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domingo, julho 01, 2007

Primeiro Mundo não...

Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica Engenhão: é preciso ir além da beleza arquitetônica

“De Primeiro Mundo”. Essa é a expressão mais comum para se referir ao Estádio Olímpico João Havelange, o “Engenhão”, inaugurado ontem (30/06) com o clássico Fluminense x Botafogo. Realmente, o estádio é muito bonito. A estrutura é vistosa, de arquitetura diferente em relação aos outros estádios no Brasil. Foi concebido para ser grandioso, atraente. Mas não vamos nos enganar: o Primeiro Mundo passa bem longe do Engenhão, como passa longe de todos os estádios no Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais. Passa longe do Brasil.


Não fui ao jogo, mas fiz questão de dar uma volta no entorno do estádio. E o que vi foi algo que destoa – e muito – da idéia de “Primeiro Mundo”. Porque para ser de “Primeiro Mundo” é preciso mais que um estádio moderno. É preciso modernizar também a mentalidade das pessoas que o administram e dos torcedores que o freqüentam.
O esquema de trânsito foi confuso, causou transtornos. Interditar as ruas em volta para evitar estacionamento irregular e engarrafamentos não é coisa de “Primeiro Mundo”. É coisa de cidade mal-planejada, de espaço urbano mal-administrado, de vias públicas obsoletas e saturadas.
Confusão na entrada também não dá acesso ao “Primeiro Mundo”. Nem banheiros que não têm papel higiênico ou bares que não dão vazão ao público que recebe. Isso é infra-estrutura deficiente, péssimo planejamento, total desconhecimento do evento que está sendo promovido.
Passarelas inacabadas, que deveriam fazer a ligação entre o estádio e a estação de trem também não é “Primeiro Mundo”. É sinal de “obra feita nas coxas”, é desrespeito com quem usa esse transporte e incoerência – já que era expressamente recomendado que o público utilizasse o transporte ferroviário para chegar ao local.
Até agora, falei somente de problemas de organização. Mas falta também educação. Porque o que faz mesmo um lugar ser de primeiro ou quinto mundo não é uma obra arquitetônica, mas a educação de quem nele vive.
E o pobre Engenhão parece fadado aos maus-tratos e ao descaso típicos de um povo que não valoriza o que tem.Vi um grupo de torcedores que se orgulhava de “dar a primeira mijada” nos muros do estádio. Outro grupo, em mais uma exibição lamentável de falta de higiene e respeito, urinar na frente de crianças, de senhoras. Vi gente jogando latas, garrafas, papéis e toda sorte de lixo no chão. Vi gente se empurrando para tentar entrar primeiro. Sem contar a loucura que muitos cometeram para tentar “fugir do trânsito” ou “conseguir uma vaga”, a marra e a postura marginal das torcidas “organizadas” e o desrespeito a qualquer norma de cidadania.
Então, melhor dar outro tom ao discurso: não, não viramos “Primeiro Mundo” de uma hora para outra. Para isso, é preciso ir muito além do que construir "Engenhões": tem que ter educação – e educação no sentido mais amplo da palavra, aquela que molda as atitudes do ser humano, seja ele um administrador de estádio ou um torcedor.
Foto: Divulgação

segunda-feira, junho 25, 2007

Lá e aqui

 Henry no Barcelona: antes da estréia, já marcando gols. Henry no Barcelona: antes mesmo da estréia, já marcando gols.

Henry foi apresentado oficialmente como jogador do Barcelona nesta segunda (25/06). Cerca de 30 mil torcedores foram ao Camp Nou para conferir a chegada do artilheiro francês, que custou € 24 milhões aos cofres do clube.
Não vou nem entrar no mérito das cifras. Para mim, o fato de ter 30 mil pessoas num estádio para ver um jogador chama mais atenção. Tal número é maior que a média de público do Brasileirão (13.440 pessoas). No mesmo campeonato, apenas três jogos tiveram público acima disso: Corinthians 0 X 0 Paraná (40.162 pessoas); Cruzeiro 4 X 2 Atlético (36.746 pessoas); e Internacional 0 X 2 Grêmio (30.372 pessoas). E nem é porque o Brasileirão ainda não “embalou”; ano passado, a competição teve 12.401 de média de público. Pouco, muito pouco mesmo se pensarmos que é nesse mesmo Brasileirão que vimos craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Juan, Adriano e tantos outros despontando.
Podem dizer que a realidade brasileira é outra, que não temos condições de segurar os bons jogadores e muito menos os craques por muito tempo. Na minha opinião, falta mesmo é vontade: dos clubes, dos dirigentes, da TV que compra os direitos de transmissão, do jogadores, dos empresários, do governo. Coisa que sobrou na Inglaterra, lá no início dos anos 80, quando resolveram transformar um campeonato igualmente falido e sem atrativos num dos produtos mais valiosos do futebol mundial na atualidade.

***

Além de Henry, o Barça apresentou a nova camisa para a temporada 2007/2008. O novo uniforme tem listras mais finas, novo desenho da gola e uma homenagem aos 50 anos do estádio do time ao redor do escudo no peito esquerdo (a inscrição "Camp Nou 1957 - 2007").
Mais uma pequena lição que poderia ser aproveitada pelos clubes brasileiros. Aqui, nenhum torcedor sabe ao certo quando o clube vai lançar uma nova camisa: acontece no meio da temporada, durante um campeonato, geralmente com um desfilezinho com famosos ou jogadores da equipe (e que às vezes, nem são os preferidos da torcida). Os modelos se misturam nas lojas e na cabeça dos torcedores. A cara do futebol brasileiro, como um todo.


Foto: AFP

terça-feira, junho 19, 2007

O maior dos erros de Ana Paula

 Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio Ana Paula e a Playboy: o respeito vai para escanteio


Mais uma vez, a assistente Ana Paula de Oliveira volta às manchetes. Dessa vez, não por erros cometidos em jogos aqui e ali. Mas porque assinou um contrato para posar nua na Playboy.
O futebol é machista. Por mais que cada vez mais mulheres atuem profissionalmente direta ou indiretamente com este esporte, o fato é que é difícil conseguir respeito entre os homens. Sinto e senti isso várias vezes, não só profissionalmente, mas até em bate-papos informais numa roda qualquer. Para ser ouvida numa opinião sobre o jogo, a substituição errada ou sobre algum fato memorável qualquer, sempre precisei me esforçar para não dar brecha. Certa vez, um cara disse na minha cara que mulher não entendia de futebol quando eu disse que ele tinha errado o ano que alguns times haviam sido campeões brasileiros. Tive que citar todos os campeões desde 1971. Na ordem. Sem erro. Enfim... Falo isso para deixar claro que “mulher + futebol = respeito” não é simples. Para que essa soma dê esse resultado é preciso saber o que quer. Tem que entender, conhecer, estudar mesmo. Traçar um caminho e dele não se afastar nunca.
Ana Paula andou cometendo erros graves (como todos os profissionais de arbitragem, vivos ou mortos também já fizeram). Só que o erro mais grave contra sua carreira é o que estar por vir. No momento que estampar as páginas da revista, no instante que virar pôster de borracharia, a profissional de arbitragem que queria conseguir o respeito no futebol vai ratificar o estereótipo que tanto queria contrariar. Misturando os canais, ela faz exatamente aquilo que a macharada esperava, se colocando como objeto sexual. Perdeu, definitivamente, o respeito.
Tenho pena é da próxima mulher que sonha tentar vencer nesse campo e no campo. Porque infelizmente, não tem esse papo de “foto artística”. Não conheço um homem que compre esse tipo de publicação pela arte.
Foto: Divulgação Playboy

As "brincadeiras" já começaram...

Já começou a onda de "brincadeiras"...

E não é exagero dizer que Ana Paula vai ser vista como objeto sexual e que sua decisão equivale a dar um cartão vermelho na possibilidade de conseguir respeito.Nesta terça (19/06), foram várias as declarações e gracinhas a respeito.

“Ela que se prejudica por se expor. Acho que tem muito a perder, pois o jogador não vai mais olhar para ela com o respaldo da autoridade”.
André Lima – atacante do Botafogo, ao Lancenet!


