S.: Não consigo levar a sério um chefe de Estado que se propõe a jogar bola numa praça... Por mais que eu considere o futebol muito importante, tenho certeza que a Bolívia tem outras urgências (a começar por cumprir alguns contratos que Morales andou ignorando).
Foto: Reuters

domingo, maio 27, 2007

Alto nível agora, só se for do jogo...

Finalmente, a Fifa fez algo que já deveria ter feito há tempos: proibiu partidas internacionais em altitudes acima de 2.500 metros. A decisão foi tomada neste domingo (27/05) pelo Comitê Executivo da entidade, que se reuniu no 57º congresso da Fifa.
No comunicado oficial, o Comitê Executivo alega que a medida foi tomada por razões médicas e para proteger a saúde dos jogadores e será adotada imediatamente. Felizmente, não foi preciso que nenhum jogador morresse ou tivesse a saúde gravemente afetada para que a entidade máxima do futebol tomasse essa decisão. Até porque torcedor só gosta de “alto nível” quando a expressão serve para descrever a qualidade do jogo.

Tu!

Mais um comercial da Nike, desta vez reunindo Ronaldinho Gaúcho, Rafael Nadal e Paul Gasol. Just watch it!

Erros de arbitragem

Antes de mais nada, não tenho nenhuma simpatia pela Ana Paula de Oliveira. Aliás, nem por ela nem por nenhum árbitro em atividade, brasileiro ou não. Bom era o Pierluigi Colina. Só acho importante ressaltar que os erros independem do sexo, da cor ou da nacionalidade do árbitro. O nível da arbitragem mundial é fraco e não é de hoje. Por isso, resolvi listar alguns dos erros de arbitragem mais escandalosos que vi ou que soube pelos registros. E lanço a pergunta. Se eles fossem mulheres, o que diriam sobre eles?

1 - Um rombo na camisa. Nem isso foi motivo para o juiz Abraham Klein marcar o puxão do zagueiro italiano Gentile em Zico, no famoso Brasil x Itália, na Copa de 82. Pênalti que poderia ter mudado a história das maiores equipes que o mundo viu jogar.

Gentile rasgou a camisa de Zico dentro da área

2 – Outro pênalti não-marcado, igualmente escandaloso. Na Copa de 94, o italiano Tassoti fraturou o nariz do atacante Luis Enrique, da Espanha, dentro da área. Nem o sangue que escorria do rosto do espanhol foi suficiente para o árbitro Sandor Puhl entender que havia sido pênalti. A Itália venceu jogo por 2 a 1.


Nem o nariz arrebentado fez o juiz marcar o pênalti sofrido por Luis Enrique
3 – Final do campeonato paulista de 1973 entre Santos x Portuguesa. A decisão foi para os pênaltis. Mas Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados, declarando o Santos campeão. O absurdo foi tanto que a Federação Paulista acabou dividindo o título entre as duas equipes.

4 – Um “errinho” mais recente, no Brasileirão de 2005. Campeonato, aliás, que foi realmente decidido não só pelos erros, como também pela desonestidade da arbitragem (ou vamos esquecer de Edílson Pereira dos Santos?). O jogo era Corinthians x Inter e o goleiro Fábio Costa derrubou o atacante Tinga na área? O pênalti claro não foi marcado e Márcio Rezende de Freitas ainda expulsou o jogador do Inter por simulação. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Inter viu os dois pontinhos de uma possível vitória serem fatais para a perda do título.

5 – Dois cartões amarelos geram uma expulsão, certo? Quem gosta de futebol sabe disso, mas o inglês Graham Poll pelo visto não sabia. Na Copa de 2006, mostrou um cartão amarelo para o croata Simunic, aos 16 minutos do 2º tempo. Aos 43 minutos, mostra outro. Simunic (que conhece as regras) sabia que ia ganhar o vermelho e saiu de campo. Só que Poll não deu o cartão. O jogo foi até os 48. Simonic reclamou com o juizão e só aí levou o “segundo” amarelo e o vermelho.

6 – Quartas-de-final da Copa do Brasil, Botafogo x Atlético-MG. O empate com gols dava a vaga ao Galo. E Carlos Eugênio Simon ignorou o pênalti claro sobre Tchô no fim da partida. A vaga ficou com o Botafogo. E dessa vez, não ouvi o Montenegro falando mal de arbitragem.