“É muito gostosa, com todo o respeito (...). Ela embeleza o futebol brasileiro. Não deve fazer (as fotos), para o bem dela. Mas ela, sinceramente, é um charme”.
Renato Gaúcho – treinador do Fluminense, ao “Bem Amigos”, do Sportv


“Se eu encontrar com ela num programa de TV, vou pedir (um autógrafo). Caso contrário, peço autógrafo num jogo meu em que ela estiver bandeirando (...).Eu saí na "G" e ela vai sair na "Playboy"... Poderíamos fazer uma dupla. Os dois pelados.”
Vampeta – meia do Corinthians, ao Globo Esporte.com


“Vai dificultar o trabalho dela, que ficará marcada pela revista (...)”
Marco Aurélio Cunha – superintendente do São Paulo, ao Globo Esporte.com

Imagem: Reprodução Globo Esporte.com

domingo, junho 17, 2007

Épico no Santiago Bernabeu

 Real Madrid: uma conquista épica Real Madrid: uma conquista épica
Muitos clubes no mundo têm orgulho de ser grande. Outros, uns poucos, cruzaram essa fronteira. São clubes míticos, cuja força é quase anterior às suas datas de fundação, porque já nasceram com o destino de serem épicos. Mais do que grandes, são grandiosos. O Real Mallorca jogava bem, jogava fácil e parecia disposto a calar o Santiago Bernabeu. Dominou o 1º tempo e parecia que faria o mesmo com o 2º. A torcida merengue assistia a tudo apreensiva. Ainda estava 1 a 0 Mallorca quando Varela (que abriu o placar) perdeu um gol incrível. Seria o 2 a 0, a tampa do caixão. Se a bola tivesse entrado, a história seria outra. Mas não entrou. Não sei se por capricho ou destino. Mas o gol que podia ter dado fim ao Real Madrid deu a ele a força necessária não só para fazer o resultado que precisava como também fazer história. Uma epopéia em 90 minutos. A superação que beira a arte, a glória que se entrelaça com o sonho. E neste domingo, o Real Madrid deixou de ser “galáctico” para voltar a ser “mítico”.
Foto: AP/Terra

terça-feira, junho 12, 2007

Você liberaria?

O que você faria nesta situação:

“Você tem uma empresa, conhecida mundialmente por ser líder de mercado e estar sempre à frente dos adversários. Nos últimos quatro anos, apesar dos maciços investimentos recrutando profissionais de ponta, promovendo estratégias de marketing e lançando mão de ferramentas para ampliar a força da marca nos quatro cantos do mundo, os resultados não foram bons.
A empresa perdeu a liderança e passou a ser motivo de chacota, vendo alguns dos principais rivais triunfando. O ambiente era o pior possível e foi preciso cortar na carne: muitos profissionais contratados a peso de ouro precisaram ser mandados embora, a marca perdeu credibilidade. A retomada de mercado demorou, mas foi acontecendo. Os adversários, um pouco céticos quanto à uma possível reação, cometeram algumas falhas. E a reação veio. E agora uma outra empresa requisita – sem pagar um tostão por isso - um dos principais executivos que estão comandando essa reação. Diga-se de passagem, às vésperas de uma importante reunião, prestes a conquistar a liderança novamente. E a segunda empresa quer a ‘consultoria’ já, para uma reunião que vai acontecer daqui a treze dias. Para isso, quer o profissional agora, antes da mais importante reunião dos últimos quatro anos.
A pergunta é: se a empresa fosse sua, você liberaria esse funcionário tão importante?”

Quase posso ouvir daqui você dizendo não. Agora, outro exercício rápido: substitua o “mercado” em questão pelo mundo do futebol; a “empresa” pelo Real Madrid em jejum de quatro anos sem títulos; o “executivo requisitado” por Robinho; a importante reunião, pela decisão contra o Mallorca no próximo fim-de-semana; a “segunda empresa” (a requisitante) pela CBF; e finalmente, a "reunião daqui a treze dias" pela Copa América. No lugar do Real Madrid, você liberaria Robinho?

Enquanto isso, na Sala de Justiça...


A Justiça e o futebol fizeram duas tabelinhas:

1 – Segundo nota do Blog de Esportes do UOL, a Vivo ganhou, através de medida judicial, o direito de estampar sua marca nos uniformes de treino da Seleção Brasileira. Conforme eu tinha destacado no post “Patrocínio Morto-VIVO”, do último dia 01, a CBF havia substituído a marca da operadora pela da campanha da Copa de 2014. Apostas para o próximo round da briga?

A marca da Vivo voltou aos uniformes de treino da Seleção

A marca da Vivo voltou aos uniformes

2 – Outro imbróglio que teve vez nos tribunais foi entre a jornalista Milly Lacombe e o goleiro Rogério Ceni. O problema entre os dois começou quando ela acusou Ceni, em pleno Sportv, de ter falsificado uma assinatura para forjar uma negociação com o Arsenal. Na época, o goleiro ligou para o canal a cabo ao vivo, promovendo uma das maiores escovadas do jornalismo esportivo nos últimos tempos (confira o vídeo abaixo).Pois bem, ontem, a jornalista se desculpou com Ceni diante do juiz, em audiência que durou mais de quatro horas. Além disso, declarou que o respeitava como pessoa e profisional. Sempre ligada, a advogada Gislaine Nunes vai usar a declaração (feita na esfera penal) como prova para o processo na esfera cível, onde ela segue com o pedido de indenização de R$ 150 mil para o ídolo são-paulino. E da forma como foi, convenhamos, Ceni merece marcar mais esse gol.



Foto: Site CBFNews

segunda-feira, junho 11, 2007

Seleção? Não, obrigado...

 Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade? Seleção Brasileira: o que ela representa realmente na atualidade?

Dida disse que não queria mais. Juninho Pernambucano idem. Kaká pediu dispensa. Ronaldinho Gaúcho também. Zé Roberto fez coro e também disse não. O objeto indesejado? A Seleção Brasileira. Imediatamente, surgiram vozes pregando o nacionalismo, o amor à camisa, a devoção incondicional à pátria de chuteiras.

Até quando vamos nos enganar? Se ainda mantém a importância no cenário mundial e a aura vitoriosa, a Seleção Brasileira deixou pelo caminho grande parte de sua mística. Mística que, no Dicionário Houaiss, aparece como “conteúdo de uma idéia, causa, instituição etc., ou a atmosfera ou aura de perfeição, verdade, excelência incontestável que as cerca, despertando nas pessoas respeito, adesão apaixonada, devotamento, sectarismo etc”. Vejam bem as palavras: causa; aura de perfeição; verdade; adesão apaixonada; devotamento. Quantas dela realmente se encaixam naquilo que a Seleção representa hoje?

Não cobrem de Kaká, Ronaldinho ou quem quer que seja um respeito à camisa. Cobrem de quem a tornou objeto de arrecadação desmedida, de quem fez dela um meio de barganha política ou plataformas pessoais. Cobrem de quem marcou amistosos caça-níqueis aos quatro cantos do mundo. Cobrem daquelas pessoas que convocaram jogadores que nunca fizeram jus à história desta camisa amarela e fizeram parecer que esta camisa era acessível a qualquer mortal com um bom empresário e uma boa influência nos bastidores. Cobrem de quem participou do escândalo da CPI da Nike e também de quem deixou que essas pessoas escapassem impunes.

Aliás, se a Seleção Brasileira ainda fosse “A” Seleção, jamais teríamos ouvido tantas teorias conspiratórias sobre a derrota de 98 (a maioria delas baseada em interesses comerciais). Não acredito nelas, mas sei que elas exprimem algo que ainda se nega quando o assunto é Seleção: o dinheiro fala mais alto. Ou há algum registro histórico de balela parecida a respeito da Copa de 50?

Não, não condenem quem pede para não jogar pela Seleção; condenem aqueles que jogam contra ela, mesmo quando vestem esta camisa.
Foto: montagem Glaucia Marques

Curioso é que...

Há pouco tempo atrás, Romário disse em alto e bom tom, no Sportv, que torceu contra a Seleção Brasileira nas Copas de 98 e 2002. Relembrando os motivos para a torcida “contra”, veremos que em 98, ele foi cortado por Zagallo, após ser constatada uma lesão na panturrilha direita. Em 2002, Felipão não achava que Romário fizesse falta (como aliás, não fez mesmo). O Brasil ganhou e Romário ainda admitiu que teve uma sensação ruim quando o penta se confirmou sem sua presença.
“Em 2002 foi pior, o Brasil ganhou e eu não estava lá, minha mãe sofreu muito com isso. Eu não tenho nada contra o Felipão, mas eu acho que a conquista seria mais bonita se eu estivesse lá”.
Ouvi gente dizendo que “o Baixinho não tem papas na língua” ou que “Romário é mesmo polêmico”. Só não ouvi os arautos do nacionalismo e do amor incondicional à Seleção gritarem tão alto quanto estão gritando contra quem pediu dispensa. Hipocrisia é isso aí.

terça-feira, junho 05, 2007

Fifa Big Count

 O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente) O futebol é, de longe, o esporte mais atraente e mais atrativo (economicamente)


Na última sexta (31/05), a Fifa divulgou os números do Big Count 2006, espécie de “censo do futebol mundial” promovido pela entidade com as confederações associadas. Os dados são importantes para dimensionar o esporte mais popular do mundo, além de traduzir a força dele entre os povos. Vamos a alguns números:

* O número de jogadores no mundo chega a 265 milhões. Quase 10% desses atletas é do sexo feminino (cerca de 26 milhões);

*Há 301 mil clubes e 1,7 milhão de equipes, o que dá em média, 6 times por instituição (entre equipes profissionais, equipes B, juniores etc). Desses, só 26 mil têm pelo menos uma equipe feminina;

*O número de clubes, aliás, era de 305 mil no Big Count 2000;

* Há cerca de cinco milhões de árbitros e assistentes;

* Somando-se o número de árbitros e jogadores, são 270 milhões de pessoas diretamente envolvidas com o futebol – cerca de 4% da população mundial;

* Há poucos mais de um milhão de praticantes do beach soccer e do futsal;

* A Ásia tem grande vantagem sobre as outras regiões do mundo no número de praticantes. São 85 milhões de jogadores asiáticos (profissionais e de ocasião), contra 62 milhões de europeus; 46 milhões de africanos; 43 milhões de praticantes do Caribe e das Américas Central e Norte; 27 milhões de sul-americanos; e 500 mil praticantes da Oceania). Se alguém achava que clubes como Real Madrid, Manchester United, Barcelona e Milan investem tanto na Ásia em vão, os números justificam a estratégia deles;

*Falando em praticantes ocasionais, os boleiros amadores chegam a 226 milhões.

A matemática raramente traduz bem uma partida, mas os números divulgados pela Fifa não deixam dúvidas: o futebol é algo grandioso e pode ser elemento-chave para desenvolver ou alavancar economias. O Brasil, até pela representatividade que tem neste esporte, deveria fazer um planejamento sério para usar tamanho potencial mercadológico aqui e no mundo. Devia ser pauta obrigatória não só do Ministério do Esporte, mas de todas as esferas do Estado.
Ainda há dados bem interessantes no censo e com certeza, comentarei alguns deles em breve.

Foto: Getty Images (royalties free)

sexta-feira, junho 01, 2007

Patrocínio Morto-VIVO

A parceria entre a CBF e a operadora Vivo parece caminhar a passos largos para o buraco. No amistoso Brasil x Inglaterra, realizado nesta sexta (01/06), em Wembley, a seleção brasileira exibia a marca da campanha pela Copa de 2014 no local onde ficava a marca da patrocinadora. Como uma imagem vale mais que mil palavras, postei duas fotos (que valem por duas mil).


Daniel Alves posa às vésperas do amistoso Brasil x Kwait - 11/10/2006

Edmílson e Afonso, antes do Brasil x Inglaterra - cadê a marca da Vivo?

Fotos: Agência CBF e Site CBF News

quinta-feira, maio 31, 2007

Novo site da Fifa

Site da Fifa de cara nova



Nesta quinta, a Fifa colocou no ar o novo site da entidade. Visual bem legal e menos sisudo que o anterior. Vale a navegada.

***

O site não é a única novidade da Fifa apresentada neste dia 31/05. A entidade apresentou ainda os novos números do Big Count, levantamento sobre o futebol no mundo. Ainda esta semana, vou comentar alguns desses números.

Reprodução - Fifa.com

quarta-feira, maio 30, 2007

Querendo aparecer...

Acredite: à direita, temos um chefe de Estado
Os caminhos da política e do futebol se cruzaram e se cruzam em várias ocasiões na História. Geralmente, com a primeira tentando se beneficiar do grande poder mobilizador do segundo. E como já era de se esperar até por sua postura política (ou seria a falta dela?), chegou a vez de Evo Morales entrar nesse campo. Até que demorou para o boliviano vestir a camisa dos que gostam de se auto-promover às custas do futebol. Hugo Chávez, da Venezuela, já está tirando casquinha da realização da Copa América deste ano em seu país para isso.
E agora, o coleguinha boliviano ameaça fazer barulho para convencer o Joseph Blatter, presidente da Fifa, a desistir da decisão de vetar jogos em locais acima dos 2.500 metros de altitude. Para isso, promoveu o “Dia do Desafio” com objetivo de mostrar que a prática de esportes é possível na altitude. Para dar exemplo, bateu uma bolinha na Praça Murillo, em frente ao Palácio de Governo da Bolívia.
Bom, a Fifa em momento algum proibiu partidas na altitude e sim partidas internacionais. Porque para quem está acostumado, jogar bola a sei lá quantos mil metros acima do mar é fácil. O problema é para quem vem de fora. E não adianta comparar altitude com calor de 40 graus ou frio abaixo de zero. Porque Sol escaldante ou frio congelante afetam as duas equipes em campo; altitude não. Afeta um dos lados somente. E isso é sim, fator de preponderante favorecimento a um dos lados. Sou carioca, acostumada a temperaturas altas e a ver capeta se abanando nos dias de verão intenso. Mas me chamem para praticar qualquer esporte sob o Sol de meio-dia... Eu também vou sentir a temperatura. E também vou ficar com três palmos de língua para fora. Na altitude isso não acontece. Ou alguém já esqueceu do Flamengo x Real Potosí, no qual os jogadores rubro-negros se arrastavam e caíam em campo necessitando de balões de oxigênio enquanto os adversários corriam como carros de F1?
Bonito o discurso de Morales, dizendo que “vai bater às portas da Fifa a qualquer hora e sob qualquer circunstância para que saiba, entenda e compreenda que há um país de pé, e um governo que não vai permitir este veto à Bolívia”. Nada pessoal... Mas para mim, é coisa de quem está querendo aparecer.

P.S.: Não consigo levar a sério um chefe de Estado que se propõe a jogar bola numa praça... Por mais que eu considere o futebol muito importante, tenho certeza que a Bolívia tem outras urgências (a começar por cumprir alguns contratos que Morales andou ignorando).
Foto: Reuters

domingo, maio 27, 2007

Alto nível agora, só se for do jogo...

Finalmente, a Fifa fez algo que já deveria ter feito há tempos: proibiu partidas internacionais em altitudes acima de 2.500 metros. A decisão foi tomada neste domingo (27/05) pelo Comitê Executivo da entidade, que se reuniu no 57º congresso da Fifa.
No comunicado oficial, o Comitê Executivo alega que a medida foi tomada por razões médicas e para proteger a saúde dos jogadores e será adotada imediatamente. Felizmente, não foi preciso que nenhum jogador morresse ou tivesse a saúde gravemente afetada para que a entidade máxima do futebol tomasse essa decisão. Até porque torcedor só gosta de “alto nível” quando a expressão serve para descrever a qualidade do jogo.

Tu!

Mais um comercial da Nike, desta vez reunindo Ronaldinho Gaúcho, Rafael Nadal e Paul Gasol. Just watch it!

Erros de arbitragem

Antes de mais nada, não tenho nenhuma simpatia pela Ana Paula de Oliveira. Aliás, nem por ela nem por nenhum árbitro em atividade, brasileiro ou não. Bom era o Pierluigi Colina. Só acho importante ressaltar que os erros independem do sexo, da cor ou da nacionalidade do árbitro. O nível da arbitragem mundial é fraco e não é de hoje. Por isso, resolvi listar alguns dos erros de arbitragem mais escandalosos que vi ou que soube pelos registros. E lanço a pergunta. Se eles fossem mulheres, o que diriam sobre eles?

1 - Um rombo na camisa. Nem isso foi motivo para o juiz Abraham Klein marcar o puxão do zagueiro italiano Gentile em Zico, no famoso Brasil x Itália, na Copa de 82. Pênalti que poderia ter mudado a história das maiores equipes que o mundo viu jogar.

Gentile rasgou a camisa de Zico dentro da área

2 – Outro pênalti não-marcado, igualmente escandaloso. Na Copa de 94, o italiano Tassoti fraturou o nariz do atacante Luis Enrique, da Espanha, dentro da área. Nem o sangue que escorria do rosto do espanhol foi suficiente para o árbitro Sandor Puhl entender que havia sido pênalti. A Itália venceu jogo por 2 a 1.


Nem o nariz arrebentado fez o juiz marcar o pênalti sofrido por Luis Enrique
3 – Final do campeonato paulista de 1973 entre Santos x Portuguesa. A decisão foi para os pênaltis. Mas Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados, declarando o Santos campeão. O absurdo foi tanto que a Federação Paulista acabou dividindo o título entre as duas equipes.

4 – Um “errinho” mais recente, no Brasileirão de 2005. Campeonato, aliás, que foi realmente decidido não só pelos erros, como também pela desonestidade da arbitragem (ou vamos esquecer de Edílson Pereira dos Santos?). O jogo era Corinthians x Inter e o goleiro Fábio Costa derrubou o atacante Tinga na área? O pênalti claro não foi marcado e Márcio Rezende de Freitas ainda expulsou o jogador do Inter por simulação. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Inter viu os dois pontinhos de uma possível vitória serem fatais para a perda do título.

5 – Dois cartões amarelos geram uma expulsão, certo? Quem gosta de futebol sabe disso, mas o inglês Graham Poll pelo visto não sabia. Na Copa de 2006, mostrou um cartão amarelo para o croata Simunic, aos 16 minutos do 2º tempo. Aos 43 minutos, mostra outro. Simunic (que conhece as regras) sabia que ia ganhar o vermelho e saiu de campo. Só que Poll não deu o cartão. O jogo foi até os 48. Simonic reclamou com o juizão e só aí levou o “segundo” amarelo e o vermelho.