Poderia listar outras tantas situações. Mas vou fechar a lista por aqui. Coloquei erros diversos, de todos os tipos, ao longo dos anos, só para reforçar a pergunta: se todos esses deslizes tivessem sido cometidos por mulheres, o que teriam dito a respeito?

sexta-feira, maio 25, 2007

Calça e efeito

 Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda

“Ela (Ana Paula Oliveira) é totalmente despreparada. Não vejo mulher em Copa do Mundo, nem em decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, justamente contra o Botafogo. Ela nos assaltou em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão - esbravejou Montenegro”.

Aparentemente, a frase acima teve origem em dois erros gritantes da auxiliar Ana Paula de Oliveira, que resultaram na anulação de dois gols do Botafogo contra o Figueirense, pela semifinal da Copa do Brasil. O time botafoguense perdeu a vaga e o vice de futebol do Botafogo, a razão.Porque Ana Paula de Oliveira errou. Feio. Mas não errou porque é mulher. Errou porque, assim como tantos outros colegas de arbitragem, tem limitação técnica e evidente despreparo. Errou e prejudicou o Botafogo porque a regra da Fifa é ultrapassada e tirana, dando espaço para arrogância, má-intenção, imperícia, incompetência e até erros inocentes. Se a Fifa fosse administrada por mulheres, será que Montenegro e outros dirigentes não usariam isso como justificativa para a obsolescência das regras e para a omissão da entidade diante de tantos erros grotescos que tem alterado a história das partidas, dos clubes, dos campeonatos?

Por isso disse que a frase infeliz teve origem aparente nos erros de Ana Paula; na verdade, fica claro que um comentário desses começa em algo muito anterior: o preconceito. Alguém duvida?O mesmo Carlos Augusto Montenegro chegou a se referir à bandeirinha como "piranha" no intervalo da partida, quando questionado por repórteres. Por que sempre que uma mulher erra no campo profissional chovem ofensas no campo pessoal?

Mas não parou aí. Ao se defender da acusação de preconceituoso, o dirigente lançou mão de outra “pérola”, em matéria do Lancenet:

- O pessoal já leva para esse lado. Não é o fato de ela ser mulher, mas tem uma certa proteção. Se é mulher não pode xingar, bater, não pode fazer nada contra mulher. Se é assim, é melhor que elas não participem do futebol.

Sim. O argumento de Montenegro é que, sendo mulher, uma auxiliar ou árbitra não pode ser xingada ou agredida. Por favor, alguém me diga se esse tipo de comportamento é aceitável e justificável quando se trata de um homem. Não, não é. É inaceitável, seja qual for o sexo. Poucas vezes na vida ouvi "justificativa" tão esdrúxula. O que eu gostaria que não fizesse parte do futebol são os dirigentes que agem como o mais fanático dos torcedores e deixam de lado a responsabilidade de representar uma instituição esportiva de respeito e principalmente, a obrigação de não incitar determinados comportamentos.

Foto: O Globo Online

Preconceito sim

Para quem tem dúvidas, segue a definição da palavra “preconceito”:

1- Qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 1.1- Idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão;

2- Atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.


O futebol, fiel retrato do mundo, destila preconceito. Contra as mulheres, contra gays, contra negros. Como diria Albert Einstein, “triste época em que vivemos, na qual é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito”.

quarta-feira, maio 23, 2007

Menos oito ou oitenta

Milan: campeão da Champions League 2006/2007 Pela sétima vez na história, o Milan está no topo da Europa

Menos oito pontos. Foi assim que o Milan começou no Campeonato Italiano 2006/2007, punido por ter sido beneficiado na manipulação de resultados na Itália. Por pouco não perdeu a vaga na Liga dos Campeões. E mesmo contando com astros como Kaká, Pirlo, Dida, Gattuso, Maldini e cia, a tarefa do clube milanês era ingrata: recuperar em campo a confiança e a credibilidade que havia perdido fora dele. Traduzindo: conquistar um título na temporada.


O técnico Carlo Ancelotti declarou que a perda de pontos que quase tirou o Milan da Liga dos Campeões deixou a equipe mais determinada.