6 – Quartas-de-final da Copa do Brasil, Botafogo x Atlético-MG. O empate com gols dava a vaga ao Galo. E Carlos Eugênio Simon ignorou o pênalti claro sobre Tchô no fim da partida. A vaga ficou com o Botafogo. E dessa vez, não ouvi o Montenegro falando mal de arbitragem.


Poderia listar outras tantas situações. Mas vou fechar a lista por aqui. Coloquei erros diversos, de todos os tipos, ao longo dos anos, só para reforçar a pergunta: se todos esses deslizes tivessem sido cometidos por mulheres, o que teriam dito a respeito?

sexta-feira, maio 25, 2007

Calça e efeito

 Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda Ana Paula: atuação lamentável gerou atitudes mais lamentáveis ainda

“Ela (Ana Paula Oliveira) é totalmente despreparada. Não vejo mulher em Copa do Mundo, nem em decisão da Liga Européia. Não vejo nas decisões mais importantes, mas colocaram uma mulher aqui, justamente contra o Botafogo. Ela nos assaltou em R$ 2,5 milhões, que seria quanto o clube ganharia por chegar à decisão - esbravejou Montenegro”.

Aparentemente, a frase acima teve origem em dois erros gritantes da auxiliar Ana Paula de Oliveira, que resultaram na anulação de dois gols do Botafogo contra o Figueirense, pela semifinal da Copa do Brasil. O time botafoguense perdeu a vaga e o vice de futebol do Botafogo, a razão.Porque Ana Paula de Oliveira errou. Feio. Mas não errou porque é mulher. Errou porque, assim como tantos outros colegas de arbitragem, tem limitação técnica e evidente despreparo. Errou e prejudicou o Botafogo porque a regra da Fifa é ultrapassada e tirana, dando espaço para arrogância, má-intenção, imperícia, incompetência e até erros inocentes. Se a Fifa fosse administrada por mulheres, será que Montenegro e outros dirigentes não usariam isso como justificativa para a obsolescência das regras e para a omissão da entidade diante de tantos erros grotescos que tem alterado a história das partidas, dos clubes, dos campeonatos?

Por isso disse que a frase infeliz teve origem aparente nos erros de Ana Paula; na verdade, fica claro que um comentário desses começa em algo muito anterior: o preconceito. Alguém duvida?O mesmo Carlos Augusto Montenegro chegou a se referir à bandeirinha como "piranha" no intervalo da partida, quando questionado por repórteres. Por que sempre que uma mulher erra no campo profissional chovem ofensas no campo pessoal?

Mas não parou aí. Ao se defender da acusação de preconceituoso, o dirigente lançou mão de outra “pérola”, em matéria do Lancenet:

- O pessoal já leva para esse lado. Não é o fato de ela ser mulher, mas tem uma certa proteção. Se é mulher não pode xingar, bater, não pode fazer nada contra mulher. Se é assim, é melhor que elas não participem do futebol.

Sim. O argumento de Montenegro é que, sendo mulher, uma auxiliar ou árbitra não pode ser xingada ou agredida. Por favor, alguém me diga se esse tipo de comportamento é aceitável e justificável quando se trata de um homem. Não, não é. É inaceitável, seja qual for o sexo. Poucas vezes na vida ouvi "justificativa" tão esdrúxula. O que eu gostaria que não fizesse parte do futebol são os dirigentes que agem como o mais fanático dos torcedores e deixam de lado a responsabilidade de representar uma instituição esportiva de respeito e principalmente, a obrigação de não incitar determinados comportamentos.

Foto: O Globo Online

Preconceito sim

Para quem tem dúvidas, segue a definição da palavra “preconceito”:

1- Qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 1.1- Idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão;

2- Atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.


O futebol, fiel retrato do mundo, destila preconceito. Contra as mulheres, contra gays, contra negros. Como diria Albert Einstein, “triste época em que vivemos, na qual é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito”.

quarta-feira, maio 23, 2007

Menos oito ou oitenta

Milan: campeão da Champions League 2006/2007 Pela sétima vez na história, o Milan está no topo da Europa

Menos oito pontos. Foi assim que o Milan começou no Campeonato Italiano 2006/2007, punido por ter sido beneficiado na manipulação de resultados na Itália. Por pouco não perdeu a vaga na Liga dos Campeões. E mesmo contando com astros como Kaká, Pirlo, Dida, Gattuso, Maldini e cia, a tarefa do clube milanês era ingrata: recuperar em campo a confiança e a credibilidade que havia perdido fora dele. Traduzindo: conquistar um título na temporada.


O técnico Carlo Ancelotti declarou que a perda de pontos que quase tirou o Milan da Liga dos Campeões deixou a equipe mais determinada.

E com méritos, o Milan fez os menos oito pontos se transformarem em oitenta, conquistando pela sétima vez o mais disputado título interclubes do mundo.

Kakaiser

Torcida do Milan exalta Kaká A torcida do Milan já sabe que Kaká é o melhor do mundo na atualidade. Só falta a FIFA...


Inzagui foi o herói do dia. Mas o herói da campanha do Milan é um só: Kaká. O dono do time, o regente. Sofreu a falta que Pirlo cobrou para Inzagui desviar e abrir o placar; deu o passe magistral para o segundo gol. Artilheiro da competição com 10 gols e o jogador que mais chutou a gol, Kaká esbanjou objetividade, criatividade e boa forma física, técnica e tática. Merece, pelas suas arrancadas, gols e passes magistrais, conquistar outro grande título no ano: o de melhor jogador eleito pela FIFA.
Foto: EFE

A palavra é de prata; o silêncio é de ouro...

Parece mentira, mas aconteceu. Horas antes da final da Liga dos Campeões, o site do Liverpool anunciava com todas as letras: “Reds win in Athens”. E estampava: Liverpool Football Club – Champions League Winners 2007. Os jornais "La Repubblica", da Itália, e "Clarín", da Argentina, fizeram matéria sobre a “vitória antecipada”. Se o Milan precisava de incentivo, esse deve ter sido um dos melhores. Bem diz aquele ditado: “a palavra é de prata; o silêncio é de ouro”. No caso, a palavra é vice; o silêncio é campeão.

O site do Liverpool contou vantagem antes da hora... Reprodução

terça-feira, maio 22, 2007

Pontos (es)corridos


Ligas de Futebol O Brasileirão não tem marca...
Caminhamos para a 3ª rodada do principal campeonato do país e nada... Não me animei a escrever sobre o Brasileirão. Resolvi escrever não ter encontrado motivação, mas para falar o porquê da minha desmotivação: pontos corridos. Ou escorridos, como eu prefiro para descrever o que sinto. Não gosto de pontos (es)corridos porque:

1 – Podem dizer que na Europa é assim há anos, que esse sistema premia o time mais regular. Antes de mais nada, os clubes europeus disputam vaga na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, dois campeonatos bem conceituados. Aqui, nós temos a Libertadores e a... Copa Sul-Americana. Me diga com sinceridade: conhece alguém que comemore vaga na Sul-Americana?
2 - Para mim, mata-mata é que o que há. É o que faz perder o sono uma semana antes do jogo decisivo e uma semana depois, até o jogo da volta;

3 – Acho o calendário do futebol brasileiro incoerente; não entendo porque os campeonatos estaduais têm quase cinco meses (17/01 a 06/05) e o Brasileirão, no qual os times viajam e jogam mais, tem quase sete meses (13/05 a 02/12). Não é uma desvalorização desmedida do segundo e uma valorização excessiva dos primeiros?

4 – A diferença de calendário entre o Brasil e a Europa, que faz com que o torcedor brasileiro fique vendo navios (e os craques ou bons jogadores das equipes indo embora);

5 – Manchetes como “Time X ou Y mantém 100% de aproveitamento” depois de DUAS rodadas. É coisa para tentar empolgar a galera, eu sei, mas com duas rodadas nem o torcedor mais fanático consegue sair pelas ruas batendo no peito e gritando: estamos invictos!

6 - Falta "pedigree" ao Brasileirão. O campeonato não tem uma marca, que o identifique como produto (inclusive e por que não, de exportação). Na imagem deste post, um screenshot do Fifa Manager, aparecem as marcas de vários campeonatos que podem ser disputados no game. Até a Noruega (que não tem 1/10 da importância do Brasil no mundo do futebol) tem uma marca. Aí, vejo o Flamengo x Goiás e uma das placas era exatamente a do Campeonato Brasileiro... Nem sombra de marca; só uma placa, escrita em fonte preta sobre fundo branco. Nada que faça o torcedor identificar o Brasileirão como um produto de primeira linha.

Na placa, a 'marca' do Brasileirão.

... porque não dá para chamar isso que está na placa de marca, né?

É, sou uma viúva (ainda inconsolável) do mata-mata, de um campeonato de verdade. E não escondo isso de ninguém...

Imagens: Screenshot Fifa Manager/EA Sports / Diário da Manhã (GO)

Os dois “Flamengos”

Qual é a cara do Flamengo? Qual é a cara do Flamengo: a da derrota ou a da vitória?

Uma das grandes incógnitas do Campeonato Brasileiro é o Flamengo. Porque o time de Ney Franco, na verdade, são dois. Sim, Ney Franco dirige não um, mas dois Flamengos. Um, é o Flamengo do 1º tempo da primeira partida da final contra o Botafogo; mesmo Flamengo do jogo de ida contra o Defensor e de boa parte do jogo contra o Palmeiras. O outro é o Flamengo que buscou o empate no 2º tempo da final citada quando perdia por 2 a 0; que foi o mesmo rubro-negro que entrou em campo no Maracanã contra os uruguaios e só não reverteu a vantagem porque o juiz não deixou. Flamengo esse que entrou em campo também contra o Goiás, dominando o jogo no Serra Dourada com ótimo padrão tático e técnico.

O Flamengo tem sido regular em sua irregularidade. E esse é o maior desafio de Ney Franco: fazer com que o time tenha uma só cara, um padrão. E que esta cara e esse padrão sejam, é claro, a do “segundo” Flamengo. Se conseguir, pode fazer o que nenhum técnico fez nos últimos anos: fazer o clube da Gávea disputar o título brasileiro. E aí, qual Flamengo vai prevalecer?

Imagem montada com fotos de "O Globo"

A Liga dos Campeões já tem um vencedor

 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007 Milan x Liverpool: a Adidas é a grande vencedora da LC 2006/2007


Escrevo esse post na terça (22/05), véspera da final da Liga dos Campeões. Mas não tenho medo de afirmar: o campeonato de clubes mais disputado do planeta já tem um campeão. Aliás, campeã. A Adidas. A foto não deixa dúvidas: mais uma vez, a gigante alemã dá um baile na Nike, principal concorrente.
A Adidas fornece não só a bola oficial do jogo, como também patrocina os dois times que disputam a final. Fez barba, cabelo e bigode.
Foto: EFE/Globo.com

domingo, maio 13, 2007

Erro de juiz ou erro de juízo?

Há no Direito o termo em latim error in judicando, cuja definição mais simples é algo como “equívoco na aplicação dos efeitos da norma processual”; “erro ao julgar; erro de procedimento”; “erro que ocorre quando o Juiz decide mal a questão que lhe é submetida”. E quando isso ocorre, o Direito considera que é um erro que merece ser sanado.


Não, meu blog não é para assuntos jurídicos agora. O parágrafo anterior foi para questionar: o que temos visto em campo, em relação às atuações das arbitragens, são meros “erros de juiz” ou “erros de juízo”? Em menos de uma semana, foram pelo menos três erros clamorosos (e decisivos):


1 – O impedimento dado pelo árbitro Djalma José Beltrami, que tirou de Dodô a oportunidade de fazer o gol do título alvinegro contra o Flamengo, na 2ª partida da final do Estadual do Rio. O Flamengo acabou vencendo nos pênaltis;


2 – A sucessão de lambanças do argentino Héctor Baldassi no jogo Flamengo x Defensor, não dando dois pênaltis para o rubro-negro e deixando de coibir o anti-jogo uruguaio (que paralisou mais de 1/3 do jogo segundo o Lance!). Resultado: pelo “conjunto da obra” do juiz, o time carioca não conseguiu fazer o placar que necessitava e saiu da Taça Libertadores da América;


3 – No dia seguinte, foi a vez de Carlos Eugênio Simon decidir um jogo, deixando de dar um pênalti claro, claríssimo, a favor do Atlético-MG, aos 47 do segundo tempo, na partida pelas quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Botafogo. O Galo perdeu a chance de empatar e deu adeus ao torneio (atalho para a Libertadores 2008).


Não foram lances duvidosos; todos os lances foram claros, clamorosos, escandalosos. Lances capitais. Erros gritantes e vergonhosos que comprometeram o trabalho de diversos profissionais. Que acabaram com a alegria de milhões de torcedores.


A FIFA que me desculpe, mas a regra 5 precisa ser revista. O parágrafo que garante que “as decisões do árbitro sobre fatos em relação ao jogo são definitivas” tornou-se perigoso e nocivo ao futebol atual. Perigoso porque é muito arriscado para o jogo, como espetáculo, ser decidido pela limitação técnica, péssima interpretação/desconhecimento da regra, má-intenção e até desonestidade de uma única pessoa (escândalos de arbitragem em todos os cantos do planeta não me deixam mentir). Nocivo porque estamos falando de um dito futebol em alto nível profissional e econômico e erros do tipo prejudicam o planejamento, a arrecadação e a credibilidade deste esporte como negócio.


A FIFA gosta de afirmar que erro de juiz pode ser um charme, um elemento que alimenta a magia do futebol. Está errado. Desde o momento que o erro dos juízes têm-se caracterizado pelo erro de juízo. Erros assim tiram a graça, roubam a vontade de acompanhar os campeonatos. É muita coisa em jogo para depender de uma pessoa só. Pessoa essa sujeita a todo tipo de fraquezas, de humores, de defeitos (de preparo profissional e de caráter). Cartão vermelho para a roubalheira e a incompetência de apito!

Fair play é coisa que dá nos outros...

Curioso mesmo foi ouvir a declaração do técnico Cuca, do Botafogo, perguntado sobre o pênalti claro que não foi dado contra sua equipe e que poderia ter dado vaga na semifinal da Copa do Brasil ao Atlético-MG.“Também deram um impedimento que me tirou o título no último domingo”.
Certo, Cuca, certo... O erro de um árbitro prejudicou o alvinegro carioca na final do Estadual; mas nunca poderia servir de justificativa para outro erro – igualmente vergonhoso – na Copa do Brasil. Que o Botafogo não levante o bastião pela moralidade na arbitragem (como ameaçou fazê-lo depois da partida contra o Flamengo) se a idéia for baseada na Lei de Gérson ou no popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Se todo mundo que já sofreu um assalto justificasse que outra pessoa fosse assaltada para compensar sua perda, onde a gente estaria? Fair play? Palavrinha bonita que a FIFA inventou para que técnicos, jogadores e dirigentes pudessem jogar pedra nos outros. Esquecendo é claro, que também têm telhado de vidro...

segunda-feira, maio 07, 2007

Se torcida não ganha jogo...

"A nossa torcida foi uma decepção, uma vergonha. Uma das grandes razões da derrota, independente do juiz e do bandeira, foi o não comparecimento do nosso torcedor. Se ele não nos ajudar, não ganhamos a Copa do Brasil, que é uma guerra. A torcida tem de dizer presente e prestigiar, o que ela não tem feito’. Depois do Bebeto de Freitas, foi a vez de Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol alvinegro. Eu dizia num dos posts anteriores que os torcedores do Flamengo tem méritos por não acreditar no chavão “torcida não ganha jogo”. Só que nesta segunda, pelo que vi nas ruas, pelo que li e ouvi nos noticiários – incluindo as declarações dos dirigentes botafoguenses – o chavão precisa ser alterado. Porque por tudo que está sendo falado, torcida não ganha jogo, mas pode ajudar a perder.

domingo, maio 06, 2007

Camisa 10, nota dez

O autêntico camisa 10 da Gávea É o camisa 10 da Gávea!
Mais do que o título carioca, a torcida do Flamengo tem outro motivo de comemoração: Renato Augusto. Como há muito tempo não se via, um prata-da-casa veste a camisa 10 sem sentir seu peso e com ela desfila com futebol vistoso e eficiente. Desde Petkovic, herói do tri em 2001, é o primeiro camisa 10 que não faz Zico ficar vermelho (de raiva e vergonha).
Renato Augusto veste a 10 rubro-negra e a 10 rubro-negra veste Renato Augusto. É um casamento que tem tudo para dar certo a médio-prazo. Digo médio-prazo porque, infelizmente, é difícil segurar um talento no futebol brasileiro. Que seja um feliz casamento enquanto dure. Renato Augusto: um camisa 10 nota dez.

Onde está a diferença?