E com méritos, o Milan fez os menos oito pontos se transformarem em oitenta, conquistando pela sétima vez o mais disputado título interclubes do mundo.

Kakaiser

Torcida do Milan exalta Kaká A torcida do Milan já sabe que Kaká é o melhor do mundo na atualidade. Só falta a FIFA...


Inzagui foi o herói do dia. Mas o herói da campanha do Milan é um só: Kaká. O dono do time, o regente. Sofreu a falta que Pirlo cobrou para Inzagui desviar e abrir o placar; deu o passe magistral para o segundo gol. Artilheiro da competição com 10 gols e o jogador que mais chutou a gol, Kaká esbanjou objetividade, criatividade e boa forma física, técnica e tática. Merece, pelas suas arrancadas, gols e passes magistrais, conquistar outro grande título no ano: o de melhor jogador eleito pela FIFA.
Foto: EFE

A palavra é de prata; o silêncio é de ouro...

Parece mentira, mas aconteceu. Horas antes da final da Liga dos Campeões, o site do Liverpool anunciava com todas as letras: “Reds win in Athens”. E estampava: Liverpool Football Club – Champions League Winners 2007. Os jornais "La Repubblica", da Itália, e "Clarín", da Argentina, fizeram matéria sobre a “vitória antecipada”. Se o Milan precisava de incentivo, esse deve ter sido um dos melhores. Bem diz aquele ditado: “a palavra é de prata; o silêncio é de ouro”. No caso, a palavra é vice; o silêncio é campeão.

O site do Liverpool contou vantagem antes da hora... Reprodução

terça-feira, maio 22, 2007

Pontos (es)corridos


Ligas de Futebol O Brasileirão não tem marca...
Caminhamos para a 3ª rodada do principal campeonato do país e nada... Não me animei a escrever sobre o Brasileirão. Resolvi escrever não ter encontrado motivação, mas para falar o porquê da minha desmotivação: pontos corridos. Ou escorridos, como eu prefiro para descrever o que sinto. Não gosto de pontos (es)corridos porque:

1 – Podem dizer que na Europa é assim há anos, que esse sistema premia o time mais regular. Antes de mais nada, os clubes europeus disputam vaga na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, dois campeonatos bem conceituados. Aqui, nós temos a Libertadores e a... Copa Sul-Americana. Me diga com sinceridade: conhece alguém que comemore vaga na Sul-Americana?
2 - Para mim, mata-mata é que o que há. É o que faz perder o sono uma semana antes do jogo decisivo e uma semana depois, até o jogo da volta;

3 – Acho o calendário do futebol brasileiro incoerente; não entendo porque os campeonatos estaduais têm quase cinco meses (17/01 a 06/05) e o Brasileirão, no qual os times viajam e jogam mais, tem quase sete meses (13/05 a 02/12). Não é uma desvalorização desmedida do segundo e uma valorização excessiva dos primeiros?

4 – A diferença de calendário entre o Brasil e a Europa, que faz com que o torcedor brasileiro fique vendo navios (e os craques ou bons jogadores das equipes indo embora);

5 – Manchetes como “Time X ou Y mantém 100% de aproveitamento” depois de DUAS rodadas. É coisa para tentar empolgar a galera, eu sei, mas com duas rodadas nem o torcedor mais fanático consegue sair pelas ruas batendo no peito e gritando: estamos invictos!

6 - Falta "pedigree" ao Brasileirão. O campeonato não tem uma marca, que o identifique como produto (inclusive e por que não, de exportação). Na imagem deste post, um screenshot do Fifa Manager, aparecem as marcas de vários campeonatos que podem ser disputados no game. Até a Noruega (que não tem 1/10 da importância do Brasil no mundo do futebol) tem uma marca. Aí, vejo o Flamengo x Goiás e uma das placas era exatamente a do Campeonato Brasileiro... Nem sombra de marca; só uma placa, escrita em fonte preta sobre fundo branco. Nada que faça o torcedor identificar o Brasileirão como um produto de primeira linha.

Na placa, a 'marca' do Brasileirão.

... porque não dá para chamar isso que está na placa de marca, né?

É, sou uma viúva (ainda inconsolável) do mata-mata, de um campeonato de verdade. E não escondo isso de ninguém...

Imagens: Screenshot Fifa Manager/EA Sports / Diário da Manhã (GO)