Torcida do Flamengo faz a diferença
Nas arquibancadas do Maracanã, o fator decisivo para o título.
O Botafogo foi melhor nos dois jogos das finais do Campeonato Carioca. “Dos quatro tempos das duas partidas da decisão, o Botafogo foi melhor em três”, declarou Cuca. E ainda assim, o time perdeu o título para o Flamengo. O que fez a diferença a favor do time rubro-negro?
A diferença entre o Flamengo e o Botafogo não se fez dentro de campo. Prova disso é que os três jogos entre as duas equipes terminaram empatados (3 a 3 no 1º turno; 2 a 2 no 1º e 2º jogos das finais). Nos dois últimos, o alvinegro foi melhor a maior parte do tempo (ou dos tempos, como prefere Cuca). O fiel da balança se fez fora do campo: nas arquibancadas, nas cadeiras, na renovada geral. Talvez seja repetitivo falar da torcida do Flamengo e da sua força. É o time mais popular do país, não? Então, vamos reverter um pouco o ângulo, vamos fugir do lugar-comum. Vamos falar da torcida do Botafogo. Sem dúvida, o alvinegro é uma boa equipe, a despeito da falta de grana. Tem jogadores que mantém boa regularidade nos jogos e jogadores que podem fazer a diferença: Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio. No entanto, chega a final e nas arquibancadas, o que se vê são botafoguenses em número infinitas vezes menor que o número de flamenguistas. Fico imaginando a cabeça dos jogadores de um e outro time quando entram no gramado e olham o estádio. Será que não faz mesmo diferença?
Eu penso que sim e não penso sozinha. Até o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, reconheceu isso. "Fico triste com a torcida que não comparece para ajudar, principalmente numa decisão. Esse time merece apoio total e irrestrito dos alvinegros. Peço que eles venham em grande número no jogo contra o Atlético-MG, quinta-feira, pela Copa do Brasil”.
O título está na Gávea e alguns vão dizer que não teve nada a ver com os torcedores que foram ao estádio. Há quem possa argumentar com o chavão “torcida não ganha jogo”. Pode ser. Mas bem faz a torcida do Flamengo quando deixa isso de lado e faz questão de acreditar que, se alguma coisa pode fazer a diferença na hora da decisão, é ela.

Os números e o futebol

Toda transmissão é a mesma coisa: estatísticas e mais estatísticas tentando ratificar teorias, atuações, esquemas táticos e problemas técnicos. Herança direta de esportes como o basquete (o tal scout começou a dar as caras aqui com o televisionamento da NBA) e do vôlei. Mas tem uma grande diferença: esses dois esportes podem ser traduzidos em números; peguem um milhão de estatísticas do basquete ou do vôlei e a possibilidade desses números traduzirem o vencedor do jogo é enorme. Mas no futebol não. O futebol não pode exagerar desse recurso. Mas é que todo jogo, o torcedor é metralhado com número disso, scout daquilo, contagem aqui, estatística acolá. E a grande maioria não representa muita coisa. Não acrescenta nada. No entanto, o tempo todo a gente é obrigado números que dizem sei lá o quê, tipo: “o time A marcou 53,6% dos gols na temporada entre os 2 e os 7 minutos do segundo tempo”; “fulano já marcou 4,7% dos gols de pé esquerdo, 90% com o direito, 5% de cabeça e 0,3% de joelho”. Chega! O futebol nunca foi nem será baseado na precisão das Ciências Exatas. Alguém quer uma estatística interessante? Prefiro uma, resultado de uma pesquisa do Laboratório Nacional Los Alamos, Estados Unidos, publicada ano passado. Nela, comprovaram que o futebol é o mais imprevisível dos esportes. Números? Bobagem... No futebol, os únicos números que interessam e realmente fazem diferença são aqueles que estão no placar.


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Esse são os números que fazem diferença no futebol
Um bom exemplo disso é a final do Campeonato Carioca de 2007. Não anotei, mas não tenho dúvidas que os números fariam do Botafogo campeão. Botafogo, aliás, que está há mais de uma dezena de jogos invicto no Maracanã nem perdeu clássicos neste Estadual; marcou gols em todas as partidas que fez no ano – exceto uma (contra o Atlético-MG). O campeão? Foi o Flamengo. Cujo ataque vive aos trancos e barrancos desde a saída do Obina; que tomou uma lavada de um timeco semana passada e que não venceu um clássico sequer no tempo normal no mesmo Campeonato Carioca. No entanto, o número que vale mesmo é o que aparece na foto. Daqui a trinta anos, vão lembrar que o Flamengo é o campeão de 2007 e não que, estatisticamente, o Botafogo merecia levar o caneco.

quarta-feira, maio 02, 2007

Amo muito tudo isso

Futebol: definitivamente AMO muito tudo isso!


Semifinal da Liga dos Campeões, quartas-de-final da Copa do Brasil, oitavas da Libertadores... Horas de futebol ao vivo na TV e nos estádios mundo afora. Plagiando o Mc Donald´s: amo muito tudo isso!

Milan x Liverpool: revanche ou repeteco?

Kaká conduz o Milan à Final da Liga dos Campeões Ele tem feito a diferença para o Milan

Nesta quarta (02/05), conhecemos a final da Liga dos Campeões. O Milan sapecou 3 a 0 no Manchester United e não só evitou uma final inglesa no melhor campeonato de clubes do mundo, como ainda ganhou a chance de uma revanche contra o Liverpool (que na temporada 2004/2005 saiu de um 3 a 0 para um empate em 3 a 3, arrancando o título da LC nos pênaltis).
Aconteça o que acontecer no próximo dia 23, em Atenas, se o Liverpool quiser o título, vai ter que parar Kaká, regente absoluto do rubro-negro italiano. E se Kaká levar o Milan ao título, vai dar uma arrancada e tanto para conseguir outra conquista: a de ser eleito o melhor jogador do mundo na atualidade. Como é um jogo só, tudo pode acontecer – uma revanche saborosa ou um repeteco apetitoso.

segunda-feira, abril 23, 2007

Semifinais da Liga dos Campeões



Começa nesta terça (24/04) a fase semifinal da Liga dos Campeões. O Milan vai à Inglaterra jogar contra o Manchester United, num confronto que vai colocar frente a frente os dois atacantes que mais chutaram a gol na competição: Cristiano Ronaldo, dos Red Devils, e Kaká, que também é o artilheiro da LC com sete gols. Os italianos lutam pelo sétimo título europeu e também para não deixar que a final 2006/2007 seja 100% inglesa pela primeira vez na história. Desde que foi criada, em 1955, a competição só viu duas finais entre equipes do mesmo país: na temporada 1999/2000, com Real Madrid x Valencia; e na temporada 2002/2003, com Juventus x Milan.


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Na quarta, é a vez de Chelsea x Liverpool (segundo e terceiro colocados, respectivamente, na Premier League) entrarem em campo. Tomara que os ingleses façam confrontos acirrados somente dentro das quatro linhas. Deus salve o bom futebol (e a Rainha se tiver um tempinho sobrando).

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Falando em Liga dos Campeões, a “versão feminina” do torneio já está nas finais. O Umeå IK, time de Marta, perdeu em casa, nos acréscimos, para o Arsenal. Dia 29/04 tem o jogo de volta na Inglaterra. Sim, a competição das meninas tem dois jogos decisivos e não um, como na Liga dos Campeões (coisa que, aliás, eu realmente não entendo, nem do ponto de vista técnico muito menos do financeiro).

Imagens: Adaptação Uefa.com

domingo, abril 22, 2007

Deixem Messi ser Messi


Como não podia deixar de ser, o assunto mais badalado da semana foi o golaço de Messi. A perícia da jogada, a nacionalidade do jogador e a arrancada lembraram outro gol, feito por outro argentino. Sim, o gol de Messi foi semelhante ao gol de Maradona na Copa de 86. Imediatamente, começou a enxurrada de comparações. É o “novo Maradona”. É o “Messidona”. “É o meu sucessor”, nas palavras do próprio Diego quando viu o gol do jovem jogador do Barça do hospital onde está internado.

Futebol é assim mesmo. Quando Maradona surgiu, com certeza disseram coisas tipo “é o novo Di Stéfano”. Maradona despontou e escreveu sua história. Virou ele mesmo a referência, o ícone a ser igualado.

Então, vou na contramão agora para pedir: deixem Messi ser Lionel Messi. Ele só tem 19 anos. Fez uma obra-prima que o futebol não vê todo dia. Mas não foi só esse gol: quem acompanha o Barcelona, sabe que ele tem um potencial enorme, um repertório inesgotável. É um jogador exuberante, raro.. Messi tem direito a ser apenas Messi. E ‘apenas’ aqui não tem intenção de diminuí-lo. O ‘apenas’ denota o sentido de ser único. Como ele é.

O futebol precisa ver o nascimento de outros mitos; a nova geração precisa ver o surgimento de novas referências. Por isso, sinceramente, não acho que o futebol não precisa de outro Maradona. Até porque acho que o mundo já anda perdido demais para ter mais um gênio dentro de campo e uma figura tão digna de pena fora dele. Torço mesmo, cruzo os dedos para que Messi não tenha nada de Maradona. Faço votos que ele deslumbre, encante, surpreenda dentro de campo e seja um exemplo fora dele (como Maradona nunca foi). Que não enverede por determinadas encruzilhadas que o caminho da fama e do sucesso costumam cruzar. Que ele seja o ícone de atleta magistral nas quatro linhas e de ser humano notável fora dele. E quanto mais leio todas as notícias sobre o estado de Maradona e seus problemas de saúde, sua arrogância – a ponto do médico dele afirmar que o craque se acha “um Deus”, seu desequilíbrio e sua inabilidade para lidar com o que seu talento construiu, mais eu desejo que não esteja vendo o “novo Maradona”.
Deixem Messi ser Messi. Porque acho que isso vai ser mais do que suficiente para este brilhante argentino escrever seu nome na história do futebol mundial.

Mais golaços

A exemplo de Messi, o brasileiro Diego também fez um golaço essa semana, marcando do meio-campo na vitória do Werder Bremen contra o Alemannia Aachen. Verdade que não se compara à obra-prima do argentino, mas é um belo gol sem dúvida nenhuma.



Vale citar também o gol do ex-flamenguista Jônatas, do Espanyol, feito na rodada da semana passada, contra o Atlético de Bilbao. Assim como o gol de Diego, foi marcado de muito longe.

quarta-feira, abril 18, 2007

O novo “MESSIas” do futebol-arte

Sou brasileira, ele é argentino. Mas isso não é suficiente para que eu deixe de admirá-lo. Quando digo que Lionel Messi ainda terá o mundo a seus pés, não é exagero. Isso acontecerá, de fato, porque a Terra é redonda. Igual à bola. E Messi faz com a bola o que quiser: é, sem dúvida, um artista raro, um jogador destinado a produzir antologia.

O golaço que fez pelo Barcelona contra o Getafe, nas semifinais da Copa do Rei, é do tipo que entra para uma seleta galeria de obras-primas do futebol mundial. Aliás, que bom que a competição tem o nome de “Copa do Rei”. Nada mais adequado para aquele que é o novo “MESSIas” do futebol-arte.



Até quando?


Acabava de postar meu último texto e vou à página do Lancenet. Destaque da home: "Nova eleição está cancelada". Se referia, claro, ao imbróglio político no Vasco. "Eurico e seus Mirandas" aprontam mais uma.

É, parece que vai ser preciso mais do que cartas de navegação e uma boa caravela para esse Vasco da Gama encontrar um caminho em meio às águas turbulentas e nada límpidas no mar da politicagem do clube.
***
Tão ruim quanto isso, é ler no jornal "O Globo", de 16 de abril, na notícia "Vasco deve anunciar hoje nome do técnico", o seguinte trecho:
"(...) Antônio Lopes está cotado, mas depende da aprovação de Romário - o técnico vetou a ida do craque para o Corinthians em 2005."
Depende da aprovação de Romário? L-A-S-T-I-M-Á-V-E-L! Vamos ver quanto tempo dura o fantoche da vez, o 'escolhido' Celso Roth.
Foto: Reprodução Lancenet!

A vaia






Uma crise acontece quando um modelo antigo não existe mais e o novo não existe ainda. Isso resume bem o estágio do futebol brasileiro. Não é nem profissional, nem amador. Dirigentes e jogadores se esmeram em discursos e cifras para pregar o profissionalismo; mas no fundo – ou às vezes no ‘raso’ mesmo – agem e desejam o amadorismo.


Exemplo? Vejam o comportamento do meia Zé Roberto, do Botafogo. Na primeira partida da final da Taça Rio, o time alvinegro empatou em 2 a 2 com a Cabofriense. Zé Roberto, um dos ídolos do time na atualidade e cobiçado por alguns clubes no início de temporada jogou mal. Acabou substituído por dores musculares. Mas na substituição, veio a vaia. E com a vaia, veio o chilique:

- A torcida cobra mesmo, mas por tudo que fiz pelo Botafogo não deveria ser assim. Agora ela me ajudou a decidir. Já que não está satisfeita, vou procurar outro lugar. Essa vaia serviu para eu tomar uma decisão na minha vida.



Sim. Zé Roberto acha que não pode ser vaiado. Nunca. Nem quando joga mal. Não quero ser injusta, então, vou além: não é só ele que pensa assim. Noventa e nove por cento dos jogadores agem e pensam da mesma forma. Foram vaiados? Birra. O técnico substituiu por opção tática? Xingamentos, gesticulação acirrada, cara feia. Levou o vermelho porque mandou o juiz para aquele lugar ou porque imitou Bruce Lee num carrinho? Reclamação, protestos contra a injustiça, discurso ‘é-por-isso-que-o-futebol-tá-assim’. Repetitivo, não?



O que transparece é que jogador de futebol nunca está errado. É sempre o ser mais inocente do planeta e o melhor intencionado também. Torcedores, dirigentes, jornalistas, técnicos e juízes são todos injustos, canalhas, desequilibrados e todas as variações possíveis desses adjetivos.



Verdade que no futebol torcedor, dirigente, jornalista, técnico e juiz nem sempre são exemplos de nada. Porém, esse misto de vaidade e birra dos jogadores não ajuda. Querem cobrar profissionalismo? Reclamar dos salários atrasados, dos erros clamorosos da arbitragem? Dos torcedores que invadem treinos, CTs, quebram carros? Dos jornalistas duas caras e dos técnicos idem? Sou a primeira a puxar o coro. Mas não batam o pezinho que calça a chuteira colorida quando a vaia vem. Não cruzem os braços e digam que não querem mais brincar disso. Porque soa como incoerência, imaturidade. Soa como saudade do paternalismo típico do amadorismo. Resumindo: não é profissional. E quem não age como um profissional, não pode clamar pelo profissionalismo.



A vaia, principalmente ao próprio time ou aos próprios jogadores, é um direito do torcedor de verdade. Porque torcedor de verdade vai ao estádio com a intenção de aplaudir, de exaltar. Se não exalta, se apela para a vaia, ninguém pode criticar. Só quem já vaiou o próprio time quando esperava aplaudir e vibrar pode entender que a vaia dói mesmo não é em quem recebe; é em quem faz.

Foto: Gazeta Esportiva

quinta-feira, abril 12, 2007

Eu sou f...

Mal eu tinha me ajeitado no sofá e o Vasco fez o primeiro gol. Uma bobeira da defesa botafoguense; oportunismo do meia Renato. Ótimo, futebol é isso aí.Mas nem precisei fazer parte da turma de leitura labial do Fantástico para entender o que ele dizia na corrida da comemoração. Batidas no peito e o “brado”: eu sou f...
Esse tem sido um dos “números” preferidos dos jogadores no Brasil. Ontem foi o Renato do Vasco. Mas já foi o Souza, do Flamengo; o Carlos Alberto, do Fluminense e por aí vai...
Quando comecei a acompanhar futebol, vi jogar alguns craques, que figuram na lista dos maiores da história. Vi Zico, Roberto Dinamite, Sócrates, Júnior... Jogadores que marcavam gols com certa freqüência. E que nunca vi explanando tamanha auto-suficiência. Eram jogadores que não vestiam máscara – nem figurada, muito menos literalmente – no momento mais alegre do futebol.
Uma vez, assisti uma entrevista na qual ouvi o Zico dizer:
- Nunca corria para a torcida adversária quando fazia um gol. Eu procurava sempre comemorar com a minha torcida, porque essa era a minha maior alegria.
E ele corria de braços abertos, às vezes, punhos cerrados, sorriso aberto. Pelé dava socos no ar, alegria estampada no rosto. Nada de raiva do mundo, arrogância travestida de extravaso. Ser f... de verdade é isso aí.

A solidão de Romário

Não era noite dele...
Me chamou atenção ontem quando as câmeras da Globo captaram a reação de Romário quando Luciano Almeida converteu e sacramentou a vitória do Botafogo nos pênaltis. O Baixinho estava abraçado aos companheiros de equipe Allan Kardec e Renato.

Assim que a bola entrou, eles saíram. Romário ficou sozinho, talvez pela primeira vez na noite. Olhou a torcida do Vasco, de frente para ele. Era pura decepção, tristeza. Era o próprio retrato da solidão.


Brilha a estrela...do futebol


O que se viu na semifinal da Taça Rio não foi uma chuva de gols simplesmente. O que se viu foi uma enxurrada de futebol-espetáculo. O que se viu no Maracanã foi um épico que emocionou até as torcidas que não estavam envolvidas no jogo.


Foi muito mais que oito gols em 90 minutos. Muito mais que os cinco gols na decisão por pênaltis. Muito mais do que os erros e acertos que forjam heróis e vilões. Foi a teoria do caos imprimindo uma ordem mágica aos fatos. A espera do inesperado, decantada no comercial da Nike. Ontem, Vasco e Botafogo foram meros instrumentos dos deuses do esporte bretão - encarnaram magia, força e brilho. Nunca se viu tanta cor num clássico entre alvinegros.


Engana-se quem acha que brilhou apenas a estrela do Botafogo; ontem, o que brilhou mesmo foi a estrela do futebol. Carioca, brasileiro, mundial. Intergaláctico até.

segunda-feira, abril 09, 2007

Ronaldo nos Simpsons

Cena do episódio dos Simpsons, que promete ser "fenomenal"




Nem Gillardino, nem Inzagui. O próximo parceiro de Ronaldo Fenômeno é... Lisa Simpson. Ainda este mês, a FOX americana vai exibir o episódio no qual o camisa 99 do Milan vai dar uma forcinha ao time da filha do amigo Homer numa escolinha de futebol.

Merecida homenagem ao craque, que faz parte da lista de celebridades que apareceram nos Simpsons. Gente do calibre de Kiefer Sutherland, Natalie Portman, Ramones, Aerosmith, U2, Stan Lee, Adam West, Gillian Anderson, David Duchovny, Lenny Kravitz, Mick Jagger… Alguém acha que nessa listinha há espaço para Fábio Capello? Hum, acho que não, hein?

domingo, abril 08, 2007

Capotando no Gol Mil

Anúncio fake que circula na internet: por causa desse Gol 1000, o Vasco pode derrapar.


Detesto me repetir. E mais ainda, se for neste blog. Mas é inevitável. Assunto: Vasco e o gol mil de Romário.


Mesmo quando ele não entra em campo, a saga do milésimo tento atrapalha o time vascaíno. Sim, porque o Baixinho não jogou contra o Cabofriense, mas compareceu ao estádio Alair Corrêa para ver a partida. E no intervalo, quando o Vasco foi para o vestiário com uma atuação pífia nas costas e 2 a 0 adversos no placar, Romário fez a segunda coisa que mais sabe fazer (além dos gols): disparar flechadas verbais. Das arquibancadas, em entrevista ao excelente Tino Marcos, soltou o verbo. Detonou Renato Gaúcho e Leandro Amaral porque estes, durante a semana, afirmaram que a ansiedade pelo feito de Romário estava atrapalhando toda a equipe. E não fez por menos: disse com todas as letras que “quem não agüenta pressão tem que ir embora, seja o treinador ou qualquer jogador”.


Não sei se a torcida vascaína faz questão de Renato Gaúcho. Mas criticar Leandro Amaral é mais do que uma injustiça: é uma temeridade. Ele é, sem sombra de dúvidas, o melhor jogador do Vasco atualmente. Não é coincidência. Dois fatores têm sido decisivos para o declínio vascaíno: a ansiedade do time desde o momento que saiu o gol 999 e a queda de rendimento de Leandro Amaral (provavelmente por este mesmo motivo). Desde que ele não marca, a equipe não vence.


A declaração de Romário pode ser a fagulha que faltava para estourar o paiol vascaíno. E lamentavelmente, mais uma vez, quem perde é o clube. Ou alguém duvida que, se sobrar para alguém além do técnico, Leandro Amaral pode começar a sofrer um processo de fritura na panelinha do Baixinho?


Pegando carona com uma meta que não era a sua, o primeiro semestre do Vasco pode capotar no Gol Mil.

sexta-feira, abril 06, 2007

Toques rápidos

Abel Braga merece ficar


Não entendo determinadas posturas da imprensa esportiva. Sempre criticam o imediatismo dos clubes brasileiros quando estes trocam sempre de técnico. Aí o Internacional mantém Abel Braga no comando da equipe depois do vexame no Brasileirão. E aí, pinta uma manchete tipo a do UOL: “Mesmo com pior campanha da história, Abel Braga fica no Inter”. E tinha que ser diferente?

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Aliás, a má-fase no Internacional poderia até ser explicada pelo excelente desempenho em 2006. Chegou forte em todos os títulos que disputou, mas foi um temporada extenuante. E o Fluminense, alguém consegue explicar? Me parece um time muito doente há pelos três temporadas, quando forma bons times no papel, mas nunca em campo. Ironicamente, a empresa médica que patrocina o tricolor carioca também não consegue curar o problema.

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E o Carlos Alberto? Mais um típico caso de bom jogador que acha que é fora-de-série, cracaço. Grande negócio faria um clube que comprasse jogadores assim pelo que eles realmente valem e depois, conseguisse vendê-los pelo valor que eles julgam ter.

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Será que os gritos de “Ah, é Edmundo”, que a torcida do Vasco gritou depois do vexame contra o Gama na Copa do Brasil, secaram o atacante palmeirense? Aquele pênalti batido pelo Animal contra o Ipatinga me lembrou um outro, cobrado também por ele, com a camisa do Vasco. O jogo? A decisão do Mundial de Clubes no Maracanã e que o Corinthians acabou levando.


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River Plate fora da Libertadores já na primeira fase, num grupo com Colo-Colo, LDU e Caracas. Futebol é realmente fascinante, não?

quinta-feira, abril 05, 2007

Ih, Vasco... Deu Gama

O milésimo não saiu. Já o Vasco...


Os jogadores passam, trocam de camisa, fazem juras de amor aos times que antes diziam detestar. Mas os clubes não. Os clubes permanecem. Por isso, nenhum dirigente que se preza devia esquecer: onde começam a grandeza e os interesses de um clube, termina a importância de um jogador.

O Vasco precisava lembrar disso para não confundir os objetivos de Romário com os seus.A meta pessoal de Romário acabou se tornando também o objetivo do Vasco, que deveria almejar vitórias e títulos. Uma equação canibalista, onde o maior prejudicado será o clube.

Verdade que Romário é importante. Sua corrida pelo milésimo gol colocou o clube cruzmaltino na mídia, de forma positiva, como há muito não se via. Por conta do gol mil, até patrocínio na camisa o Vasco voltou a ter, depois de longos seis anos “em branco”. Mas qual o custo disso? No caso do patrocínio, especificamente, custou um terço do valor pago pelo patrocinador. Além disso, o contrato é do tipo “tampão”, tiro curto: o vínculo entre as partes termina ainda no primeiro semestre; só será estendido até o fim do ano se – e somente se - o atacante prorrogar a carreira pelo mesmo período. Então, vamos pensar juntos: é um contrato com a instituição Vasco ou com o jogador?

Romário já disse também: depois que estufar a rede pela milésima vez como jogador, pretende viajar, tirar uma folga. O Vasco precisa dele? Isso é um detalhe... Ele treina quando quer, joga quando e (agora também onde) tem vontade.

Aliás, esse é outro exemplo de quanto a relação é nociva. O Baixinho quer que o milésimo saia logo. Só que não pode sair em qualquer estádio: tem que ser no Maracanã. Sim, é o templo do futebol brasileiro. Sim, o ideal é o jogo ser marcado lá. Mas naturalmente... Não mudando os locais das partidas. Na corrida pelo gol mil, Pelé poderia ter marcado na Paraíba, na Bahia... Aconteceu no Rio de Janeiro, no Maracanã? Foi obra do destino, dos deuses do futebol. O Vasco de Romário não é o Santos de Pelé: é um time esforçado e só. Jamais deveria abrir mão de jogar em seu próprio estádio, onde os jogadores treinam todos os dias, conhecem mais o campo que qualquer adversário. Ou São Januário não é digno do milésimo dele? O resultado do capricho foi o que se viu: o Maracanã serviu de palco para uma festa sim. Festa do Gama. Aos 48 minutos do segundo tempo, um outro camisa 11 fez o que se esperava do camisa 11 vascaíno: gol. Camisa 11, aliás, que Eurico garante que será imortalizada: nenhum jogador será digno de vesti-la por lá. E eu que pensava que Roberto Dinamite era o maior ídolo da história vascaína... Se bem que ele, Eurico já expulsou de São Januário uma vez (o mesmo Roberto que, voltando de uma passagem apagada na Europa, não quis jogar no Flamengo para não trair o Vasco). Talvez Eurico tenha esquecido que Romário já usou lencinho branco para limpar as lágrimas vascaínas quando fez um gol pelo Fla.

O Baixinho é grande. Sem dúvidas. Mas será mesmo que o grande Vasco precisa ficar baixinho por ele?

terça-feira, abril 03, 2007

Bojan Krkic


Sou apaixonada pela Internet. Desde que ela está na minha vida, algumas informações sobre o meu esporte predileto estão ali, a meu dispor... Basta dar uma garimpada.
Pois bem... Por motivos profissionais, fiz uma busca de vídeos do Barcelona no You Tube e entre os resultados obtidos, vi alguns com um nome: Bojan Krkic. Decidi olhar um deles e ver do que se tratava. Bojan Krkic é o nome da mais nova “jóia da coroa” do clube catalão.



Joguei no Google; vieram 40.400 resultados, incluindo o que parece ser um esboço de site oficial. Apesar do nome, Krkic é espanhol, nascido em 28 de agosto de 1990. Tem, portanto, apenas 16 anos. Em outro resultado da busca, li uma matéria da Uefa sobre a revelação, que brilhou no Europeu Sub-17 em 2006. A matéria lista outros prodígios, mas não economiza ao falar do jogador do Barça, tido como “principal sensação do torneio”.
Ao contrário de Messi, que apesar de revelado pelo Barcelona, não pode servir à Seleção Espanhola, futuramente Krkic pode ajudar a Fúria a voar alto nas grandes competições. Olho no garoto!